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Nishikori tenta reviver o US Open
Por José Nilton Dalcim
26 de janeiro de 2015 às 12:24

O primeiro top 10 já ficou para trás. As quartas de final são o próximo desafio. O japonês Kei Nishikori tem diante de si a chance de repetir a espetacular campanha de Nova York e se fixar de vez no seleto grupo dos cinco melhores do mundo. Quem sabe, até ficar com o título de Melbourne

Há curiosas semelhanças. Depois de tirar Milos Raonic no US Open, Nishikori cruzou com Stan Wawrinka. Surpreendeu, e derrubou em seguida nada menos que Novak Djokovic, atingindo então sua primeira final de Grand Slam. Nunca havia vencido tantos top 10 em sequência.

Ao superar com maestria David Ferrer nesta segunda-feira, ele se coloca exatamente na mesma posição. Desafia agora o atual campeão e tem chance real de reencontrar Djokovic. Ainda que seja menos experiente que os adversários, impossível negar que Nishikori pode brilhar mais uma vez.

A atuação contra Ferrer foi digna de espanto. O espanhol até podia alegar problemas com as bolhas no pé, mas reconheceu antes de tudo que o japonês foi muito superior nos três sets fulminantes em que o ponto alto foi a capacidade de atacar, até mesmo a partir do saque.

Curiosa foi a declaração de Nishikori, ao admitir que não se sente ainda à vontade como top 5 do ranking. Mas ele precisa se acostumar logo a isso. Caso vença Stan, tem enorme chance de chegar ao quarto posto e quem sabe grudar no terceiro colocado. “Meu estilo de jogo exige muito da parte mental, porque preciso ser agressivo sem errar tanto, então a escolha da hora de arriscar é fundamental”, definiu ele com propriedade.

O duelo com Wawrinka está totalmente aberto. O suíço também tem jogado muito bem. Chegou a se atrapalhar contra o sempre perigoso Guillermo Garcia-López, mas manteve a cabeça no lugar, o que é um importante sinal de que está bem consigo mesmo. Acho que a pressão maior da defesa do título já passou, porque quartas de qualquer Slam é o resultado mínimo que qualquer grande nome espera.

Djokovic por sua vez precisou de paciência para suportar o canhoto Gilles Muller, como aliás já havia acontecido na rodada anterior com Verdasco. E terá outro sacador peso-pesado pela frente nas quartas, o bem conhecido Milos Raonic, que fez nada menos que 81 winners nos cinco sets diante de Feliciano López, indo com notável constância à rede (34 pontos em 62 tentativas).

Nada tira o favoritismo de Nole, que marcou outro feito importante na sua carreira ao atingir as quartas de um Slam pela 23ª vez consecutiva, marca que só fica atrás de Roger Federer (36) e Jimmy Connors (27). Além de tudo, joga com os números: só perdeu um set de Raonic nos quatro duelos.

Se não teve nível técnico espetacular, o complemento das oitavas de final femininas foi marcado por emoções de todos os tipos. Serena Williams mais uma vez tirou forças ocultas para virar contra Garbine Muguruza e a irmã Venus mostrou poder de reação incrível para tirar Aga Radwanska com um terceiro set impecável. A veterana de 35 anos faz agora um duelo americano de gerações contra a surpresa Madison Keys.

Mas o grande nome do dia foi certamente Dominika Cibulkova. Sentindo-se à vontade no lugar onde jogou o melhor tênis de sua vida no ano passado, usou os mais variados recursos para tirar Vika Azarenka. Fez um pouco de tudo, com destaque ao excepcional trabalho de pernas, contraataque e determinação. Serena que se cuide.

E Marcelo Melo enfim completou seu currículo com as únicas quartas de Grand Slam que não possuía. O mineiro já foi vice de Wimbledon, tem duas semis do US Open e duas quartas em Roland Garros. Ele e Ivan Dodig ainda possuem jogos duros pela frente: López/Mirnyi agora e depois quem sabe Benneteau/Roger Vasselin. A notícia motivadora foi a queda dos irmãos Bryan.

Stan faz história e se candidata a equilibrar o circuito
Por José Nilton Dalcim
26 de janeiro de 2014 às 11:38

Quanta coisa completamente fora dos padrões aconteceu nesta final masculina do Australian Open. No começo de tudo, Stan Wawrinka jogou um set primoroso, dando uma aula de golpes ofensivos de base, mesmo com aproveitamento sofrível de primeiro saque. Depois, Rafa Nadal se contundiu e parecia claro que ele ia abandonar a partida, completamente sem condições de encarar o furacão que Stan representava do outro lado da quadra.

