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Só faltam dois
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2019 às 02:04

Rafael Nadal deu mais um passo importante na direção do 19º troféu de Grand Slam e na tentativa de retomar a liderança do ranking. Único jogador da temporada a ter feito semifinais em todos os quatro Slam e em 10 dos 11 torneios que disputou no geral, sinais evidentes de sua consistência, ele superou uma noite quente e úmida em Nova York, conseguiu administrar quedas de intensidade e dobrou o espírito guerreiro do argentino Diego Schwartzman.

Se tivesse mantido o domínio que conseguiu nos dois primeiros sets, talvez o placar teria sido um esmagador 6/0, 6/1 e 6/2. Abriu 4/0, fez um game de serviço estranho e aí Dieguito se agigantou e passou a jogar um tênis corajoso e sem erros. Empatou e teve a bola para nova quebra. No outro set, Rafa chegou rapidamente a 5/1, 15-0 e voleio na mão. O argentino se salvou com um lance de defesas incríveis, o espanhol se desconcentrou e novamente Schwartzman engatou uma série notável de jogadas. Mas nos dois casos, quando teve de sacar com 4/5 e com 5/6, não acreditou.

Com 2 sets acima, Nadal só poderia mesmo deslanchar, porém veio um pedido médico para massagear o antebraço esquerdo e mais tarde um alongamento no direito, o que sugeria risco de cãibra. Schwartzman até tentou explorar isso, forçando mais ainda no forehand do espanhol, mas Rafa decidiu finalizar o mais rápido possível, soltou seus golpes como se esperava nos outros dois sets e por fim não abriu espaço para reações. Ao final, admitiu que a noite foi difícil com as condições climáticas e o poder de luta de El Peque, mas assegurou que sua confiança está nas nuvens.

A festa italiana continua
Com dois jovens semifinalistas de Grand Slam em 18 meses e um top 10 que não via há quatro décadas, o tênis italiano continua a progredir no circuito masculino. Matteo Berrettini, a quem lembro de ter chamado a atenção ainda no começo da fase de saibro, sobreviveu a um duelo incrivelmente emocional diante do experiente Gael Monfils e se tornou o segundo NextGen nas semifinais do US Open e o mais jovem deles, já que tem os mesmos 23 anos de Daniil Medvedev, porém nasceu dois meses depois.

O saque e o forehand são as grandes armas do tenista de 1,96m, que neste ano já ganhou ATP no saibro e na grama, mas que ainda deixa a parte mental interferir bastante. Foi exatamente o que aconteceu na batalha desta quarta-feira. Primeiro, teve admirável poder de reação, ao perder o primeiro set e ver o francês abrir 2/0 no segundo. Seus ataques começaram a incomodar Monfils, que parecia já com problemas físicos no quarto set, mas lutou muito e esticou a decisão para delírio do público.

A vitória de Berrettini parecia inevitável quando abriu 5/2, mas ao chegar ao primeiro match-point no game seguinte cometeu dupla falta a 122 km/h. A disputa então ficou tensa, os dois jogadores segurando o braço, com medo de arriscar, e deixando a bola muito curto. Monfils ainda salvou outro match-point antes de levar ao tiebreak e aí cometeu duas duplas faltas. O italiano enfim fechou na quinta tentativa, após 3h56 de esforço tanto físico como emocional.

A inexperiência e a instabilidade só ampliam o favoritismo de Rafael Nadal, a quem nunca enfrentou. Mas talvez o fato de ser uma ‘zebra’ total o deixe mais relaxado. Entrará em quadra já assegurado no top 15 do ranking e com grande chance de aparecer no 9º lugar no ranking da temporada, grudado em Kei Nishikori,

Duelo das meninas
Uma deliciosa semifinal está marcada entre duas tenistas muito jovens: Bianca Andreescu, de 19 anos, enfrentará Belinda Bencic, de 22, para ver quem fará sua primeira tentativa de ganhar um Slam. Mas há uma diferença bem grande no currículo de ambas, porque a suíça surgiu como prodígio em 2014, quando fez quartas no mesmo US Open e pouco depois atingiu o top 10 do ranking. Já a canadense é uma grande sensação da temporada; há um ano, jogava o quali do torneio.

As duas jogam também de forma um tanto distinta. Bencic gosta mais do contragolpe, Andreescu parte para o ataque o tempo inteiro. Nas partidas desta quarta-feira, a suíça viveu um começo instável e viu a croata Donna Vekic sacar para o set com 5/4. Reagiu, venceu no tiebreak e terminou com o ótima marca de 41% de pontos vencidos na devolução. Mas o duelo foi um tanto travado.

