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Djokovic peita ATP às vésperas de Wimbledon
Por José Nilton Dalcim
23 de junho de 2021 às 19:40

Seis dias antes de iniciar a defesa do título de Wimbledon e tentar dar o terceiro passo rumo ao Grand Slam, Novak Djokovic mandou um recado à ATP. Através de comunicado, ele e Vasek Pospisil anunciaram a formação da diretoria da PTPA (Professional Tennis Player Association), a entidade que os dois criaram no ano passado para contrapor a ATP.

A PTPA tem agora um diretor executivo – Adam Larry, que trabalhou vários anos com a Liga de Hóquei -, uma chefe de comunicação e um comitê de gerenciamento. No comunicado, frisa que a meta é unir os jogadores e mobilizá-los para que haja “transparência e justiça” nas decisões sobre o tênis profissional. “Demos um passo à frente. Queremos ajudar todos os tenistas, não apenas o top 100, a ter uma carreira sustentada”, afirmou Nole.

Isso evidentemente cutucou a ATP, que reagiu nesta quarta-feira também com um texto à imprensa, onde frisou seu compromisso com melhorias no circuito, colocando-se como mediadora perante os promotores. Lembrou que os conselhos são compostos por tenistas eleitos diretamente e citou conquistas recentemente obtidas na questão de premiação.

O fato é que a associação paralela idealizada por Djokovic, que parecia um assunto em banho maria, seguiu em frente e não se intimidou com críticas recebidas de que estaria fragilizando os bastidores ao invés de somar forças. A PTPA recebeu ao longo do dia apoio de entidades semelhantes do hóquei e do beisebol norte-americanos. Fica a expectativa de quanto esse assunto poderá repercutir em Wimbledon.

E por falar nisso as chaves do Grand Slam da grama serão sorteadas na manhãzinha de sexta-feira e, assim como aconteceu em Roland Garros, a expectativa é grande. Quem ficará no mesmo lado de Djokovic? Dois nomes se destacam: Roger Federer e Stefanos Tsitsipas.

Ao menos por enquanto, o grego e Dominic Thiem serão os cabeças 3 e 4. Com isso, dois da lista que tem Alexander Zverev, Andrey Rublev, Federer e Matteo Berrettini ficarão no lado superior e um deles poderá cruzar com Nole nas quartas.

Além de cabeças de chave com conhecido potencial na grama, como Grigor Dimitrov e John Isner, ou novidades como Ugo Humbert, há também muitos jogadores ‘soltos’ que podem dar dor de cabeça a qualquer favorito, casos de Andy Murray, Marin Cilic, Richard Gasquet, Nick Kyrgios, Sam Querrey, Jeremy Chardy, Vasek Pospisil, Feliciano López e o novato Sebastian Korda.

Já imaginaram uma primeira rodada com Djoko-Murray ou Federer-Cilic? Quem sabe um Medvedev-Kyrgios, Tsitsipas-López? Pode ficar muito interessante.

Fundo do poço
Por José Nilton Dalcim
30 de maio de 2021 às 18:59

Dominic Thiem sofreu neste domingo a derrota mais chocante de sua carreira. No seu melhor piso, no grande torneio que mais brilhou, com dois sets de vantagem, o austríaco sucumbiu diante de sua falta de confiança, fraquejou na execução dos golpes, se confundiu na tática. Claro que não se pode diminuir o empenho, a experiência e o sangue nos olhos de Pablo Andujar, que jamais se entregou e fez por merecer a virada, mas a comparação de atitude reforça o quanto Thiem continua confuso em quadra.

Mesmo nos dois sets que venceu o número 4 do mundo nunca se mostrou dominante. É bem verdade que o vento não ajudava muito e pode ter comprometido algumas tentativas de ataque que buscou. Pior é que ele teve chance de obter quebra precoce tanto no terceiro como no quarto sets. A cabeça baixa depois de uma escolha errada ou uma oportunidade perdida não era mesmo bom sinal. Andujar provavelmente sentiu isso e manteve-se sempre positivo, não economizou pernas e soube esperar a falha no momento de desespero do adversário.

