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Nadal sai na frente em Madri
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2019 às 11:50

* Atualizado às 18h45

Rafael Nadal decididamente tirou a sorte grande na formação da chave para o Masters 1000 de Madri, onde a partir de segunda-feira irá buscar seu primeiro título desde agosto do ano passado. Cinco vezes campeão na capital espanhola, quatro delas sobre o saibro da Caixa Mágica, ele viu Novak Djokovic, Roger Federer, Dominic Thiem e Fabio Fognini ficarem juntos do outro lado.

É para comemorar, mas não relaxar. A curiosa estreia será diante de um garoto canadense, Denis Shapovalov ou Felix Aliassime. Não são grandes jogadores sobre o saibro, mas a velocidade de Madri sempre preocupa diante de adversários que espancam a bola e não têm muito a perder.

O adversário natural seguinte seria Nikoloz Basillashvili, um jogador de resultados fracos no piso, e o primeiro teste real viria contra Kei Nishikori ou Daniil Medvedev, que poderão jogar ao melhor estilo quadra dura, ou seja com bolas bem retas, como o japonês já fez com sucesso outras vezes, como naquela final de 2014 em dominava Rafa até se contundir. Stan Wawrinka está no grupo dos dois, porém o suíço raramente se deu bem em Madri, à exceção do vice de seis anos atrás.

Rumo a uma final que ainda não fez no saibro europeu deste ano, restaria a Rafa passar por Stefanos Tsitsipas, que é o favorito de um setor que tem Alexander Zverev e Karen Khachanov, ambos em péssimo momento. O alemão, com apenas três vitórias em seis jogos no saibro até agora, tem a pressão de defender o título. Borna Coric e Roberto Bautista nunca podem ser descartados, mas eis que ali está também David Ferrer na despedida definitiva de sua torcida.

O outro lado da chave é efervescente, ainda que Djokovic na teoria tenha se saído bem melhor. Deve começar por Grigor Dimitrov, talvez depois Jeremy Chardy ou Marco Cecchinato e aí um adversário enigmático, que poderia ser Juan Martin del Potro ou Marin Cilic, mas até mesmo Nick Kyrgios ou Jan-Lennard Struff. Seja quem for, o sérvio terá amplo favoritismo se voltar a jogar um tênis de primeira linha, o que não faz desde o Australian Open.

De volta ao saibro e ao torneio após quatro anos, Federer é total incógnita, apesar de as condições de velocidade de Madri sempre casarem bem com seu estilo. A estreia pode ser diante do surpreendente espanhol Alejandro Davidodich, em grande semana no Estoril, onde acaba de vencer seus primeiros jogos de nível ATP, mas que sequer possui títulos em nível challenger. Se confirmar, o suíço desafiaria os experientes David Goffin ou Gael Monfils antes de reencontrar Thiem.

Seria legítimo dizer que o austríaco seja o favorito para ir à semi contra Djokovic. Finalista nos dois últimos anos – deixou no caminho até mesmo Nadal na última campanha -, terá no entanto de tirar Fognini nas eventuais oitavas de final, caso é claro o italiano tenha se recuperado fisicamente e esteja com vontade de jogar. Ou seja, para ganhar Madri o austríaco terá de fazer um torneio bem perto do impecável.

Como de hábito nos Masters 1000, há duelos incríveis logo na primeira rodada: Cecchinato x Schwartzman, Kyrgios x Struff, Goffin x Fucsovics, Coric x Pouille, Ferrer x Bautista, Medvedev x Pella e Aliassime x Shapovalov. Os jogos dos garotos canadenses e de Kyrgios já acontecem neste domingo.

Para matar saudades, deixo o vídeo da vitória de Federer sobre Nadal na decisão de exatos 10 anos atrás.

Chave feminina interessante
Um dos torneios mais gostosos do calendário, Madri também faz chave bem forte no feminino, com 16 das 17 melhores do ranking inscritas. Apenas Serena Williams continua evitando o saibro europeu.

Atual campeã, líder da temporada e vinda do título em Stuttgart, a canhota Petra Kvitova é a maior candidata ao título e já teve ótimo início em cima de Sofia Kenin. Pode reencontrar Kiki Bertens nas quartas e acho que daí deve sair a finalista da parte inferior.

A número Naomi Osaka não tem currículo no torneio, já que sequer passou da estreia no ano passado. Mas não existem motivos para não ir bem agora, mais experiente. O caminho é árduo, com Dominika Cibulkova, Annet Kontaveit e Karolina Pliskova pela frente e a japonesa deixa dúvidas sobre seu estado físico, o que automaticamente mexe com a confiança.

