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Pequenas surpresas
Por José Nilton Dalcim
7 de maio de 2019 às 19:25

Novak Djokovic, Roger Federer, Fabio Fognini e Stan Wawrinka passearam sobre o saibro da Caixa Mágica em suas primeiras aparições no Masters de Madri, mas o terceiro dia de jogos na chave masculina começou a exibir pequenas surpresas.

O canhoto Guido Pella interrompeu a série de sucesso de Daniil Medvedev justamente num lugar onde o saibro é mais rápido. O argentino está em sua quarta semana de atividade seguida, um total de 12 jogos e 31 sets. A recompensa é estar cada vez mais perto do top 20. Seu adversário agora é Wawrinka. Uau.

Em busca da confiança perdida, Lucas Pouille se submeteu a disputar challenger na semana passada. Salvou match-points na estreia, fez outros dois jogos em três sets mas a meta foi alcançada. O título pareceu lhe dar o ânimo perdido e ele fez uma partida sólida para tirar Borna Coric.E nada de relaxar diante do quali polonês Hubert Hurkacz.

Outro que está devendo no saibro é o argentino Diego Schwartzman. Ganhou só um jogo em Monte Carlo. Esqueceu de se inscrever e teve de jogar quali em Barcelona, onde pegou Dominic Thiem logo na segunda rodada. Foi a Munique e caiu para Christian Garin. Por fim, começou Madri com uma vitória de peso, tirando Marco Cecchinato. Deve fazer jogo duro contra Jeremy Chardy, candidatando-se a pegar Djokovic nas oitavas.

Aliás, parece que o tênis sul-americano enfim aproveita bem a fase de saibro. Além dos argentinos, Garin já ganhou dois ATPs com um tênis de ótima variação técnica e tática, o veterano Pablo Cuevas fez final e hoje o boliviano Hugo Dellien, vindo do quali, virou em cima de Gilles Simon. Tem missão dura diante de Kei Nishikori.

Estreias fáceis
Nenhuma surpresa nas vitórias de Djokovic e Federer. Claro que havia expectativa pelas condições diferentes de Madri, mas o sérvio foi muito bem com o saque – perdeu apenas dois pontos no segundo set – e sua maestria nas devoluções tirou qualquer ilusão de Taylor Fritz.

Federer não poderia pedir adversário mais perfeito para pegar ritmo na volta ao saibro e pôde exibir seu requintado jogo agressivo, mesclado com deixadinhas desconcertantes e até saque-voleio. Aguarda Gael Monfils ou Marton Fucsovics.

Por fim, sempre no lado de cima da chave, Dominic Thiem achou dificuldade para segurar o saque pesado de Reilly Opelka e deve ter sido um alívio ver o americano abandonar por lesão. Já Marin Cilic, admitindo estar fora da forma ideal, conseguiu bela reação em cima de Jan-Lennard Struff.

Feminino nas oitavas
O complemento da segunda rodada do Premier também reservou surpresas. A número 1 Naomi Osaka viveu intensos altos e baixos, mas enfim achou seu melhor tênis no set final contra Sara Sorribes. A romena Simona Halep saiu atrás de Johanna Konta, mas assim que passou a devolver melhor a situação mudou totalmente. Osaka e Halep seguem na briga particular pela liderança.

Dois nomes importantes deram adeus. Angelique Kerber sentiu o tornozelo e nem entrou em quadra. Karolina Pliskova caiu diante da ucraniana Kateryna Kozlova, 85ª do ranking aos 25 anos mas bem adaptada ao saibro.

Curtinhas
– Ferrer estendeu por mais um dia sua carreira, com bela vitória em cima de Roberto Bautista. Será atração desta quarta-feira diante de Zverev, o terceiro duelo desde março (1-1) e o oitavo no geral (4-3 para o alemão).
– Del Potro confirmou apenas no final da tarde local que vai à quadra nesta quarta-feira para enfrentar Laslo Djere.
– Clezar foi chamado por Federer para o treinamento de hoje antes da estreia em Madri.
– Tsitsipas garantiu em entrevistas que seus ídolos no tênis são Federer e… Cuevas!
– Osaka entrou para a história no domingo, ao exibir em quadra dois patrocinadores – alimentos Nissin e a aerea ANA – ao lado do logo da Nike. Nem Federer ou Tiger Woods conseguiram permissão para tanto.
– Nadal confirmou a virose e o dia ruim que passou no domingo, mas treinou bem nesta terça. O esperado duelo contra Aliassime está marcado para as 11h (de Brasília).

Nadal sai na frente em Madri
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2019 às 11:50

* Atualizado às 18h45

Rafael Nadal decididamente tirou a sorte grande na formação da chave para o Masters 1000 de Madri, onde a partir de segunda-feira irá buscar seu primeiro título desde agosto do ano passado. Cinco vezes campeão na capital espanhola, quatro delas sobre o saibro da Caixa Mágica, ele viu Novak Djokovic, Roger Federer, Dominic Thiem e Fabio Fognini ficarem juntos do outro lado.

