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Compasso de espera
Por José Nilton Dalcim
10 de agosto de 2020 às 19:45

Restam apenas 10 dias para começar o qualificatório de Cincinnati e uma nuvem de dúvida permanece. Os top 20 do ranking que pretendem jogar os torneios combinados de Flushing Meadows colocam como exigência maior a desobrigação de cumprir isolamento social quando entrarem ou retornarem à Europa.

Isso se aplica principalmente ao Masters de Roma, não apenas porque teria largada apenas oito dias após a decisão masculina do US Open, mas devido ao fato de que o governo italiano tem exigido quarentena de 14 dias para cidadãos que chegam ao país oriundos de lugares onde a pandemia esteja em situação preocupante.

Jornalistas italianos divulgaram nesta segunda-feira em mídias sociais uma interpretação de nova norma baixada pelo governo que justamente livraria os atletas de alto rendimento desse isolamento obrigatório. Mas tal salvadora notícia não recebeu qualquer comentário até agora, nem da USTA, da ATP ou dos promotores de Roma, todos diretos interessados.

Talvez haja um exagero em tudo isso. Será que não vale a pena se ausentar do Masters italiano para quem atingir quartas ou semifinais do US Open? Além disso, esses jogadores poderiam voar direto para Paris e se preparar calmamente para Roland Garros, sem qualquer restrição de entrada, desde é claro que estejam em plenas condições de saúde.

Se pensarmos bem, apenas jogadores um tanto mais ambiciosos com o calendário, como Dominic Thiem e Daniil Medvedev, fariam tanta questão de disputar uma eventual final do US Open e também tentar a sorte em Roma uma semana depois, considerando ainda que o Slam é feito em melhor de cinco sets e num clima geralmente desgastante. Thiem aliás fala até em disputar Kitzbuhel antes de ir ao Fóro Itálico, sedento por competir em tudo que der e vier.

Kitzbuhel pleiteia no momento pegar a data de Madri e assim abrir oportunidade de contar com algum nome de peso, como Rafael Nadal, além é claro de Thiem. A ATP baixou determinação que impede Nadal e Gael Monfils de competirem em Kitzbuhel se o torneio austríaco acontecer na segunda semana do US Open, como está previsto no momento.

O tempo está ficando apertado para tantas decisões. É hora de todo mundo se posicionar.

Bom exemplo
Palermo realizou o primeiro evento pós-pandemia e deu mostras que é possível realizar um evento profissional bem organizado e seguro. Os promotores foram extremamente cautelosos. A única tenista que deu positivo foi barrada ainda na chegada ao hotel, as poucas que ‘furaram’ a bolha foram severamente advertidas e o WTA italiano terminou sem sustos.

Tenistas e acompanhantes também foram testados a cada quatro dias, tiveram de manusear as próprias toalhas, houve redução para apenas três boleiros por quadra, as máscaras foram obrigatórias o tempo todo e até as entrevistas aconteceram de forma remota. Os banhos no vestiário, antes proibidos, acabaram autorizados, porém apenas dois tenistas foram permitidos no vestiário simultaneamente. Luvas até para entregar os troféus.

Sara Errani definiu bem: “Não é necessária vigilância 24 horas por dia, apenas que cada tenista seja responsável”.

Mais polêmica
Um documento que isenta a USTA e a ATP de qualquer ação judicial sobre a eventual contaminação – e até mesmo morte – de um jogador ou membro de sua equipe durante os eventos de Nova York é mais um ponto polêmico. Todo mundo precisa assinar para jogar os torneios.

A lista dos nomes importantes que já avisaram que não irão a Nova York: Rafael Nadal, Ash Barty, Elina Svitolina, Kiki Bertens, Gael Monfins, Fabio Fognini, Stan Wawrinka, Nick Kyrgios e Jo-Wilfried Tsonga.

China de volta
Os chineses voltaram a competir, mas em torneios regionais, sem torcida e ainda assim com tenistas isolados num só local. Os tenistas não apenas têm de usar máscaras, mas até mesmo lavar suas próprias roupas, já que o resort não está oferecendo esse serviço.

Deu a lógica: Nadal fica no saibro, Djoko vai aos EUA
Por José Nilton Dalcim
4 de agosto de 2020 às 20:16

Exatamente como estava previsto, as primeiras listas oficiais de inscritos pós-pandemia para Cincinnati e US Open mantiveram Novak Djokovic e ficaram sem Rafael Nadal. Não é definitivo, mas parece caminhar para a versão final do quadro que veremos nas três semanas de jogo em Flushing Meadows.