Andreescu me agradou mais. Dominada por um primeiro set muito bem feito pela belga Elise Mertens, adotou mudanças táticas corretas, diminuiu a margem de erro e esperou o momento certo de se impor. É incrível imaginar que Bibi terminou apenas como 178º do ranking em 2018, tendo vencido dois torneios de enorme peso, em Indian Wells e Toronto. Talvez estivesse ainda melhor se não ficasse de fora do circuito por quatro meses devido ao ombro (após Miami, só disputou Roland Garros e abandonou na segunda rodada).

O duelo entre elas é inédito no circuito, o que acentua a falta de prognósticos. Quem vencer, será pelo menos oitava do ranking, a menos que Serena William seja campeã.

Para a história
Berrettini é o quarto italiano a atingir uma semi de Grand Slam no tênis masculino, repetindo Adriano Pannatta (três semis),  Corrado Barazzutti (duas) e Marco Cecchinato (uma). Os únicos italianos a vencer um Slam foram Pannatta (Roland Garros-76), Francesca Schiavone (Roland Garros-2010) e Flavia Pennetta (US Open-15). O grande momento dos italianos também viu Fabio Fognini chegar ao top 10 nesta temporada e se tornar o jogador de maior idade a fazê-lo pela primeira vez.

Fique de olho em 2015
Por José Nilton Dalcim
17 de dezembro de 2014 às 23:27

O site Tennis Now publicou interessante artigo do jornalista Erik Gudris sobre os 10 tenistas com menos de 20 anos que mais se destacaram na temporada 2014. A ideia foi ótima e listou pela ordem Nick Kyrgios, Belinda Bencic, Borna Coric, CiCi Bellis, Alexander Zverev e Donna Vekic, ou seja, três promessas de cada sexo.

Kyrgios completou 19 anos em abril e tem um mix de ingredientes que pode ser perfeito para recolocar o tênis australiano em seu devido lugar. Com 1,93m, é um tremendo sacador que se movimenta bem pela quadra e distribui golpes incríveis da base, especialmente com o backhand.

Muito mais do que isso, tem atitude. Mostrou incrível maturidade em jogos duríssimos, match-points contra, placares adversos diante de adversários experientes. Consegue ser brincalhão, irreverente sem perder o foco na partida e isso já lhe garantiu fama. O garoto tem carisma, sem dúvida. Só exagero na irritação, algo meio juvenil, que precisa ser corrigido. Também preocupam as contusões que o perseguiram no segundo semestre.

Com 10 vitórias em apenas 19 jogos de primeira linha em 2014, começará a nova temporada como 52º do mundo e uma enorme chance de disparar no ranking nos torneios locais de janeiro. Basicamente, só defende pontos em abril, portanto pode facilmente chegar ao top 30 antes disso.

Coric é ainda mais jovem, tendo completado 18 anos agora em novembro. A estatura de 1,85m lhe proporciona golpes potentes em todos os campos, aliado à excelente movimentação e resistência. Não por acaso, um dos seus espelhos é Rafa Nadal.

Com a entrada no top 100, deverá jogar torneios de maior peso em 2015 e a ascensão no ranking parece inevitável. Curiosamente, nos quatro primeiros meses de 2014, ainda jogava futures. Em setembro, chegou ao US Open, num salto espetacular, e em outubro derrotou o próprio Rafa na Basileia.

Zverev é o mais alto dos três, ainda aos 17 anos, e o progresso também é relevante. O tenista de 1,98m conseguiu o assombroso salto de 670 posições, tendo começado o ano fora dos 800 primeiros e terminado no 137º. Usou uma estratégia diferente, e passou todo o primeiro semestre de 2014 na disputa de qualis, seja de challengers ou de ATPs.

Quando chegou ao saibro alemão, já em junho, começou a mostrar sua qualidade, com uma série de vitórias sobre tops 100 e top 50, incluindo Mikhail Youzhny, então 19º. Apesar de não ter repetido o desempenho, continuou buscando experiência nos challengers. É outro de tênis bem moderno: saque forte, jogo de base sólido e ataque constante. Tal qual Kyrgios e Coric, se vira muito bem em todos os pisos.

As meninas também estão em patamares bem distintos. Bencic já é uma realidade. Aos 17 anos, fez quartas de Slam, final de WTA e semi de Premier, fechando o ano em 32º. Muito talentosa, um tanto versátil, mas é bem difícil imaginá-la nas rodadas finais de um Slam por enquanto. Vekic, um ano mais velha, já ganhou seu WTA e está na faixa das 80 do ranking.  Parece uma jogadora destinada à quadra dura. CiCi ainda é juvenil, 15 anos, e acho que existe estardalhaço demais em cima dela. Ainda precisa mostrar mais potencial, em que pese a vitória histórica no US Open.