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Thiem e Medvedev: noite de MMA
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2020 às 00:05

Para muitos, é a tão famosa ‘final antecipada’. Acho que nem tanto. De qualquer forma, o aguardadíssimo duelo entre Dominic Thiem e Daniil Medvedev por vaga na final do US Open promete uma noite de desmedida pancadaria na sexta-feira, ao melhor estilo MMA. É algo para cinco sets, alguns tiebreaks, o que seria ainda mais interessante.

Como era esperado, Thiem encontrou pouca dificuldade para superar o australiano Alex de Minaur, que usou todas as armas que podia, incluindo subidas incansáveis à rede, mas para equilibrar seria necessário que o cabeça 2 não estivesse tão afiado. Qual nada. Thiem disparou seus golpes pesadíssimos mesclados com uso muito frequente e acertado de slices e ficou atento às passadas. Ainda perdeu duas vezes o serviço por afobações e o terceiro set chegou a ficar duro no 4/4, porém o volume de jogo dos dois é muito diferente: 43 dos seus 95 pontos foram winners. De Minaur marcou apenas 17.

À tarde, Medvedev prevaleceu de novo no duelo russo diante do amigo Andrey Rublev. A vitória o manteve invicto em sets no torneio, porém foi bem mais exigente. O primeiro set sem break-point chegou ao tiebreak e aí Rublev abriu 5-1 e depois 6-3 com saque. Não ganhou mais pontos, ficou irritadíssimo com razão. Medvedev obteve a única quebra da partida no segundo set e precisou ir a outro tiebreak, que chegou a perigosos 5-5. Foi quem mais forçou o jogo – 51 winners e 37 erros – e por isso mereceu.

O histórico entre Thiem e Medvedev é curto. O austríaco ganhou duas vezes, na quadra dura de St. Petersburgo em 2018, único jogo equilibrado e no terceiro set. Em seguida, levou a melhor na final de Barcelona de 2019, aí por 6/4 e 6/0. Pouco depois, o russo venceu facilmente nas quartas do Canadá, 6/3 e 6/1.

Será curioso ver os dois jogando bem atrás da linha de base, apostando na força física. Thiem ganhou muita confiança no backhand na paralela, geralmente seguido de um slice bem cruzado, e essa poderá ser a opção tática determinante. Se eu fosse apostar, seria nele.

Primeiro grande momento: Serena x Azarenka
Deu a lógica no complemento das quartas femininas, mas em situações muito diferentes. Serena Williams teve grande trabalho para superar Tsvetana Pironkova, que venceu o primeiro set e abriu o seguinte com quebra, enquanto Victoria Azarenka atropelou uma irreconhecível Elise Mertens. Quem vencer, tentará se juntar às três únicas mães que já venceram um Slam na Era Aberta: Margaret Court, Evonne Goolagong e Kim Clijsters. Elas fazem a segunda semifinal desta quinta-feira, por volta de 21h30, logo depois de Naomi Osaka-Jennifer Brady.

Serena foi amplamente dominada no início por Pironkova, que sacou bem, se mexeu muito no fundo e usou variações com slice de forehand. Deu uma única brecha e aí Serena reagiu e começou a jogar bem melhor. Quando ganha confiança, é difícil aguentar seu ritmo. Terminou com 20 aces, sete voleios perfeitos e 18 winners da base. E mesmo tendo feito 2h28 no jogo anterior e mais 2h12 nesta quarta, não pareceu cansada.

Os números de Williams são colossais. Chega à 39ª semi de Slam, onde soma 33 vitórias, e tentará a 11ª final no US Open, a terceira consecutiva. Sua primeira, que já terminou em título, aconteceu há 21 anos! Hexampeã, atinge agora 106 vitórias em Flushing Meadows e 101 na Arthur Ashe. Isso tudo faltando 17 dias para completar o 39º aniversário.

Vika por sua vez disputará a primeira semi de Slam desde o vice de 2013 no mesmo US Open. Foi a segunda final consecutiva que perdeu lá, e adivinhem quem impediu seus títulos.  Depois de um susto nas oitavas de final de segunda-feira, voltou a praticar um tênis extremamente sólido e com enorme apuro tático. Ainda ajudou muito o dia ruim de Mertens, que chegou às quartas sem perder set mas jogou pouco com o primeiro saque e virou presa fácil.

