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À espera de adrenalina
Por José Nilton Dalcim
9 de julho de 2019 às 19:18

É bem verdade que cada um dos Big 3 já teve seu jogo mais apertado neste Wimbledon, deixando um set no caminho, mas aquela emoção mesmo ainda não veio. Ao encarar nas quartas de final adversários experientes e ambiciosos, quem sabe a adrenalina suba de vez.

Fato curioso, tanto David Goffin, como Kei Nishikori e Sam Querrey ganharam o duelo mais recente que fizeram diante de seus oponentes desta quarta-feira, o que coloca um molho adicional. Possuem também estilos bem diferentes, para agradar todos os gostos.

Vamos a um rápido resumo das quartas masculinas,que começam às 9h:

Djokovic x Goffin – Belga surpreende na grama desde Halle. Apesar da falta de potência nos golpes, se mexe muito bem. Tem usado slices e voleios com frequência. Tenta pela quarta vez fazer sua primeira semi de Slam, enquanto sérvio busca a 36ª. Djoko tem 5-1 nos confrontos, com única derrota no lento saibro de Monte Carlo.

Federer x Nishikori – Japonês é muito forte nos contragolpes, joga perto da linha e pega tudo na subida, acelerando bem o jogo. Para surpreender o suíço no Finals do ano passado, também foi bem agressivo pelas paralelas.  Federer lidera por 7-3 e 1-0 na grama e busca a histórica 100ª vitória em Wimbledon.

Nadal x Querrey – Norte-americano tem um estilo moderno, com aposta no saque mas solidez nos golpes de base. Usa bem o slice e se vira na rede. Já fez semi em Wimbledon há dois anos, quando bateu Murray. Espanhol ganhou 4 dos 5 duelos, com única derrota em Acapulco-2017, e tenta 32ª quartas em Slam e sétima em Wimbledon.

Bautista x Pella – Os dois tiraram cabeças de chave na caminhada e buscam inédita semi de Slam. Com golpes retos, espanhol ainda não perdeu sets. Canhoto argentino tirou Anderson e Raonic com competência nas devoluções e passadas. Bautista venceu os 2 duelos entre eles e já ganhou um ATP na grama.

E mais
– O mais jovem quadrifinalista da chave masculina é Goffin, de 28 anos. Cinco são ‘trintões’: o Big 3 mais Bautista e Querrey.
– A única vez que o Big 3 chegou na semi de Wimbledon foi em 2007. No geral, isso aconteceu 12 vezes em Slam e pode ser a segunda seguida.
– Esta é a quinta presença em quartas de Slam consecutiva de Nishikori. Em 3 de 4, ele perdeu do campeão.
– Bautista e Pella fazem primeiro duelo de quartas no torneio em que não há um top 20 desde 2013. O espanhol ficou 6h em quadra neste Wimbledon, a metade do argentino.

Viradas marcam quartas femininas
O que não faltaram foram emoções nas quartas de final femininas de Wimbledon desta terça-feira e todas as vencedoras tiveram de lutar com placar adverso e manter a cabeça fria.

Simona Halep e Elina Svitolina tiveram momentos difíceis. A romena chegou a estar a um passo do 1/5 no primeiro set, mas aí iniciou reação em cima de Shuai Zheng. A ucraniana, que havia perdido as quatro tentativas anteriores de ir a uma semi de Slam, viu Karolina Muchova abrir 5/2 com um tênis exuberante para então perder o ritmo. O jogo foi recheado de belos lances junto à rede.

Serena correu menores riscos, mas depois de vencer o primeiro set Alison Riske cresceu e abriu a série decisiva com quebra. Tudo parecia tenso e indefinido até o 3/3. Incrível mesmo foi o desmoronamento emocional de Johanna Konta. A britânica fez 4/1, permitiu empate e depois liderou o tiebreak. A partir daí, Barbora Strycova atropelou. Konta saiu de quadra com 34 erros diante de 9.

Halep e Svitolina já admitem um duelo sem favoritas na quinta-feira, ainda que a ucraniana tenha 4-3 no histórico. Também em semi inédita na carreira aos 33 anos, Strycova perdeu os três jogos diante de Serena sem ganhar set, mas pode dar trabalho se jogar como franco-atiradora.

Domingo morno
Por José Nilton Dalcim
26 de maio de 2019 às 18:36

A queda do semifinalista Marco Cecchinato, a grande atuação da russinha Anastasia Potapova e estádios vazios foram as primeiras surpresas da edição 2019 de Roland Garros.

Roger Federer foi o único a receber um público do tamanho do seu prestígio, mas o duelo contra Lorenzo Sonego não empolgou por culpa exclusiva do italiano, que entrou nervoso demais e foi rapidamente engolido pelo tênis variado do suíço.

Para ‘correr por fora’, como ele mesmo sintetizou na entrevista oficial, Federer precisa mesmo de jogos tranquilos nesta primeira semana. E por enquanto vai dando certo: o próximo adversário será o pouco conhecido Oscar Otte, alemão de 25 anos e 144º do ranking, que joga seu segundo torneio de primeira linha da carreira.

Se mantiver o amplo favoritismo, o campeão de 2009 cruzará com Matteo Berrettini ou Casper Ruud. E já se viu livre de Cecchinato, que levou uma incrível virada do veteraníssimo Nicolas Mahut, 37 anos. O recordista de convites em Slam marcou apenas a sétima vitória em 13 tentativas em Roland Garros. Aliás, por pouco Diego Schwartzman também não se foi, levado ao quinto set pelo bom Marton Fucsovics. El Peque fará duelo argentino com Leo Mayer, enquanto Mahut pega Philipp Kohlschreiber.