A situação do austríaco é preocupante. Revezes acontecem, é claro, mas ele vem numa roda viva de incertezas e instabilidades que não tem fim. São três quedas seguidas no saibro, uma pior que a outra, e vai ser muito difícil ele se recuperar na grama ou num sintético mais veloz, pisos que tiram o tempo essencial da preparação de seus golpes.

Talvez haja muita influência da parte física e seus problemas no pé e no joelho. Tive nítida sensação de vê-lo mancando após certos lances exigentes, sem falar na mão constante sobre a rótula. É uma pena, porque Thiem possui um tênis vistoso, competente, parece ser uma pessoa de bem com a vida. Tomara que ainda haja tempo de sair do fundo do poço.

Outro susto com Zverev
O buraco na chave quase virou um rombo quando Alexander Zverev perdeu os dois primeiros sets para o quase desconhecido Oscar Otte, jogador com currículo muito pequeno em ATPs. Sascha sofria com as devoluções e deixadinhas, demorou para deixar a preguiça de lado e a partir da primeira quebra enfim tomou as rédeas da partida como se esperava. Foi sua sétima vitória em jogos de cinco sets no torneio sem derrota. Vai encarar agora outro quali, o russo Roman Safiullin, e depois Laslo Djere ou Miomir Kecmanovic. E muito provavelmente terá pela frente o sobrevivente entre Karen Khachanov, Kei Nishikori e Roberto Bautista. Sou mais o espanhol.

A queda de Thiem abre espaço para Fabio Fognini, que fez uma bela estreia. O adversário não era expressivo, o convidado Gregoire Barrere, mas o italiano jogou solto e bonito. Seu caminho tem Marton Fucsovics e quem sabe Andujar. Não é um setor tão difícil. O nome mais embalado é Casper Ruud.

Por fim, Stefanos Tsitsipas passou aperto no primeiro set diante de Jeremy Chardy, que teve 4-1 no tiebreak, como se imaginava. Pouco a pouco, impôs seu jogo bem distribuído entre ataque e defesa. Aguarda agora Sebastian Korda, campeão no sábado em Parma, promessa de ser também interessante e intenso. E fiquem de olho em Cristian Garin. O chileno tem um horizonte muito promissor e pode duelar com o grego lá nas quartas.

Osaka no fio da navalha
Naomi Osaka não fez uma estreia brilhante, jogou o suficiente para vencer, mas todo o noticiário está em cima de sua inesperada decisão de não dar entrevistas durante Roland Garros, seja na vitória ou na derrota. Mesmo depois de se reunir com os promotores e a ITF, a japonesa bateu o pé e não foi à coletiva obrigatória.

Não apenas levou US$ 15 mil de multa – valor pouco expressivo diante de seu faturamento – como foi ameaçada de eliminação do torneio e, em caso mais grave ainda, de impedimento de disputar futuros Slam. Segundo comunicado da Federação Francesa, a entrevista faz parte das obrigações do tenista, está no Código de Conduta e essa regra tem de valer para todo e qualquer participante.

O Comitê dos Slam da ITF afirma estar aberto a diálogos e negociações com as entidades e os jogadores, mas que não pode tolerar uma atitude unilateral de descumprimento do regulamento, o que me parece sensato. Osaka reclamou da dureza que é dar entrevista após uma derrota – e tenho certeza que é mesmo -, mas então ela poderia apenas evitar essa entrevista derradeira e não causar tanta celeuma.

Vamos lembrar que Naomi chegou a abandonar Cincinnati por se recusar a jogar num dia de protestos dos atletas por todo o mundo, o que depois acabou revertido, e portanto não me surpreenderá se ela simplesmente deixar Paris antes da próxima rodada. Está faltando um pouco de bom senso e principalmente de conversa.

