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Finais de opostos em Xangai
Por José Nilton Dalcim
12 de outubro de 2019 às 18:07

A lógica prevaleceu e a final do Masters 1000 de Xangai será disputada por dois jogadores da nova geração que vivem momentos muito opostos. Enquanto o russo Daniil Medvedev segue na sua fase incrivelmente positiva e faz sua sexta final consecutiva, o alemão Alexander Zverev tem a primeira chance de marcar um grande resultado num 2019 cheio de conflitos. A decisão acontece na madrugada deste domingo, às 5h30, e tem o favoritismo de Medvedev, ainda que tenha perdido todos os quatro duelos diante de Sascha, todos sobre a quadra dura mas nenhum ainda em 2019.

Mais uma vez, Medvedev não foi brilhante, porém muito eficiente e oportuno na vitória sobre o grego Stefanos Tsitsipas, contra quem tinha 4 a 0 nos duelos diretos. O momento crucial, e que pode ter definido o jogo, veio no 4-4 ainda do primeiro set, quando o russo encaixou cinco grandes saques seguidos para escapar do 0-40. A decisão ainda foi a um equilibrado tiebreak e, no 5-5, o russo se deu melhor. Medvedev teve outro momento de baixa quando sacou para fechar o jogo com 5/4, que Tsitsipas não soube aproveitar e entregou outra vez o serviço.

O saque voltou a ser a grande arma de Zverev, como havia acontecido na véspera diante de Roger Federer. Totalizou 11 aces, só perdeu dois pontos com o primeiro serviço no set inicial e não permitiu breaks, aproveitando uma quebra em cada set para superar um Matteo Berrettini meio perdido na parte tática. O italiano usou bem as deixadas, uma opção sempre valiosa contra Zverev, mas executou mal o golpe justamente quando era mais importante. Foi um duelo de pontos quase sempre muito rápidos.

Enquanto Medvedev não para de subir – das seis finais seguidas que fez, três foram de Masters e uma de Slam -, Zverev não havia passado de quartas em qualquer outro Masters da temporada. O russo já tem nove finais em 2019, quase o dobro dos concorrentes, lista que inclui todo o Big 3, e poderá erguer o quatro troféu do ano e o sétimo da carreira. O currículo do alemão é mais pomposo: de seus 11 troféus, três foram de Masters (Roma, Canadá e Madri) e outro veio no Finals de Londres.

Se vencer, Medvedev ultrapassará Federer no ranking da temporada e se candidatará para o terceiro posto. Zverev já subiu para o sétimo na corrida para chegar a Londres e a eventual conquista fará com que folgue 710 pontos sobre o próprio Berrettini. E assim, salvar de vez uma temporada tão delicada.

Números e fatos
– Medvedev é apenas o sétimo tenista desde 2000 a atingir pelo menos nove finais de simples numa mesma temporada. Em sua companhia, estão o Big 4, David Ferrer e Marat Safin.
– Outro grande feito para o russo é a chance de ser apenas o segundo tenista que não o Big 4 a ganhar mais do que um Masters numa só temporada desde David Nalbandian em 2007, ao vencer Madri e Paris. Curiosamente, seu adversário em Xangai foi o outro: em 2017, Zverev ganhou Roma e Canadá.
– Os mineiros lutam entre si pelo título de Xangai, às 2h30 de domingo. Marcelo Melo e Lukasz Kubot buscam o bi consecutivo, enquanto Bruno Soares faz melhor campanha da temporada e a primeira de real sucesso ao lado de Mate Pavic.
– O título vale muito para Soares e Pavic, que podem saltar para o 18º lugar na corrida para Londres. A distância para o oitavo colocado ainda será de 1.120 pontos, mas ao menos passa a ser factível.

Ferrer mostra ao tênis que vale a pena lutar
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2019 às 20:24

Ferrer nasceu David, um nome escolhido com precisão. Sem ter qualquer golpe espetacular, capaz de facilitar definição sem esforço de pontos, ele precisou trabalhar duro ao longo de duas décadas de carreira profissional para derrotar os Golias que apareceram pela frente. Encerrou nesta quarta-feira sua trajetória no circuito internacional com números de fazer inveja, principalmente por ter encarado a mais dourada era do tênis masculino já vista.