Nadal ao menos foi coerente com tudo que vinha dizendo e fazendo. Nunca se mostrou confortável em se arriscar em Nova York, abandonou há semanas os treinos na quadra dura e apostará todas as fichas na conquista do 20º troféu de Grand Slam com a 13ª conquista de Roland Garros.

Claro que os planos do espanhol já sofreram baixas, com o cancelamento de Madri. Não que este saibro veloz seja um bom preparo para Paris, mas Rafa precisará de ritmo de jogo e terá desvantagens óbvias diante de tenistas que estão em atividade há muito mais tempo. Não duvido que Nadal entre em Kitzbuhel, que aliás já pleitea atrasar uma semana e ocupar a vaga de Madri.

Djoko também atendeu às expectativas de momento e manteve-se nas duas listas. O sérvio tem muitas vantagens a considerar: o piso sintético que tanto aprecia e especialmente o fato de já ter contraído o coronavírus e assim, ao menos na teoria, ter chance baixa de reinfecção (ainda não há estudo conclusivo sobre isso, mas tudo indica que a imunização segue ao menos por alguns meses).

Os adversários de Djoko nos dois torneios tendem a ser Dominic Thiem, Daniil Medvedev e Stefanos Tsitsipas, mas observe-se que o russo não jogou uma exibição sequer até agora. E permanecem as dúvidas sobre a presença de Alexander Zverev, Matteo Berrettini e David Goffin, que completariam o quadro de oito cabeças no Masters e consequentemente sairiam adiantados.

Da lista dos top 10, Roger Federer está em recuperação médica e Gael Monfils já havia antecipado desistência. Dos demais 20 primeiros, estão fora Fabio Fognini e Stan Wawrinka. E para os dois torneios, assim como Nick Kyrgios. Já o japonês Kei Nishikori marcará sua volta ao circuito – não joga desde o US Open do ano passado – e Andy Murray ganhou convite para Cincy. A lista do Grand Slam fechou no 127º lugar e os próximos a entrar são exatamente Juan Martin del Potro e Murray.

Feminino oscila
Os torneios femininos de Flushing Meadows têm diferenças importantes na listagem. Simona Halep, Bianca Andreescu e Elina Svitolina só jogarão o US Open, onde a jovem canadense defende o incrível título do ano passado. Mas Bianca não joga desde outubro e só voltou a treinar em março. Halep fez muitas declarações receosas e não me espantaria o recuo.

A grande ausência obviamente é da líder do ranking Ashleigh Barty, por enquanto a única do top 10 fora dos dois torneios. Mais uma vez, todos os olhos ficarão em cima de Serena Williams, que jogará Kentucky na próxima semana e mandou até montar uma quadra idêntica a Flushing Meadows em sua casa para treinar. Karolina Pliskova, Kiki Bertens e Sofia Kenin são concorrentes sérias, mas obviamente questões físicas e de consistência técnica serão enormes incógnitas neste retorno do circuito. Kenin ao menos disputou o WTT na semana passada.

Monteiro e Wild entram
A estreia de Thiago Wild num Grand Slam também foi confirmada e será um bom motivo para os brasileiros torcerem pela realização do torneio sem sustos. Como eliminou o quali, o US Open esticou a lista de inscritos para os 120 melhores do ranking e aí sobrou espaço para o campeão juvenil do torneio de 2018.

Ele fará companhia ao canhoto Thiago Monteiro, que jogará seu terceiro US Open e vinha de atuações animadoras no piso sintético de Melbourne, em janeiro. Monteiro também vai se aventurar no quali de Cincinnati, já que a forte chave do Masters fechou no 45º do mundo.

Marcelo Melo e Bruno Soares têm vaga certa na chave de duplas, já que estão entre os top 30. O US Open será reduzido pela metade, portanto com 64 duplistas, mas provavelmente haverá lugar para Marcelo Demoliner, já que jogadores de simples não poderão usar seu ranking individual para entrar na dupla.

Novo ranking congela perdas, mas projeta brigas
Por José Nilton Dalcim
7 de julho de 2020 às 11:47

A ATP ‘congelou’ o ranking para 2020, ao menos no que tange à perda de pontos. A regra excepcional, anunciada nesta segunda-feira, basicamente diz que os tenistas só poderão somar pontos quando o circuito retornar, em agosto. Mas isso não impedirá de acontecer muita briga pelas principais posições.