É possível então que outras fortes concorrentes tentem ocupar sua vaga na final, como Simona Halep, Elina Svitolina ou Ashleigh Barty. A australiana saca melhor do que as duas, uma vantagem considerável em Madri, mas tem uma chave bem exigente. Tirou Daria Gavrilova e deve encarar Danielle Colins antes de Svitolina. E o setor de Halep não é nada fácil, com Johanna Konta, Alison Riske, Maria Sakkari, Viktoria Kuzmova e principalmente Julia Goerges.

Curioso observar que o feminino paga um total de 7 milhões de euros, 500 mil a mais que o masculino, embora os campeões recebam igualmente 1,2 milhão. Isso se explica porque a chave feminina não tem lugares vazios, enquanto os oito cabeças do masculino saem adiantados.

Vai ser um Premier bem interessante.

Primeiros padrões do saibro
Por José Nilton Dalcim
25 de abril de 2019 às 19:44

Disputados os dois primeiros grandes torneios sobre o saibro, três jogadores repetem quartas de final em Monte Carlo e Barcelona: o rei Rafael Nadal, a surpresa Daniil Medvedev e o canhoto Guido Pella. Há também o garoto Borna Coric, porém ele só fez um jogo em Budapeste. Mas será que dá para apostar nessa moçada até Roland Garros?

Nadal obviamente não entra na discussão, ainda mais depois de evidente progresso na partida emocional diante de David Ferrer. E não seria descartado mesmo que perdesse de Jan-Lennard Struff na sexta ou para Dominic Thiem ou Pella na semi. O austríaco fez dois bons jogos em Barcelona, um saibro um pouco mais veloz que lhe agrada mais. O embalado argentino pode dar trabalho e indicará o quanto Thiem se esqueceu de Monte Carlo.

Medvedev é talvez a maior das surpresas, já que tem um estilo menos apropriado à terra. A vitória sobre Novak Djokovic mostrou no entanto que ele pode sim se mexer bem e colocar spin nos golpes sem grande prejuízo. Enfrentará Nicolas Jarry, um chileno de saque e forehand poderosos, com dois tremendos resultados na semana em cima de Alexander Zverev e Grigor Dimitrov, ambos obtidos no tiebreak do terceiro set. Aliás, Jarry é lucky-loser, tal qual Roberto Carballes, o adversário de Kei Nishikori, outra prova do quanto esta temporada de saibro está aberta.

Por outro lado, há algumas decepções de peso. Depois da apagada campanha em Indian Wells e Miami, Zverev foi para o saibro e ganhou apenas dois de cinco jogos em três torneios, ainda que tenha caído diante de especialistas como Jarry, Jaume Munar e Fabio Fognini.

Mas o próprio Sascha é um tenista respeitável sobre a terra, com dois Masters conquistados. No ano passado, ganhou de quatro top 10 entre o título de Madri e o vice de Roma, com única derrota para Nadal, além da semi em Monte Carlo. Ele claramente andou para trás. Ivan Lendl deve estar descabelando as sobrancelhas para achar um antídoto.

Embora mais consistente, o grego Stefanos Tsitsipas também deixa dúvidas. É verdade que o saibro não figura como piso predileto, ainda que ele tenha sido vice de Barcelona no ano passado. Seu retrospecto no piso está agora com 13 vitórias e 10 derrotas, bem distante das 50 em 82 sobre a quadra dura. Na grama, tem 60% de vitórias.

O grego fez um início forte de temporada, com grandes campanhas em Melbourne, Marselha e Dubai que o impulsionaram ao top 10, mas desde então virou uma festa para quem quer marcar um resultado expressivo no currículo. Casos de Felix Aliassiame e Denis Shapovalov, nos Masters americanos, e agora de Struff. Não por acaso, os três têm em comum a preferência por um estilo bem agressivo. Mas vale lembrar que Stef tirou nada menos que Roger Federer da Austrália.

Muitos poderiam ainda reclamar de Karen Khachanov, que vive um pesadelo nos últimas meses, mas o russo nunca fez nada de muito expressivo sobre o saibro. E num momento de tão pouca confiança, as derrotas de estreia sem ganhar set parecem quase naturais.

