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Bem vindo, Rafa
Por José Nilton Dalcim
16 de setembro de 2020 às 19:45

Depois de quase sete meses sem disputar qualquer jogo, nem mesmo amistoso, Rafael Nadal retornou ao circuito no tradicional saibro de Roma e a impressão que deu foi a melhor possível dentro das circunstâncias, como se quase nada tivesse acontecido.

O último dia em que Nadal entrou em quadra foi na conquista do ATP 500 de Acapulco, no dia 1º de março. Ficou totalmente parado ao longo do período de isolamento social na Espanha e só retornou aos treinos quando foram relaxadas as normas. Decidiu não competir nos torneios combinados de Flushing Meadows, apostando todas suas fichas no saibro.

Freguês de carteirinha, Pablo Carreño, aquele que ficou a um set da final do US Open cinco dias atrás, mal serviu para um treino. É bem verdade que fez uma opção pelo risco e cometeu erros bisonhos, mas Rafa não tem nada a se queixar. Mostrou ótima mobilidade, fugindo até mesmo do backhand lá na linha de dupla, e fez o que melhor que sabe no saibro, aquela excepcional mistura de topspin defensivo todo enroscado com golpes muito agressivos. Totalizou 20 winners e 11 erros, ganhou 31 dos 39 pontos com o saque e olha que a média de primeiro serviço deixou a desejar, na casa dos 49%.

Quando pisa no saibro, Nadal vira um semideus. Seu percentual de aproveitamento é absurdo: 437 vitórias e apenas 39 derrotas, ou seja, eficiência de 91,8%. A chave de Roma promete lhe dar diferentes desafios, como o slice de Dusan Lajovic ou o saque poderoso de Milos Raonic na próxima rodada, o jogo peso pesado de Andrey Rublev ou a correria de Diego Schwartzman nas quartas. Com o novo vexame de Stefanos Tsitsipas, concorrem à semi Fabio Fognini, Denis Shapovalov e Grigor Dimitrov.

Djoko sem sequelas
A quarta-feira também viu a estreia de Novak Djokovic e foi também muito bom perceber que o sérvio não mostrou qualquer sequela do drama vivido com a desclassificação em Nova York. O italiano Salvatore Caruso até foi competitivo no começo, fixando-se quase em cima da linha, de onde pegou na subida e trocou direções com competência. Mas bastou Nole achar o ritmo mais ofensivo da devolução para dominar com ampla superioridade.

Seu desafio de quinta-feira talvez seja o mais perigoso antes da presumível reedição da final de 2019 contra Nadal. O amigo e parceiro de duplas e treino Filip Krajinovic é um adversário respeitável no saibro e tem diferentes armas. Fora ele, o dono da casa Matteo Berrettini não pode ser subestimado e ficou como forte candidato à semi com a queda incrível de David Goffin diante de Marin Cilic.

Djokovic sempre se sentiu à vontade em Roma, conquistando quatro troféus, mas desde 2016 não achou mais o caminho dos títulos. Nesse ano, chegou a derrotar Nadal antes de perder a final para Andy Murray e na edição seguinte foi surpreendido pelo então garoto Alexander Zverev na decisão. Nadal foi quem o tirou na semi de 2018 e o superou na final de altos e baixos de 2019.

E mais
– O pessoal que gosta das contagens regressivas anote aí: faltam apenas nove para Nadal se tornar o quarto profissional a atingir a incrível marca de 1.000 vitórias, lista que tem Connors (1.274), Federer (1.242) e Lendl (1.068).
– O tênis italiano colocou de forma inédita oito representantes na segunda rodada. Três já avançaram: Berrettini faz duelo direto com Travaglia e Sinner tirou Tsitsipas no terceiro set, embora tenha tido 6/1, 5/3 e saque antes disso.
– O adolescente Musetti mostrou qualidades diante de um Wawrinka em seus dias de preguiça e pega o também ex-top 5 Nishikori nesta quinta. Vale assistir.
– Fognini é outra atração do dia, mas seu histórico em Roma é muito pobre: uma quartas em 12 tentativas. Para piorar, perdeu do 303º do mundo semana passada em Kitzbuhel. Seu adversário é o elétrico canhoto Humbert.
– Dimitrov fez coro às críticas inconsoláveis de Tsitsipas sobre o piso da magnífica quadra Pietrangeli. Eles acusam de estar muito irregular.
– E não se esqueçam: a final de Roma será na segunda-feira.

Desafio US Open
Kauê Guedes foi o único participante do Desafio US Open a dizer que Zverev precisaria de cinco sets para ganhar de Carreño e que Thiem venceria Medvedev em sets diretos. Assim, ele leva o prêmio e os parabéns: a Editora Évora enviará o livro cheio de dicas importantes de Fernando Meligeni, o “Jogando Junto”.

Nova geração aproveita a chance
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2020 às 02:20

O US Open sem três experientes top 10 tinha tudo para abrir espaço à nova geração sedenta por grandes resultados e até aqui a garotada não decepcionou. Dos oito classificados nesta sexta-feira à quarta rodada na parte superior da chave, metade está abaixo dos 24 anos. E no lado inferior, quatro ‘next-gen’ certamente avançarão no sábado.

