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Wimbledon continua modernização
Por José Nilton Dalcim
1 de maio de 2019 às 19:24

O mais tradicional torneio de tênis de todos os tempos continua a exigir roupa predominantemente branca dos participantes, não tem partidas no domingo que divide suas duas semanas e ainda vende a maciça maioria dos seus ingressos por sorteio.

Mas Wimbledon também se renova continuamente. A edição de 2019 terá uma série de inovações e, para o próximo ano, o All England Club, proprietário e organizador, anunciou nesta quarta-feira que irá abolir o sistema de sorteio por correio e aceitará os desejos de compra unicamente online.

Não é só. O teto retrátil da Quadra 1 será inaugurado e o novo arranjo das disposições do Club permitirá agora o ingresso diário de 42 mil pessoas, 3 mil a mais, o que deve elevar o total de público final em cerca de 25 mil. Com isso, a expectativa é que finalmente o torneio supere a cada dos 500 mil pagantes.

O Club também anunciou que mais quatro quadras terão o sistema de revisão eletrônico – ainda atrás do Australian Open, que tem o recurso em todas -, mas que o cronômetro de 25 segundos entre os pontos só será adotado em 2020.

Premiação
O total pago aos jogadores subirá 11,8% e atingirá o recorde de 34 milhões de libras. Mais uma vez, foi dada prioridade às primeiras rodadas. Os derrotados de estreia ganharão 15,4% a mais do que no ano passado (45 mil libras). Segundo o Club, desde 2011, o valor quadruplicou.

Também houve atenção às duplas (aumento de 20% e valor de 540 mil libras) e aos cadeirantes (entre 15% e 28%), além de igualar a premiação do quali feminino à do masculino.

Os campeões de simples ganharão 4,4% a mais do que 2018, totalizando 2,35 milhões de libras, ou seja, US$ 3,07 milhões na cotação de hoje. Ou seja, ficará ainda bem atrás dos US$ 3,8 mi que o US Open pagou já na última edição.

Ingressos
O sorteio dos ingressos, criado pelo excesso de procura de interessados, é um sistema que acontece há 95 anos e permanece único no universo do tênis.

Até 2019, os pretendentes tinham de usar formulário de papel e enviá-los pelo correio, incluindo um outro envelope selado para o eventual retorno, e torcer então para serem sorteados e garantir a entrada no complexo, principalmente a tão sonhada Quadra Central.

O sorteio no entanto não permite que se escolha data, nem quadra. O prazo vai de julho a dezembro do ano anterior.

A famosa fila diária na entrada do Club, em que um lote de 500 ingressos para cada estádio importante é vendido por ordem de chegada, continua inalterada. É preciso madrugar, mas o chamado ‘Queue’ não acontece nos quatro dias finais..

E mais
– O horário de início dos jogos nas quadras secundárias – ou seja, fora da Central,1, 2 e 3 – será recuado para as 10h30 locais.
– O evento teste do teto da Quadra 1 será uma exibição de tênis e de música no dia 19 de maio, a ser transmitida ao vivo pela BBC
– Os organizadores anunciaram que as garrafas de água serão feitas com 100% de material reciclado e reciclável, quase tudo vindo dos restos plásticos do setor de encordoamento.
– O prazo para Andy Murray requisitar convite é 18 de junho, mas o Club diz que poderá aumentar o prazo para o bicampeão.
– Conforme anunciado, será adotado o tiebreak no quinto set quando o empate de games atingir 12 a 12.

No saibro
Depois de uma grande atuação diante de Jan-Lennard Struff, o canhoto Thiago Monteiro encarou bem o 35º do mundo Marton Fucsovics, ganhou o primeiro set antes de levar a virada. O bom foi ver o cearense recuperar o padrão mais agressivo de seu jogo. Com a disputa dos dois Masters consecutivos, terá de voltar aos challengers antes do quali de Paris.

Já no Estoril, decepção com a desistência de Fabio Fognini. Ele sequer foi à quadra e diz estar preocupado mais com Madri. Sorte de Pablo Cuevas, que entrou de lucky-loser e vai enfrentar outro lucky-loser, Filippo Baldi.