Dono de 27 títulos individuais e uma coleção de vices imponentes, é injusto dizer que ‘Ferru’ foi um saibrista. De seus 27 títulos, 12 foram no sintético e 2 na grama. Fez seis semifinais de Grand Slam e só duas delas em Roland Garros, além de ter atingido pelo menos quartas em todos eles. Claro que seu grande momento foi o vice em Paris, mas ele também decidiu o Finals e ganhou Bercy na quadra dura coberta. Aliás, das sete finais de Masters, somente duas vieram na terra. Em que pese seu 1,75m de altura, encarou o desafio de mudar o estilo, pegar bola na subida, jogar sobre a linha e treinar voleios.

Esse esforço de progresso técnico lhe deu um grande período de auge e em plena vigência do Big 4, tendo atingido o terceiro lugar do ranking em julho de 2013. Forjou uma invejável coleção de vitórias sobre os grandes, invariavelmente marcadas por dedicação física e emocional extremas. Derrotou seis vezes Nadal, Murray e Del Potro; bateu Djokovic em cinco duelos; Wawrinka, Roddick e Ferrero, em sete, além de três sobre Hewitt. Seu maior freguês foi Fognini (11-0). Venceu 54 adversários então no top 10, três deles como líder do ranking (Andre Agassi, Nadal e Djokovic).

A grande frustração foi jamais ter derrotado Federer em 17 tentativas. “A forma com que ele mudava o ritmo me deixava maluco. Sei que o fiz suar, mas nunca consegui derrotá-lo”, contou recentemente. Na mesma entrevista, garante que o Big 4 o puxou para cima e que Rafa sempre foi um espelho para ele. Agradeceu a ajuda recebida de Ferrero, que “me deu conselhos e abriu suas portas”, algo que ele faz hoje com Roberto Bautista. “Houve momentos na minha carreira em que não sabia que rumo tomar”.

Todo mundo conhece as histórias de seu início, em que chegou a abandonar a raquete – até os 24 anos só havia vencido dois ATPs 250 no saibro – e ir trabalhar de pedreiro, retornando assim que descobriu como a vida fora do tênis era tão mais árdua. Nem do fato de que fumou cigarros a maior parte do tempo, contraste curioso para sua fenomenal resistência física. Ferrer não guarda mágoas. “Não sei se teria vencido um Slam em outra época, não há como saber isso”, diz. “O que mais sentirei falta é da adrenalina dos jogos. Isso é insubstituível”. Vale conferir a biografia mais completa do espanhol de 37 anos feita por Mário Sérgio Cruz no TenisBrasil.

O tênis no entanto não ficará muito tempo sem Ferrer. O primeiro passo da aposentadoria é viajar o mundo “desta vez com calma, curtindo com a família”, mas ele deixa claro que gostaria muito de comentar jogos e quem sabe treinar garotos de 10 a 16 anos, para quem acredita ter muito a ensinar. Questionado a resumir sua carreira, ele afirmou: “Estes 20 anos passaram rapidamente, mas porque eu fui feliz”.

A quarta-feira
– Nadal afastou quem temia por seus problemas de saúde. O saque evoluiu, permitiu que jogasse mais com o forehand e Aliassime errou muita bola fácil. Agora vem outro NextGen, o mesmo Tiafoe a quem atropelou em Melbourne em janeiro.
– Monfils fez um dos lances mais geniais dos últimos tempos, virou contra Fucsovics e fará interessante duelo contra Federer. Os dois não se cruzam desde junho de 2015 e o placar é um tanto apertado: 9 a 4 para o suíço.
– Fognini confirmou e teremos então um duelo direto contra Thiem, os dois que ousaram bater Nadal no saibro nas últimas semanas. Será apenas o quarto duelo, com 2-1 para o austríaco. Fognini venceu em Roma no ano passado.
– O terceiro grande jogo da quinta-feira é Wawrinka contra Nishikori. Suíço jogou muito bem, o japonês suou mais do que o necessário. Stan tem 6-4 e venceu os dois últimos.
– Chardy ganhou o direito de enfrentar Djokovic nas oitavas. Perdeu todos os 28 sets em 12 confrontos. E pode dar duelo sérvio nas quartas: Djere tirou um Delpo sem pernas nos games finais e desafiará Cilic.
– Zverev, que aposentou Ferrer, enfrenta o ascedente Hurkacz e quem passar terá Tsitsipas ou o bom e velho Verdasco.
– Quartas de final bem interessantes no Premier, a começar pelo duelo de estilos de Halep x Barty e de Osaka x Bencic. A romena marcou ‘bicicleta’ contra Kuzmova. Se japonesa avançar, mantém o número 1.
– Muito promissor também Kvitova x Bertens, que sequer perderam sets até agora e reeditam a final de Madri do ano passado. Tcheca tem 3-2 nos duelos. Stephens cometeu 45 erros, mas é favorita diante de Martic.