E mais:
– Ferrer fez uma boa exibição, buscando agressividade. Lutou como pôde e foi aplaudido de pé ao final do jogo. Merecido!
– Dos quatro duelos desta sexta-feira em Barcelona, três são inéditos no circuito. Thiem e Pella empatam por 2, mas o austríaco ganhou os feitos em 2018.
– Somado à campanha do quali, Jarry já ficou na quadra por 15 sets e 12h24. Medvedev gastou 3h09.
– Zverev não jogou a toalha. Vai buscar o tri em Munique na semana que vem, antes de Madri e Roma, ou seja um calendário incrivelmente longo no saibro. Já Tsitsipas será o favorito no Estoril, junto a Fognini e talvez Monfils.
– Fora do top 100 pela primeira vez desde 2014, Berdych marcou volta para Lyon às vésperas de Roland Garros. Quem decidiu pular todo o saibro foi Anderson.
– Se for campeão em Barcelona, Nadal supera Federer e Djokovic, assumindo liderança do ranking da temporada.
– Kerber tem uma grande chance em Stuttgart de enfim ganhar seu primeiro título da temporada. Bicampeã do torneio, sua adversária será a perigosa Kiki Bertens, que em pleno saibro disparou 20 aces em cima de Bencic.
– Outro destaque foi a virada de Azarenka em cima de Pliskova, a atual campeã, com total de 35 winners. Enfim de volta ao top 50, enfrenta Anett Kontaveit. Cuidado!
– Faltou sorte de novo para Bellucci. Após duas boas vitórias em Francavilla, ele torceu feio o pé ainda no sétimo game e teve de abandonar. Ainda não se sabe a gravidade da contusão. Ele está inscrito para Bordéus e Aix-en-Provence, no saibro francês.

Nadal sai devendo outra vez
Por José Nilton Dalcim
24 de abril de 2019 às 19:05

Como bem disse na entrevista oficial, o importante é vencer. Mas Rafa Nadal novamente deixou impressão ruim neste início de atividade sobre o saibro. Leonardo Mayer, que faz uma temporada fraca, conseguiu interromper a série de 30 sets que o canhoto espanhol levava em Barcelona, ainda que jamais tenha sido ameaça real no segundo e terceiro sets.

Nadal me pareceu claramente pressionado a jogar bem, depois da decepção em Monte Carlo, porém fez um primeiro set apático, limitado a trocar bolas, várias vezes sem profundidade. O vento forte e o estilo de Mayer também não o ajudaram a pegar ritmo, sem falar no rendimento baixo de primeiro serviço, um tormento que carrega desde a semana passada.

Ainda assim, dada à cristalina diferença de qualidade entre os dois, Rafa deveria ter vencido o primeiro set. Enrolou-se, perdeu dois set-points e o tiebreak. Apenas cinco winners em 13 games, depois seis num set de outros 10 games. Fechou o jogo com 36 erros, sendo 16 de forehand, vendo Mayer errar voleios primários.

O próximo duelo tem um lado emocional, já que será diante do amigo David Ferrer, cujo estilo de muitas trocas sempre casou bem. Naquele que pode ser o penúltimo torneio de sua carreira, Ferrer arrasou seus dois primeiros adversários em Barcelona, cedendo apenas sete games. Encarar Nadal, mesmo nesse momento delicado do compatriota, é um desafio: o placar negativo de 19-2 no saibro e 5-0 em Barcelona pesam.

Ferrer havia anunciado originalmente a aposentadoria para esta semana, mas recebeu convite para Madri e não está totalmente descartada a possibilidade de também ser chamado para Roland Garros, o que afinal seria uma despedida bem mais justa.

E mais
– Três nomes fortes da geração em quadra nesta quinta-feira: Aliassiame busca sua maior vitória em cima de Nishikori, Munar conta com a torcida diante de Thiem e Tsitsipas, finalista do ano passado, é favorito diante de Struff.
– McDonald é primeiro norte-americano nas oitavas de Barcelona em exatos 20 anos (Martin e Spadea, em 1999).
– Fognini desistiu de jogar horas antes da estreia, alegando dores na coxa. Mas diz que estará no Estoril na próxima semana.
– Pouille perdeu todos os seis jogos que fez depois da semi em Melbourne. A atuação contra Ferrer foi desastrosa.
– Pella é o tenista que mais venceu no saibro em 2019: agora 16, seguido por Garin, com 14.
– O Chile de Garin e Jarry não colocava dois representantes nas oitavas de um ATP desde Gonzalez e Massu em Houston-2010.
– Pela sexta vez em sete duelos, Dimitrov e Verdasco decidiram o jogo no terceiro set (4 a 2 para o búlgaro). A outra partida entre eles também foi em três sets, mas em Roland Garros.
– Nadal tem agora 59 vitórias e 3 derrotas e Barcelona pode se tornar o quarto torneio em que ele atinge 60. São 86 em Paris, 71 em Monte Carlo e 61 em Melbourne.
– Se conseguir a vingança contra Hsieh e avançar às quartas de Stuttgart, Osaka já garantirá sua permanência na ponta do ranking, já que Halep desistiu de competir devido a uma contusão no quadril durante a Fed Cup.