Quem está embalado é o garoto chileno Christian Garin. Superou com folga Diego Schwartzman, está nas quartas de Munique e às portas do top 40.

Nadal sai devendo outra vez
Por José Nilton Dalcim
24 de abril de 2019 às 19:05

Como bem disse na entrevista oficial, o importante é vencer. Mas Rafa Nadal novamente deixou impressão ruim neste início de atividade sobre o saibro. Leonardo Mayer, que faz uma temporada fraca, conseguiu interromper a série de 30 sets que o canhoto espanhol levava em Barcelona, ainda que jamais tenha sido ameaça real no segundo e terceiro sets.

Nadal me pareceu claramente pressionado a jogar bem, depois da decepção em Monte Carlo, porém fez um primeiro set apático, limitado a trocar bolas, várias vezes sem profundidade. O vento forte e o estilo de Mayer também não o ajudaram a pegar ritmo, sem falar no rendimento baixo de primeiro serviço, um tormento que carrega desde a semana passada.

Ainda assim, dada à cristalina diferença de qualidade entre os dois, Rafa deveria ter vencido o primeiro set. Enrolou-se, perdeu dois set-points e o tiebreak. Apenas cinco winners em 13 games, depois seis num set de outros 10 games. Fechou o jogo com 36 erros, sendo 16 de forehand, vendo Mayer errar voleios primários.

O próximo duelo tem um lado emocional, já que será diante do amigo David Ferrer, cujo estilo de muitas trocas sempre casou bem. Naquele que pode ser o penúltimo torneio de sua carreira, Ferrer arrasou seus dois primeiros adversários em Barcelona, cedendo apenas sete games. Encarar Nadal, mesmo nesse momento delicado do compatriota, é um desafio: o placar negativo de 19-2 no saibro e 5-0 em Barcelona pesam.

Ferrer havia anunciado originalmente a aposentadoria para esta semana, mas recebeu convite para Madri e não está totalmente descartada a possibilidade de também ser chamado para Roland Garros, o que afinal seria uma despedida bem mais justa.

E mais
– Três nomes fortes da geração em quadra nesta quinta-feira: Aliassiame busca sua maior vitória em cima de Nishikori, Munar conta com a torcida diante de Thiem e Tsitsipas, finalista do ano passado, é favorito diante de Struff.
– McDonald é primeiro norte-americano nas oitavas de Barcelona em exatos 20 anos (Martin e Spadea, em 1999).
– Fognini desistiu de jogar horas antes da estreia, alegando dores na coxa. Mas diz que estará no Estoril na próxima semana.
– Pouille perdeu todos os seis jogos que fez depois da semi em Melbourne. A atuação contra Ferrer foi desastrosa.
– Pella é o tenista que mais venceu no saibro em 2019: agora 16, seguido por Garin, com 14.
– O Chile de Garin e Jarry não colocava dois representantes nas oitavas de um ATP desde Gonzalez e Massu em Houston-2010.
– Pela sexta vez em sete duelos, Dimitrov e Verdasco decidiram o jogo no terceiro set (4 a 2 para o búlgaro). A outra partida entre eles também foi em três sets, mas em Roland Garros.
– Nadal tem agora 59 vitórias e 3 derrotas e Barcelona pode se tornar o quarto torneio em que ele atinge 60. São 86 em Paris, 71 em Monte Carlo e 61 em Melbourne.
– Se conseguir a vingança contra Hsieh e avançar às quartas de Stuttgart, Osaka já garantirá sua permanência na ponta do ranking, já que Halep desistiu de competir devido a uma contusão no quadril durante a Fed Cup.

Todos os olhos em Martina Hingis
Por José Nilton Dalcim
29 de julho de 2013 às 19:22

Pela terceira vez, Martina Hingis vai começar sua carreira no tênis. Já é algo assombroso em si próprio, mas vale lembrar que ela ainda tem 32 anos, um a mais que a líder do ranking Serena Williams, e que em suas duas longas paradas, em 2002 e em 2007, foram consumidas nada menos do que oito temporadas e meias.

