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Título de Zverev esquenta US Open
Por José Nilton Dalcim
22 de agosto de 2021 às 21:42

Novak Djokovic não terá concorrência dos outros Big 3 naquele que seria o primeiro duelo de desempate dos 20 Grand Slam, mas a ausência de Rafael Nadal e de Roger Federer poderá ser compensada por três animados postulantes ao primeiro troféu de peso da carreira.

Daniil Medvedev, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev já tiveram sua chance de ganhar o Slam inédito. Dois foram impedidos pelo próprio sérvio e dois já estiveram a um set de faturar o próprio US Open. A questão é saber o quanto as experiências acumuladas serão suficientes para isso.

Zverev de repente deu um passo à frente de Medvedev e Tsitsipas. Primeiro pelo título olímpico em cima de Djoko, depois por uma campanha exigente em termos físicos e técnicos em Cincinnati, onde obteve uma reação notável diante do grego e em jogo de grande qualidade.

Depois atropelou Andrey Rublev numa exibição de encher os olhos e aí se faz necessário destacar pontos em que seu tênis evoluiu. Na parte técnica, ficou bem mais seguro na rede, tem devolvido com bolas profundas e o trabalho de pernas permite contra-atacar bem com o forehand. Também passou a se mexer melhor para a frente e o saque tem sido uma arma muito bem utilizada.

Todo mundo se lembra que Zverev esteve a um game de serviço para ganhar de Dominic Thiem no US Open do ano passado e ele admite que isso o incomodou por algum tempo. Não viveu um primeiro grande semestre em 2021, mas voltou a ser consistente nos Slam, com quartas na Austrália e semi em Roland Garros. Não brilhou em Wimbledon, e o ouro em Tóquio foi um tanto inesperado porém igualmente motivador.

Zverev também acaba de derrotar Tsitsipas pela terceira vez no geral e a segunda na temporada, e a vitória de sábado foi um grande esforço emocional e físico. Ele e o grego serão cabeças 3 e 4 no US Open, certamente cada um torcendo para ficar no lado inferior da chave.

Lá estará Medvedev, já com duas finais de Slam no currículo e um jogador a ser muito temido na quadra dura. Campeão em Toronto, não repetiu a mesma firmeza em Cincinnati, mas mostrou resistência ao sufocante clima dessas duas semanas. A expectativa é de temperaturas mais amenas, ao menos na primeira semana de Nova York, e isso pode ser valioso na economia de energia.

Tsitsipas talvez seja o mais frágil desse trio. A competência técnica é inegável e seu preparo físico, assombroso. Mas ainda tem altos e baixos emocionais importantes nesse nível, como ficou claro no terceiro set de ontem diante de Zverev, quando abriu 4/1 e ainda duvidou. Fez uma excepcional passagem no saibro meses atrás, com o primeiro título de Masters e a primeira final de Slam.

O tênis é acima de tudo um acúmulo de experiências, boas e ruins. Quem souber administrá-las, tem muito mais chance.

Barty em grande forma
A decepção olímpica foi muito bem absorvida e Ashleigh Barty voltou ao circuito normal da WTA com o mesmo volume de jogo que a levou ao título de Wimbledon 45 dias atrás. Não perdeu um único set na conquista de Cincinnati, com vitórias de peso em cima de Vika Azarenka, Barbora Krejcikova e Angelique Kerber.

Claro que se esperava uma final diante de uma top, quem sabe Naomi Osaka, porém a canhota Jil Teichmann aproveitou a oportunidade para se tornar a nova surpresa da temporada feminina. Fez uma sequência incrível. Depois de Osaka, superou Belinda Bencic e Karolina Pliskova, sempre com muito apuro tático.

A excepcional variação técnica de Barty, que usou seus amplos recursos, não lhe deu muita chance na final deste domingo. A número 1 sacou muito bem a semana toda, esperou sempre a hora certa de atacar, fez voleios perfeitos e usou o slice para alterar ritmo. E para completar, movimentou-se com desenvoltura ímpar, sinal de que o susto do quadril ficou para trás.

Barty entra como favorita clara para o US Open. Resta saber quem será a ‘zebra’ da vez.

Stefani: dá para acreditar
Desta vez, não veio o título, nem a virada. Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski tiveram algumas falhas decisivas na final de Cincinnati, mas quem fez diferença mesmo foi a chinesa Shuai Zhang, num dia inspiradíssimo ao lado da experiente Samantha Stosur.

