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Emocionante Copa Davis
Por José Nilton Dalcim
6 de abril de 2013 às 23:26

Não dava para ser mais emocionante. Os semifinalistas da Copa Davis deste ano só serão conhecidos no domingo e, depois de tudo o que aconteceu na sexta e no sábado, é até arriscado falar em favoritismo.

A Sérvia fez muito no piso sintético coberto de Boise. Novak Djokovic dominou John Isner e Victor Troicki levou Sam Querrey a cinco duríssimos sets. O notável mesmo foi o excelente jogo de duplas deste sábado, em que Nenad Zimonjic se uniu a um desconhecido Ilija Bozoljac, que jogou muito e contribuiu de forma decisiva para nova derrota dos Bryan. Incrível o que todos os quatro sacaram, devolveram, volearam. Mesmo sob enorme pressão. Duelo espetacular.

Agora, Djokovic tem tudo para garantir a vaga contra Querrey, mas é bom lembrar que o norte-americano venceu em Paris, em outubro. Depois de tudo o que já aconteceu, é melhor o número 1 do mundo jogar como tal.

Também de arrepiar está o duelo entre Argentina e França, como era de se esperar. Jo-Wilfried Tsonga suou muito na sexta contra o valente Carlos Berlocq e agora terá de encarar Juan Mónaco, que fez muito bem o papel de número 1 e parece bem à vontade. A vitória heróica da dupla David Nalbandian/Horacio Zeballos, de virada, pode se provar decisiva no confronto.

Não menos incrível é a dificuldade que a Itália impõe ao Canadá no piso veloz de Vancouver. Milos Raonic ganhou seu ponto, mas foram três sets duros contra Fabio Fognini, e Andreas Seppi mostrou sua versatilidade. Para completar, a dupla Fognini/Daniele Bracciali quase consegue virada histórica em cima de Daniel Nestor/Vasek Pospisil. É de se imaginar que Raonic recoloque o Canadá numa semifinal de Davis depois de 100 anos, mas se for para o quinto jogo… Pospisil e Fognini irão ter fôlego? Entram os reservas Frank Dancevic e Paolo Lorenzi? Mais tensão à vista.

Por fim, os atuais campeões foram ao Cazaquistão sem Tomas Berdych e podem ter perdido a chance de liquidar o confronto nas duplas. Agora, com 2 a 1 mas Stepanek fora das simples do domingo, tudo pode acontecer no saibro coberto, um piso que não é bom para nenhum dos dois países.

A Sérvia, de olho no bicampeonato, certamente torce pelo Canadá. Jogaria em casa, num piso lento, e seria uma barbada. Se der Itália, no entanto, terão de sair e aí fica perigoso, porque falta um bom número 2 aos sérvios para o saibro e a Itália tem duplas bem fortes.

Já a Argentina, caso vença, terá de sair de qualquer jeito, embora seja muito melhor enfrentar os pouco experientes cazaques do que o fortíssimo dueto Berdych-Stepanek em quadra rápida. Se Juan Martin del Potro resolver os problemas internos e jogar, melhora. Mas não descartemos a França, que jogará semifinal em casa se obtiver a virada. Excelente motivação.

Playoff – O Brasil tem de ficar de olho na decisão dos Zonais deste fim de semana, porque daí deverá sair seu adversário da repescagem de setembro. Por enquanto, chance bem pequena de jogar em casa, o que só aconteceria contra o Chile ou num sorteio diante de Japão e Holanda. Teríamos de sair contra Bélgica, Colômbia, Rússia, África do Sul e Ucrânia. Aguardemos, até porque apenas colombianos, holandeses e belgas estão realmente classificados até agora.

Nadal se alegra com título, mas deve fugir do piso duro
Por José Nilton Dalcim
17 de fevereiro de 2013 às 21:58

Não dá para dizer que Rafael Nadal ficou eufórico com o bicampeonato do Brasil Open. A conquista veio, todos sabemos, em momento delicado e crucial de sua carreira. É apenas seu segundo torneio após sete meses de parada total, e fazer duas finais consecutivas, erguendo um troféu, pode ser encarado como algo positivo. Mas ele sabe que não há grandes motivos ainda para celebrações, porque parece não haver a menor possibilidade de encarar o piso duro de Indian Wells e Miami, os Masters que são disputados dentro de um mês.

