Arquivo da tag: Catherine Bellis

Nadal ainda precisa se soltar
Por José Nilton Dalcim
23 de janeiro de 2020 às 12:30

A maioria dos analistas e torcedores aguarda o reencontro de Rafael Nadal com Daniil Medvedev na semifinal do Australian Open, mas os dois ainda não engrenaram a contento e vêm vencendo sem a autoridade esperada neste começo de semana.

Nadal enfrentou o segundo sul-americano saibrista seguido e desta vez precisou de um tiebrek. Lembremos que o também canhoto Federico Delbonis jamais havia ganhado sequer cinco games numa partida inteira contra ele.

Não houve risco, é bem verdade, mas ainda se espera um pouco mais de atitude do espanhol, que manteve a passividade da estreia, com golpes por vezes muito curtos e um caminhão de break-points desperdiçados. A boa notícia é que vai encarar o amigo Pablo Carreño, contra quem só perdeu um set em quatro duelos.

Medvedev também está longe de encantar. Parece brigar consigo mesmo o tempo todo, e olha que desta vez pegou um inexperiente Pedro Martinez. Minha impressão é que o físico do russo não está 100% e isso atrapalha seu jogo e sua cabeça. Ele chegou a pedir atendimento para um sangramento no nariz no meio do segundo set. A chave no entanto está boa e agora vem o local Alexei Popyrin.

Sufoco e mais quintos sets
Quatro dos considerados favoritos tiveram que lutar muito para superar a segunda rodada, e obviamente que a decepção maior ficou com Dominic Thiem. O cabeça 5 chegou a estar atrás por 2 a 1 diante do convidado Alex Bolt, sofrendo desgaste desnecessário. Terá pela frente o garotão Taylor Fritz, que marcou incrível virada em cima do experiente Kevin Anderson. Jogo pode ser perigoso para o austríaco porque Fritz é o jovem norte-americano com melhor combinação saque-base.

Nick Kyrgios foi outro que se complicou bobamente. Tinha domínio total sobre Gilles Simon, com 2 a 0, 4/2 e break-point, e aí começou a pirar. Interrompeu a sangria num apertado quarto set e agora reencontra Karen Khachanov, aquele contra quem deu chiliques inadmissíveis em Cincinnati. O russo anda mal e por um triz não perdeu do esforçado mas limitado Mikael Ymer.

Quintos sets vieram para Stan Wawrinka e David Goffin. O suíço encarou o paredão Andreas Seppi e está sofrendo de altos e baixos que não lhe conferem confiança. Goffin tinha jogo sob domínio diante de Pierre Herbert, mas retomou a calma no final. Wawrinka pega John Isner, contra quem venceu uma única vez em quatro jogos e isso há 11 anos. O belga terá pela frente o embaladíssimo Andrey Rublev, que chegou a 10 vitórias seguidas.

Alexander Zverev de novo não perdeu sets e faz jogo interessante diante de Fernando Verdasco. E olhem Ernests Gulbis: vitória desta vez sem sustos e jogo imprevisível diante de Gael Monfils.

Feminino sem surpresas
Se é fato que o lado inferior da chave feminina atrai menos do que o outro, a imprevisibilidade não está menor. Dez das 16 cabeças avançaram à terceira rodada e todos os principais nomes sequer perderam set nesta rodada, o que inclui Karolina Pliskova, Simona Halep, Elina Svitolina, Belinda Bencic, Kiki Bertens e Angelique Kerber. Dessas todas, Bencic ainda não me convenceu e Halep mostrou estar recuperada do punho.

Assim, vale o destaque para Cici Bellis. Como Mário Sérgio Cruz narra em TenisBrasil, a promessa de 20 anos já passou por quatro cirurgias no braço, desde punho até cotovelo, o que custou afastamento de 18 meses e retorno em novembro de 2019. Ex-35 do ranking, ela foi treinada por Leo Azevedo nos seus tempos de USTA e terá como grande desafio agora a top 20 Elise Mertens.

Destaques do dia 4
– Zverev e Kyrgios avançaram, mas é curioso observar como a produção deles é baixa em Slam. O alemão tem agora 34 vitórias em seus 19 torneios jogados e o australiano, 39 em 25.
– Dos 18 sets entre Monfils e Karlovic, 10 chegaram ao tiebreak, com 7 a 3 para o francês. O croata de quase 41 anos aliás é fraco em quintos sets, tendo vencido 9 de 29 na carreira.
– Este foi o 17º duelo entre Stan e Seppi, que se cruzaram pela primeira vez num longinquo 2003.
– Kyrgios levou advertência por estourar os 25 segundos, coisa bem rara, e aí reclamou do juiz com gestos que imitivam Nadal, dizendo que a regra não era aplicada para todos.
– Pouco badalada, a polonesa Swiatek, de 18 anos, merece atenção. Tirou Carla Suarez e pega Vekic. Se vencer, repete Roland Garros do ano passado com oitavas de final.
– Khachanov terminou a partida de 4h33 com sinais de cãibra e exaustão. Mal conseguia levantar após se atirar ao chão para comemorar a vitória.

Façanhas e recordes
Faltam agora 17 vitórias para Nadal atingir a marca história de 1.000 na carreira, algo que apenas Connors, Federer e Lendl possuem. O triunfo sobre Delbonis foi seu 30ª em 33 sobre adversários canhotos em torneios de Slam e o 104º no geral com apenas 15 quedas.