A terceira semana tão positiva só deixa bons fluídos para o US Open. A dupla da brasileira não será certamente a favorita, mas está muito bem cotada para ir longe em Flushing Meadows e, conforme aproveitar suas chances, as duas têm motivos de sobra para sonhar com o título. E nós também!

Ficha corrida de Nadal assusta
Por José Nilton Dalcim
21 de agosto de 2021 às 00:16

O terceiro grande nome do tênis masculino anunciou nesta sexta-feira o que já se esperava: tal qual Roger Federer e Dominic Thiem, Rafael Nadal antecipou o fim da temporada. O motivo foi a persistente contusão no pé esquerdo, que o afetou pela primeira vez em 2004, antes mesmo que conquistasse seu primeiro troféu de ATP em Sopot. Em suas palavras, Rafa tentará um “tratamento diferente”, o que pode indicar um procedimento cirúrgico. Ele jamais admitiu ter feito uma operação, ainda que haja poucas dúvidas de que precisou disso na longa parada de 2012 para 2013.

Com a ajuda da mídia espanhola e de alguns bons currículos, tracei abaixo uma ‘ficha corrida’ de seus extensos problemas físicos ao longo da carreira. Vejamos um resumo:

2003: Não pôde jogar em Roland Garros devido a fissura no cotovelo direito após cair num treino. Voltou em Wimbledon.
2004: Ficou afastado de toda a temporada de saibro ao sofrer fratura por estresse no pé esquerdo, apontada em Estoril. Ficou fora também de Wimbledon.
2005: Tendinite em Madri e inflamação outra vez no pé esquerdo o tirou de Paris e do Finals. No total, foram quatro meses afastado, perdendo o Australian Open.
2006: Único problema foi dor no ombro durante a fase de grama, mas sem comprometer participação em Wimbledon.
2007: Abandonou Cincinnati com dor no braço esquerdo, porém competiu no US Open.
2008: Em Paris, tendinite no joelho direito o fez desistir de novo do Finals.
2009: Após a primeira derrota em Roland Garros, não foi a Queen´s e a Wimbledon novamente com tendinite nos joelhos, ficando afastado dois meses.
2010: O joelho direito também interrompeu sua campanha no Australian Open, desistindo nas quartas.
2011: Inflamação nos tendões fibulares foi um problema, mas não chegou a comprometer seu calendário.
2012: Sofre então a lesão mais grave durante Wimbledon: ruptura do tendão patelar no joelho esquerdo. Por isso, perde as Olimpíadas de Londres e todos os demais torneios da temporada, incluindo o Australian Open de 2013. Foram sete meses fora.
2014: Nadal se afasta logo depois da derrota em Wimbledon com problema no punho direito e fica três meses em tratamento. Retorna na Ásia, mas não consegue jogar Bercy e o Finals devido a apendicite.
2016: Nadal surpreendente e desiste de jogar a terceira rodada de Roland Garros devido novamente a lesão no punho. Consegue volta a tempo de disputar Jogos do Rio, mas a contusão volta em outubro.
2017: Faz sua melhor temporada em dois anos, mas sente o joelho direito e abandona Paris e o Finals no meio.
2018: Desiste nas quartas do Australian Open devido ao ilíaco e se afasta por dois meses. Na semi do US Open, a tendinite do joelho direito reaparece. Também ficou de fora de Bercy e do Finals, mas agora devido a ruptura no abdômen.
2019: Desistiu no meio de Indian Wells com dor no joelho direito. Depois do título no US Open, voltou a sentir o punho esquerdo, mas conseguiu  se recuperar para ganhar a Davis e terminar como número 1. Antes disso, sentiu o abdômen em Paris.
2021: Saiu de Melbourne com problema nas costas, o que o fez saltar o calendário até o saibro. Após queda em Roland Garros, afastou-se com o velho problema no pé esquerdo. Voltou em Washington, porém só fez dois jogos.

Rafa deixará de defender 2.760 pontos e seu total deverá cair para 5.055, o que é mais do suficiente para mantê-lo na faixa dos 10 primeiros do ranking até janeiro.

Favoritos firmes em Cincinnati
Todos os quatro principais cabeças de chave estão nas semifinais masculinas de Cincinnati, algo que não acontecia no mais importante preparatório do US Open desde 2009. A melhor atuação da sexta-feira foi de longe de Daniil Medvedev, que atropelou Pablo Carreño e reencontrará o amigo e ‘freguês’ Andrey Rublev, sobre quem tem 5 a 0 em jogos oficiais e nenhum set perdido. Rublev teve trabalho com Benoit Paire, num jogo divertido.

