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Musetti sobe a rampa
Por José Nilton Dalcim
24 de julho de 2022 às 22:11

Enfim, Lorenzo Musetti fez jus a seu imenso talento e ganhou um título. E não foi um troféu qualquer, mas sim um ATP 500 e em cima da sensação espanhola Carlos Alcaraz. O saibro de Hamburgo viu a mais jovem final do circuito em exatos 17 anos e há muita chance que este primeiro duelo como profissionais se repita algumas vezes ao longo das próximas temporadas.

Detalhes importantes podem marcar a arrancada definitiva de Musetti. Sua campanha difícil incluiu evitar dois match-points na estreia diante do sérvio Dusan Lajovic, um dia depois de chegar ao torneio com mala extraviada e uma noite mal dormida com crises de vômito. Depois, fez atuações empolgantes diante do espanhol Alejandro Fokina e do argentino Francisco Cerundolo, o que lhe garantia enfim a primeira final da carreira após quatro semis.

Superar Alcaraz exigiu um tênis de alta qualidade, em que soube explorar muito bem seu forehand cheio de spin em cima do lado esquerdo do espanhol. Mostrou ainda muita perna para chegar em bolas difíceis tanto laterais como para a frente, além de ótima mão para curtas, contradeixadas e voleios. Mas mão todo mundo sabe que ‘Lolo’, como é conhecido em seu país, sempre teve de sobra.

O que realmente chamou a atenção foi a parte mental do costumeiramente emotivo italiano. “Tentei não mostrar ao adversário a decepção que estava passando por perder os match-points e ao mesmo tempo procurava me perdoar”, contou Musetti, para explicar a batalha interna que viveu desde que abriu 40-15 com saque a favor no 5/4 no segundo set e pouco depois um incrível 6-3 no tiebreak, mais dois serviços à disposição. Ele se manteve firme no terceiro set e foi sempre aquele que teve mais chances até enfim obter a quebra fatal.

A explicação talvez se encontre no que aconteceu em Roland Garros do ano passado, quando abriu 2 sets a 0 em cima de Novak Djokovic, perdeu-se em quadra e acabou sendo muito criticado por abandonar o quinto set. Musetti ficou abalado com a virada que levou até que por fim optou por ajuda psicológica após os Jogos de Tóquio. “Me sentia mal em quadra e não queria jogar”, contou à época.

Com tenros 20 anos e dono de habilidade um tanto semelhante à do próprio Alcaraz, capazes de alternar força e jeito em lances consecutivos, Musetti pode dar dado o passo essencial rumo à maturidade. Nesta segunda-feira, será 31º do ranking, 20 posições acima de seu recorde pessoal, e portanto candidato a ser cabeça de chave no US Open.

O italiano se torna também o 10ª campeão inédito da temporada masculina, porém só ele e Felix Aliassime venceram torneios acima do nível 250. Os outros foram Kokkinakis, Bublik, Martinez, Rune, Baez, Rijthoven, Cerundolo e Cressy. Todos, observem, com no máximo 25 anos.

Alcaraz por sua vez perde sua primeira final após cinco títulos seguidos, mas poderá comemorar o top 5, deixando Casper Ruud, bicampeão em Gstaad, para trás. É válido observar que esta foi sua terceira derrota seguida para membros da ‘nova geração’, depois de ser batido por Alexander Zverev em Paris e por Jannik Sinner em Wimbledon.

E mais

  • Ernests Gulbis e Martin Klizan são os únicos que venceram as seis primeiras finais de ATP que disputaram. Ambos perderam na sétima.
  • Musetti marcou sua terceira vitória sobre um top 10 em nove tentativas, Schwartzman e Aliassime foram os outros.
  • Alcaraz está agora com 39 vitórias e 6 derrotas na sua ótima temporada. Ele ganhou ao menos um set em todos seus jogos.
  • Houve críticas ao italiano pelo lance em que a bola quicou duas vezes na deixadinha de Alcaraz e que a juíza francesa Aurélie Tourte não viu. Musetti realmente falhou ao não dar o ponto ao adversário. Ele também não escapou de indignação por ter sacado por baixo no primeiro match-point contra Cerundolo.
  • É muito bom ficar de olho no ranking da temporada a partir de agora. Alcaraz está a 1.500 pontos de Nadal, ainda vai tentar 250 em Umag e assim está vivíssimo na luta pelo número 1 ao final deste calendário. Atrás dele, aparece Tsitsipas, com 3.965.
  • Thiago Monteiro alcançará o 67º posto no ranking mesmo sem grande campanha nesta semana e chegará à mais alta classificação.
  • Danielzinho Silva jogará seu segundo ATP após 13 anos com desistências de Ruud e Matteo Berrettini, que eram cabeças 1 e 2 em Kitzbuhel. Parabéns ao canhoto de 34 anos não apenas pela vaga, mas principalmente pela coragem de arriscar o quali.