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A lista cresce
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2018 às 19:40

Rafael Nadal continua a reescrever a história do tênis a cada semana que passa sobre o saibro europeu. Diego Schwartzman foi o bom adversário que se esperava e fez o que deu. Tentou bater mais na bola, correu muito para cobrir ângulos, inventou jogadas. Foi premiado por uma quebra de serviço improvável quando o espanhol já dominava totalmente a situação e aí fez bobagens quando encarou a chance de liderar o segundo set.

Mas a diferença de força, movimentação e qualidade técnica eram grandes demais para o pequeno e valente argentino. Como incomodar Nadal com segundo saque a 130 km/h? O espanhol fez talvez seu jogo mais irregular desde que pisou no saibro, lá na Copa Davis, e ainda assim nada de ser ameaçado sequer de perder set.

Nesta sexta-feira, reencontrará Dominic Thiem, curiosamente o último homem a vencê-lo na terra há praticamente um ano, mas que levou uma surra humilhante dias atrás em Monte Carlo. Se a maior velocidade de Madri pode ajudar o pesado primeiro saque de Thiem, ao mesmo tempo lhe dará menor tempo de preparar o backhand, seu calcanhar de Aquiles. Rafa sabe exatamente o que fazer.

Nadal e os recordes no saibro
– 10 títulos em Roland Garros
– 5 títulos seguidos em Roland Garros
– 11 títulos em Monte Carlo
– 11 títulos em Barcelona
–  7 títulos em Roma
–  4 títulos em Madri
– 403 vitórias
– 55 títulos
– 23 títulos de Masters
– 81 vitórias seguidas
– 50 sets consecutivos
– 46 vitórias seguidas em Monte Carlo

As quartas
Kyle Edmund e Dusan Lajovic certamente são as grandes surpresas nas quartas de final de Madri. O britânico, depois de superar Djokovic, mostrou muita confiança em cima de um instável David Goffin. Garantido no top 20, fará duelo da nova geração contra o canhoto Denis Shapovalov, que dominou Milos Raonic. Jogaço à vista entre dois tenistas que batem sem dó.

Lajovic, tal qual Shapovalov, usa backhand simples e mostrou versatilidade na vitória inesperada em cima de Juan Martin del Potro. É bem verdade que o argentino vacilou feio e deixou escapar 4-0 no tiebreak decisivo. O sérvio tem outro gigante pela frente, Kevin Anderson. O sul-africano chega às quartas de um Masters pela 11ª vez, a primeira no saibro, e nunca fez sequer uma semi.

Alexander Zverev se mostra bem mais à vontade num saibro veloz e fez dois bons jogos em Madri. Revive a decisão de Miami de poucas semanas atrás contra John Isner. Seria interessante se Zverev fizesse semi contra Edmund ou Shapovalov, garantindo juventude na decisão de domingo. Mas Isner não pode ser desprezado.

As semis
Também existe novidade, e das boas, nas semifinais do Premiére. Caroline Garcia enfrentará Kiki Bertens, que é de longe a grande sensação da semana, já que tirou sucessivamente Anastasija Sevastova, Carol Wozniacki e Maria Sharapova. A holandesa de 1,82m e 26 anos têm se mantido na faixa das top 20 há 12 meses e foi semi de Roland Garros em 2016. Neste ano, já ganhou Charleston.

A outra vaga na final é um duelo de força entre as tchecas Karolina Pliskova e Petra Kvitova, A canhota ganhou Madri em 2015 e faz sua melhor sequência sobre o saibro em anos. É mais tenista do que Pliskova, ao menos no papel.

Sai, ferrugem
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2017 às 01:10

Em dia de muita chuva em Nova York, o clima foi mesmo de ferrugem para as duas únicas estrelas que tiveram a sorte de estar programadas para o teto retrátil do monumental estádio Arthur Ashe.

Rafael Nadal e Roger Federer tiveram começo lento, bem longe da qualidade que se espera deles ao longo do US Open, mas acharam o ritmo pouco a pouco. Mesmo perdendo dois sets e levando um susto no quinto, o suíço me pareceu mais solto conforme o jogo avançou do que o canhoto espanhol.

É claro que é preciso colocar na balança o fato de que os jogos aconteceram sob teto fechado, o que não apenas deixa tudo mais rápido – o que obviamente combina mais com Federer -, mas também é uma certa novidade para quem só treinou nas quadras de fora sob calor forte.

Nadal teve um começo de jogo muito ruim, errando tudo, sem confiança no backhand. Deveria ter cedido o primeiro set não fosse o fato de Dusan Lajovic ter se perdido no plano tático. Ainda assim, o sérvio ficou perto de levar o tiebreak. Só então o espanhol começou a usar melhor o forehand e aí encurralou Lajovic no fundo, simplificando a tarefa.

Tiafoe é mais tenista que Lajovic, apesar da menor experiência. E dentro do que sabe, fez um primeiro set exemplar, com grande desempenho nos golpes de base. Federer no entanto foi se achando. Começou vacilante no serviço, não achou o backhand. Porém seu vasto repertório ajuda nessas horas e ele experimentou de tudo até readquirir o tempo ideal de bola. Quando parecia sob controle, Tiafoe acelerou de novo e levou ao quinto set para delírio do público. Viu-se então um Federer apressado no 5/3 e um Tiafoe preso no 5/4. De qualquer forma, bom espetáculo.

Nenhum dos dois conhece o próximo adversário, mas isso não parece fazer qualquer diferença. Rafa pegará Taro Daniel ou Tommy Paul e Federer, Blaz Kavcic ou Mikhail Youhzny. Livres da ferrugem, deverá ser um treino.

A chave feminina conseguiu completar sete jogos e teve a incrível derrota da atual campeã Angelique Kerber para a arrojada japonesa Naomi Osaka, que joga mais do que seu 44º posto do ranking. É assustadora a forma com que Kerber perdeu a confiança.

Seu tênis até funciona no começo do game, mas basta o placar apertar e a alemã passa a ficar defensiva, sem coragem de arriscar – algo que sempre foi um padrão -, conservadora ao extremo. Depois de ganhar dois Grand Slam em 2016, Kerber fez oitavas na Austrália e Wimbledon e não passou da primeira em Paris e Nova York. Fez uma única pequena final e perdeu. Um ano para esquecer.

A quarta-feira promete sol e uma enxurrada de jogos: 87 no total. Há de se completar a primeira rodada, e aí temos Kyrgios, Delpo e Dimitrov, e também partidas da segunda fase, com destaque para Tsonga x Shapovalov e Zverev x Coric. O feminino tem Sharapova contra Babos.