Alexander Zverev também teve placar fácil contra Casper Ruud, mas chegou a estar em desvantagem de 1/3 no segundo set, embalando depois cinco games seguidos. O alemão está muito confiante e isso facilita segurar a cabeça na hora do aperto. Fará o nono duelo contra Stefanos Tsitsipas e o grego tem histórico de 6 a 2, embora Sascha tenha interrompido série de cinco derrotas em Acapulco antes de voltar a perder em Roland Garros em cinco bons sets.

Tsitsipas fez o jogo mais interessante do dia. Dominou o primeiro set contra Felix Aliassime com enorme autoridade, mas o canadense sacou melhor depois, o que aliás o salvou de dois match-points no 10º game. Aí inesperadamente.o cabeça 2 sentiu, fez dois games instáveis e foi precisou do terceiro set. Recuperou a soberania mesmo com apenas 55% de primeiro saque em quadra.

Luísa e Gabi jogam muito
O momento de Luísa Stefani é espetacular. Com entrosamento cada vez melhor ao lado de Gabriela Dabrowski, aliado a jogo de rede apuradíssimo e saque eficiente, atinge a terceira final seguida nos preparatórios para o US Open, sobe mais dois degraus no ranking e tenta faturar o segundo WTA 1000 em 14 dias. A nova vitória foi gigante, em cima de Krejcikova/Siniakova, campeãs de Roland Garros e dos Jogos de Tóquio. Vale lembrar que na véspera bateram as números 2 da temporada, Aoyama/Shibahara.

As adversárias são Samantha Stosur e Shuai Zhang, que atuam pouco juntas, mas o currículo da australiana é notável: ex-número 1 da especialidade, ganhou três dos quatro Slam e no outro fez três finais, somando 26 títulos de duplas. Muito respeitável.

Já em simples, os quatro jogos foram um tanto sem graça. Totalmente recuperada na parte física, Ashleigh Barty sobrou em quadra e atropelou Krejcikova. Volta a enfrentar Angelique Kerber, repetindo a semi de Wimbledon, depois que a alemã viu Petra Kvitova abandonar. Outra surpresa notável aprontou a também canhota Jil Teichman. Responsável pela saída de Naomi Osaka, fez o que quis em cima da compatriota e campeã olímpica Belinda Bencic.

Jil tem um estilo interessante, em que consegue enrolar bem o topspin ou então disparar bolas definitivas. Sempre divertido ver jogadoras com armas diferentes. Ela encara Karolina Pliskova, que também não completou sua partida, já que Paula Badosa sentiu desconforto na mão.

O que dizem os números de 2021
Por José Nilton Dalcim
19 de agosto de 2021 às 00:16

Obviamente Novak Djokovic é a figura central na temporada 2021, tendo vencido três Grand Slam em pisos distintos, mas vale observar outros tenistas que têm obtido números expressivos desde janeiro, casos de Stefanos Tsitsipas, o que mais venceu, e de Matteo Berrettini, o terceiro mais eficiente, muito perto de Rafael Nadal. Isso é o que mostram as estatísticas da ATP deste ano.

Entre os jogadores que não estão no top 10, o destaque é o norueguês Casper Ruud. Ele surge como o quinto no aproveitamento de vitórias na temporada (78,7%), lidera junto a Djokovic como os que mais levantaram troféus de campeão (quatro) e ainda divide o terceiro lugar no número total de vitórias (37). Claro que ele construiu tal performance sobre o saibro – chegou em quatro finais de nível 250 e ganhou todas -, mas ele possui antes de Cincinnati 70% de sucesso na quadra dura (7 vitórias em 10), um desempenho bem razoável.

Por falar em piso sintético, vejam que interessante. Djoko é o líder em eficiência, com 86,7% (13 triunfos em 15 jogos), mas o russo Daniil Medvedev está muito perto e já jogou quase o dobro de vezes (86,2%, com 25 em 29). O Urso aparece bem em várias estatísticas e chamo a atenção para a do ‘set decisivo’, ou seja, quando chegou ao terceiro ou quinto sets. Ele é o primeiro, tendo vencido 10 de 12, com 83,3% de sucesso.