Para atingir a oitava semi de Slam da carreira (retrospecto é de quatro vitórias), Azarenka somou a 10ª vitória consecutiva, embalada desde o Premier de Cincinnati, que aconteceu excepcionalmente em Nova York. A confiança não poderia estar mais alta para o novo desafio.

Pelo retrospecto de 18 vitórias em 22 duelos, Serena poderia ter o favoritismo, mas o fato é que Azarenka vem jogando melhor nas últimas semanas e tem mostrado um forehand angulado que é uma arma poderosa diante da norte-americana. A última de Azarenka nos confrontos foi em 2016. No ano passado, se cruzaram em Indian Wells e o jogo foi duro.

Rankings se mexem
– Mesmo perdendo pontos, Djokovic chegará ao saibro europeu 1.010 pontos à frente de Nadal. Mas espanhol não tem como somar em Roma e Paris.
– Se for campeão, Thiem fará no máximo 9.125 pontos e terá chance de somar 800 em Paris, superando então Nadal. Sua presença em Roma é incerta.
– Medvedev poderá tirar Federer do quarto posto se ganhar o US Open, Zverev chegará a sexto no caso de título.
– Carreño já avançou nove postos (18º), pode ir a 11º ou até mesmo ao 8º, superando seu recorde pessoal.
– Osaka será quarta caso atinja a final e terceira com eventual título, mas ainda estaria quase 3.000 pontos atrás da líder Barty.
– O máximo que Serena pode recuperar é o quarto posto.
– Azarenka estava fora do top 50 antes de Cincinnati, agora já é 17ª. O troféu lhe dará o 11º.
– De 41, Brady salta para 25 e brigará pelo 17º se tirar Osaka.
– Nas quartas em challenger francês, Wild não conseguirá chegar ao top 100 mesmo se levantar o troféu, mas tem chance de ir a 102.

Thiem ou Medvedev? Façam suas apostas.
Por José Nilton Dalcim
8 de setembro de 2020 às 00:03

Novak Djokovic não está mais em Nova York e o favoritismo natural ao título é herdado por Dominic Thiem e Daniil Medvedev. O primeiro problema deles, no entanto, é que estão do mesmo lado da chave. Se vencerem na quarta-feira dois nomes perigosos da novíssima geração, terão de duelar entre si por mais uma final de Grand Slam e se candidatar para o troféu que já lhes escapou.

Os jogos-teste desta segunda-feira, um dia depois de se surpreenderem com o buraco deixado pela desclassificação do número 1, foram muito bem administrados por ambos e, a rigor, tiveram um único set. Thiem, que já havia progredido na vitória sobre Marin Cilic, se mostrou muito à vontade depois de ganhar o tiebreak contra Felix Auger-Aliassime. O canadense decepcionou, é verdade, porém é preciso colocar na conta a forma com que o austríaco o sufocou e deu pouco tempo para ele respirar.

O russo por sua vez atropelou um desanimado Frances Tiafoe, que só engordou seus games no primeiro set porque Medvedev deixou escapar o 5/2 com saque. Ainda assim, ganhou só cinco games no total e levou um ‘pneu’. O finalista do ano passado fez ótimas cruzadas, variou com deixadinhas de backhand, sacou quase sempre muito bem e outra vez economizou valiosa energia.

O adversário de Thiem será o australiano Alex de Minaur, de 21 anos, que alcança seu maior resultado em Slam ao tirar o agressivo Vasek Pospisil. O detalhe do jogo foi o tiebreak do primeiro set, em que o canadense abriu 6-2 e perdeu três serviços e seis pontos seguidos. Pouco fez depois disso. O pupilo de Lleyton Hewitt enfrentou Thiem duas vezes em melhor de cinco sets e não aguentou o ritmo dos golpes pesados do adversário. Mas isso foi há dois anos e há evidentes evoluções no jogo do australiano, ainda que seu forte ainda sejam o espírito de luta e o baixo número de erros não forçados. Apostaria que ele irá tirar no máximo um set de Thiem.

