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Meninas revoltadas
Por José Nilton Dalcim
13 de fevereiro de 2014 às 09:36

Difícil encontrar tenistas fora do top 100 que estejam felizes com a WTA. A entidade promoveu para esta temporada uma reforma na pontuação dos torneios entre US$ 10 mil e US$ 100 mil de premiação e reduziu os pontos oferecidos em praticamente todas faixas. Em muitos casos, são 2, 4 ou 10 pontos a menos, mas elas reclamam que isso tem peso para jogadoras que estão mais atrás do ranking.

Nos eventos de US$ 10 mil, por exemplo, que são a base do tênis profissional, quem atinge as quartas ou a semi viu a pontuação cair até pela metade (4 para 2 e 4 para 6). Em torneios de US$ 25 mil, as quartas foram de 14 para 9 e a semi, de 24 para 18. Os acertos para baixo também aconteceram nos campeonatos de US$ 50 mil, com exceção da campeã que melhora de 70 para 80; de US$ 75 mil, onde as quartas foram de 30 para 21; e pareceu bem penosa para os de US$ 100 mil, onde quartas caíram de 36 para 25, semi de 70 para 50 e vice de 100 para 85.

“Todo mundo sabe que o circuito feminino tem uma lacuna difícil para ser coberta para quem está fora do top 100 e o que a WTA fez foi dificultar ainda mais a renovação”, dispara um treinador que pede para não ser identificado. As tenistas também não entenderam nada: “Ganhar nove pontos por duas vitórias em um torneio de US$ 25 mil é ridículo”, opina uma argentina.

Meninas unidas
O atual time da Fed Cup, que vai disputar vaga no Grupo Mundial  II em abril contra a Suíça, conseguiu um feito um tanto raro no circuito feminino brasileiro: a união. Quem vive os bastidores, sabe o quanto isso é difícil e conhece desentendimentos históricos na Fed Cup, em que uma jogadora nem falava com a outra. Talvez seja exatamente esse o grande trunfo da capitã Carla Tiene, que aposta estar diante de uma geração muito diferente.

“As meninas são amigas fora da quadra, é um grupo empenhado em ganhar, em fazer as coisas acontecerem. É muito especial”, afirma, referindo-se ao bom relacionamento entre Teliana Pereira, Laura Pigossi, Paula Gonçalves e Gabriela Cé. “E temos muitas outras com esse perfil, como a Bia Haddad, a Duda Piai, a Carol Meligeni, a Luísa Stefani. Temos uma geração incrível”. Um dos segredos para isso, na verdade, é a própria Tiene. “Elas confiam em mim, porque não estou com elas só na Fed Cup, mas durante o ano todo”.

Doping
A Federação Internacional, sempre pressionada por seu programa antidoping, anunciou um substancial aumento nos testes principalmente sanguíneos em 2013, que teriam saltado de 187 para 813, sendo 449 fora de competição. Boa parte desse acréscimo vem por conta do “passaporte biológico”, ou seja, a amostra que será guardada para medições futuras. Somando-se testes de urina também, a ITF diz ter feito 2.752 análises contra as 2.185 da temporada anterior.

Mas isso não ameniza as críticas. O site Quotidiano.net publica entrevista com o italiano Simone Bolelli, que admite que o controle aumentou e que testes acontecem em todas as competições de maior peso. Ele, no entanto, acha que as punições precisam ser mais severas e pede distinção maior entre os casos. “Fumar maconha, que não altera o rendimento em quadra, tem a mesma penalização do que usar um estimulante”, reclama.

ITF mostra números (e falhas) do antidoping
Por José Nilton Dalcim
9 de março de 2013 às 15:55

Pressionada pelos escândalos recentes de outras modalidades e por críticas diretas dos próprios tenistas de renome, a Federação Internacional resolveu mostrar números e alguns dados sobre o programa antidopagem que realiza pelo circuito. Embora seja uma primeira satisfação oficial, fica bem claro que os testes são completamente insuficientes.

Segundo o levantamento divulgado de 2012, foram feitos 1.727 exames de urina e apenas 124 de sangue em competição. A proporção melhora nos testes realizados de surpresa, com 271 de urina e 63 de sangue. E não é só. Ao divulgar a relação nominal dos tenistas examinados, vê-se que somente um terço dos jogadores profissionais em atividade foram submetidos a pelo menos um exame anual. Não dá para ficar aliviado.