Lá na quadra, Aryna Sabalenka fez 24 winners e 31 erros na vitória contra Ana Konjuh, Petra Kvitova ficou muito perto de voltar cedinho para casa, Angelique Kerber foi amplamente dominada e Vika Azarenka não me convenceu, com muitas falhas e um saque instável demais.

Dia de Federer e Monteiro
A segunda das três partes da primeira rodada verá gente grande em quadra, a começar pela atual campeã Iga Swiatek e seguindo na Chatrier com o retorno de Roger Federer e a inauguração da rodada noturna com Serena Williams. A esperança Thiago Monteiro entra às 6h na quadra 4 e não mais contra Milos Raonic, mas frente o argentino Francisco Cerundolo, o finalista de Buenos Aires deste ano.

– Federer só perdeu dois sets em 7 duelos contra Istomin, nenhum no saibro. Única derrota do suíço para um quali em Slam foi em Wimbledon-2002 para Ancic.
– Medvedev reencontra Bublik depois de cinco anos e tenta primeira vitória em Paris em sua quinta participação. Apenas 11 das 179 vitórias de Medvedev na carreira foram na terra.
– Aos 19 anos e já 76º do ranking, Musetti faz sua estreia em Slam contra Goffin, que não anda em bom momento. Já Sinner encara o sempre perigoso Herbert.
– Swiatek perdeu um set para Juvan no duelo de fevereiro em Melbourne.
– Em 77 Slam disputados, Serena só perdeu uma vez na estreia, justamente em Paris, em 2012. O jogo contra Begu será seu 80º no torneio (66 vitórias e 13 derrotas).
– Federer e Serena são os recordistas de vitórias em Slam, ambos com 362. Norte-americana jogou 414 vezes, sete a menos que o suíço.
– Monteiro chegou a treinar com Opelka para estar bem preparado, mas Raonic fez o certo e desistiu. Cerundolo é especialista em saibro, dá muiro ritmo e não tem grande saque. Ótima chance (*).

(*) Na versão anterior, confundi os irmãos Cerundolo. O ‘baloeiro’ na verdade é o Juan Manuel. Agradeço o alerta do Matheus Figo para meu engano.

Números e fatos antes de Roland Garros largar
Por José Nilton Dalcim
29 de maio de 2021 às 15:36

Vamos a um resumão dos detalhes mais importantes ou curiosos sobre a edição 2021 de Roland Garros, que dá largada às 6 horas deste domingo.

Número 1 em jogo
As duas lideranças de ranking estarão em jogo, mas a chance de mudanças é pequena. Daniil Medvedev só irá superar Novak Djokovic se for ao menos à final, restando ainda a possibilidade de uma disputa direta caso os dois decidam o título.

Já na WTA, Ashleigh Barty manterá o posto se atingir a semi. Naomi Osaka tem de torcer contra e ainda chegar à final.

Diversidade de campeões
Enquanto o masculino só tem três campeões de Paris na chave – mais dois finalistas de Grand Slam -, o feminino é bem mais diversificado, com seis vencedoras em Paris (Swiatek, Barty, Kuznetsova, Muguruza, Ostapenko e Serena) e mais sete campeãs de outros Slam. Também a se notar: oito mulheres que já foram número 1 do ranking estão na chave.

Roland Garros tem trazido inovações na chave feminina por quatro edições seguidas, com títulos então inéditos de Grand Slam para Ostapenko, Halep, Barty e Swiatek. A letã foi a primeira não cabeça a vencer e a polonesa, a de mais baixo ranking.