Possível adversário lá das quartas de final, o grego Stefanos Tsitsipas mandou recado e fez uma bela exibição diante de Maximilian Marterer, menos pelo placar de 3 a 0, mais pelo volume de jogo apresentado. Enfrentará agora Hugo Dellien, um jogador de toque refinado que marca a primeira vitória da Bolívia em Slam após 35 anos.

Russa surpreende
Não era segredo para ninguém que Angie Kerber não estava em sua melhor forma, mas isso não tira o mérito da russa Anastasia Potapova, ex-número 1 juvenil e que já fez duas finais de WTA. Ainda aos 18 anos, foi sua primeira vitória em nível top 10 – logo em cima de seu ídolo – e não dá para descartar uma caminhada mais longa.

Também causou decepção o tênis frágil mostrado por Venus Williams, com  34 erros diante de Elina Svitolina. Como Garbiñe Muguruza escapou da ‘zebra’ e virou bem, as duas caminham para um interessantíssimo duelo já na terceira rodada. No mesmo quadrante, aparece a vice de 2018 Sloane Stephens, que venceu sem empolgar.

Lá no pé da chave, Karolina Pliskova manteve o embalo do título em Roma, mas chegou a perder três serviços num jogo rápido de 60 minutos diante de Madison Brengle, longe de ser uma especialista no saibro.

Segunda-feira nobre
Talvez em função do público inesperadamente pequeno do domingo, a organização de Roland Garros mudou o que havia anunciado previamente e promoverá nesta segunda-feira uma super-rodada na Chatrier com Rafael Nadal, Novak Djokovic e Serena Williams.

É muito pouco usual que um Grand Slam coloque os cabeças 1 e 2 para jogar no mesmo dia, ainda que a rodada de domingo force mesmo uma mistura maior de programação entre os lados superior e inferior das chaves. Li comentários de que Nole teria pedido para jogar.

Sorte de quem for ao complexo, porque também irão para quadra Dominic Thiem, Petra Kvitova, Kiki Bertens, Borna Coric, Stan Wawrinka e Jo-Wilfried Tsonga.

Dez fatos sobre os cabeças de chave em Paris
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2019 às 18:05

Esta é a semana que decide quem serão os 32 cabeças de chave em cada sexo para Roland Garros. Para muita gente, estar nessa lista tem importância capital. Vamos à situação de momento, com muita coisa já definida.

1. Estar entre os quatro cabeças em Roland Garros era obviamente essencial para Dominic Thiem. E ele garantiu o lugar depois de outra amarga derrota de Alexander Zverev, que defendia o vice em Roma.  O austríaco até pode ser o 3, superando Roger Federer, mas isso não faz qualquer diferença porque o sorteio é quem decide se ele estará do lado de Novak Djokovic ou de Rafael Nadal.

2. Os cabeças de 5 a 8 também estão quase definidos. Ficarão com Zverev, Stef Tsitsipas, Kei Nishikori e provavelmente Juan Martin del Potro, já que Kevin Anderson já anunciou que não vai a Paris. O argentino tem concorrência distante de Fabio Fognini e Karen Khachanov. Eles terão de marcar cerca de 200 pontos a mais que Delpo, ou seja, estar no mínimo na semifinal.

3. É muito valioso figurar entre os cabeças de 9 a 12, porque isso evita cruzar nas oitavas com os cabeças de 1 a 4. No momento, estariam nessa condição John Isner, Fognini, Khachanov e Marin Cilic. Com as derrotas precoces, Daniil Medvedev e Gael Monfils não podem chegar. Borna Coric precisa pelo menos de qaurtas para entrar na briga.

4. Os cabeças 13 a 16 fecham o grupo de elite, mas são aqueles que poderão pegar os quatro primeiros nas oitavas, o que não é bom negócio. Ficarão aí Medvedev e Monfils e provavelmente Coric. Como Milos Raonic também não vai a Paris, a outra vaga está aberta, com maior chance para Nikoloz Basilashvili, Marco Cecchinato, Roberto Bautista e quem sabe Diego Schwartzman.

5. Por fim, os outros 16 cabeças terão certamente Guido Pella, Denis Shapavalov, Alex de Minar, Lucas Pouille, Stan Wawrinka, Felix Aliassine, Gilles Simon, David Goffin e Kyle Edmund. Há um grupo grande de candidatos para as quatro vagas finais, com Matteo Berrettini, Dusan Lajovic, Laslo Djere, Nick Kyrgios e Fernando Verdasco.

6. Ficarão soltos na chave nomes perigosos, como Christian Garin, Marton Fucsovics e Hubert Hurkacz, assim como Pablo Cuevas, Jan-Lennard Struff e Jaume Munar. E, por que não?, Richard Gasquet e Grigor Dimitrov.

7. A indefinição é muito maior na chave feminina, embora haja enorme chance de Naomi Osaka e Simona Halep ficarem nas extremidades. Ainda sem saber se Angie Kerber estará em forma para jogar Paris, há disputa entre todos os postos de 1 a 8.

8. As maiores prejudicadas são Elina Svitolina e Serena e Williams, que não avançaram em Roma. Serão quase certamene as cabeças 9 e 10, o que não é de todo ruim porque enfrentarão cabeças de 5 a 8 nas oitavas.

9. Complicada mesmo parece a situação de Garbine Muguruza. A campeã de Roland Garros está no 19º lugar e precisaria lucrar 400 pontos em Roma para ao menos entrar como cabeça 16.

10. Outra vencedora de Paris, Jelena Ostapenko abandonou nesta terça-feira quando já perdia em Roma e não será sequer cabeça.