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Tudo pela grama
Por José Nilton Dalcim
11 de março de 2021 às 18:34

Atualizado às 20h29 com a desistência de Dubai

‘Minha temporada começa na grama’. Roger Federer resumiu bem sua meta clara e principal para a volta ao circuito e dessa forma tentou minimizar ao máximo a virada sofrida nesta quinta-feira diante de Nikoloz Basilashvili na segunda partida feita em Doha após mais de 400 dias de ausência. Horas depois, anunicou que não jogará em Dubai na próxima semana e reafirmou a ideia de fazer uma curta passagem pelo saibro, sem precisar quando ou onde.

Federer fez um bom primeiro set nas 24 horas posteriores à exigente estreia em Doha. Depois o georgiano achou seu forte jogo de base, disparou golpes incríveis no segundo set e escapou até mesmo de um 0-40 que levaria o suíço à reação. O terceiro set seguiu com poucos pontos longos e muita pancadaria. Federer foi levando no saque, mas Basilashvili havia ganhado a perigosa confiança que sempre o fez um adversário respeitável na quadra dura.

Ainda assim, o suíço ficou a um ponto da vitória, se bem que levou certa sorte para chegar ao match-point, que Basilashvili evitou sem susto. Embalado, continuou forçando devoluções, tirou outro serviço de Federer e concluiu a vitória com autoridade. Pelo conjunto da obra, Roger disse ter saído satisfeito. Aguentou seis sets em dois dias, o saque raramente o abandonou e o corpo reagiu bem ao ‘dia seguinte’.

Reclamou apenas de dores no ombro e por isso decidiu pular Dubai e ‘me dedicar os treinamentos’. Pena. Como cabeça 2, ele só estrearia na segunda rodada, já que a chave é de 48, e teria tempo de se recuperar. Pior ainda, irá encarar mais um longo hiato até seu próximo torneio, já no saibro, não antes de Madri. Segundo suas próprias palavras, Wimbledon é a prioridade e ele espera fazer o maior número de jogos possível até a temporada de grama, daí incluir obrigatoriamente um ou dois torneios na terra batida.

Doha não perdeu apenas Federer, mas ficou também sem Dominic Thiem, outra vez batido por um eficiente Roberto Bautista. Ainda que não tenha jogado mal, o austríaco continua apagado neste começo de temporada, com três derrotas em oito jogos. O espanhol fará um duelo bem interessante contra o sortudo Andrey Rublev, que está na semi sem pisar na quadra. Do outro lado, Basilashvili enfrenta Taylor Frtiz, o que abre chance de uma nova final entre a nova geração.

E mais
– Se o ranking não tivesse sido congelado, Federer apareceria segunda-feira no 610º posto.
– Outro retorno vitorioso que acabou passando em segundo plano foi o de Jo-Wilfried Tsonga, que venceu em Marselha seu primeiro jogo desde novembro de 2019.
– Berrettini, Monfils e Kyrgios desistiram de Dubai, dando lugar a Fucsovics, Bedene e Fokina. Os organizadores convidaram Nadal, que não topou.
– Curiosidade: dos atuais top 20 do ranking masculino, o único que jamais figurou entre os 10 é Felix Aliassime.
– Wild joga neste fim de semana o quali do 500 de Acapulco. Ainda machucado, Monteiro desistiu e só deve retornar em Miami.
– Meligeni, Sakamoto, Bellucci e Luz estão na chave do challenger de Santiago na próxima semana.
– Muito legal e oportuna a extensa reportagem do Jornal Nacional de ontem sobre a histórica façanha de Novak Djokovic, que nesta semana passou a ser o recordista de semanas no número 1. Para quem não viu, clique aqui.

Federer surpreende outra vez
Por José Nilton Dalcim
10 de março de 2021 às 18:51

Não foi uma exibição perfeita, aliás passou um tanto longe disso. Mas o retorno de Roger Federer às quadras, quase 14 meses depois de sua última aparição oficial, me causou agradável surpresa. Sem traços de nervosismo ou ansiedade, encarou o top 30 Daniel Evans com diferentes propostas e usou todo o arsenal que lhe cabe. A vitória saiu dura, apertada. Animador.

A qualidade técnica de Federer não se discute e ele disparou toda a sorte de jogadas espetaculares, do voleio à deixadinha, do ataque inesperado ao backhand milimétrico – um cruzado fechou o primeiro set e um na paralela encerrou o placar -, além de tentar usar ao máximo o primeiro serviço e a segunda bola com seu forehand magnífico, o conhecido ‘plano A’ de seu estilo. Claro que também cometeu erros feios de execução e fez escolhas inapropriadas, totalmente desculpáveis diante da absurda falta de ritmo.

Ajudou muito enfrentar Evans. Se por um lado o britânico é um jogador perigoso por sua velocidade e versatilidade, de outro erra bastante, falha na aplicação tática e pode facilmente perder a cabeça, o que não aconteceu hoje para o bem da divertida partida. Sem falar que foi justamente contra Evans que Federer treinou as duas últimas semanas. O tênis tem coincidências incríveis.

