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Djokovic e Medvedev sobram
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2020 às 19:32

Não houve grande emoção nos jogos que abriram o grupo 1 do Finals de Londres. Embora tenham tido um início imperfeito, Novak Djokovic e Daniil Medvedev pouco a pouco dominaram seus concorrentes com clareza. Se era esperado que Diego Schwartzman encontrasse pouca chance diante do líder do ranking, Alexander Zverev causou certa decepção.

Com um número excessivo de erros, Djokovic teve saque quebrado no terceiro game mas rapidamente elevou o nível e passou a trocar a direção das bolas com a habitual eficiência, diante do serviço sempre pouco contundente do argentino. O segundo set do sérvio foi ainda melhor, com ótimas transições à rede e ataques fulminantes pelas paralelas. Como bem analisou Schwartzman, ele nem jogou tão mal assim para merecer o placar de 6/3 e 6/2, mas esses números mostram bem a diferença entre eles sobre um piso sintético coberto.

Na outra partida, Zverev tirou logo o primeiro serviço de Medvedev, mas não segurou a vantagem. Em seguida, viu o russo salvar cinco break-points e logo depois cedeu outra vez o saque. Daí em diante perdeu consistência e confiança. É bem verdade que Medvedev investiu em trocas longas e obrigou o alemão a tentar ir à rede para sair da correria. Zverev equilibrou o segundo set apesar de alguns riscos nos seus serviços e foi o máximo que conseguiu tirar de um oponente aí já bem confiante, a ponto de sacar por baixo no 30-30 do oitavo game, desculpando-se pelo atrevimento. Foi sua terceira vitória seguida em oito duelos, e muito mais dominante do que a recente final em Paris.

Os jogos de quarta-feira serão interessantes. Zverev arrasou Schwartzman poucas semanas atrás em Colônia, mas também já perdeu em pleno US Open-2019, e sabe que suas chances diminuíram porque muito provavelmente terá de ganhar também de Djokovic para ir à semi. Já Medvedev deu um passo importante para a vaga. Se vencer Nole pela terceira vez, a chance de classificar ficará enorme. Em caso de derrota, terá de ganhar do argentino e torcer para o sérvio se manter invicto. Nada mau.

Bruno perto do top 5
Em excelente momento, Bruno Soares e o croata Mate Pavic estrearam em mais um jogo decidido no match-tiebreak, mas poderiam ter superado Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin em dois sets. Mesmo perdendo o set inicial, os líderes do ranking de parcerias foram bem superiores daí em diante. Enfrentarão agora Marcel Granollers/Horacio Zeballos, para quem perderam nas quartas de Roma.

Mais uma vitória e Bruno já garantirá a volta ao top 5 do ranking individual de duplas. Não menos importante, ele está pertinho de disputar a 800ª partida de primeira linha da carreira – faltam três -, algo que apenas Marcelo Melo obteve entre os brasileiros (861). Soares chegou hoje a 506 vitórias e percentualmente está à frente do amigo mineiro: 63,48% contra 62,95%.

50 anos do Finals
As sete primeiras edições do Finals foram itinerantes. Depois da estreia em Tóquio, seguiu para Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo e Houston. A segunda edição ainda reuniu seis classificados. O sistema de grupos, com classificação para semi e final, como acontece hoje, já surgiu em 1972. Ilie Nastase foi tetra (71-73 e 75). Guillermo Vilas e Manoel Orantes levaram os outros. As duplas passaram a ser disputadas em 1975, porém limitadas a quatro parcerias.

Djokovic fica com grupo mais duro do Finals
Por José Nilton Dalcim
12 de novembro de 2020 às 20:03

Embora um torneio com oito dos nove melhores do mundo seja por definição muito equilibrado, não resta dúvida que desta vez Novak Djokovic levou a pior na formação dos grupos da fase classificatória do ATP Finals de Londres.

O líder do ranking, afinal das contas, terá de enfrentar Daniil Medvedev e Alexander Zverev, dois jogadores que estão embalados nesta reta final de temporada, se adaptam muito bem à quadra dura e já o venceram duas vezes cada um. Zverev, aliás, foi campeão em 2018 em cima do próprio sérvio.

De bônus mesmo, só a presença do estreante Diego Schwartzman, que não pode ser menosprezado mas certamente é o elo mais fraco da corrente. Por isso, a estreia de Nole na rodada diurna de segunda-feira contra o argentino precisa de uma boa vitória. Sempre é bom lembrar que no Finals os vencedores do primeiro dia sempre se cruzam na segunda rodada do grupo.

Rafael Nadal, por sua vez, ficou na chave dos dois finalistas do ano passado, porém tanto Stefanos Tsitsipas como Dominic Thiem vivem momento ruim. O grego anda às voltas com uma contusão e o austríaco parece desinteressado depois de faturar o US Open. O canhoto espanhol ainda por cima tem vantagens históricas de 9-5 sobre Thiem e de 5-1 diante de Tsitsipas.

