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Indian Wells segue renovação
Por José Nilton Dalcim
6 de outubro de 2021 às 11:42

Um novo campeão vai surgir no deserto da Califórnia. Sem a presença de qualquer um dos cinco nomes em atividade que venceram o torneio desde 2004, o espaço está novamente aberto à renovação no Masters de Indian Wells.

Esta é também a primeira vez desde 2000 que Roger Federer, ou Rafael Nadal nem Novak Djokovic disputam o torneio. A novidade ficou por conta do sérvio, que preferiu não retornar aos EUA e aparentemente irá fechar sua temporada em Paris e em Turim.

Do lado feminino, quatro ausências de peso: as líderes Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka, a campeã de 2018 Naomi Osaka e Serena Williams, que poderia comemorar os exatos 20 anos do seu bi em 2001. Isso abre espaço para Bianca Andreescu, Vika Azarenka, Simona Halep e até Kim Clijsters repetirem triunfos. Portanto, apostar numa nova campeã não é pedida ruim.

O desfalque de tantas estrelas de peso se junta à mudança radical de condições do magnífico complexo. A promessa é de temperaturas acima dos 32 graus, com alguns quedas repentinas para 23. O piso sempre foi um tanto lento, mas a bola costuma ‘voar’ mais com a baixíssima umidade. A premiação continua a ser um espetáculo: US$ 9 milhões para os homens e US$ 8 mi para as meninas, muito acima de qualquer outro evento de nível 1000 do calendário.

Favoritos sem currículo em IW
Daniil Medvedev entra, claro, como favorito. No seu piso predileto, tenta o terceiro grande troféu em dois meses, já que foi campeão do Masters de Toronto e do US Open. Seu histórico em Indian Wells no entanto tem sido incrivelmente pobre: seis jogos, três vitórias. O sorteio o ajuda desta vez, indicando Reilly Opelka ou Grigor Dimitrov nas oitavas e Hubert Hurkacz, Aslan Karatsev ou Denis Shapovalov nas quartas. A maior chance de surpresa pode vir de Sebastian Korda ou Frances Tiafoe.

O segundo quadrante está bem aberto e reúne algumas das novidades da temporada 2021, como Casper Ruud, Cameron Norrie e Lloyd Harris, que se misturam aos experientes Roberto Bautista, Diego Schwartzman e Daniel Evans. O principal nome porém é Andrey Rublev, que já decidiu dois Masters em 2021, em Cincinnati e Monte Carlo,  mas até hoje só ganhou uma partida em Indian Wells. Fato curioso, Ruud não passou do quali nas duas vezes que tentou jogar o torneio e agora aparece como cabeça 6, cinco títulos no ano e sua primeira conquista na quadra dura em San Diego no domingo. Espera-se que Rublev encare Norrie ou Bautista nas oitavas.

Na outra extremidade ficou Stefanos Tsitsipas, outro que possui um histórico paupérrimo no deserto californiano, com três jogos e uma vitória. O grego fez uma incrível temporada no saibro e desmoronou após o vice doloroso em Roland Garros. Deu uma sorte tremenda na formação desta chave, tendo como prováveis adversários Fabio Fognini na terceira rodada e Cristian Garin ou Alex de Minaur nas oitavas, isso se o garoto Hulger Rune não aprontar. O outro quadrante está com Felix Aliassime, Pablo Carreño e Karen Khachanov. Em 2019, foi Aliassime quem tirou o grego logo na estreia.

Por fim, Alexander Zverev tem o trabalho teoricamente mais duro das primeiras rodadas, caso enfrente Jenson Brooksby, Carlos Alcaraz (ou Andy Murray) e Gael Monfils na sequência. O alemão está com a marca de 17 vitórias em 18 jogos desde Wimbledon e dos quatro favoritos é o único que já fez oitavas em Indian Wells, mas lá em 2016. A outra vaga nas quartas pode ter um curioso duelo italiano entre Matteo Berrettini e Jannik Sinner – que aliás jogaram duplas juntos -, embora o setor conte com homens da casa um tanto imprevisíveis: John Isner, Taylor Fritz e Jack Sock, sem falar no garoto Brandon Nakashima.

De olho nas finalistas de Nova York
Já o feminino terá Karolina Pliskova e Iga Swiatek como principais cabeças de chave. Se a tcheca está num piso muito favorável, a polonesa ainda não mostra a confiança necessária. A expectativa é que Pliskova cruze com Andreescu, a atual campeã, nas oitavas. O outro lado do quadrante ficou com Maria Sakkari, Ons Jabeur e Danielle Collins.