Apesar da admirável exibição desta quarta-feira, é cedo para empolgação. Porque agora precisaremos ver como reagirá seu físico de 39 anos e recente dupla cirurgia no joelho. Menos de 24 horas depois, Federer voltará à quadra para enfrentar Nikoloz Basilashvili, um adversário bem rodado e de forte jogo de base, ex-16º do ranking e dono de três ATPs, que já teve vitórias sobre Del Potro e Zverev.

Contra Evans, Federer se mexeu muito bem, buscou bolas longas, abaixou-se sem dificuldade e não parecia exausto ao final de um equilibrado terceiro set, que eram aspectos a que me ative a observar com maior atenção. O dia seguinte no entanto é sempre a pior parte para qualquer tenista veterano.

E mais
– Federer continua o ‘rei dos tiebreaks’. Mesmo sem ter um saque bombástico, é quem mais venceu (461) e quem tem melhor índice de eficiência (65,4%) em toda Era Profissional.
– Com a volta à quadra, Federer recomeça a contagem interrompida há 405 dias: se entrar em quadra nesta quinta-feira, fará o 1.515º jogo da carreira e ficará a 42 do recorde de Connors.
– Esta foi também sua 1.243ª vitória, encurtando para 31 a distância para ‘Jimbo’.
– A queda para o sexto lugar – que não poderá ser revertida nesta semana nem mesmo com o eventual título em Doha – estacionou Federer com 859 semanas no top 5 do ranking. Mas isso é muito acima de Nadal, que tem 754.
– A marca RF enfim reapareceu no circuito, figurando no calçado que Roger usou hoje. Ele retirou de vez o Nike e exibiu a marca suíça Ons, da qual se tornou acionista.

Árduo recomeço
Por José Nilton Dalcim
6 de janeiro de 2015 às 20:58

Difícil dizer o que é mais doloroso. Levar uma surra de Andy Murray ou permitir uma virada de um veterano de pouca expressão. Claro que essas duas derrotas em sua volta às quadras não sinalizam obrigatoriamente que Rafa Nadal terá um 2015 difícil, mas pode afetar sim o primeiro Grand Slam, dentro de duas semanas. Chegar a Melbourne com duas atuações tão ruins só pode gerar perigosa ansiedade.

O que está acontecendo com Nadal? Absolutamente nada de anormal. Parada muito longa, administração de pequenos problemas físicos e retorno num piso que não é o seu predileto. Bem diferente de 2013, em que optou corretamente por ir direto ao saibro sul-americano. Mesmo assim, vamos recordar, teve performance muito instável até mesmo com o título em São Paulo e Acapulco.

Confiança e precisão são coisas que caminham intrínsecas para um tenista profissional. Para acertar aquele golpe milimétrico por uma dezena de vezes, é preciso estar confiante. Para executar lances difíceis, que requer pouco tempo de preparação e muita intuição, fundamental o positivismo. Impor-se no break-point, evitar uma quebra são batalhas mentais, interna e sobre o adversário, que exigem postura e risco.

Essas situações decidem jogo e foi exatamente a falta delas que se viu no Rafa de Abu Dhabi – nem vale muito considerar Stan Wawrinka – e Doha. Como consertar isso? Vencendo. Portanto, me parece primordial que Nadal tenha uma excelente chave em Melbourne, com dificuldades progressivas, que lhe permitam graduar seus desafios. E se isso não acontecer? Bem, ele terá muito tempo para reagir no saibro sul-americano. Portanto, me parece muito cedo para profecias.

O outro momento importante deste início de temporada foi a bela vitória de João Souza em Doha. Piso difícil, torneio recheado de estrelas, adversário muito mais experiente. E Feijão conseguiu uma bela virada, marcando sua primeira vitória em quadra sintética em torneios de nível ATP. Muito bom, porque ele já deixou o top 100 nesta semana por conta dos pontos não defendidos em São Paulo.

Saiba (muito) mais
Seção do site administrada diretamente por mim, o Saiba Mais começa 2015 com uma ampla área dedicada ao tênis brasileiro. Algumas semanas de intensa pesquisa permitiram formular um ‘top 10’ de vários segmentos relevantes do circuito masculino, como vitórias na carreira, vitórias por piso, aproveitamento de tiebreaks e viradas obtidas, sem esquecer das duplas e dos eventos de nível challenger e future.

Outras listagens tradicionais foram mantidas, como a relação completa dos nossos top 100, retrospecto em torneios de Grand Slam e de ATPs, simples e duplas. Claro que tudo é baseado em dados oficiais da ATP e WTA, considerando-se somente a Era Profissional, daí a ausência de Maria Esther Bueno e os números inferiores de Thomaz Koch.

Assim, convido vocês a dar uma olhada no Saiba Mais e me ajudar com possíveis falhas ou sugestões de enriquecimento. Clique aqui para acessar o índice nacional.