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O poder russo
Por José Nilton Dalcim
6 de dezembro de 2021 às 11:38

Há duas formas de se ganhar uma competição por equipes no tênis: ou se tem um time muito homogêneo e versátil, com várias peças alternativas, ou se aposta num megajogador que consiga resolver tudo em simples e duplas.

A Rússia possui hoje o grupo mais forte e por isso conquistou com justiça e alguma facilidade os dois campeonatos por equipes do atual calendário, disputados em formatos aliás bem parecidos: a ATP Cup e a Copa Davis. Os mesmos Daniil Medvedev, Andrey Rublev e Aslan Karatsev que brilharam em Melbourne lá em fevereiro deram conta também da Davis. E até o capitão Shamil Tarpishchev é especial: três títulos e 100 jogos pela Davis.

O destaque de novo coube ao número 2 do mundo, ainda que Medvedev tenha a rigor enfrentado apenas um top 20 (Pablo Carreño) e outro top 30 (Jan-Lennard Struff) e saído sem perder set. A ATP não dá pontos no ranking para a Davis, mas contabiliza no currículo e assim Medvedev termina a temporada com notáveis 63 vitórias em 76 possíveis, com quatro títulos individuais, entre eles o US Open, e dois por equipe.

A Rússia aliás saiu duplamente coroada na temporada 2021 nas competições coletivas da ITF, já que em outubro levantou a primeira versão da Copa Billie Jean King, ex-Fed Cup, em Praga, superando a Suíça na final. E a nova geração faturou a Davis Júnior, promessa de que vêm mais bons nomes por aí.

É evidente que no campo promocional a competição deixou a desejar em muitos aspectos. Poucos nomes de peso, público inexistente ou fraco, pequeno destaque da mídia e até o azar de ver a Espanha ficar de fora das quartas. Por sorte, alguns duelos foram bem equilibrados, mas esta foi sem dúvida a Davis menos prestigiada e vistosa talvez de toda sua centenária história. Pena.

Mudanças para 2022
Ainda à procura de um modelo menos ruim e controverso, a ITF fará novas mudanças na fase final da Copa Davis para 2022. O número de participantes da luta pelo título cairá de 18 para 16, o que permitirá a disputa de quatro grupos de quatro países, com jogos de todos contra todos e cada grupo em uma cidade, ainda não anunciadas. Os campeões e vices avançaram para as quartas e daí em diante a disputa eliminatória acontecerá em um quinto local. Muito provavelmente, serão todos na Europa para encurtar os deslocamentos. A ideia é um torneio de 12 dias.

A ITF no entanto manteve o tenebroso critério de dar dois convites, já definidos em favor de Sérvia e Grã-Bretanha, o que indica que esses dois países sejam possíveis sedes da fase de grupos. Não dá para aceitar convidados, qualquer porte que sejam, numa competição que deveria ser seletiva. Eles se juntam ao finalistas Rússia e Croácia.

As outras 12 vagas serão definidas no qualificatório entre 4 e 5 de março, que pelo menos manteve o antigo formato de alternância de mandante, embora as partidas sejam em três sets. O Brasil foi sorteado para encarar a Alemanha em casa, o que é importante. Se Alexander Zverev não vier – ele é totalmente contrário à nova Davis -, as chances aumentam diante de Jan-Lennard Struff e Dominik Koepfer, prováveis titulares. Eles têm uma dupla de respeito, caso joguem Kevin Krawietz e Tim Puetz. Tem tudo para ser um evento de peso.

Potências como França, Espanha, Itália e Argentina também jogam o qualificatório de março. Franceses e espanhóis jogam em casa contra Equador e Romênia e são amplos favoritos, enquanto Argentina recebe os tchecos e a Itália terá de ir à Eslováquia. Os EUA jogam em casa contra a Colômbia, a Austrália sedia contra os húngaros e o melhor duelo pode ser entre Holanda e Canadá.