O lado superior da chave tem outro setor bem interessante e pouco previsível, que reúne Barbora Krejcikova, Cori Gauff, Garbiñe Muguruza e Angelique Kerber. A veterana alemã talvez mereça ser indicada como favorita por ter recuperado a boa fase e pode ter um imperdível encontro com Clijsters já na estreia. Camila Giorgi nunca pode ser descartada se achar o ritmo certo do seu poderoso saque.

Mas é claro que as atenções principais, ao menos nas primeiras rodadas, estarão sobre as novas estrelas Emma Raducanu e Leylah Fernandez. A campeã do US Open será pela primeira vez cabeça num torneio de primeira linha e já pode cruzar com Halep na terceira fase. Se avançar, é provável ter Azarenka ou Petra Kvitova em seguida. Nada fácil. Quem sobreviver a esse fortíssimo setor deve cruzar com Elina Svitolina ou Elise Mertens.

Fernandez deu um pouco mais de sorte, apesar de Alizé Cornet ser uma estreia bem perigosa. No caminho, estaria depois Anastasia Pavlyuchenkova e quem sabe oitavas diante de Belinda Bencic ou Jil Teichman. É o setor de Swiatek e daí a chance de a polonesa ir bem longe, já que tem Veronika Kudermetova na terceira fase e Elena Rybakina ou Jelena Ostapenko nas oitavas.

Monteiro na chave
Com a queda de Bia Haddad no quali, Thiago Monteiro será o único representante brasileiro em simples. Pegou Tennys Sandgren, a quem venceu em 2015 e não vive bom momento, a ponto de sequer ter vencido três jogos seguidos em nível challenger na temporada. Se avançar, o canhoto brasileiro reencontrará Norrie, hoje 26º do mundo mas que perdeu para Monteiro no ano passado em quadra dura.

Leylah e sua incrível história de sucesso
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2021 às 23:49

Com cinco vitórias de qualidade, entre elas duas sobre campeãs de Grand Slam e outra sobre uma top 5, Leylah Fernandez roubou todas as cenas do US Open nesta terça-feira, ao se tornar a mais jovem semifinalista do torneio desde Maria Sharapova, em 2005, justamente um dia depois de completar 19 anos. Curiosamente, sua marca pode cair menos de 24 horas depois, caso a britânica Emma Raducanu, de 18 anos e 10 meses, elimine nesta quarta-feira a campeã olímpica Belinda Bencic.

A campanha de Fernandez, uma canhota franzina de 1,68m, é assombrosa. Tirou na estreia Ana Konjuh, ex-top 20; superou Kaia Kanepi, que já chegou seis vezes nas quartas de um Slam; eliminou a bicampeã Naomi Osaka e em seguida superou Angelique Kerber, outra vencedora do torneio e que vinha de 17 vitórias em 19 jogos. Por fim, encarou grande batalha e levou o tiebreak do terceiro set em cima de Elina Svitolina, a quinta do ranking. Todos seus jogos foram marcados pelo estilo agressivo, forehand preciso, ótima movimentação e enorme frieza.

Essa competência toda se mostra ainda mais assustadora quando vemos a história de Leylah, filha da filipina-canadense Irene e do equatoriano Jorge. A menina se empolgou com o tênis aos 5 anos, rebatendo contra a parede, até passar a treinar aos 7. Mas não conseguiu entrar num programa de treinamento, só aceitava ser orientada pelo pai e coube a ele a dura tarefa de aprender tudo sobre tênis para tentar atender ao sonho da filha, que assistia Justine Henin no YouTube e se inspirava na belga.

Jorge conta que sua primeira preocupação foi com a parte mental e estudou a história de pais que treinaram filhas, espelhando-se em Richard Williams. Adotou um critério penoso de ‘recompensa e castigo’, e deu certo. Aos 12 anos, Leylah ganhou o nacional de 16, recebeu apoio oficial da federação e a família se mudou para a Flórida, onde moram até hoje. Jorge então contratou o mesmo rebatedor que trabalhou com Henin e Kim Clijsters, um técnico para viajar e um preparador físico. Leylah, que esteve em Porto Alegre e ganhou a então Gerdau, foi campeã juvenil de Roland Garros aos 16 anos. O pai continua a ser o mentor e traça os planos táticos de cada partida.