Vejam os dados que considero mais curiosos, isso tudo antes de Cincinnati:
Percentual de vitórias: Djoko (88,4%), Nadal (82,8%), Berrettini (82,1%), Medvedev (80,4%) e Ruud (78,7%)
Títulos: Djoko e Ruud tem 4, Medvedev e Zverev somam 3.
Vitórias: Tsitsipas (45), Djoko (38), Medvedev, Ruud, Rublev e Norrie (37)
Vitórias contra top 10: Djoko tem 8 em 10, Medvedev 5 em 7, Karatsev 5 em 9, Zverev 5 em 10, Tsitsipsa 5 em 11
Vitória depois de vencer primeiro set: Rublev está com 97,1% (33-1), Ruud atinge 97% (32-1), Djoko e Medvedev têm 96,8% (30-1).
Títulos e finals: Ruud 4-0, Djoko 4-1, Zverev 3-0 e Medvedev 3-1. Obviamente, em termos qualitativos Djoko está muito à frente.
Vitórias na quadra dura: Djoko tem 86.7% (13-2), Medvedev chega a 86,2% (25-4) e Berrettini, 80% (8-2).
Tiebreaks: Entre os que jogaram ao menos 10, Millman tem 11-1. Entre os que jogaram mais de 15, Isner está com 18-6.
Set decisivo: Medvedev ganhou 10 de 12 (83,3%)

Oitavas em Cincinnati
Quatro ‘trintões’ e ex-top 10 estão indo muito bem no piso veloz de Cincinnati: Grigor Dimitrov tirou Roberto Bautista e Alexander Bublik sem perder set e será o adversário do favorito Medvedev, campeão do torneio em 2019. Já Gael Monfils parece ter reencontrado a vontade de vencer e passou muito bem por Dusan Lajovic e Alex de Minaur, desafiando agora Andrey Rublev.

Na mesma toada, John Isner tirou tudo do saque e voleios espertos e eliminou Cameron Norrie e Jannik Sinner, fazendo agora curioso duelo com Benoit Paire, que eliminou o garoto Denis  Shapovalov. E nesse lado superior ainda está Pablo Carreño. O medalhista de bronze tenta quartas diante de Hubert Hurkacz, num duelo bem interessante.

Nomes da nova e novíssima gerações povoam o lado interior. Em sua primeira aparição após o ouro olímpico, Alexander Zverev teve altos e baixos num duelo de saques contra Lloyd Harris, encara Guido Pella e deve lutar por semi contra Ruud e Diego Schwartzman. Esses dois vêm de vitórias empolgantes. O norueguês virou contra Reilly Opelka com direito a ‘pneu’ e Peque passou por Daniel Evans e Frances Tiafoe.

Tsitsipas teve o esperado trabalho contra Sebastian Korda, pega Lorenzo Sonego e pode definir vaga na semi diante de Berrettini ou Felix Aliassime. O canadense achou seu melhor tênis contra Marton Fucsovics e Karen Khachanov, enquanto o italiano sentiu falta de ritmo, já que não jogava desde a final de Wimbledon.

A chave feminina está, como de hábito, bem aberta. As oitavas já verão Ashleigh Barty x Vika Azarenka e quem passar pega Garbiñe Muguruza ou Barbora Strycova. A sensação nestas duas rodadas foi a veterana Angelique Kerber, que atropelou Maria Sakkari e foi muito bem diante de Elina Svitolina. Mas nada está definido, já que pega a imprevisível Jelena Ostapenko e a vencedora ainda terá Petra Kvitova ou Ons Jabeur, outro jogo imperdível.

Naomi Osaka está de volta a seu piso predileto e não teve vida fácil na estreia contra Coco Gauff. Espera-se que cruze com Belinda Bencic nas quartas. O setor perdeu Simona Halep, que enfim retornou ao circuito mas já está contundida de novo. Aryna Sabalenka errou muito na reta final da partida diante da guerreira Paula Badosa e a única cabeça de chave no quadrante é agora Karolina Pliskova. Só que ela vai reencontrar pela quarta vez na temporada Jessica Pegula, tendo perdido todas para a norte-americana.

E quem já está nas quartas é Luisa Stefani, com sétima vitória seguida ao lado da canadense Gabriela Dabrowski e em busca da terceira semi consecutiva. Obtiveram excelente vitória sobre Azarenka e Pegula e enfrentam agora as perigosas japonesas Aoyama e Shibahara, a terceira melhor parceria da temporada.