Que nada. Tive a nítida impressão que Nadal caminhou para a rede para cumprimentar o adversário ao final do segundo set – notem como ele está indo para a cadeira numa direção diferente do normal -, mas pareceu mudar de ideia no meio do caminho. Talvez tivesse sido assim se Stan confirmasse o break-point na abertura do terceiro set e fizesse depois 2/0. Porém, o suíço se perdeu de maneira quase infantil. E o raçudo espanhol brigou, mudou a forma de jogar, ganhou o set e apertou no outro, praticamente jogando só com um segundo saque.

Por fim, Wawrinka superou sua confusão interna e ganhou um merecido título porque, enquanto os dois jogadores estiveram em igualdade de condições físicas, ele foi melhor. Também coroa o esforçado trabalhado que vem fazendo há mais de um ano, tornando-se mais forte nas pernas, nos braços e na cabeça. Ao que tudo indica, a quebra de tantas barreiras em duas semanas de tênis notável fará com que Wawrinka acredite bem mais em si próprio e seja talvez o grande candidato a impedir o domínio maior de Nadal e Novak Djokovic na temporada até mesmo no saibro, que é seu piso favorito. E pode ser inspiração para os outros top 10.

Nadal merece aplausos por seu empenho, que acabou por valorizar a vitória do adversário. Ele ficou tão perto de feitos históricos – adiou para 2015 a tentativa de acumular dois troféus em cada Slam e deixou para Paris o 14º geral -, mas sofreu com bolha na mão e o inesperado problema nas costas. A frase dele na entrevista final é digna de registro: “Sou sortudo por ter vivido mais dias felizes do que tristes”.

Divertida Na Li  – Muita gente fala do papel de Magnus Norman na ascensão de Wawrinka, mas se tem um treinador realmente fera no circuito feminino: Carlos Rodriguez. O ex de Justine Henin operou uma mudança completa em Na Li, misturando agressividade com consistência, bom saque, jogo de rede, um pouco de tudo.

Verdade que Li venceu o Australian Open sem ganhar de uma única das 16 principais cabeças, porém o que fazer se elas não tiveram competência? A própria chinesa poderia ter ficado pelo caminho, não fosse o match-point evitado lá na terceira rodada. Ganhou confiança e se tornou a quarta mais velha tenista a vencer um Slam na Era Profissional, atrás de Navratilova (33), Virginia Wade e Serena Williams (ambas 31 e poucos dias a mais).

A final de sábado, é verdade, não foi das melhores. O primeiro set cheio de erros ainda viu equilíbrio. No segundo, Dominika Cibulkova desabou, o que não tira dela o excelente torneio feito até então. Melhor do que a partida foram as frases descontraídas de Li na cerimônia e na entrevista final, mostrando que além de tudo ela é muito espirituosa.

Feitos – Wawrinka é apenas o sexto tenista a ganhar um Slam desde que Nadal despontou no circuito ao vencer Roland Garros de 2005, passando a dividir a atenção e o favoritismo com Roger Federer. Desde então, apenas Novak Djokovic (6), Andy Murray (2), Del Potro e agora Wawrinka quebraram a hegemonia.

Stan também se torna o segundo homem a gastar mais tentativas antes de enfim levantar um troféu de Slam, com 36. O recordista é Goran Ivanisevic, que faturou Wimbledon de 2001 com 48 Slam disputados. Ele também iguala a marca do tcheco Petr Korda, já que ambos jogaram nove vezes na Austrália antes de chegar à conquista e entra na curta lista dos três suíços a vencer um Slam, ao lado de Federer e Martina Hingis (os dois também ganharam em Melbourne).

Por fim, Wawrinka bate uma importante marca pessoal: pela primeira vez, derrota três top 10 no mesmo torneio, lista que inclui Tomas Berdych. Na história profissional, é o nono a eliminar os dois líderes do ranking rumo ao título de um Slam, algo que não acontecia desde Sergi Bruguera, há mais de 20 anos.

Férias curtas – Wawrinka terá pouco tempo para comemorar – e se embebedar, como prometeu -, já que lidera o time suíço da Copa Davis já na sexta-feira. Rafa, ao contrário, só reaparecerá em quadra no saibro de Buenos Aires e do Rio, enquanto Djokovic e Federer são esperados ainda mais tarde, já em Dubai, na última semana de fevereiro.

Raquete Wilson – O vencedor do desafio da semi entre Nadal e Federer foi Sergio Moreno Carvalho, que leva assim a raquete Wilson Pro Staff 90. Ele errou apenas um game do placar e meros 9 minutos do tempo total. Parabéns!