O único ‘trintão’ no setor superior é justamente o amplo favorito ao título. Novak Djokovic fez outra grande exibição diante de Jan-Lennard Struff, ganhou 46% dos pontos como devolvedor, variou com deixadinhas desconcertantes e mais uma vez economizou energia para as rodadas mais importantes.

Está sobrando em quadra, com um forehand mais afiado do que nunca e isso parece dar muito pouca chance ao espanhol Pablo Carreño, que perdeu os três duelos contra o sérvio mas ao menos já tirou um set. Apesar de ser um tenista consistente em quase todos os aspectos e ter feito semi no US Open de 2017, Carreño é inferior a Djokovic em tudo.

Um possível candidato a ‘azarão’ na rodada seguinte é o canhoto Denis Shapovalov, que arrancou uma virada sofridíssima diante de Taylor Fritz. O norte-americano vinha super bem, sacou para o jogo no quarto set e ficou a dois pontos da classificação no tiebreak. Aí desabou. O canadense de 21 anos fez 60 winners e 33 erros, números bem mais confortáveis, e terá pela frente David Goffin. O belga não saiu de cima da linha, fez ótimas transições à rede e não perdeu set de Filip Krajinovic. Deixou ótima impressão. Está pelo quarto ano seguido nas oitavas, mas nunca foi além.

Já na madrugada, veio o grande jogo deste US Open até agora. Com um incrível espírito de luta e ferrenha aplicação tática, Borna Coric evitou uma derrota que parecia certa no quarto set, quando o grego Stefanos Tsitsipas abriu 5/1. O croata salvou então seis match-points, escapou de quebra atrás no quinto set e foi impecável no tiebreak decisivo. Que comportamento exemplar, em contraste com a conduta juvenil do grego, a esbravejar outra vez com o pai-treinador.

Coric, que sofreu com tantas lesões mesmo ainda aos 23 anos, repete as oitavas de 2018 e pode enfim marcar sua maior campanha num Slam diante de Jordan Thompson, australiano que tem padrão de jogo semelhante, mas sem currículo sobre pisos mais velozes.

Alexander Zverev por fim virou em cima do canhoto Adrian Mannarino e jogou um tênis cada vez mais sólido conforme os sets andaram, com destaque para os 14 aces e 28 subidas à rede. Sascha está pelo segundo ano seguido nas oitavas do US Open. No entanto não pode vacilar diante do poder de fogo do espanhol Alejandro Davidovich, outro de 21 anos, que não pensa duas vezes para espancar a bola.

No lado inferior da chave, jogarão neste sábado para entrar nas oitavas Medvedev-Wolf, Berrettini-Ruud, De Minaur-Khachanov e Aliassime-Moutet. Fiquem de olho nesse francês canhoto abusado. Moutet joga com força e com jeito. Superou Daniel Evans de virada e levou dois tiebreaks.

Bom teste para Osaka
A adolescente Marta Kostyuk exigiu muito da cabeça 4 Naomi Osaka, que segue em busca do segundo título no US Open. Ousada e agressiva, a ucraniana recebeu um elogio e tanto da adversária: “Tenho medo do que ela pode fazer num futuro breve”. Osaka enfrentará no domingo Anett Kontaveit, que se vira bem nas quadras mais rápidas porém perdeu todos os quatro duelos contra Naomi, incluindo o de sete dias atrás.

Petra Kvitova está no caminho da número 9 do mundo e aí a coisa pode ficar mais interessante. A tcheca ainda não se soltou totalmente, cometeu cinco duplas faltas e total de 28 erros em dois sets, mas gosta dos jogos grandes. Enfrentará antes a local Shelby Rogers. O US Open é o único Slam em que Petra jamais fez semi em 12 tentativas.

O outro quadrante está bem aberto e obviamente o sensato é apostar na experiência de Angelique Kerber, campeã de 2016, que venceu todos os seis sets até agora. A canhota alemã não jogava desde o Australian Open. Já a alegria de Carolina Garcia durou bem pouco e, depois de tirar a cabeça 1 Karolina Pliskova, foi dominada pela boa Jennifer Brady. A vencedora desse duelo enfrentará Petra Martic ou Yulia Putintseva.

Polêmica
O jogo entre Zverev e Mannarino ficou envolvido em polêmica e indefinição. Como Adrian é uma das 11 pessoas a ter contato próximo com Benoit Paire, ele foi autorizado pelas autoridades sanitárias do município a jogar as primeiras rodadas, mas ontem entrou em ação uma ordem do governo do estado que impedia o francês de atuar, exigindo o confinamento. Houve longa negociação para que o jogo acontecesse e Zverev gentilmente aceitou atrasar a partida.

Sempre existe um jeito para Nole
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2020 às 00:21

Novak Djokovic se deu ao direito de fazer uma partida fora do padrão habitual, mas nem de longe correu riscos diante do jogo pesado mas sem variação de Kyle Edmund. O sérvio fez lances notáveis e erros sucessivos, perdeu seu primeiro tiebreak em 11 na temporada, chegou a ceder o serviço por duas vezes seguidas no terceiro set, mas sempre encontrou soluções adequadas.