A rodada de abertura do grupo no domingo no entanto é bem importante. Terá justamente a reedição da final de 2019 logo de cara em seguida Rafa enfrentará Andrey Rublev, a quem venceu no único duelo. Mas não pode vacilar diante do russo, que é uma das sensações da temporada e tem um poder de fogo expressivo. Tenhamos em conta que Nadal não foi bem em Paris e a falta de títulos no ATP Finals incomoda, por mais que se diga o contrário.

Como saem dois nomes de cada grupo para as semifinais, é também relevante verificar o histórico entre os demais participantes. Medvedev e Zverev acabaram de fazer a final de Paris e o russo reduziu o placar negativo para 2-5. Medvedev tem ainda 5-0 sobre Schwartzman, mas o argentino empata por 2-2 contra Zverev.

Atual campeão do Finals, Tsitsipas perdeu 2 de 5 duelos contra Thiem e empata por 2 contra Rublev, portanto não há favoritismo claro. E o austríaco também não tem vantagem contra Rublev, com duas para cada lado.

Como se vê, a prudência manda não se descartar qualquer possibilidade e vencer logo a primeira partida do Finals terá um peso significativo para todo mundo.

Claro que vão me perguntar qual minha impressão inicial e ela seria que Djokovic, Medvedev, Nadal e Thiem sejam os semifinalistas. No entanto é preciso observar qual a efetiva velocidade do piso que foi colocado na arena O2.

Em tempo: o Finals não sorteou ainda os grupos de duplas porque existe pendência com os resultados de Sófia, tanto sobre quem fica com a vaga restante como também a chance de Melzer/Vasselin subirem ao sexto lugar com eventual título. Se eles forem à final nesta sexta-feira, já tiram o lugar de Murray/Skupski. Mas aí a ATP terá de esperar até o sábado para definir os grupos.

Medvedev reage e embola o Finals
Por José Nilton Dalcim
8 de novembro de 2020 às 21:51

Quando parecia carta fora do baralho, o russo Daniil Medvedev reencontrou seu tênis. Ele chegou ao Masters de Paris com apenas três vitórias nos últimos oito jogos e, apesar da semi no US Open há dois meses, parecia desanimado, sem confiança e com físico incerto.

O piso coberto de Bercy se encaixou perfeitamente e na hora certa. Medvedev trabalhou bem o saque, ficou sólido lá na base e até mostrou mais atrevimento, com curtas e saque-voleio. Esse misto de armas, que incluiu devoluções agressivas, foi utilizado com maestria na final contra Alexander Zverev – fez até mais aces do que o alemão -, uma versatilidade que faltou por exemplo a Rafael Nadal na véspera.

Dono de golpes pouco ortodoxos mas eficientes, a reação do russo ajuda a dar mais sabor ao circuito e de certa forma embola o ATP Finals, que começa dentro de uma semana, na despedida da espetacular arena O2 londrina. É bem verdade que no ano passado ele chegou ao torneio estafado por um calendário esdrúxulo e não ganhou uma partida sequer. Desta vez, suas chances parecem interessantes.

É impossível tirar o favoritismo de Novak Djokovic, porém o sérvio não brilhou em Viena e sofreu duas derrotas humilhantes nos últimos torneios. Pode entrar mordido ou inseguro. Nadal optou por Paris e também não empolgou, com atuações irregulares e desconforto evidente na quadra dura coberta. O saque não foi seu aliado e o backhand falhou sob pressão.

O atual campeão Stefanos Tsitsipas e o vice Dominic Thiem sofrem problemas físicos. O grego parece um caso mais preocupante e existe certa dúvida se ele estará em condições de competir. O austríaco sofre de bolhas no pé e não se encontrou nos dois parcos torneios que disputou desde a conquista do US Open.

Zverev precisa ser olhado com atenção. Não apenas porque já ganhou o Finals, mas principalmente por ter mostrado clara evolução técnica e emocional na retomada do circuito pós-pandemia. Além de mostrar mais paciência no fundo de quadra e dar menos chiliques, se mostra veloz e explora o jogo de rede com voleios bem treinados.

Completam o grupo de classificados os estreantes Andrey Rublev e Diego Schwartzman, dois grandes destaques da temporada e que gostam de jogar na quadra dura. O jovem russo tem certamente mais poder de fogo que o argentino, porém sempre deixa dúvidas quanto à consistência emocional nos dias em que as coisas saem um pouco dos eixos.

Como todos sabem, o sorteio dos grupos é feito dois a dois. Thiem e Medvedev serão sorteados para o grupo do Djoko ou do Rafa, o mesmo acontecendo com Zverev e Tsitsipas e depois com Rublev e Schwartzman. Talvez Medvedev prefira fugir de Djoko e de Zverev e aí tanto faz os debutantes, já que ambos são ‘fregueses’.

Paris ajudou muito a deixar o Finals menos óbvio.