Andrey Rublev, de 22 anos, tem mais bagagem. Já esteve nas quartas do US Open em 2017, bem antes de explodir de vez. Seu problema diante de Medvedev está no fato de os padrões serem muito parecidos – saque forte, base pesada e poucas variações – e acima de tudo um certo respeito que nutre pelo compatriota, a quem enfrenta e se diverte desde os tempos de juvenil. Nunca venceu em três confrontos na ATP. Para avançar nesta segunda-feira, Rublev superou um início de muitos erros e aí apostou tudo no ainda frágil backhand de Matteo Berrettini. Meu palpite é que Medvedev passará sem sustos.

Serena se supera, Kenin diz adeus
Na sua melhor apresentação desde a volta do circuito e de seus três torneios jogados, Serena Williams controlou não apenas os nervos mas também os golpes para uma dura vitória em cima da boa Maria Sakkari. Mesmo deslocada para os ângulos pela grega, a multicampeã soube esperar a hora do contragolpe. Sakkari fez mais winners (35 a 30), porém também liderou os erros (43 a 38).

Fará agora um curioso duelo de mães contra Tsvetana Pironkova, que não se repete desde 2015. Serena ganhou todos os quatro. A búlgara sem dúvida parece uma adversária bem mais confortável para a norte-americana porque também gosta de arriscar, faz pontos mais curtos e comete falhas naturais desse estilo. A performance contra o forte poder defensivo de Alizé Cornet foi ótima.

Nos jogos da noite, Sofia Kenin se perdeu em seus erros mas também no apuro tático de Elise Mertens. A belga cometeu apenas sete erros não forçados na partida, três no set inicial, e manteve pressão constante sobre a cabeça 2 e vencedora do Australian Open em janeiro.

O jogo contra Victoria Azarenka promete muito. A bielorrussa não teve vida fácil diante de Karolina Muchova, que reaiizou um primeiro set muito consistente mas depois passou a sentir a coxa esquerda e perdeu mobilidade. Mudou a tática, arriscou cada vez mais e nem assim saiu de jogo, obrigando Vika a manter um alto padrão até o último game. Belo jogo. O duelo entre Mertens e Azarenka será inédito e, para mim, sem prognósticos.

Grande dia de Soares e Pavic
Depois de um início de torneio travado, em que quase pararam na estreia, Bruno Soares e o canhoto croata Mate Pavic cresceram jogo a jogo e obtiveram uma grande vitória em cima dos britânicos Jamie Murray e Neal Skupski. Devoluções primorosas foram o ponto alto.

Este é o melhor resultado da parceria, formada no ano passado. Para o mineiro, é a terceira tentativa de chegar à final masculina do US Open, onde foi campeão em 2016 com o mesmo Murray e finalista em 2012 com Alex Peya. Ele tem ainda dois títulos de mistas.

Os adversários são respeitáveis: Julian Rojer e Horia Tecau, que conquistaram o torneio em 2017, além de terem vencido Wimbledon e o Finals dois anos antes.

Luísa Stefani, por sua vez, caiu nas quartas. Desta vez, ela e Hayley Carter mostraram clara inferioridade diante de Nicole Melichar e Yifan Xu. A paulista de 23 anos segue agora para o saibro europeu, onde a adaptação da dupla é um pouco mais difícil.

A um passo da eternidade
Por José Nilton Dalcim
28 de agosto de 2020 às 21:08

Foi muito sofrido mas, em seu melhor estilo, Novak Djokovic arrancou forças de onde parecia não haver mais e conseguiu o direito de tentar mais um feito histórico, e dificilmente igualável, em sua carreira. Se obtiver o bi no evento relativo a Cincinnati às 14h deste sábado, será o único tenista a ter ao menos dois troféus em cada um dos nove Masters 1000 ativos. É um feito tão mais espetacular quando se observa que a Rafael Nadal, Roger Federer, Andre Agassi e Andy Murray, os outros quatro grandes colecionadores, faltam dois títulos para uma coleção completa.

