Arquivo da tag: Don Budge

Todos os olhos em Nole
Por José Nilton Dalcim
27 de junho de 2021 às 20:07

Com a ausência de Rafael Nadal e o momento incerto de Roger Federer e Serena Williams, todas as atenções em Wimbledon se concentram sobre Novak Djokovic. E o atual campeão e número 1 do mundo inicia a campanha já às 9h30 desta segunda-feira, tendo pela quarta vez a honra de ser o primeiro a pisar na imaculada grama da Quadra Central, como reza a tradição centenária.

Há muita coisa em jogo para Djokovic. Claro que todo mundo pensa no 20º troféu de Slam, o que o igualaria a Nadal e Federer, mas há outras façanhas importantes aguardando o sérvio. Ele pode ser apenas o quinto homem na história a conquistar os três primeiros Slam da temporada, repetindo Jack Crawdford (1933), Don Budge (1938), Lew Hoad (1956) e Rod Laver (1962 e 1969). Desses, apenas Budge e Laver completaram o Slam nos EUA.

Vencer seguidamente no saibro de Paris e na grama londrina também era um feito raro até Bjorn Borg fazê-lo por três vezes seguidas, entre 1978 e 1980. Desde então, apenas Nadal (2008 e 2010) e Federer (2009) repetiram o sueco.

Penta ao lado de Borg, Djoko poderá ainda se isolar como terceiro maior vencedor de Wimbledon desde que foi abolido o ‘challenge round’ em 1921 (ou seja, quando o campeão do ano anterior apenas defendia o título na edição seguinte). Os outros dois são Federer (oito troféus) e Pete Sampras (sete).

Por fim, se for à semifinal, somará 100 vitórias na grama na carreira, clube exclusivo de Federer (188) e Andy Murray (108) na fase profissional.

Com apenas três jogos de duplas feitos em Mallorca – em quatro de seus cinco títulos não jogou preparatórios de qualquer espécie -, Djokovic testa sua adaptação á grama diante do garoto britânico Jack Draper, 253º do ranking nesta segunda-feira. Fico a imaginar o tamanho da ansiedade do canhoto de 19 anos: vai jogar seu primeiro Slam, diante do número 1 e em plena Central, um palco reservado a muitos poucos na história.

Saiba mais
– O torneio mais antigo do mundo atinge a 134ª edição desde 1877 e a 53ª desde que profissionais foram admitidos, em 1968.
– Nesse longo período, o torneio deixou de ser disputado apenas 11 vezes, sendo 4 na Primeira Guerra, 6 na Segunda e 1 nesta pandemia.
– Os campeões embolsam 1,7 milhão de libras (US$ 2,3 mi) e quem perder na estreia, 48 mil (US$ 67 mil)
– Se chegar ao nono troféu, Federer marcará também a maior distância entre o primeiro e o último Slam, com 18 anos. O recorde hoje é de Serena, com 17 anos e 5 meses, seguida por Nadal, com 15 anos e 4 meses.
– Aos 39 anos e 337 dias, suíço também pode ser o mais velho campeão de um Slam.
– Federer disputa o torneio pela 22ª vez, com total de 81 Slam, e Venus completa 23 participações e 90 Slam, recordes absolutos. Feli Lopez chega a 77 Slam seguidos.
– Só existem quatro vencedores de Slam na chave masculina, somando Murray e Cilic. Dos demais, apenas Anderson chegou numa final de Wimbledon. No feminino, são 15 e olhem que Osaka e Halep estão fora.
– Mais dois recordes para o tênis italiano: representantes na chave masculina (10) e cabeças (4).
– Dos oito principais cabeças, Medvedev, Tsitsipas, Zverev, Rublev e Berrettini nunca fizeram quartas em Wimbledon. Bautista foi semi em 2019.
– O cabeça 1 só perdeu uma vez na estreia na Era Aberta: Hewitt para Karlovic em 2003
– Há 18 canhotos na chave. O último a vencer foi Nadal, em 2010
– Borg, Cash, Edberg e Federer foram únicos campeões juvenis que ergueram troféu no profisisonal
– A última vez que um debutante ganhou Wimbledon foi em 1951, com Dick Savitt
– Um membro do time de Johanna Konta deu positivo para covid e a britânica foi obrigada a se retirar do torneio. Ela foi semi em 2018 e quartas em 2019.
– Sabalenka pode tirar Barty da ponta do ranking, mas terá de ser campeã e a australiana não passar das quartas.
– Em 19 participações, Serena nunca perdeu na estreia de Wimbledon. Precisa de duas vitórias para chegar à 100ª no torneio.
– Desde 2017, o circuito feminino vê sempre quatro diferentes campeãs de Slam (em 2020 foram três).
– O Brasil de Maria Esther faz parte da curta lista de 11 países a ganhar o título feminino na história do torneio