Fernandez é agora a 18ª mais jovem semifinalista do US Open, mas está longe de ameaçar as recordistas: Andrea Jaeger foi semi aos 15, Pam Shriver chegou à final com 16 e 2 meses e Tracy Austin ganhou aos 16 anos e 8 meses. Se Raducanu também vencer, será a repetição de 1991, quando Jennifer Capriati, de 15, e Monica Seles, de 17, estiveram na penúltima rodada. De qualquer forma, este é o 13º Slam consecutivo que a chave feminina tem uma semifinalista inédita.

Já com o 36º posto do ranking garantido, num salto de 37, seu próximo desafio será a vice-líder Aryna Sabelenka, que na rodada noturna atropelou a tcheca Barbora Krejcikova numa partida um tanto estranha. A bielorrussa repete assim a campanha de Wimbledon e tenta enfim decidir um Slam em sua 16ª tentativa. Seus dois troféus desse quilate vieram em duplas, um deles no US Open de 2019.

E a festa canadense cresce
Só houve um set e meio do aguardado duelo da novíssima geração entre Felix Aliassime e Carlos Alcaraz e, como eu suspeitava, o espanhol estava mesmo no limite físico de seu monumental esforço nesta excelente e inesperada campanha nas quadras duras. Então cabe ao tênis canadense comemorar, com justiça, mais um semifinalista no US Open. E não vamos esquecer que Gabriela Dabrowski disputa as quartas de duplas nesta quarta-feira ao lado de Luísa Stefani.

Embora o jogo não tenha sido o que se esperava, ver Aliassime em seu primeiro grande momento num Slam tão importante é excelente. Em que pese suas falhas emocionais em tantos vices acumulados em nível ATP, ninguém nunca duvidou de seu potencial. A entrada de Toni Nadal no time parece ter lhe dado a estabilidade necessária e isso gerou fluidez maior no seu tênis, centrado em grandes golpes da base. Agora, vemos um Felix com saque bem mais eficiente e um jogo de rede vistoso.

Assim como Fernandez, a tarefa agora é muito dura: encarar o número 2 do mundo, Daniil Medvedev, um jogador já com considerável experiência em Grand Slam com dois vice-campeonatos. O russo perdeu seu primeiro set nesta edição do US Open para o quali holandês Botic van de Zandschulp, que pareceu um tanto perdido nos dois primeiros sets mas depois elevou o nível, passou a sacar melhor e ficou bem sólido na base, exigindo toda a atenção do adversário num quarto set disputado palmo a palmo.

É favorito absoluto contra Aliassime, mas tomara que o canadense veja isso como um ponto positivo.

Soares, a dois jogos do tri
Depois do susto da apendicite, Bruno Soares recuperou a melhor forma, cresceu jogo a jogo neste US Open e está agora nas semifinais, ou seja, a duas vitórias de conquistar um espetacular tricampeonato em Flushing Meadows, que seria também o segundo ao lado do escocês Jamie Murray, cinco anos depois da primeira conquista.

Atual campeão, quando jogava com Mate Pavic, o mineiro de 39 anos fez uma exibição sólida nesta noite contra Marcel Granollers e Horacio Zeballos, com o único senão de cometer dupla falta no set-point que definiu o tiebreak do primeiro set. Isso no entanto acabou se transformando num elogio, porque Bruno não se abateu e sua parceria não perdeu qualquer outro serviço nos sets seguintes.

Os adversários de quinta-feira serão os experientes John Peers e Filip Polasek, que tiraram Pierre Herbert/Nicolas Mahut. A outra vaga na final será entre Rajeev Ram/Joe Salisbury e Steve Johnson/Sam Querrey. De todos, Polasek é o único que pode repetir um Slam na temporada, já que ganhou na Austrália ao lado de Ivan Dodig.

Garoto Djokovic
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2021 às 01:44

Duelo apertado, grandes trocas de bola, games demoradíssimos, correria para todos os lados, empenho máximo. E quem vai cansar primeiro? O mais veterano, é claro. Seria a lógica, caso esse velhinho não se chamasse Novak Djokovic. O garoto sérvio de 34 anos minou as energias do valente Jenson Brooksby, de 20, e marcou uma bela virada para ficar a apenas três vitórias do maior feito da história do tênis profissional.

Brooksby já havia mostrado toda sua qualidade técnica nos recentes torneios que disputou desde julho, mas o fato é que ele foi além do eu esperava por um set e meio. Encarou o número 1 do mundo com disposição leonina, concentrado para não cometer erros, nem ceder espaço. Mostrou inúmeras armas, cometeu um único erro não forçado e aplicou um raro 6/1 sobre Djokovic.

