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Enfim, apareceu o novo Federer
Por José Nilton Dalcim
28 de fevereiro de 2014 às 18:46

Atualizado às 23h30

Desde que decidiu fazer mudanças, ainda no final do ano passado, o suíço Roger Federer tem prometido um tênis que o remetesse aos anos de domínio do circuito. Mas não deu muito certo. Mostrou é verdade qualidade, porém geralmente em rodadas menos expressivas e adversários de menor calibre. Diante dos grandes, teve lampejos, como um set ou dois em Paris ou Londres. Ele mesmo acabou reconhecendo, no entanto, que jogar bem e perder não era exatamente algo motivador.

O Australian Open já viu um Federer aperfeiçoado. Com preparação mais adequada, a raquete de cabeça maior e o estilo agressivo, provavelmente fruto de seu trabalho com Stefan Edberg, lhe deram vitórias animadoras diante de Jo-Wilfried Tsonga e Andy Murray. Porém, faltava consistência, o que ficou claro quando perdeu para Rafael Nadal. Ainda que tivesse progresso inegável com o golpe de backhand, pecava pelo excesso de força ou falta de precisão. Saiu de Melbourne dizendo-se confiante de que seu melhor tênis estava por vir, um discurso que não era novo.

A exibição desde sexta-feira em Dubai parece enfim reunir tudo o que Federer quer de si mesmo numa quadra de tênis em 2014. Exceção feita ao começo da partida, sacou muito bem quando precisou. Seu backhand esteve notavelmente sólido. Foi com um deles, na paralela, que garantiu o break essencial para ganhar o segundo set. Conseguiu equilibrar o espírito de ataque com a consistência no fundo de quadra. Subiu à rede sempre que pôde, fez excelentes voleios, resgatou o ‘chip and charge’, aquela coisa quase em desuso da subida à rede na devolução de saque. Ao mesmo tempo, defendeu-se muito bem e teve pernas para aguentar o ritmo pesado. Acho que ele daria uma nota 9 a si mesmo.

E tudo isso contra Novak Djokovic, o 2 do mundo, e seus excepcionais golpes de fundo de quadra. O sérvio fez uma partida muito boa nos dois primeiros sets e só pareceu baixar a intensidade quando sofreu a primeira quebra no terceiro set. Ainda assim, continuou lutando, pronto para dar o bote. Aliás, foi uma partida de encher os olhos, cheias de alternativas técnicas e táticas, como os dois geralmente têm apresentado.

Federer ainda precisa interromper a sequência de duas derrotas para Tomas Berdych e comemorar seu primeiro título desde junho. O 78º troféu o isolará como terceiro maior vencedor da Era Profissional. Não vai ser fácil, porque o tcheco está embalado, vem jogando muito bem em 2014 – foi semi em Melbourne e campeão em Roterdã. Principalmente, não tem medo do suíço. Outro ótimo teste para o novo Federer.

Brasil Open – E o ATP de São Paulo está perto de sua ‘final dos sonhos’. Thomaz Bellucci enfim fez uma partida nesta sexta-feira sem sustos e está a um passo de sua sexta decisão de primeira linha, a primeira desde Moscou de 2012. Muito legal ver que o público paulistano se esqueceu dos problemas do ano passado e apoia maciçamente o número 1 brasileiro, até mesmo quando as coisas não vão tão bem.

Todo mundo certamente quer ver uma disputa direta entre ele e o alemão Tommy Haas, número 12 do ranking e dono de um tênis clássico, quase em extinção. A tarefa do brasileiro neste sábado é dura, diante do também canhoto Federico Delbonis, para quem perdeu duas vezes. O jogo vale dobrado, já que fará Belllucci voltar ao top 80, e mais importante ainda, garantirá a vaga em Roland Garros. Todos na torcida.