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Bad call
Por José Nilton Dalcim
22 de abril de 2017 às 17:52

Cédric Mourier estragou tudo. A segunda semifinal de Monte Carlo prometia equilíbrio e emoção, principalmente porque David Goffin mantinha até então o embalo da atuação ousada diante de Novak Djokovic e exigia muito de Rafael Nadal. O erro do árbitro não apenas lhe tirou o 4/2, que viria depois de um game duro, mas também afetou a concentração e em seguida a confiança do belga.

Claro que podemos criticar Goffin por não ter tido o equilíbrio emocional necessário. Ele afinal não é um jogador inexperiente. Porém totalmente compreensível sua frustração. Não sou psicólogo, mas me parece que, se ali estivesse um Fabio Fognini ou um Nick Kyrgios, o estrago seria menor. Goffin não é do tipo que joga a frustração e a raiva para fora, e ficar remoendo a situação consigo mesmo afeta muito mais um tenista do que gritar, xingar o juiz ou quebrar uma raquete.

Mourier deu sinal verde para que a ATP reveja a necessidade de se colocar o ‘desafio eletrônico’ também no saibro. Não se discute normalmente se a bola foi dentro ou fora – a marca é quase sempre bem visível – porém a dúvida eterna é qual foi a marca que o lance deixou na quadra. Já vimos vários desses casos nos últimos tempos.

O caso deste sábado repetiu o problema, com enormes agravantes: foi uma bola sem tanta velocidade, caiu bem longe da linha, o juiz auxiliar gritou fora e o próprio Goffin parou o lance. Mourier tem autoridade para passar por cima de tudo isso, mas não custaria nada consultar o juiz de linha diante da reclamação inconformada de Goffin. “Você fez o mesmo com o Troicki em Roma”, reclamou o belga, lembrando da confusão criada com o sérvio no ano passado. Está na hora de a ATP chamá-lo para uma reciclagem. O aristocrático público vaiou muito.

Nadal, claro, não teve nada a ver com isso. Continuou fazendo seu jogo paciente e regular, alimentando o adversário com erros. Aquelas bolas de maior risco de Goffin sumiram após a confusão. Se a tarefa de equilibrar o jogo com Nadal no saibro já era complicada, mais do que natural que o canhoto espanhol disparasse com a queda do adversário. Dos 11 games seguintes, ganhou 10.

Só um desastre irá tirar o histórico 10º troféu de Rafa em Monte Carlo, onde é rei absoluto. Após três vices na temporada, ele enfim deve voltar aos títulos, algo que não acontece há exatos 12 meses. Poderá recuperar o quinto lugar do ranking com a vantagem de já ter também defendido o troféu de Barcelona do ano passado. O que fizer na próxima semana será lucro total.

Albert Ramos, claro, não é um tenista ruim. Aos 29 anos, consegue a maior campanha de sua carreira e entra enfim no top 20. Vive um sonho nesta altura de sua vida profissional. Não tem porém qualquer arma para superar Nadal em condições normais. Na verdade, seu jogo é uma versão simplificada do próprio Rafa, porém com menos pernas.