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Um teste para valer
Por José Nilton Dalcim
16 de fevereiro de 2013 às 21:50

O público brasileiro pode sorrir. Depois de ver a arte de Roger Federer, poderá ser testemunha do primeiro título de Rafael Nadal após oito meses de sofrimento, período que incluiu derrotas, desistências, preocupação e dúvidas concretas sobre a possibilidade de sua volta ao circuito.

Claro que Nadal não está jogando em alto nível. Nem perto disso. A rigor, tem driblado adversários que não tem grande experiência no circuito de ponta, ainda que muitos deles especialistas reais no saibro, com sua larga experiência e enorme força de vontade. Está limitado fisicamente, mas arranca games com o saque afiado, dedica-se ao máximo nas devoluções e conta com sua tão conhecida frieza. Sempre que pode, vai à rede para encurtar os pontos e têm se dado bem na maciça maioria das vezes.

Porém não é o heptacampeão de Roland Garros, o imbatível homem sobre a terra, o maior saibrista da história. O que temos visto é muito mais um batalhador, alguém que sabe usar todos os efeitos da bola e os ângulos da quadra. Isto basta para ser bicampeão do Brasil Open e derrotar o sempre perigoso David Nalbandian? Talvez. Não seria nada surpreendente se a bola lisa e veloz ajudasse bem mais o estilo de golpes retos do ex-top 3, que além de tudo tem um excepcional backhand de duas mãos que não irão facilitar as coisas para Nadal.

Mas isso também é motivador. Porque Nalbandian dá gosto de ver. Tudo bem, há dias que simplesmente seu tênis não funciona, ou que se mostra apático, meio desinteressado. Quase impossível prever qual Nalba veremos no dia seguinte: o genial ou o errático. Para esta final em São Paulo, ele talvez carregue um considerável grau de pressão, já que não apenas vive um jejum de 31 meses sem títulos como também pode ser uma de suas derradeiras oportunidades de erguer um troféu no cada vez mais exigente circuito masculino.

Então, há muitas alternativas em jogo às 13 horas deste domingo. E se você precisar de mais um bom motivo para ir ao ginásio ou assistir pela TV, saiba que o confronto direto está favorável a Nadal por 4 a 2, com um histórico de jogos bem duros em Indian Wells do ano passado e 2009, em Miami de 2010. As vitórias do argentino aconteceram em 2007. Fato curioso, este será o primeiro duelo sobre o saibro.

E, não resta dúvida, será muito legal a torcida dar aquela força para o mineiro Bruno Soares, de longe o melhor tenista brasileiro da atualidade. O repórter Felipe Priante observa no TenisBrasil: ele ganhou todas as últimas seis finais que disputou desde julho. O jogo começa às 11 horas e não vai ser fácil, já que o dueto Frantisek Cermak/Michal Mertinak.sempre foi muito bem entrosado.

Insatisfeito – Apesar de estar em sua segunda final seguida, Rafa frisou várias vezes na entrevista coletiva que não está nada satisfeito com seu jogo, principalmente com este de sábado, que ganhou “com sorte”. Em frases interessantes, disse que o corpo está bem mas o joelho, não. E que está vencendo “apesar do joelho”. Relatou que hoje foi quando sentiu mais dor nestas duas semanas. Pedi para ele comparar seus jogos de Viña com os de São Paulo e avaliar se houve evolução física ou técnica. Me respondeu que não há parâmetros, porque “esta é a quadra mais rápida do circuito” e a bola, um terror. Sinceramente, o achei um tanto abatido.

Excesso de público? – Estranhou tanta gente sentada nas escadas do ginásio – e justamente nos lugares mais caros -, pendurada nos alambrados que dividem as duas áreas e até mesmo em locais onde na teoria não deveriam estar, ou seja, os ‘pontos cegos’ atrás das câmeras de TV. Aliás, cerca de uma centena de pessoas também ocupou a maior parte do reservado da imprensa. A impressão é que havia mil pessoas além das 9.300 que são anunciadas como capacidade máxima. Isso não é bom, nem correto, principalmente para quem pagou um ingresso salgado.

Habemus tênis
Por José Nilton Dalcim
16 de fevereiro de 2013 às 01:16

Depois de quatro rodadas de algumas emoções mas qualidade técnica um tanto longe do esperado, finalmente o Brasil Open viveu seu melhor momento nesta sexta-feira, com duas partidas para mexer com o público, que novamente lotou o ginásio do Ibirapuera. David Nalbandian e Nicolás Almagro deram um belíssimo espetáculo, com direito a todos os ingredientes de um digno jogo de tênis, e logo depois Carlos Berlocq exigiu bem mais do que se imaginava de Rafael Nadal, para delírio dos milhares de fás.

Até aqui, foram os jogos que salvaram a parte técnica do torneio. As semifinais deste sábado não empolgam, já que Nadal terá diante de si um lucky-loser com recursos ainda mais limitados do que Berlocq, enquanto Nalbandian enfrenta o italiano Simone Bolelli sem saber exatamente se terá pernas para aguentar outra partida complicada. Bolelli, por seu lado, não chega a ser um tenista vistoso. Para bem de todos, tomara que dê Rafa e David na final de domingo.

Sobre o espanhol, é possível dizer que sua movimentação melhorou em relação à estreia. A maior dificuldade parece ainda ser a fuga do backhand, embora isso tenha a ver também com a velocidade da bola, que não o deixa confortável. O saque, diferentemente da partida contra João Souza, não funcionou e isso obrigou Nadal a brigar mais pelos pontos. Saiu-se bem até com saque-voleio e mostrou a conhecida personalidade para virar um terceiro set complicado. Como ele bem pontuou na coletiva, a bola mais lisa e veloz dificulta o controle e favorece os franco atiradores.

Curioso também observar a diferença entre a postura do público de um dia para outro. Nos jogos anteriores, Nalbandian era nitidamente o favorito da torcida, o que se explica por sua facilidade e qualidade em golpear as bolas. Contra Almagro, havia uma clara divisão do ginásio, talvez até pendendo em favor do tricampeão. Gostoso de ser ver é a presença da criançada no Ibirapuera, certamente empurrada pelo fenômeno Nadal. Para o tênis brasileiro, que precisa de base ampliada e sustentada, é uma dádiva.

A polêmica sobre a escolha das bolas para o Brasil Open teve outro capítulo nesta sexta-feira. A Wilson soltou comunicado para explicar que a opção pelo modelo ‘Championship’ foi dos promotores, que não se manifestaram. A mesma empresa fornece bolas para VIña, Buenos Aires e Acapulco e todos usam o modelo ‘Australian Open’, muito similar ao ‘US Open’. Já um artigo do respeitado técnico espanhol Jose Perlas, enviado a mim pelo jornalista Bruno Sassi, traz acusação cristalina de que a ideia de usar o modelo leve e com poucos pelos aconteceu para favorecer o principal tenista da casa, Thomaz Bellucci, e condena a passividade da ATP nesse campo, revelando que a entidade não tem uma lista bem definida de bolas oficiais para os torneios.

O que fica muito chato nesta história toda é que as críticas dos jogadores foram pesadas, repercutiram no mundo inteiro e correm o risco de prejudicar a boa imagem do Brasil Open, que foi tão lentamente construída ao longo de muitos anos de esforço. A começar pela lotação do estádio, rodada após rodada, com mais de 9 mil pessoas, algo que talvez nunca tenha se visto em torneios de nível 250.