É para comemorar, mas não relaxar. A curiosa estreia será diante de um garoto canadense, Denis Shapovalov ou Felix Aliassime. Não são grandes jogadores sobre o saibro, mas a velocidade de Madri sempre preocupa diante de adversários que espancam a bola e não têm muito a perder.

O adversário natural seguinte seria Nikoloz Basillashvili, um jogador de resultados fracos no piso, e o primeiro teste real viria contra Kei Nishikori ou Daniil Medvedev, que poderão jogar ao melhor estilo quadra dura, ou seja com bolas bem retas, como o japonês já fez com sucesso outras vezes, como naquela final de 2014 em dominava Rafa até se contundir. Stan Wawrinka está no grupo dos dois, porém o suíço raramente se deu bem em Madri, à exceção do vice de seis anos atrás.

Rumo a uma final que ainda não fez no saibro europeu deste ano, restaria a Rafa passar por Stefanos Tsitsipas, que é o favorito de um setor que tem Alexander Zverev e Karen Khachanov, ambos em péssimo momento. O alemão, com apenas três vitórias em seis jogos no saibro até agora, tem a pressão de defender o título. Borna Coric e Roberto Bautista nunca podem ser descartados, mas eis que ali está também David Ferrer na despedida definitiva de sua torcida.

O outro lado da chave é efervescente, ainda que Djokovic na teoria tenha se saído bem melhor. Deve começar por Grigor Dimitrov, talvez depois Jeremy Chardy ou Marco Cecchinato e aí um adversário enigmático, que poderia ser Juan Martin del Potro ou Marin Cilic, mas até mesmo Nick Kyrgios ou Jan-Lennard Struff. Seja quem for, o sérvio terá amplo favoritismo se voltar a jogar um tênis de primeira linha, o que não faz desde o Australian Open.

De volta ao saibro e ao torneio após quatro anos, Federer é total incógnita, apesar de as condições de velocidade de Madri sempre casarem bem com seu estilo. A estreia pode ser diante do surpreendente espanhol Alejandro Davidodich, em grande semana no Estoril, onde acaba de vencer seus primeiros jogos de nível ATP, mas que sequer possui títulos em nível challenger. Se confirmar, o suíço desafiaria os experientes David Goffin ou Gael Monfils antes de reencontrar Thiem.

Seria legítimo dizer que o austríaco seja o favorito para ir à semi contra Djokovic. Finalista nos dois últimos anos – deixou no caminho até mesmo Nadal na última campanha -, terá no entanto de tirar Fognini nas eventuais oitavas de final, caso é claro o italiano tenha se recuperado fisicamente e esteja com vontade de jogar. Ou seja, para ganhar Madri o austríaco terá de fazer um torneio bem perto do impecável.

Como de hábito nos Masters 1000, há duelos incríveis logo na primeira rodada: Cecchinato x Schwartzman, Kyrgios x Struff, Goffin x Fucsovics, Coric x Pouille, Ferrer x Bautista, Medvedev x Pella e Aliassime x Shapovalov. Os jogos dos garotos canadenses e de Kyrgios já acontecem neste domingo.

Para matar saudades, deixo o vídeo da vitória de Federer sobre Nadal na decisão de exatos 10 anos atrás.

Chave feminina interessante
Um dos torneios mais gostosos do calendário, Madri também faz chave bem forte no feminino, com 16 das 17 melhores do ranking inscritas. Apenas Serena Williams continua evitando o saibro europeu.

Atual campeã, líder da temporada e vinda do título em Stuttgart, a canhota Petra Kvitova é a maior candidata ao título e já teve ótimo início em cima de Sofia Kenin. Pode reencontrar Kiki Bertens nas quartas e acho que daí deve sair a finalista da parte inferior.

A número Naomi Osaka não tem currículo no torneio, já que sequer passou da estreia no ano passado. Mas não existem motivos para não ir bem agora, mais experiente. O caminho é árduo, com Dominika Cibulkova, Annet Kontaveit e Karolina Pliskova pela frente e a japonesa deixa dúvidas sobre seu estado físico, o que automaticamente mexe com a confiança.

É possível então que outras fortes concorrentes tentem ocupar sua vaga na final, como Simona Halep, Elina Svitolina ou Ashleigh Barty. A australiana saca melhor do que as duas, uma vantagem considerável em Madri, mas tem uma chave bem exigente. Tirou Daria Gavrilova e deve encarar Danielle Colins antes de Svitolina. E o setor de Halep não é nada fácil, com Johanna Konta, Alison Riske, Maria Sakkari, Viktoria Kuzmova e principalmente Julia Goerges.

Curioso observar que o feminino paga um total de 7 milhões de euros, 500 mil a mais que o masculino, embora os campeões recebam igualmente 1,2 milhão. Isso se explica porque a chave feminina não tem lugares vazios, enquanto os oito cabeças do masculino saem adiantados.

Vai ser um Premier bem interessante.

