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Djokovic garante o melhor na semi
Por José Nilton Dalcim
20 de novembro de 2020 às 19:53

Só faltava Novak Djokovic para que as semifinais do ATP Finals deste ano reunisse pela primeira vez, desde 2004, todos os quatro principais cabeças de chave nas rodadas decisivas. E o número 1 do mundo não decepcionou. Esqueceu da dura derrota de quarta-feira, recuperou o nível e a confiança diante de um Alexander Zverev sempre mais instável porém competitivo.

Pela nona vez em 13 participações, Djokovic avança ao mata-mata e tenta recuperar a hegemonia que teve pela última vez em 2015. Nesse período, perdeu duas finais, ficou de fora em 2017 e parou na primeira fase no ano passado. Num momento histórico de sua carreira, em que atinge recordes e mira façanhas especiais, o quinto título na O2 – o primeiro foi em Xangai – seria espetacular.

O desafio deste sábado é dos grandes. Embora lidere por 7 a 4 sobre Dominic Thiem, é inquestionável que o austríaco deu um salto técnico e físico, a ponto de ter vencido 4 dos 6 últimos duelos contra o sérvio. E não se pode dizer que isso só ocorreu no saibro, porque as duas últimas verdadeiras batalhas foram na quadra dura. Há um ano, Thiem ganhou no mesmo Finals no tiebreak do terceiro set e dois meses depois levou Nole a cinco disputadíssimos sets no piso ainda mais veloz de Melbourne, em que chegou a liderar o placar por 2 a 1.

É razoável conceder o favoritismo a Djokovic, que joga perto da linha, pega na subida e tira o tempo tão precioso para Thiem armar seus golpes, especialmente o backhand. Mesclar saques abertos seguido de voleios serão boa alternativa diante do recuo exagerado do austríaco nas devoluções. Ao mesmo tempo, será essencial não encurtar bolas porque os golpes pesados de Thiem são difíceis de segurar. E ficar esperto com a variação de slices e batidas na paralela que o backhand adversário consegue produzir com magistral eficiência.

Daniil Medvedev finalizou a fase classificatória como  grande sensação. Venceu todos os sets disputados, cinco deles por 6/3 e um outro por 6/4. Ele até poderia ter economizado energia, mas jogou sério e solto contra Diego Schwartzman, com direito até a voleios firmes. Chegará cheio de confiança para o quarto duelo diante de Rafael Nadal na quadra dura e o segundo na própria arena O2.

O histórico é muito favorável ao espanhol, que jamais perdeu, mas todo mundo se lembra da reação incrível do russo na final do US Open de 2019 e do jogo duríssimo que fizeram na fase classificatória do Finals, com placar de 6/7, 6/3 e 7/6. Portanto, é de se esperar intensas trocas de bola e se dar grande importância ao saque, o que permitirá a cada um dominar pontos e simplificar o esforço.

Bruno prejudicado
Depois de uma suada vitória, outra vez no match-tiebreak, Bruno Soares e o croata Mate Pavic ficaram na torcida para que Marcel Granollers e Horacio Zeballos tirassem ao menos um set de Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin. Parecia tudo tranquilo quando os dois sacaram com 5/3. Mas não fecharam. Permitiram ao contrário a reação e quando chegou o tiebreak, Granollers parou. Acusou dor no ombro e desistiu. Dessa forma, Melzer/Vasselin ganharam exatamente por  2 a 0, como determina a regra, único placar que os classificava.

Não ficou bonito. Que ao menos se disputasse o tiebreak. Granollers por enquanto não abandonou e tentará jogar a semi de sábado contra o croata Nikola Mektic e o holandês Wesley Koolhof, enquanto Melzer/Vasselin encaram o norte-americano Rajeev Ram e o britânico Joe Salisbury.

Soares e Pavic encerram a parceria dessa forma triste, mas ainda podem terminar como a dupla mais bem pontuada de 2020, desde que Ram/Salisbury não cheguem à final.