Hingis tem uma história peculiar de vida e como atleta. Nasceu na Eslováquia, radicou-se na Suíça aos sete anos e mudou de nacionalidade, mas em 2006 resolveu pedir cidadania… tcheca! Aliás, ela e a não menos folclórica mãe Melanie, que também tentou a carreira profissional, sempre conversaram entre si em tcheco. Teve namorados famosos, como o golfista Sergio García e o jogador de futebol Sol Campbell, além dos tenistas Radek Stepanek, Magnus Norman, Ivo Heuberger e Julian Alonso. Por fim, se casou em março de 2010 com Thibault Hutin, de que se divorciou no ano passado, acusada de certa leviandade.

Tudo foi precoce para Martina, assim chamada em homenagem a Navratilova. Ganhou seu primeiro Grand Slam aos 16 anos e fez nove finais desse nível ainda adolescente, período em que também chegou à liderança do ranking. Ficou lá num total de 209 semanas, num dos mais longos reinados da história.

O primeiro adeus foi um tanto inesperado e teria sido provocado por dores no pé. Ela já tinha títulos na Austrália, Wimbledon e US Open, além de final em Paris. Tentou voltar em 2005, após várias cirurgias, mas percebeu que não estava pronta. Veio com tudo na temporada seguinte e logo de cara foi às quartas em Melbourne, onde ganhou seu primeiro título de duplas mistas. Conseguiu sucesso, recuperou o sexto lugar do ranking, até que veio a bombástica entrevista em novembro de 2007, em que anunciou ter sido acusada de doping por uso de cocaína e que preferia então se aposentar de vez.

O caso gerou mais uma controvérsia e assunto mal explicado para Hingis. A própria Federação Internacional admitiu tempos depois que a quantidade de cocaina encontrada era de 42 nanogramas, menos do que a metade das 150 que é a dosagem mínima considerada, por exemplo, nos EUA. Ou seja, sugeria que teria havia muito mais uma contaminação do que uma ingestão intencional.

E então Hingis se foi de novo. Jogou exibições, passou a disputar o World Team Tennis americano em 2012, entrou para o Hall da Fama e por fim anunciou na semana passada a volta na chave de duplas em cinco torneios, com a intenção de disputar até mesmo o US Open, tudo ao lado de Daniela Hantuchova. Importante lembrar que Hingis sempre foi excelente duplista, tendo também liderado o ranking da especialidade e conquistado todos os quatro Slam em 1998.

“Nem sei o que dizer, espero que me saia bem”, afirmou a suíça ao Washington Post. “Tenho pensado nisso nos últimos cinco anos, mas me faltava coragem”. A amiga de longa data Lindsay Davenport conta que o afastamento por doping foi terrível para Hingis. “Ela ficou destruída emocionalmente. Imagina ser punida com dois anos de suspensão, sem poder sequer ir a um torneio para assistir aos jogos. Ficou muito machucada e precisou de muito tempo para curar as feridas e ter coragem de encarar o mundo do tênis novamente. Acho que agora, após o divórcio, ela precisa de algo para focar sua vida, e isso certamente é a competição”.

Top 100 – Como muito bem salientado por Felipe Priante no TenisBrasil, ontem, a pernambucana Teliana Pereira é a primeira brasileira a aparecer no top 100 no ranking profissional após 8.505 dias, ou seja, desde 16 de abril de 1990, quando Andrea Vieira era a 95ª colocada. Um alívio, que será completo caso Teliana consiga recuperar as três vagas que faltam para entrar diretamente no US Open e encerrar outro jejum, esse de exatas duas décadas.

Nas alturas – John Isner venceu no domingo a final mais alta já disputada no circuito profissional masculino. Isso mesmo. Ele, com 2,06m, derrotou Kevin Anderson, de 2,03m, em três tiebreaks. O americano lidera a marca de tiebreaks vencidos na temporada, com 27 em 33.

Futuro – O challenger do clube Paineiras, iniciado nesta segunda-feira, reúne três sul-americanos que já conquistaram títulos de Grand Slam juvenil: o alagoano Tiago Fernandes, campeão no Australian Open de 2010; o argentino Agustin Velotti, vencedor de Roland Garros do mesmo ano; e o chileno Christian Garin, que acabou de ganhar Paris e mal completou os 17 anos. Assisti hoje ao Garin e fiquei muito bem impressionado.