Imagino ser completamente lógico que ele simplesmente salte o caledário, após tentar a sorte em Acapulco, e só reapareça em Monte Carlo. O ATP 500 mexicano, onde será o cabeça 2, tem tudo para ser mais exigente do que foram Viña e São Paulo, dois torneios onde teve apenas um top 30 pela frente (o descompassado Jeremy Chardy) e outro adversário experiente (o instável David Nalbadian). Em ambos os ATPs, teve dificuldades para ganhar sets e mesmo alguns jogos. Demorou para mostrar maior mobilidade e com isso ter um forehand competitivo. Com pouca confiança no seu físico e golpes tão instáveis, não tem o que fazer nos Masters norte-americanos.

O joelho claramente o limita e o transforma num tenista quase comum. Quase. Porque sua excepcional capacidade de ler o jogo se destaca nessas horas e a experiência de 11 Grand Slam e tantos duelos vencidos contra os melhores do mundo aparece no momento em que precisa do primeiro serviço, que ousa um saque-voleio, que dispara um slice venenoso, que força a devolução em cima da linha. Mesmo sem estar 40% do que era há um ano, sobra sobre o piso de saibro e encanta quem gosta de tênis.

É bem verdade que Nalbandian foi uma decepção e a final ficou muito longe do que se esperava. O argentino teve poucos games lúcidos e nem mesmo os 3/0 e duas quebras do segundo set lhe deram a confiança necessária para equilibrar a partida. Jogou absurdamente mal daí em diante e levou um ‘pneu’ moral. Como eu previa, pareceu sentir o momento e jogou com a displicência que tanto conhecemos. Uma pena. O ginásio hiperlotado merecia uma partida de maior qualidade, mas certamente 90% do público saiu feliz da vida com a conquista e o possível renascimento de Rafa. Na entrevista, Nalba readmitiu cogitar a aposentadoria ao final da temporada.

Os outros dois campeões do domingo no Ibirapuera foram Bruno Soares e o parceiro austríaco Alexander Peya. O mineiro venceu sua sétima final consecutiva, um feito extraordinário até mesmo em nível internacional, principalmente se considerarmos que nessa fila majestosa estão as mistas do US Open e dois ATP 500. De quebra, passa a ser o duplista profissional brasileiro com maior número de títulos (12) e o mais eficiente em finais disputadas (12 em 21). Ele segue direto para Memphis e depois vai aos Masters americanos, sem esconder que uma das metas é o Finals de Londres.

Estrutura – O gerente da promotora Koch Tavares, Roberto Burigo, prometeu averiguar a suspeita de ingressos falsos nos dois últimos dias do Brasil Open. Solicitei à assessoria de imprensa que responda também sobre o problema da falta de numeração dos ingressos e das acusações de entrada irregular de convidados. Cobrarei um retorno.

Quem viu a final no ginásio ou na TV, percebeu novamente a hiperlotação. Havia muito mais do que as 9.300 pessoas permitidas. Deveria haver uma lei – mas certamente nosso parlamento está muito ocupado – que exigisse que espetáculos esportivos para mais de 4 mil espectadores fossem obrigatoriamente numerados, o que evitaria esses absurdos.

Burigo também garantiu que não há chance de substituir o ginásio do Ibirapuera como sede do evento. Sou obrigado a concordar com ele, porque fevereiro é uma época de chuva torrencial na cidade. Não fosse o teto, talvez esta edição não tivesse terminado no prazo e teria prejudicado muita  gente que comprou antecipadamente os ingressos.

O complexo onde está o ginásio é patrimônio, diria vergonhoso, do governo estadual. É triste ver a degradação de quase todas as instalações. O ginásio principal sofreu reforma há dois anos, que tirou a goteira e melhorou o aspecto dos banheiros, mas continua a ser uma arena ultrapassada e incompatível com grandes (e caros) espetáculos. O Procon deveria ser acionado contra o Estado, que figura como patrocinador do Brasil Open ao desembolsar pelo menos R$ 2 milhões na forma de cessão do local.