50 anos de Finals
O milionário texano Larry Ellison convenceu a ATP a realizar o Finals em quadra descoberta, algo que só havia acontecido em 1974, na grama de Kooyong. Foi no entanto o segundo menor estádio que sediou o torneio, com capacidade para 5.240 pessoas. Roger Federer ganhou ali os dois primeiros de seus seis troféus, em decisões fáceis. A de 2004 foi em apenas dois sets, repetindo a exceção de 1979. Esse regulamento só mudaria definitivamente em 2008.

Semi merecida para Nadal
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2020 às 20:53

Com três atuações de muito bom nível, seria um tanto injusto que Rafael Nadal ficasse de fora das semis do ATP Finals. Seus desafios no entanto estão longe de terminar. Agora terá pela frente o perigoso Daniil Medvedev, contra quem ganhou num tremendo sufoco há exatos 12 meses na quadra dura coberta da O2.

O saque foi o ponto alto do espanhol no primeiro set, encaixando 76% do primeiro serviço e perdendo apenas dois desses pontos. O índice caiu no outro set, Nadal precisou trabalhar mais cada ponto e, a exemplo do grego, cometeu dupla falta na hora do set-point.

A eficiência com o saque desabou para 54% num terceiro set marcado logo de cara por três quebras consecutivas. Mas aí o espanhol já era bem mais consistente que o adversário. Mexia-se com leveza, o que permitia usar o forehand e evitar bolas curtas. A estatística simplifica a análise: Nadal, tido como mais defensivo, marcou 32 a 24 nos winners. Tsitsipas, que precisava encurtar os pontos, errou 21 vezes contra meros 13.

O Finals está assim com 75% de chance de ter um novo campeão, como vem acontecendo continuamente desde 2016, já que o vencedor do grupo 2 em Londres foi Dominic Thiem. O austríaco sofreu a primeira derrota da semana contra um Andrey Rublev calibrado – foram apenas nove erros, algo notável para seu estilo socador -, mas me pareceu que Thiem não se empenhou tanto.

Os únicos que podem repetir o título são os que lutarão pela vaga derradeira, em duelo marcado para as 11h de sexta-feira: Novak Djokovic leva natural favoritismo sobre Alexander Zverev, o que se reforça pelo fato de os dois terem mostrado grande instabilidade nas rodadas anteriores. O alemão não possui a paciência de Medvedev para aguentar a pancadaria da base, então espera-se que vá para o risco. Se estiver num bom dia, o jogo ficará interessante.

Bruno perto da semi
A chance de Bruno Soares e o croata Mate Pavic passarem à semi é grande. Segundo os cálculos da ATP, uma vitória em sets diretos sobre Peers/Venus é o que basta. Se perderem um set, terão de torcer para Granollers/Zeballos tirar um set de Melzer/Vasselin. E mesmo perdendo Soares/Pavic ainda não estarão diretamente eliminados, desde que ganhem ao menos um set e Granollers/Zeballos terminem invictos.

A quinta-feira também reservou novidade para os dois maiores duplistas brasileiros. Bruno anunciou que irá retomar a parceria com Jamie Murray em 2021 porque Pavic o surpreendeu após Paris, rompeu a dupla com o intuito de treinar para os Jogos Olímpicos com Mektic. Já Marcelo Melo ganhou enfim em Londres e isso marcou a despedida emocionada do vitorioso dueto de quatro anos que fez com o polonês Lukasz Kubot. Não houve uma justificativa oficial, mas a temporada fraca pode explicar. Acredita-se que Melo jogará agora ao lado de Jean-Julien Rojer.

Koolhof/Ketic terminaram em primeiro no grupo 2, seguidos por Ram/Salisbury. De todos os postulantes ao título, o único que já foi campeão de um Finals é Granollers, enquanto Ram e Venus fizeram finais.