Nadal dá outro passo rumo à história
Por José Nilton Dalcim
24 de janeiro de 2014 às 09:15

Bolha? Que bolha? Rafael Nadal não tomou conhecimento de desconforto, nem de dor. Ao contrário dos dois jogos anteriores, em que esteve longe de seu nível habitual, reuniu suas melhores e conhecidas qualidades para marcar mais uma vitória inconstestável sobre o suíço Roger Federer. O resultado abre caminho para que Rafa escreva uma nova página no esporte neste domingo, quando tenta se tornar o primeiro profissional e o terceiro homem na história a colecionar pelo menos dois troféus em cada Grand Slam.

Mais importante ainda, o mágico canhoto espanhol se coloca na posição de encurtar a distância que tem para a Federer na mais importante conta do tênis, que são os troféus de Grand Slam. Esse na verdade era o maior valor da semifinal desta sexta-feira no Australian Open, porque Rafa não apenas impediu o adversário de sonhar com o 18º, mas assume condição de grande favorito para levar o 14º. Com Federer em evidente final de carreira e poucas oportunidades de sucesso nas próximas temporadas, o homem de Manacór vive seu esplendor físico e técnico, com pouquíssimos adversários em condição de ameaçar sua soberania. Assim tem todo o direito de acreditar em mais quatro ou cinco Slam.

A partida desta sexta-feira foi decidida no primeiro set. Federer trouxe uma proposta nova para a quadra: esqueceu o slice e bateu todas as bolas com seu backhand, desde a devolução de saque até as trocas, e investiu no voleio curto, talvez se lembrando que essa foi a forma notável com que Jo-Wilfried Tsonga havia atropelado Nadal lá mesmo em Melbourne, em 2008. Mas lhe faltou um quesito essencial para uma execução mais perfeita: o primeiro saque. Com isso, ainda que equilibrasse os games, era quem mais sofria para manter o serviço e escapou de três break-points.

A rigor, sua única chance de mudar o histórico sofrível de derrotas para o espanhol veio com um forehand bobamente desperdiçado no 30-30 do 6/5, bola que lhe daria um set-point. Do tiebreak, em diante, Rafa passou a ser cada vez mais superior. Abusou é claro da bola alta e cheia de spin que desagrada os conservadores, mas que é inegavelmente eficiente, ainda mais contra Federer, a quem foi paulatinamente faltando pernas, paciência e confiança. No duelo de ataque-defesa que se travou na maior parte do tempo, esses três elementos são essenciais. Nadal sabe disso, e sobrou. Nenhuma novidade.

Esse aliás é o desenho previamente traçado para a final de domingo contra Stanislas Wawrinka. O agora número 1 suíço, que joga também pela condição de terceiro do ranking, tem utilizado muito bem o primeiro saque e só mesmo essa poderosa arma poderá ajudá-lo a equilibrar a partida contra o canhoto, que será favorito a vencer toda e qualquer troca de mais de quatro bolas. Stan terá de encurtar os pontos com a máxima agressividade, correr todos os riscos, o que me parece algo muito complicado para quem joga sua primeira final de Slam e tem 0-12 no confronto direto sem nenhum set conquistado.

Só resta a ele acreditar que este Australian Open foi escrito para surpreender.

Registro histórico
* Nadal poderá atingir 15.130 pontos no ranking com o título em Melbourne e ficar assim 4.510 à frente de Novak Djokovic. Wawrinka já subiu para quinto, seu recorde pessoal, e irá tirar o terceiro provisório de Juan Martin del Potro se for campeão, o que ao mesmo tempo rebaixaria David Ferrer para quinto. Andy Murray ficará em sexto. Federer cairá para oitavo, pior marca desde 28 de outubro de 2002.
* Na Li será a número 3 do ranking na segunda-feira. Se vencer o Australian Open, ficará apenas 11 pontos atrás de Vika Azarenka, segundo novo cálculo da WTA. Dominika Cibulkova sobe para 13 e pode chegar a 11. Maria Sharapova cai para quinto, atrás de Agnieszka Radwanska.
* A chinesa pode repetir Marion Bartoli e ganhar um Slam sem ter enfrentado qualquer uma das 16 principais cabeças. Já Cibulkova superou quatro das 16: Suárez, Sharapova, Halep e Radwanska.
* Aos 31 anos e 334 dias, tenta ser a mais velha campeã profissional da Austrália e a quarta em Slam.
* Oficiallmente, Cibulkova é a primeira eslovaca a atingir uma decisão de Slam, já que Miloslav Mecir jogava pela então Tchecoslováquia. Martina Hingis nasceu em Kosice, hoje segunda maior cidade da Eslováquia, mas sempre atuou como suíça.
* Com 1,60m, Domi tenta igualar Nancy Richey (Paris-1968) e Mima Jausovec (Paris-1977) como as mais baixas a vencer um Slam na Era Profissional. Rosie Casals, de 1,58m, perdeu duas finais do US Open.