Um teste para valer
Por José Nilton Dalcim
16 de fevereiro de 2013 às 21:50

O público brasileiro pode sorrir. Depois de ver a arte de Roger Federer, poderá ser testemunha do primeiro título de Rafael Nadal após oito meses de sofrimento, período que incluiu derrotas, desistências, preocupação e dúvidas concretas sobre a possibilidade de sua volta ao circuito.

Claro que Nadal não está jogando em alto nível. Nem perto disso. A rigor, tem driblado adversários que não tem grande experiência no circuito de ponta, ainda que muitos deles especialistas reais no saibro, com sua larga experiência e enorme força de vontade. Está limitado fisicamente, mas arranca games com o saque afiado, dedica-se ao máximo nas devoluções e conta com sua tão conhecida frieza. Sempre que pode, vai à rede para encurtar os pontos e têm se dado bem na maciça maioria das vezes.

Porém não é o heptacampeão de Roland Garros, o imbatível homem sobre a terra, o maior saibrista da história. O que temos visto é muito mais um batalhador, alguém que sabe usar todos os efeitos da bola e os ângulos da quadra. Isto basta para ser bicampeão do Brasil Open e derrotar o sempre perigoso David Nalbandian? Talvez. Não seria nada surpreendente se a bola lisa e veloz ajudasse bem mais o estilo de golpes retos do ex-top 3, que além de tudo tem um excepcional backhand de duas mãos que não irão facilitar as coisas para Nadal.

Mas isso também é motivador. Porque Nalbandian dá gosto de ver. Tudo bem, há dias que simplesmente seu tênis não funciona, ou que se mostra apático, meio desinteressado. Quase impossível prever qual Nalba veremos no dia seguinte: o genial ou o errático. Para esta final em São Paulo, ele talvez carregue um considerável grau de pressão, já que não apenas vive um jejum de 31 meses sem títulos como também pode ser uma de suas derradeiras oportunidades de erguer um troféu no cada vez mais exigente circuito masculino.

Então, há muitas alternativas em jogo às 13 horas deste domingo. E se você precisar de mais um bom motivo para ir ao ginásio ou assistir pela TV, saiba que o confronto direto está favorável a Nadal por 4 a 2, com um histórico de jogos bem duros em Indian Wells do ano passado e 2009, em Miami de 2010. As vitórias do argentino aconteceram em 2007. Fato curioso, este será o primeiro duelo sobre o saibro.

E, não resta dúvida, será muito legal a torcida dar aquela força para o mineiro Bruno Soares, de longe o melhor tenista brasileiro da atualidade. O repórter Felipe Priante observa no TenisBrasil: ele ganhou todas as últimas seis finais que disputou desde julho. O jogo começa às 11 horas e não vai ser fácil, já que o dueto Frantisek Cermak/Michal Mertinak.sempre foi muito bem entrosado.

Insatisfeito – Apesar de estar em sua segunda final seguida, Rafa frisou várias vezes na entrevista coletiva que não está nada satisfeito com seu jogo, principalmente com este de sábado, que ganhou “com sorte”. Em frases interessantes, disse que o corpo está bem mas o joelho, não. E que está vencendo “apesar do joelho”. Relatou que hoje foi quando sentiu mais dor nestas duas semanas. Pedi para ele comparar seus jogos de Viña com os de São Paulo e avaliar se houve evolução física ou técnica. Me respondeu que não há parâmetros, porque “esta é a quadra mais rápida do circuito” e a bola, um terror. Sinceramente, o achei um tanto abatido.

Excesso de público? – Estranhou tanta gente sentada nas escadas do ginásio – e justamente nos lugares mais caros -, pendurada nos alambrados que dividem as duas áreas e até mesmo em locais onde na teoria não deveriam estar, ou seja, os ‘pontos cegos’ atrás das câmeras de TV. Aliás, cerca de uma centena de pessoas também ocupou a maior parte do reservado da imprensa. A impressão é que havia mil pessoas além das 9.300 que são anunciadas como capacidade máxima. Isso não é bom, nem correto, principalmente para quem pagou um ingresso salgado.