50 anos de Finals
Encerrado o contrato com os promotores alemães, o ATP Finals foi negociado com empresa portuguesa, que queria aproveitar o momento de Guga Kuerten e por pouco o torneio de 2000 não aconteceu em São Paulo. Esbarrou no velho problema da falta de um local decente. Ainda se tentou convencer o governo paulista a bancar uma arena na USP, mas não vingou. A solução foi aproveitar a estrutura do recém-inaugurado Parque das Nações de Lisboa, que usou um piso sintético lento e assistiu à histórica conquista de Guga, que se tornava assim o segundo sul-americano a vencer o Finals. As edições seguintes aconteceram em Sydney e Xangai, ambas vencidas pelo jovem Lleyton Hewitt.

Djokovic e Medvedev sobram
Por José Nilton Dalcim
16 de novembro de 2020 às 19:32

Não houve grande emoção nos jogos que abriram o grupo 1 do Finals de Londres. Embora tenham tido um início imperfeito, Novak Djokovic e Daniil Medvedev pouco a pouco dominaram seus concorrentes com clareza. Se era esperado que Diego Schwartzman encontrasse pouca chance diante do líder do ranking, Alexander Zverev causou certa decepção.

Com um número excessivo de erros, Djokovic teve saque quebrado no terceiro game mas rapidamente elevou o nível e passou a trocar a direção das bolas com a habitual eficiência, diante do serviço sempre pouco contundente do argentino. O segundo set do sérvio foi ainda melhor, com ótimas transições à rede e ataques fulminantes pelas paralelas. Como bem analisou Schwartzman, ele nem jogou tão mal assim para merecer o placar de 6/3 e 6/2, mas esses números mostram bem a diferença entre eles sobre um piso sintético coberto.

Na outra partida, Zverev tirou logo o primeiro serviço de Medvedev, mas não segurou a vantagem. Em seguida, viu o russo salvar cinco break-points e logo depois cedeu outra vez o saque. Daí em diante perdeu consistência e confiança. É bem verdade que Medvedev investiu em trocas longas e obrigou o alemão a tentar ir à rede para sair da correria. Zverev equilibrou o segundo set apesar de alguns riscos nos seus serviços e foi o máximo que conseguiu tirar de um oponente aí já bem confiante, a ponto de sacar por baixo no 30-30 do oitavo game, desculpando-se pelo atrevimento. Foi sua terceira vitória seguida em oito duelos, e muito mais dominante do que a recente final em Paris.

Os jogos de quarta-feira serão interessantes. Zverev arrasou Schwartzman poucas semanas atrás em Colônia, mas também já perdeu em pleno US Open-2019, e sabe que suas chances diminuíram porque muito provavelmente terá de ganhar também de Djokovic para ir à semi. Já Medvedev deu um passo importante para a vaga. Se vencer Nole pela terceira vez, a chance de classificar ficará enorme. Em caso de derrota, terá de ganhar do argentino e torcer para o sérvio se manter invicto. Nada mau.

Bruno perto do top 5
Em excelente momento, Bruno Soares e o croata Mate Pavic estrearam em mais um jogo decidido no match-tiebreak, mas poderiam ter superado Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin em dois sets. Mesmo perdendo o set inicial, os líderes do ranking de parcerias foram bem superiores daí em diante. Enfrentarão agora Marcel Granollers/Horacio Zeballos, para quem perderam nas quartas de Roma.

Mais uma vitória e Bruno já garantirá a volta ao top 5 do ranking individual de duplas. Não menos importante, ele está pertinho de disputar a 800ª partida de primeira linha da carreira – faltam três -, algo que apenas Marcelo Melo obteve entre os brasileiros (861). Soares chegou hoje a 506 vitórias e percentualmente está à frente do amigo mineiro: 63,48% contra 62,95%.

50 anos do Finals
As sete primeiras edições do Finals foram itinerantes. Depois da estreia em Tóquio, seguiu para Paris, Barcelona, Boston, Melbourne, Estocolmo e Houston. A segunda edição ainda reuniu seis classificados. O sistema de grupos, com classificação para semi e final, como acontece hoje, já surgiu em 1972. Ilie Nastase foi tetra (71-73 e 75). Guillermo Vilas e Manoel Orantes levaram os outros. As duplas passaram a ser disputadas em 1975, porém limitadas a quatro parcerias.