Primeiros padrões do saibro
Por José Nilton Dalcim
25 de abril de 2019 às 19:44

Disputados os dois primeiros grandes torneios sobre o saibro, três jogadores repetem quartas de final em Monte Carlo e Barcelona: o rei Rafael Nadal, a surpresa Daniil Medvedev e o canhoto Guido Pella. Há também o garoto Borna Coric, porém ele só fez um jogo em Budapeste. Mas será que dá para apostar nessa moçada até Roland Garros?

Nadal obviamente não entra na discussão, ainda mais depois de evidente progresso na partida emocional diante de David Ferrer. E não seria descartado mesmo que perdesse de Jan-Lennard Struff na sexta ou para Dominic Thiem ou Pella na semi. O austríaco fez dois bons jogos em Barcelona, um saibro um pouco mais veloz que lhe agrada mais. O embalado argentino pode dar trabalho e indicará o quanto Thiem se esqueceu de Monte Carlo.

Medvedev é talvez a maior das surpresas, já que tem um estilo menos apropriado à terra. A vitória sobre Novak Djokovic mostrou no entanto que ele pode sim se mexer bem e colocar spin nos golpes sem grande prejuízo. Enfrentará Nicolas Jarry, um chileno de saque e forehand poderosos, com dois tremendos resultados na semana em cima de Alexander Zverev e Grigor Dimitrov, ambos obtidos no tiebreak do terceiro set. Aliás, Jarry é lucky-loser, tal qual Roberto Carballes, o adversário de Kei Nishikori, outra prova do quanto esta temporada de saibro está aberta.

Por outro lado, há algumas decepções de peso. Depois da apagada campanha em Indian Wells e Miami, Zverev foi para o saibro e ganhou apenas dois de cinco jogos em três torneios, ainda que tenha caído diante de especialistas como Jarry, Jaume Munar e Fabio Fognini.

Mas o próprio Sascha é um tenista respeitável sobre a terra, com dois Masters conquistados. No ano passado, ganhou de quatro top 10 entre o título de Madri e o vice de Roma, com única derrota para Nadal, além da semi em Monte Carlo. Ele claramente andou para trás. Ivan Lendl deve estar descabelando as sobrancelhas para achar um antídoto.

Embora mais consistente, o grego Stefanos Tsitsipas também deixa dúvidas. É verdade que o saibro não figura como piso predileto, ainda que ele tenha sido vice de Barcelona no ano passado. Seu retrospecto no piso está agora com 13 vitórias e 10 derrotas, bem distante das 50 em 82 sobre a quadra dura. Na grama, tem 60% de vitórias.

O grego fez um início forte de temporada, com grandes campanhas em Melbourne, Marselha e Dubai que o impulsionaram ao top 10, mas desde então virou uma festa para quem quer marcar um resultado expressivo no currículo. Casos de Felix Aliassiame e Denis Shapovalov, nos Masters americanos, e agora de Struff. Não por acaso, os três têm em comum a preferência por um estilo bem agressivo. Mas vale lembrar que Stef tirou nada menos que Roger Federer da Austrália.

Muitos poderiam ainda reclamar de Karen Khachanov, que vive um pesadelo nos últimas meses, mas o russo nunca fez nada de muito expressivo sobre o saibro. E num momento de tão pouca confiança, as derrotas de estreia sem ganhar set parecem quase naturais.

E mais:
– Ferrer fez uma boa exibição, buscando agressividade. Lutou como pôde e foi aplaudido de pé ao final do jogo. Merecido!
– Dos quatro duelos desta sexta-feira em Barcelona, três são inéditos no circuito. Thiem e Pella empatam por 2, mas o austríaco ganhou os feitos em 2018.
– Somado à campanha do quali, Jarry já ficou na quadra por 15 sets e 12h24. Medvedev gastou 3h09.
– Zverev não jogou a toalha. Vai buscar o tri em Munique na semana que vem, antes de Madri e Roma, ou seja um calendário incrivelmente longo no saibro. Já Tsitsipas será o favorito no Estoril, junto a Fognini e talvez Monfils.
– Fora do top 100 pela primeira vez desde 2014, Berdych marcou volta para Lyon às vésperas de Roland Garros. Quem decidiu pular todo o saibro foi Anderson.
– Se for campeão em Barcelona, Nadal supera Federer e Djokovic, assumindo liderança do ranking da temporada.
– Kerber tem uma grande chance em Stuttgart de enfim ganhar seu primeiro título da temporada. Bicampeã do torneio, sua adversária será a perigosa Kiki Bertens, que em pleno saibro disparou 20 aces em cima de Bencic.
– Outro destaque foi a virada de Azarenka em cima de Pliskova, a atual campeã, com total de 35 winners. Enfim de volta ao top 50, enfrenta Anett Kontaveit. Cuidado!
– Faltou sorte de novo para Bellucci. Após duas boas vitórias em Francavilla, ele torceu feio o pé ainda no sétimo game e teve de abandonar. Ainda não se sabe a gravidade da contusão. Ele está inscrito para Bordéus e Aix-en-Provence, no saibro francês.