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Novo passo para Delpo, mais dúvidas para Rafa
Por José Nilton Dalcim
24 de outubro de 2016 às 11:32

Juan Martin del Potro subiu mais um degrau na sua recuperação. Menos de oito meses após a sofrida volta às quadras, ele conquistou o ATP de Estocolmo sem perder um único set e com apenas dois serviços quebrados na semana, ambos na semi diante de Grigor Dimitrov. Arrancou para o 42º posto e é novamente o melhor argentino da lista, o que pode ser crucial na decisão da Copa Davis diante da Croácia.

Desde que retornou às quadras, na metade de fevereiro, Delpo disputou 12 torneios, mas apenas 11 valeram pontos porque o vice dos Jogos do Rio não foi considerado (do contrário, seria hoje o 26º). Nessa campanha, ganhou 28 de seus 39 jogos, perdendo apenas duas vezes na primeira rodada. Tem um título, um vice, duas semis e as quartas no US Open. O mais impressionante no entanto é que derrotou cinco top 10, seleta lista que inclui Djokovic, Murray e Wawrinka, e mais cinco na faixa dos top 20.

O realmente promissor, no entanto, vem no aspecto técnico. Em Estocolmo, diante de sacadores como Ivo Karlovic e Jack Sock, ou mesmo para encarar os slices de Dimitrov, Delpo já mostrou muito mais confiança  na execução do backhand batido. Ainda não teve tanta força e peso como outrora, mas esteve fundo nas trocas e rasante nas passadas. Com a evolução notável do slice, o primeiro saque afiadíssimo e a coragem de ir muito mais à rede, Delpo monta um cenário no mínimo interessante para 2017.

“Quando estiver 100%, serei perigoso”, sentenciou após encerrar o jejum de 33 meses de títulos, outra grande emoção na sua temporada. Disso, sinceramente, eu não tenho a menor dúvida. O ideal mesmo é que consiga chegar à faixa dos 32 primeiros para virar cabeça já no Australian Open. Ele disputa nesta semana Basileia, com estreia diante de Robin Hasse e possível reencontro com David Goffin nas oitavas, e aguarda convite para competir em Paris.

O caso Nadal
A decisão de Rafael Nadal de encerrar a temporada e sequer lutar pela vaga no Finals de Londres, que nem estava tão difícil assim, levou a imprensa espanhola a cutucar Toni, o tio-treinador.

Para a agência de notícias EFE, ele foi enigmático: “Sei o que está acontecendo com ele, mas não sei se me interessa divulgar”. Depois, disse que não é uma questão física ou técnica, mas ‘a soma de vários fatores’. Para ele, a contusão no punho durante Roland Garros foi um baque emocional e Rafa ‘não voltou a se recuperar totalmente’.

Dias mais tarde, falando para a RTVE, Toni admitiu que foi um erro enorme Rafa ter ido à Índia disputar a repescagem da Copa Davis. “A volta nos Jogos do Rio foi até melhor do que esperávamos, ainda que tenha havido um esforço maior do que o previsto. A falha foi ter jogado a Davis, o momento ideal era descansar”.

O próprio Rafa falou a Movistar Plus neste fim de semana em que foi ver o Real Madrid e voltou a afirmar que o problema no momento é físico. “Mentalmente estou bem, mas tenho jogado com dor há muito tempo e preciso parar. Não consigo usar tudo do meu forehand”, argumentou.

Esta será a quarta vez que Rafa não vai a Londres, repetindo 2008, 2012 e 2014, sempre por contusão. Com a ausência de Roger Federer, será o primeiro Finals sem ao menos uma das duas megaestrelas desde 2001.

Detalhes
– Os irmãos Elias, 20 anos, e Mikael, 18, conquistaram inesperadamente as duplas de Estocolmo. Os Ymer tiveram uma campanha incrível, salvando três match-points na estreia, e superaram parcerias muito experientes. Mikael volta às quadras após quase um ano de afastamento por contusão no quadril.
– Com os títulos de Del Potro e dos Ymer, Estocolmo é o primeiro torneio desde Newport de 10 anos atrás a ter campeões de simples e duplas que não figuravam como cabeças de chave.
– Os garotos suecos têm agora uma dura missão: enfrentar Israel fora de casa neste final de semana e evitar que a Suécia caia para a terceira divisão da Copa Davis.
– Ao avançar à final de Moscou, o austríaco Jurgen Melzer se igualou a Radek Stepanek como únicos tenistas em atividade com pelo menos 300 vitórias tanto em simples como em duplas.
– Em entrevista ao New York Times, Chris Evert diz duvidar que Serena permanecerá no circuito por muito mais tempo. “O corpo está sofrendo, o rendimento caiu e me pergunto se ela ainda pode se envolver emocionalmente com o tênis”.