Coisas do Big 3
– Nadal tenta segunda sequência de cinco títulos seguidos em Roland Garros. O único tenista a ter duas séries de cinco é Federer, mas em Slam diferentes (Wimbledon e US Open).
– Djokovic outra vez tenta se tornar o único profissional com dois troféus em cada Slam. No geral, apenas Emerson e Laver obtiveram tal feito.
– Djoko e Nadal ganharam 10 dos últimos 11 Slam (desde Roland Garros de 2018). A exceção foi Thiem. Nesse período, sérvio venceu 6.
– Como estão no mesmo lado, Nadal e Djokovic também tentam se isolar em segundo lugar em finais de Slam, já que somam 28. Federer ainda lidera, com 31.
– Outra igualdade entre o espanhol e o sérvio é de troféus de Slam após os 30 anos, com 6.
– Nadal pode vencer um novo Slam 16 anos e 4 meses depois do primeiro, em 2005, mas o recorde absoluto ainda será de Serena, que levou 17 anos e 5 meses entre o US Open de 1999 e a Austrália de 2017.
– Nadal, Djoko, Serena e Navratilova são os profissionais a vencer Slam em três décadas consecutivas.
– Federer e Djoko os únicos na Era Aberta com ao menos 70 vitórias em cada Slam. Nadal tem 50.
– Nas últimas cinco temporadas, Nadal perdeu apenas 8 jogos no saibro, sendo 3 para Thiem. Os outros a vencê-lo foram Fognini, Rublev, Schwartzman, Tsitsipas e Zverev.

E mais
– Além de Nadal, apenas Tsitsipas ganhou dois títulos no saibro este ano (Monte Carlo e Lyon). Já no feminino, foram 11 torneios e nenhuma repetição. Somente Barty e Sabalenka fizeram duas finais.
– Desde que Noah ganhou Paris em 1983, quatro franceses decidiram Slam e perderam. Leconte, em 1988, foi o único em Paris. Os outros: Pioline (duas vezes), Clement e Tsonga.
– Tsitsipas (22 anos) e Rublev (23) podem ser os mais jovens campeões de Slam desde Del Potro no US Open de 2009. Se der Zverev (24), será o mais jovem desde Djoko em Wimbledon-2011.
– A edição 2021 marca os 40 anos do último e sexto título de Borg e os 20 do tricampeonato de Guga.
– Feliciano López disputa o torneio pela 21ª vez e se torna o recordista. No geral, ele tem 77 Slam disputados contra 80 de Federer e é absoluto nos consecutivos (76 contra 68 de Verdasco). No feminino, Cornet chega a 57 seguidos e está a cinco da recordista Sugiyama. Venus joga seu 89º Slam
– Wilander, Lendl e Wawrinka foram únicos juvenis campeões que ganharam também no profissional.
– Não deixa de ser curioso: Serena é a tenista em atividade com mais troféus no saibro (13), acima de Halep e Venus (9) e Errani (7).
– Enquanto Nadal mira o 14º troféu desde 2005, a última canhota a vencer foi Seles, em 1992.
– A premiação geral do torneio caiu 6% em relação a 2020, mas o valor para a primeira rodada se manteve (60 mil euros). Os campeões embolsam 1,4 milhão.

Primeira rodada
Como era previsível diante da semana de Djokovic em Belgrado, os organizadores darão início pela parte inferior da chave masculina e os três maiores candidatos à liderar esse setor estarão em quadra: Dominic Thiem, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev. Entre as mulheres, as primeiras a jogar serão Naomi Osaka, Aryna Sabalenka e Petra Kvitova.
– Thiem nunca perdeu na estreia em 7 participações e tem 3-0 sobre Andujar. Semi de 2020, Tsitsipas encara bom teste diante de Chardy e Zverev é favoritaço diante do quali Otte.
– Osaka pega romena Tig e Sabalenka precisa tomar cuidado com Konjuh.
– O jogo feminino de maior histórico é o de Azarenka contra Kuznetsova, com 6 a 4 para a bielorrussa.

Fantasy
TenisBrasil criou uma ‘Liga’ dentro do Fantasy Games de Roland Garros. Assim o pessoal do site e do Blog poderá testar seus palpites. Você pode acessar pelo link
https://fantasy.rolandgarros.com/#welcome/register/?parrain=t5obp8c&ligue=4704, mas precisa se registrar antes de dar os palpites. Outro caminho é entrar no Fantasy, fazer cadastro e os palpites e depois é só procurar nossa “Liga” e adicioná-la. Vamos ver quem se sai melhor?