Até finalizar esta conturbada temporada 2020, o tenista terá considerado os 18 torneios que lhe renderam mais entre março de 2019 e dezembro de 2020, ou seja num período de 22 meses, 10 a mais do que o tradicional. A diferença é enorme. Na prática, dificilmente alguém perderá pontos em relação à lista atual, já que o regulamento diz claramente que ele não pode ter duas vezes o mesmo torneio na sua contagem de pontos válidos, valendo a pontuação maior.

O reflexo imediato disso é que qualquer tenista poderá simplesmente deixar de disputar torneios neste recomeço – não haverá eventos obrigatórios -, garantindo a pontuação obtida em 2019. Ao mesmo tempo, permite que um jogador dispute livremente todos os torneios sem a preocupação de defender pontos. Ou seja, atende a todos os interesses. Ficou sem dúvida bem democrático.

É evidente que a regra ajuda acima de todos Rafael Nadal, porque o espanhol teria a dificílima missão de defender US Open, Roma e Roland Garros, portanto 5.000 pontos, no curtíssimo espaço de sete semanas. Agora, ele está seguro para não ter que ir a Nova York e poderá jogar Roland Garros pensando unicamente no 20º troféu de Grand Slam.

Novak Djokovic também não pode reclamar, já que sua liderança dificilmente será ameaçada até o final do Slam francês. Enquanto Nadal só poderá somar pontos em Cincinnati (onde dificilmente vai jogar) e Madri (já anunciou que vai), o sérvio não terá de se preocupar em defender Madri ou Paris-Bercy, terá Wimbledon mantido e ainda pode somar em Cincinnati, Roma e principalmente US Open e Roland Garros (fez oitavas em Flushing Meadows e semi em Paris). O líder por enquanto não anunciou qualquer calendário, mas há sérias dúvidas se ele vai se arriscar nos EUA.

Até mesmo Roger Federer sorri com a regra excepcional para o ranking. Ele só voltará em janeiro de 2021, então com 39 anos, e só perderá 440 pontos do ATP Finals. Assim, o top 10 é certo, com pequena chance até de permanecer no top 5.

Não é só. Daniil Medvedev, que fez uma campanha espetacular a partir das quadras duras do verão norte-americano, com cinco finais seguidas, manterá todos esses 4.050 pontos mesmo que não entre em quadra. Ele já anunciou que jogará Washington, a partir de 14 de agosto, e poderá somar muito mais do que qualquer outro, uma vez que foi eliminado na estreia de Madri, Roma e Roland Garros.

Quase 3 mil pontos atrás de Nadal no momento, Dominic Thiem terá oportunidade de brigar pelo número 2 ou ao menos diminuir sensivelmente a distância, principalmente se Rafa não for aos EUA. O austríaco nem jogou Cincinnati e caiu na estreia do US Open e de Roma. Fez  semi em Madri e final em Roland Garros, ou seja, mais espaço para somar.

Também vale dar uma olhada nas boas perspectivas para Stefanos Tsitsipas. O grego e Thiem têm sido os tenistas com maior atividade e melhor nível demonstrado nas exibições até agora. Tsitsipas perdeu na estreia de Cincinnati e do US Open no ano passado, portanto ótima chance de arrancar na pontuação, e fez oitavas em Roland Garros. Tem semi em Roma e final em Madri. Está 2.300 pontos atrás de Thiem no ranking deste momento.

E mais
– O ranking masculino voltará à atividade no dia 24 de agosto, ou seja, após Washington. Só então recomeçará a contagem das semanas na liderança para Djokovic.
– Esse ranking do dia 24 também será a base dos cabeças para o US Open, mas dificilmente haverá mudanças significativas em relação à lista de hoje.
– Os pontos obtidos na temporada de 2020 permanecerão por 52 semanas ou até que o mesmo evento seja disputado novamente, o que vier primeiro. Exemplo: Madri, que geralmente acontece no começo de maio, irá descontar bem antes se acontecer normalmente em 2021.
– As oito vagas para o ATP Finals de simples terão regras diferentes. Não haverá ‘ranking da temporada’ e entram os mais bem pontuados no ranking tradicional de 9 de novembro. Para duplas, no entanto, valerá o ‘ranking de parcerias’ de 2020.
– A ATP manteve portanto a realização do Finals entre 15 e 22 de novembro, porque não há datas disponíveis na arena O2 para outro período.
– A entidade anunciou que o ranking final de 2020 sairá no dia 7 de dezembro.
– Obviamente, a regra dos 22 meses vale também para os jogadores que disputam challengers e futures.
– A WTA ainda não se pronunciou.