Alguns tenistas parecem ter merecido atenção especial, talvez por terem atuado mais, incluindo participação maior em duplas. Esses fizeram mais de sete exames em torneios e foram visitados pelo menos quatro vezes fora de competição. São os casos de Tomas Berdych, Marin Cilic, David Ferrer, Marcel Granolers, Andreas Seppi e Radek Stepanek. Entre as meninas, aparecem tenistas de poucas expressão, como Lucie Hradecka, Anabel Guarrigues e Monica Niculescu e a já suspensa Barbora Strycova. O contundido Rafael Nadal, nome que sempre aparece quando se fala em antidoping, fez de 1 a 3 em competição e mais de sete fora, já que passou todo o segundo semestre inativo.

Vários brasileiros estão na lista, mas o único a realizar testes fora de competição foi Thomaz Bellucci, que teria feito também mais de sete exames em torneios. É o mesmo número de Bruno Soares. Marcelo Melo fez de 4 a 6. Outros como Nanda Alves, Guilherme Clezar, Rodrigo Grilli, Leonardo Kirche, Ricardo Mello, Fernando Romboli e João Souza se submeteram ao teste ao menos uma vez. Mas já dá para perceber o quanto o programa é falho, já que Rogerinho Silva e Thiago Alves, muito mais ativos no circuito de ponta, não são sequer listados.

De qualquer forma, houve dois avanços. O primeiro é a quebra do silêncio da ITF sobre as críticas recebidas e o segundo, a decisão de se adotar finalmente o ‘passaporte biológico’ a partir de 2013, ou seja, as amostras serão guardadas para serem submetidas a exames futuros que possam detectar métodos mais modernos e ainda não conhecidos de dopagem.

Caso interessante acontece na Espanha. O governo entrou com uma petição no parlamento para que se aprove uma norma que permita se adotar a mesma rigidez que se tem em outros grandes centros esportivos. A terra de Nadal e Ferrer tem sido historicamente acusada de não batalhar a fundo contra o problema e de ter uma legislação muito frágil perante o doping.

O recente escândalo chamado de ‘Operação Puerto’ pode ter sido a gota d´água. O doutor Eufemiano Fuentes admitiu em juízo ter usado recursos proibidos em clientes como ciclistas, jogadores de futebol, atletas, boxeadores… e tenistas. Nenhum nome foi revelado até agora.

A nova lei que as autoridades espanholas querem aprovar punirá os infratores com multas que podem atingir US$ 500 mil e dá autorização para que o controle antidopagem faça testes até mesmo de madrugada.

À espera da segunda semana
Por José Nilton Dalcim
18 de janeiro de 2013 às 13:24

A parte superior da chave masculina continua a correr exatamente da forma prevista: pouco esforço para os grandes candidatos à vaga na final. Novak Djokovic até precisou jogar um bom tênis para superar o estilo pouco ortodoxo de Radek Stepanek, mas David Ferrer e Tomas Berdych continuam sem sofrer a menor ameaça. Coisa, aliás, que dificilmente acontecerá nas oitavas de final de domingo. E assim resta mesmo esperar as quartas chegarem.

Stepanek, que foi 67 vezes à rede, lugar onde conquistou 36 de seus 83 pontos na partida, deu a receita: “Um tenista normal jamais vai incomodar Djokovic no fundo de quadra, porque seu jogo de base é o melhor do mundo. Acho que só mesmo tentando os voleios você pode equilibrar a partida. Quem sabe isso sirva de alerta”. Bom, certamente não vai adiantar nada para Stan Wawrinka, que tem justamente nos voleios o seu pior golpe.

No estilo regularidade-correria, também não dá para competir com Ferrer, como Marcos Baghdatis bem percebeu. O próximo desafiante é Kei Nishikori, que jura estar mais agressivo: “Treinei muito as subidas à rede na pré-temporada e também exercitei à exaustão o saque, que está cada dia melhor”, afirma o ídolo japonês. Vamos conferir.

Berdych é outro que economizou o máximo de energia nas três primeiras rodadas e deve ter seu trabalho facilitado diante de Kevin Anderson, que vem desgastado por partidas bem duras. O mesmo raciocínio serve para Nicolás Almagro, que foi muito bem em dois tiebreaks diante do sacador Jerzy Janowicz e agora aposta no físico contra Janko Tipsarevic. O sérvio jogou 10 sets e quase oito horas nas duas últimas rodadas.