E mais

  • Novak Djokovic atingiu a histórica marca de 350 semanas na liderança do ranking. E somará pelo menos mais oito até o final do Australian Open.
  • O Masters 1000 de Madri foi comprado pela IMG, a empresa de marketing e eventos norte-americana que também é sócia do Rio Open.
  • A ATP Cup está confirmada em Sydney, mas terá apenas 16 participantes e pequeno aumento de premiação em relação a este ano, subindo para US$ 14 milhões, distante dos US$ 22 milhões da primeira edição. O torneio colocou 24 equipes em quadra em 2020 e reduziu para 12 nesta temporada.

O dilema da Copa Davis
Por José Nilton Dalcim
26 de novembro de 2021 às 13:24

Depois do adiamento forçado em 2020, a Copa Davis retomou seu novo e controverso formato. A chamada ‘fase final’ dura 10 dias e só termina no outro domingo. Numa tentativa de tornar os duelos de grupos mais atraente, a Federação Internacional inovou e dividiu os grupos em três sedes, permitindo que a Itália e a Áustria joguem em casa junto da Espanha. Menos mal.

O debate sobre a mudança no formato da centenária competição continua repercutindo. Richard Gasquet acredita que a Davis vai acabar se mantiver a fórmula atual por mais dois anos, enquanto Novak Djokovic surpreendeu e disse que a ideia não está totalmente errada e que não é a favor da volta do sistema antigo, mas assinalou que melhorias precisam ser estudadas, como aumentar o número de sedes e fazer rodízio constante para chegar a mais países.

A Federação Internacional apostava que aos poucos os jogadores iriam se adaptar à nova Davis, como aconteceu em outras ocasiões. No entanto, reduzir os jogos de cinco para três sets e eliminar os confrontos dentro e fora de casa (que só permanecem na fase eliminatória de acesso à final) descaracterizaram completamente a competição.

A situação precisa ser olhada de diferentes aspectos. A ITF se via muito pressionada pelo calendário até mesmo para executar os quatro finais de semana do antigo formato, já que sempre aconteciam imediatamente após um grande evento (Austrália, Wimbledon, US Open e o Finals). Com isso, o risco de perder os grandes nomes sempre foi grande e natural.

O que talvez escapou da ITF é que, ainda com nomes menos nobres nos times, a maciça maioria dos duelos do então Grupo Mundial recebia um público muito bom e tinham cobertura da TV local. Cada confronto era um evento em si, expondo a marca do patrocinador internacional em todos os cantos.

O formato inovador da Davis não é ruim e está aí a ATP Cup para provar que funciona. A competição por equipes da ATP acontece em três cidades da Austrália, com grupos e fase final em apenas uma semana, todos os jogos são em três sets. A diferença é que oferece pontos no ranking, premiação robusta e contratualmente obriga todo mundo a jogar, além de ser um excelente preparativo para o Australian Open.

O grupo de Gerard Piquet, que comprou os direitos da nova Davis, fala agora em levar a fase final para Abu Dhabi, num contrato de cinco anos, e isso gerou ainda mais críticas. Lleyton Hewitt definiu com absoluta razão: “A grande emoção de se jogar a Davis era ter toda a torcida a favor ou todo o público contra. Isso acabou”. O que obviamente vai piorar se for para um local sem qualquer tradição.

Balanço curioso da ATP
O ranking desta segunda-feira encerrou a temporada 2021 e a ATP divulgou um curioso balanço, com enfoque primordial no top 10. Valem alguns destaques:
– Nadal bateu o recorde de Connors e fechou no top 10 pela 17ª temporada seguida. É também o mais velho, aos 35 anos e meio.
– Medvedev foi primeiro de fora do Big 4 a terminar no segundo lugar desde Andy Roddick em 2004.
– Sinner é o mais jovem top 10 desde Del Potro em 2008, então com 20 anos; Itália fecha com dois no top 10 pela primeira vez na história do ranking.
– A presença de oito jogadores com no máximo 25 anos no top 10 repete 1995. A média de 25,6 é a menor desde 2009.
– Djokovic se mantém como mais velho a terminar na ponta, agora aos 34 anos e meio.
– Zverev é primeiro alemão entre os três primeiros desde Becker, em 1994.
– País com mais top 100 foram os EUA, com 12, maior número de 1996. Os norte-americanos também lideram no top 50, com seis, ao lado da Espanha.
– 31 jogadores acima dos 30 anos aparecem no top 100. Federer chegou a 21 temporadas seguidas no top 20.
– Pela segunda vez seguida, há 14 tenistas com até 25 anos entre os top 30. Alcaraz foi quem deu maior salto entre os top 50 (109 posições). Entre os top 100, Juan Manuel Cerundolo evoluiu 252 postos e Brooksky, 251.