Pequenas surpresas
Por José Nilton Dalcim
7 de maio de 2019 às 19:25

Novak Djokovic, Roger Federer, Fabio Fognini e Stan Wawrinka passearam sobre o saibro da Caixa Mágica em suas primeiras aparições no Masters de Madri, mas o terceiro dia de jogos na chave masculina começou a exibir pequenas surpresas.

O canhoto Guido Pella interrompeu a série de sucesso de Daniil Medvedev justamente num lugar onde o saibro é mais rápido. O argentino está em sua quarta semana de atividade seguida, um total de 12 jogos e 31 sets. A recompensa é estar cada vez mais perto do top 20. Seu adversário agora é Wawrinka. Uau.

Em busca da confiança perdida, Lucas Pouille se submeteu a disputar challenger na semana passada. Salvou match-points na estreia, fez outros dois jogos em três sets mas a meta foi alcançada. O título pareceu lhe dar o ânimo perdido e ele fez uma partida sólida para tirar Borna Coric.E nada de relaxar diante do quali polonês Hubert Hurkacz.

Outro que está devendo no saibro é o argentino Diego Schwartzman. Ganhou só um jogo em Monte Carlo. Esqueceu de se inscrever e teve de jogar quali em Barcelona, onde pegou Dominic Thiem logo na segunda rodada. Foi a Munique e caiu para Christian Garin. Por fim, começou Madri com uma vitória de peso, tirando Marco Cecchinato. Deve fazer jogo duro contra Jeremy Chardy, candidatando-se a pegar Djokovic nas oitavas.

Aliás, parece que o tênis sul-americano enfim aproveita bem a fase de saibro. Além dos argentinos, Garin já ganhou dois ATPs com um tênis de ótima variação técnica e tática, o veterano Pablo Cuevas fez final e hoje o boliviano Hugo Dellien, vindo do quali, virou em cima de Gilles Simon. Tem missão dura diante de Kei Nishikori.

Estreias fáceis
Nenhuma surpresa nas vitórias de Djokovic e Federer. Claro que havia expectativa pelas condições diferentes de Madri, mas o sérvio foi muito bem com o saque – perdeu apenas dois pontos no segundo set – e sua maestria nas devoluções tirou qualquer ilusão de Taylor Fritz.

Federer não poderia pedir adversário mais perfeito para pegar ritmo na volta ao saibro e pôde exibir seu requintado jogo agressivo, mesclado com deixadinhas desconcertantes e até saque-voleio. Aguarda Gael Monfils ou Marton Fucsovics.

Por fim, sempre no lado de cima da chave, Dominic Thiem achou dificuldade para segurar o saque pesado de Reilly Opelka e deve ter sido um alívio ver o americano abandonar por lesão. Já Marin Cilic, admitindo estar fora da forma ideal, conseguiu bela reação em cima de Jan-Lennard Struff.

Feminino nas oitavas
O complemento da segunda rodada do Premier também reservou surpresas. A número 1 Naomi Osaka viveu intensos altos e baixos, mas enfim achou seu melhor tênis no set final contra Sara Sorribes. A romena Simona Halep saiu atrás de Johanna Konta, mas assim que passou a devolver melhor a situação mudou totalmente. Osaka e Halep seguem na briga particular pela liderança.

Dois nomes importantes deram adeus. Angelique Kerber sentiu o tornozelo e nem entrou em quadra. Karolina Pliskova caiu diante da ucraniana Kateryna Kozlova, 85ª do ranking aos 25 anos mas bem adaptada ao saibro.

Curtinhas
– Ferrer estendeu por mais um dia sua carreira, com bela vitória em cima de Roberto Bautista. Será atração desta quarta-feira diante de Zverev, o terceiro duelo desde março (1-1) e o oitavo no geral (4-3 para o alemão).
– Del Potro confirmou apenas no final da tarde local que vai à quadra nesta quarta-feira para enfrentar Laslo Djere.
– Clezar foi chamado por Federer para o treinamento de hoje antes da estreia em Madri.
– Tsitsipas garantiu em entrevistas que seus ídolos no tênis são Federer e… Cuevas!
– Osaka entrou para a história no domingo, ao exibir em quadra dois patrocinadores – alimentos Nissin e a aerea ANA – ao lado do logo da Nike. Nem Federer ou Tiger Woods conseguiram permissão para tanto.
– Nadal confirmou a virose e o dia ruim que passou no domingo, mas treinou bem nesta terça. O esperado duelo contra Aliassime está marcado para as 11h (de Brasília).