Com a queda de Sam Querrey para Wawrinka, o tênis norte-americano fica sem representantes nas oitavas masculinas de Melbourne pelo segundo ano consecutivo. Questionado, Querrey justificou o fato com a ausência de John Isner e Mardy Fish. Mas, em 2012, os dois jogaram. E Andy Roddick também. Dessa forma, completa-se 10 anos sem títulos americanos na Austrália (último foi Andre Agassi, em 2003) e há sério risco de se completar uma década também no geral (desde Roddick, no US Open de 2003).

As meninas já tem as primeiras classificadas das oitavas, mas poucos jogos chamaram a atenção pela qualidade técnica. Maria Sharapova, dessa forma, destoa ainda mais com o belo tênis que está jogando. Esmagou Venus Williams, que já poderia estar considerado aposentadoria, a menos que se contente em permanecer apenas uma top 30. Agnieszka Radwanska – a única mulher que usa drop shot consciente! – contra Ana Ivanovic é a melhor promessa da quarta rodada.

Doping – O caso Lance Armstrong provocou declarações dos tenistas em Melbourne. Vale destacar o que Novak Djokovic disse sobre a prevenção no tênis. “Não faço um teste sanguíneo há seis ou sete meses”, afirmou, quando lembrado que a Federação Internacional realizou apenas 18 exames desse tipo nos jogadores de ponta em 2011. “Os testes eram mais frequentes dois ou três anos atrás, não sei por que mudou”. Mas imediatamente ele fez questão de frisar que o tênis é um esporte íntegro: “Os tenistas estão entre os atletas mais limpos do mundo. E se continuar assim, não tenho motivo para reclamar dos testes”.

Hit – O vídeo publicado no Youtube com o destempero emocional de Jerzy Janovicz na segunda rodada virou hit, com 750 mil visualizações. O polonês foi à loucura com uma marcação da arbitragem num set-point. A atitude também lhe valeu US$ 2,5 mil de multa.

O clima – Tipsarevic admite nunca ter visto um clima tão maluco como o de Melbourne (talvez porque nunca visitou São Paulo). “No primeiro jogo, estava frio. No segundo, fez um calor de 40 graus. No terceiro, a temperatura despencou para 23, chovia e ventava muito. Não sei o que esperar para a próxima”, desabafou.

Nada disso, aliás, afastou o público, que foi de 70.426 pessoas nesta sexta-feira, sendo 43.904 na sessão diurna e 26.522 na noturna. O recorde de ingressos vendidos para a primeira sexta-feira num Slam é de 74.144, lá mesmo em Melbourne, e o de público total de 80.649 no primeiro sábado do ano passado.

O sábado – E o duelo entre Roger Federer e Bernard Tomic pode ser o ingrediente para trazer ainda mais gente ao Melbourne Park neste sábado. O australiano de 20 anos e 43º do mundo, que foi criticado pelo ex-técnico e afastado do time da Copa Davis, reconquistou a simpatia do público. No ano passado, tirou apenas oito games do suíço nas oitavas de final. Federer tenta atingir a histórica marca de 250 vitórias em Grand Slam. Jogão, às 6 horas. Não perca.

A rodada tem outros atrativos. Aliás, cinco franceses estarão em quadra, dois em confronto direto: Gilles Simon x Gael Monfils. A França pode ainda avançar com Tsonga e Gasquet, já que Chardy tem pouca chance diante de Del Potro. Jogos interessantes envolvem Cilic x Seppi e Raonic x Kohlschreiber. O cabeça 3 Andy Murray pega o número 110 Ricardas Berankis, com quem costuma treinar. O jogo não deve ser muito mais que isso mesmo.

No feminino, Victoria Azarenka e Serena Williams fazem partidas sem graça.

Saiba mais
O tênis feminino, que já foi território aberto para adolescentes, teve somente 14 “teens” (até 19 anos) em sua chave principal de Melbourne neste ano. A croata Donna Veic, de apenas 16, impressionou, assim como a americana Madison Keys, de 17. E duas farão um duelo direto por vaga nas oitavas e por destaque na mídia internacional: a britânica Laura Robson, que completa 19 dentro de três dias, e americana Sloane Stephens, já com 19. Ao longo da Era Profissional, 12 “teens” já venceram Grand Slam, a mais recente delas Maria Sharapova no US Open de 2006, aos 19 anos e 132 dias. O recorde absoluto, no entanto, aconteceu no Australian Open de 1997, quando a suíça Martina Hingis levantou o troféu aos 16 anos e 105 dias.