O sérvio jogou sua pior partida da semana, pareceu sentir grande desgaste físico e voltou a ter problemas com o pescoço. Isso o levou a intensos altos e baixos, que se somaram ao espirito lutador e às bolas chatas de Roberto Bautista. O espanhol mudou um tanto seu plano habitual, evitou paralelas e insistiu incansavelmente em atacar o backhand de Djoko. Uma tática que aparentemente tinha dois objetivos: evitar erros com as bolas cruzadas e tirar o máximo proveito do problema muscular do oponente.

Não foi um jogo espetacular, mas uma batalha de consistência. Os dois tiveram suas chances no terceiro set e isso resume razoavelmente a partida: Bautista teve 2/1 e saque antes de perder quatro games seguidos. Nole abriu 5/2 e sacou para a vitória em seguida, cedendo também quatro games consecutivos. Com 6/5, o espanhol fez 30-30 e não conseguiu cravar um saque vencedor. Aí o tiebreak o puniu severamente, com um passeio de um Djokovic soberano e agressivo.

O número 1 terá apenas 19 horas para se recuperar antes de encarar um embaladíssimo Milos Raonic, que agradeceu os dois erros cruciais de Stefanos Tsitsipas na reta final do primeiro set e depois deslanchou. O saque afiado, o forehand pesadíssimo e os voleios apurados enfim têm a companhia de um backhand sólido como há muito se esperava do canadense.

Esse arsenal respeitável e as dificuldades físicas do adversário serão enfim suficientes para acabar com o amargo tabu de 10 derrotas para Djokovic? É um desafio mental e tanto. Os dois fizeram outras duas finais, em Indian Wells e Bercy, e mais quatro jogos em quadra dura, incluindo a veloz Cincinnati, e o sucesso sempre foi do sérvio. Apesar de terem disputado oito tiebreaks nesse histórico, até hoje Raonic só tirou um set. E no saibro de Roma.

Milos tem oito pequenos títulos de ATP 250, mas fez três finais de Masters e uma de Wimbledon. Aos 29 anos e com várias interrupções na carreira, pode fechar a semana como o 13º do ranking. Vale todo o esforço do mundo.

Grande final no feminino
Pelo que apresentaram ao longo da semana no piso mais veloz de Flushing Meadows, Naomi Osaka e Victoria Azarenka farão uma justa e promissora final do Premier, às 12 horas deste sábado.

Para melhorar, Osaka ainda se livrou da adversária talvez mais temida, já que ela jamais venceu Johanna Konta em três duelos. E Konta começou bem, antes de permitir a virada de Victoria Azarenka, que vive uma sequência de vitórias que há muito não comemorava.

O grande destaque da vitória de Osaka em cima da belga Elise Mertens foi sua capacidade de lutar nos break-points, tendo evitado 18 de 21 que permitiu. Mertens mostrou um serviço frágil, que foi quebrado cinco vezes, mas igualou a briga nos winners (27 a 30 da japonesa).

Vika perdeu dois dos três confrontos diante de Osaka, mas não creio que isso pese mais do que seu desejo de encerrar o longo jejum de títulos, que vem desde a dobradinha Indian Wells-Miami de 2016 e seu anúncio da gravidez. Desde então, fez uma única final no pequeno WTA de Monterrey no ano passado. O troféu também valerá a volta ao top 30.

A bielorrussa de 31 anos foi a primeira a quebrar o saque de Konta na semana e isso só aconteceu no segundo set. E pouco a pouco subiu de qualidade nas devoluções, algo que pode ser decisivo diante da número 10.

Mais confusão
Os sussurros ouvidos pelos bastidores parecem que se tornarão realidade neste sábado, às vésperas do US Open. Liderados por Vasek Pospisil, uma série de jogadores descontentes com a atual administração da ATP quer dar início à uma entidade paralela.

O afastamento de Guido Pella e Hugo Dellien de Cincinnati e o adiamento da rodada de quinta-feira devido à postura de Naomi Osaka foram o estopim de um atrito que vem desde que Andrea Gaudenzi assumiu o comando. É esperar para ver quem tem mais cartas na mão.