É exagero dizer que o número 1 jogou mal, mas sua própria insatisfação com a produtividade ficou patente em quadra. Reclamou demais, chutou a bolinha, soltou gritos de frustração e urros de motivação. Acredito que dois fatores contribuíram para isso: a consistência do britânico, arrancando sucesso até de seu backhand instável, e a velocidade do piso, já que entrou em ação no meio da tarde, quando a quadra é sempre mais rápida. Precisou de adaptações para as duas coisas e, novamente, achou um caminho.

Reencontrará na sexta-feira o alemão Jan-Lennard Struff, contra quem só perdeu um set em quatro duelos e acabou de demolir nas quartas do Masters jogado lá mesmo em Flushing Meadows. Estará buscando mais números de peso: a 600ª vitória da carreira em 712 jogos sobre a quadra sintética e o melhor início de temporada no piso duro, com 25, o que superaria as 24 do mágico ano de 2011.

Stefanos Tsitsipas fechou o dia e encarou mais um gigante, o pouco conhecido Maxime Cressy, de 2,01m, uma sina que vem desde a semana passada, quando cruzou Anderson, Isner, Opelka e Raonic. O primeiro set foi equilibrado, mas depois o grego conseguiu evoluir nas devoluções e passadas. Agora, finalmente cruzará com um jogador de base, Borna Coric. O croata lutou 4h20 para tirar Juan Ignacio Londero e isso deve influir. Quem vencer, pega Jordan Thompson ou Mikhail Kukushkin. Nada ruim.

No feminino, o destaque foi a queda da cabeça 1. Karolina Pliskova vai continuar na fila por seu Grand Slam em dia em que errou muito. Não surpreende tanto quando se lembra de sua atuação da semana passada ou do histórico sempre apertado contra Carolina Garcia. Em seu oitavo US Open, a francesa finalmente tentará chegar nas oitavas, mas não deve relaxar: Jennifer Brady está em casa e ganhou Lexington há poucos dias.

Naomi Osaka por seu lado atropelou Camila Giorgi, cedendo apenas três games em 70 minutos. O momento mais divertido foi a difícil comunicação no telão do estádio com a mãe. A japonesa será super favorita diante da ainda juvenil Marta Kostanyk, que fez terceira rodada em Melbourne deste ano e tirou nesta semana Anastasija Sevastova e Daria Kasatkina.

A rodada masculina
– Alexander Zverev teve o esperado trabalho contra o bom Brandon Nakashima e anotou 25 pontos em 31 voleios. Pode fazer oitavas pelo terceiro Slam seguido e pela quinta vez nos últimos seis, o que começa a afastar o fantasma. Em janeiro, foi semi em Melbourne. Encara o canhoto Adrian Mannarino com grande chance.
– O ‘trintão’ Ricarda Berankis, hoje treinado por Janko Tipsarevic, concorre às oitavas contra Pablo Carreño e pode ser o oponente de Djokovic.
– Oito norte-americanos foram à quadra e apenas Taylor Frtiz está na terceira rodada, com vitória confortável sobre Gilles Simon. Número 25 do ranking aos 22 anos, ele tentará pela quarta vez chegar nas oitavas de um Slam.
– Fritz faz duelo de nova geração contra Denis Shapovalov, que levou sufoco e marcou virada, com números bem a seu estilo: 62 winners e 57 erros. O canadense ganhou os dois jogos contra Fritz.
– Cameron Norrie passou por dois argentinos salvando 32 de 41 break-points. Seu adversário será o garoto espanhol Alejandro Davidovich – que fechou o primeiro set hoje com um saque por baixo. Nenhum deles foi tão longe num Slam.
– Jogo bem interessante envolverá David Goffin e Filip Krajinovic. O belga fez oitavas no US Open nos últimos três anos, o sérvio não perdeu set até agora.

Os destaques femininos
– Além de Brady, mais quatro americanas avançaram na parte de cima da chave. Duas farão duelo direto (Shelby Rogers e Martin Brendle), Jessica Pegula desafia Petra Kvitova e Ann Li encara Angelique Kerber.
– E o torneio feminino fica ainda mais desfalcado. Cinco cabeças caíram no feminino ao lado de Pliskova e Sevastova, uma lista com Elena Rybakina, Marketa Vondrousova, Alison Riske, Dayana Yastremska e Kristina Mladenovic.
– A derrota de Mladenovic é daquelas para não se esquecer tão cedo: tinha 6/1, 5/1 e saque com 30-30! Dois games depois, no serviço da russa Varvara Gracheva, 102ª do ranking, ainda desperdiçou quatro match-points. Daí perdeu feio no tiebreak e levou ‘pneu’ no set final. Saiu reclamando dos organizadores, da ‘bolha’, oh vida cruel.

Brasil enfim vence
Bruno Soares e Luísa Stefani estrearam com vitória dura em três sets em suas respectivas chaves de dupla, mas Marcelo Melo já está fora. Nesta quinta, Marcelo Demoliner entra em ação.