Mais uma façanha de Zverev
Por José Nilton Dalcim
21 de novembro de 2021 às 20:22

É evidente que ainda falta um troféu de Grand Slam para Alexander Zverev entrar num outro patamar do tênis, porém o alemão encerrou com sucesso uma temporada de muito peso e de grande pressão extra-quadra. Além do emocionante título olímpico, venceu outros cinco torneios, que incluíram diferentes Masters. Acima de tudo ele claramente amadureceu.

Deixou de ser o garoto reclamão e passou a encarar seus desafios, mostrou evolução técnica em vários campos e fez um trabalho físico que lhe deu maior resistência e agilidade, o que influíram na sua capacidade defensiva. Sascha está longe de ser um grande voleador, mas não tem mais medo de tentar a rede e adotou um segundo saque forçado que causa espanto. Foi com esse golpe tão arriscado, por exemplo, que ganhou um ponto importantíssimo no tiebreak diante de Novak Djokovic e fechou o jogo diante de Daniil Medvedev.

Sem dúvida, é muito mais jogador do que em 2018, porém seus dois títulos no ATP Finals tem um gabarito particularmente grande. No primeiro, venceu Roger Federer numa duríssima semifinal e dominou Djokovic no dia seguinte. Desta vez, derrotou os dois líderes do ranking em exibições de alta qualidade e firmeza, um feito bem raro num Finals e que não acontecia desde 1990. Automaticamente, encerrou a temporada com maior número de títulos (6) e vitórias (58).

Talvez o melhor parâmetro da atual capacidade física, emocional e técnica de Zverev sejam seus cinco confrontos diante de Djokovic, todos na quadra dura. Ninguém duvida que o sérvio jogou uma temporada magnífica e ainda assim sofreu duas derrotas em eventos imponentes, em Tóquio e no Finals; venceu no US Open e no Australian Open em autênticas batalhas e suou até mesmo na ATP Cup. Claro que estamos falando em pisos velozes, no entanto vale recordar que em 2018 o alemão só tirou 15 games em três jogos e demorou sete confrontos e quatro temporadas para enfim ganhar um set, justamente na ATP Cup de fevereiro.

A opção tática para tentar encerrar o incômodo jejum de cinco derrotas para Medvedev foi bem interessante. Cinco dias atrás, a vitória escapou por pouco na mesmíssima quadra de Turim, já que chegou a ter 4-2 e saque no tiebreak do terceiro set.

Desta vez, ele foi muito mais proativo, tentou encurtar os pontos e fugir dos ralis, utilizando voleios, swing-volleys e qualquer bola na subida que aparecesse. A mudança de ritmo pareceu incomodar o russo, que não sacou bem como de costume e isso criou uma pressão adicional. Ainda assim, foi um jogo de apenas duas quebras em favor de Zverev. Vejam que estatística valiosa: mesmo adotando um estilo de maior risco, não encarou um único break-point e cometeu apenas 13 erros.

Ao que tudo indica, Zverev está pronto para dar esse passo a mais e tentar com real chance um título de Grand Slam. Ele já evoluiu. Fez sua primeira semifinal no Australian Open de 2020, decidiu o US Open há um ano e nesta temporada foi à penúltima rodada até de Roland Garros. Wimbledon é o mais fraco, com duas oitavas, porém a grama não pode ser uma superfície a lhe dar problemas.

Tomara que assim seja, porque o circuito só vai ganhar em emoção se novos e fortes candidatos às façanhas e à ponta do ranking se firmarem.

Desafio do Finals
Joelson de Araújo Diniz Mota foi extremamente bem no palpite sobre o placar e o tempo da partida: cravou o placar e quase acertou os 80 minutos (foram na verdade 74). Assim, ele leva a biografia de Novak Djokovic, grande sucesso da Editora Évora.