O desempenho se manteve muito alto no começo do segundo set, quando ele chegou a recuperar uma quebra importante após lances espetaculares e trocas sufocantes entre os dois. Cirúrgico, Djokovic prosseguiu sólido, obrigando o adversário a rebater sempre mais uma bola difícil e aí acabou o gás de Brooksby. Ficou cada vez mais à mercê do sérvio, que nessa altura já combinava saques poderosos, paralelas agudas, transições à rede. Ficou evidente que o volume de jogo era proporcional à diferença de idade. Fato curioso, Djokovic nunca perdeu para um norte-americano em 11 jogos no US Open.

O aguardado reencontro com Matteo Berrettini se confirma depois que o italiano suou para equilibrar a disputa contra o quali alemão Oscar Otte, até que o adversário sentiu o punho e não jogou mais nada no quarto set. Berrettini garante ascensão ao 7º lugar do ranking e faz quartas de Slam pela terceira vez seguida, ou seja, em três pisos distintos. Mas não parece confiante como se viu na campanha de Wimbledon, talvez por ainda não estar fisicamente inteiro. Contra a precisão da avassaladora máquina sérvia, considero muito pequena sua chance na quarta-feira.

Alexander Zverev por sua vez fez dois sets e meio impecáveis diante de Jannik Sinner, mas vacilou no finzinho e faltou pouco para o italiano esticar a partida. O piso mais veloz parece bem encaixado no estilo do alemão, a ponto de não perder sobre a superfície há 15 jogos. Esta será sua sétima presença nas quartas de um Slam e a terceira do ano.

Reencontrará a surpresa Lloyd Harris, 46º do ranking, a quem venceu duas vezes na quadra dura, incluindo a recente segunda rodada de Cincinnati. Com os mesmos 24 anos, o sul-africano já venceu três top 10 neste ano, tem agora 11-11 em partidas de Slam e merece elogios pela grande virada que conseguiu em cima de Reilly Opelka. Teve aliás o primeiro set nas mãos, porém sustentou a cabeça fria e aproveitou a perda de intensidade do grandalhão.

Mais uma ‘teen’ nas quartas
Emma Raducanu é a terceira adolescente nas quartas deste US Open, seguindo os passos de Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz. Ela veio do quali e portanto já fez sete partidas, e sequer perdeu sets. É bem verdade que ainda não cruzou com uma cabeça de chave, mas destruiu nesta segunda-feira Shelby Rogers, que vinha da vitória heroica em cima de Ashleigh Barty.

Com apenas 15 games perdidos na chave principal, a canadense de nascimento não possui um saque excepcional, mas tenta sempre dominar rapidamente os pontos. E ainda assim consegue ser econômica nos erros.

Agora, vai enfrentar a campeã olímpica Belinda Bencic, que venceu uma partida difícil contra Iga Swiatek. em que precisou salvar quatro set-points na série inicial que fizeram enorme diferença. Apesar da vitória em dois sets, os números estatísticos foram muito semelhantes. Bencic fez semi no US Open de 2019, o que continua seu melhor resultado num Slam.

A outra vaga na semi ficará entre Karolina Pliskova e Maria Sakkari, que se encontraram duas vezes no saibro de Roma e estão empatadas. Depois de cravar 24 aces na segunda rodada e 20 na última, a vice de 2016 acertou apenas 6 contra Anastasia Pavlyuchenkova, mas foi muito bem na devolução, com 35% dos pontos. Sakkari virou contra Andreescu num jogo intenso de 3h30 em de novo a campeã de 2019 sentiui a parte física.

Stefani, Soares e Demoliner na briga
E o tênis brasileiro continua firme na luta pelos títulos de duplas do US Open. Luísa Stefani e Bruno Soares se juntaram a Marcelo Demoliner e assim temos um representante nas quartas de final em cada modalidade.

Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski estiveram um set e uma quebra atrás, mas conseguiram grande reação em cima das ucranianas Marta Kostyuk e Dayana Yastremska. Foram especialmente sólidas nas devoluções no terceiro set. Descansam nesta terça antes de encarar as tchecas Marie Bouzkova e Lucie Hradecka.

Bruno e Jamie Murray encontraram inesperada resistência de Daniel Koepfer e Emil Ruusuvuori, com tiebreaks tensos nos dois primeiros sets, e só então foram dominantes. Jogam nesta terça contra os especialistas Marcel Granollers e Horacio Zeballos, os cabeças 2.

Demoliner e Ellen Perez também jogam nesta terça contra Giuliana Olmos e Marcelo Arevalo. Se vencerem, a semi será contra Yastremska e Max Purcell.