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Testes para Zverev e Osaka
Por José Nilton Dalcim
28 de maio de 2019 às 18:17

Alexander Zverev e Naomi Osaka são sem dúvida os jogadores da nova geração de maior sucesso, obtendo conquistas relevantes e atingindo posições nobres no ranking quando mal saíram da adolescência. Os dois também têm em comum o fato de não aceitar que o tênis seja a única prioridade de suas vidas, o que, como tudo na vida, tem o lado bom e o lado ruim.

Mas há uma diferença sintomática. Enquanto Osaka já tem dois troféus de Slam e lidera o ranking desde janeiro, Zverev ainda precisa mostrar resultados. Esperava-se que o notável título do Finals sobre Rgoer Federer e Novak Djokovic lhe tirasse a carga pesada dos ombros, mas o que temos visto em 2019 é um jogador perdido no plano tático, sem grande progresso técnico e com lacunas enormes de confiança, mesmo tendo atrás de si Ivan Lendl.

Naomi e Sascha tiveram estreias complicadas em Roland Garros. A japonesa levou um ‘pneu’ – ganhou 9 pontos no set – e ficou a dois lances de uma surpreendente eliminação diante da número 90 Anna Schmiedlova antes de enfim esquentar e fazer um terceiro set decente. Zverev não correu tanto risco de eliminação, mas logo de início sofre o desgaste de 4h08 de esforço, com direito a raquete arrebentada e 73 erros, dos quais 14 duplas faltas. Lembremos que no ano passado ele até chegou nas quartas de Paris, mas ficou sem pernas após três jogos seguidos no quinto set. Para sua sorte, vem agora o inexperiente sueco Mikael Ymer.

O saibro nunca foi o piso predileto de Osaka e a pressão maior sobre ela pode ser a defesa de uma liderança frequentemente ameaçada nas últimas semanas. Na próxima rodada, terá de mostrar serviço diante de Vika Azarenka num duelo que promete tirar o fôlego. A bielorrussa despachou Jelena Ostapenko em mais uma exibição incrivelmente irregular da campeã de 2017, com direito a 33 winers e 60 erros. Aliás, fez 17 duplas faltas, quase o total de todas as 19 falhas de Azarenka na partida. Dado curioso mostra que Ostapenko só ganhou sete partidas em cinco participações em Roland Garros, exatamente as sete do título. A vida da letã continua um tudo ou nada.

E mais
– Considerados coadjuvantes por conta do físico incerto, Juan Martin del Potro e Fabio Fognini perderam sets na estreia mas achei que jogaram bem na maior parte do tempo. Delpo tem tudo para economizar energia: agora vem Nishioka, depois Karlovic ou Thompson e quem sabe Khachanov ou Pouille. A trajetória do italiano promete mais dureza, com Delbonis, talvez Bautista e aí Zverev.
– E o exército francês aumentou para 13, somando-se Monfils, Pouille, Mannarino e três novatos (Hoang, Barrere e Benchetrit), mas duvido que a metade disso avance. Gael permanece como melhor aposta. O feminino ficou restrito a Garcia, Mladenovic e à garota Parry.
– Halep iniciou a defesa do título com altos e baixos, mas a tendência é que evolua. Com a saída de Kvitova, a vaga na semi ficou muito mais fácil.
– Monteiro poderia ter jogado melhor diante de Lajovic, ainda que o sérvio tenha mostrado uma boa diferença técnica. Faltou ‘punch’. Bruno e Jamie fizeram uma despedida melancólica, sinal que era mesmo hora de mudar. Melo e Kubot avançaram e Demoliner ainda vai estrear.

A quarta-feira
– Nadal e Federer jogam em estádios separados, com chance de se misturarem nos horários, mas pegam alemães sem curriculo. O melhor do dia pode ser Nishikori-Tsonga, Wawrinka-Garin ou Cilic-Dimitrov.
– Não acredito muito em Tsonga, acho Garin perigoso e gostaria de ver Dimitrov reagir, agora que contratou Stepanek para trabalhar junto a Agassi, repetindo o dueto dos tempos de Nole.
– Pliskova e Bertens tem amplo favoritismo e tomara que Svitolina e Muguruza confirmem para fazer o duelo direto de terceira rodada. Mladenovic-Martic pode dar grandes emoções, Stephens precisa entrar firme diante de Sorribes.

Primeiros sustos
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2019 às 18:58

Dominic Thiem teve uma boa dose de sorte em sua estreia em Roland Garros. Tido como um dos únicos que podem ameaçar o favoritismo de Novak Djokovic e Rafael Nadal, o austríaco ia levando virada do norte-americano Tommy Paul. O campeão juvenil de 2015 chegou a ter 4-0 no tiebreak e daí em diante entrou em parafuso.

Aquele velho Thiem apressado, frustrado com erros, que força muito mais do que precisa, pairou em todos esses três primeiros sets. Colocou um par de forehands arriscadíssimos sobre a linha para reagir no tiebreak. Tenho minhas dúvidas se iria segurar a cabeça caso a bola desviasse por 2cm e Paul abrisse 2 sets a 1. Talvez seja válido lhe dar o desconto da estreia, num torneio onde ele certamente se cobra para ir longe. A boa notícia é que vai pegar agora o cazaque Alexander Bublik, que perdeu de João Menezes semanas atrás.

Djokovic me impressionou pela intensidade com que começou a partida, fechando logo de cara as brechas e fazendo o polonês Hubert Hurkacz correr feito doido para todos os lados. Certamente, Nole sabia que não poderia deixar o garoto gostar do jogo. Antes de perder o saque no final do segundo set, chegou a ter monstruosos 81% de aproveitamento de primeiro saque. É superfavorito diante do lucky-loser suíço Henri Laaksonen, que gosta muito de jogar na rede.

O começo de Nadal foi mais nervoso e ele precisou salvar quatro break-points. O alemão Yannick Hanfmann esmurrou a bola e até marcou uns belos pontos, mas também fez escolhas bisonhas. Diante do volume de jogo do espanhol, pareceu um principiante. A atuação do espanhol foi tão tranquila que se deu ao luxo de tentar golpes de efeito. Acumulou 16 erros, a maioria por forçar demais. Enfrentará o segundo ‘Yannick alemão qualificado’ em seguida, agora o Maden, 114º do mundo aos 29 anos.

Vale ainda destacar a atuação um tanto irregular de Borna Coric e Stan Wawrinka e a ótima vitória de Jan-Lennard Struff sobre Denis Shapovalov ao mais puro estilo saque-voleio. Na quarta-feira, Stan terá de encarar o perigoso Christian Garin,

Festa francesa
Mais seis tenistas da casa avançaram na chave masculina. Notável o duelo de Pierre Herbert contra Daniil Medvedev e a incrível coincidência, porque ele também virou de 2 sets 0 em cima de um cabeça de chave como seu parceiro de duplas Nicolas Mahut havia feito na véspera diante de Marco Cecchinato.

A delirante torcida ainda viu o avanço de Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Richard Gasquet, Benoit Paire e do novato Corentin Moutet. E ainda torce para Jeremy Chardy completar o quinto set contra Kyle Edmund e verá as estreias nesta terça-feira de Gael Monfils e Lucas Pouille.

A segunda rodada terá duelo caseiro de Herbert-Paire e um imperdível Tsonga-Kei Nishikori.

E lá vêm as russas
Pouca gente se lembra, mas a escalada do tênis feminino russo no circuito profissional começou justamente em Paris, quando em 2004 Anastasia Myskina decidiu com Elena Dementieva. Semanas depois, Maria Sharapova ganharia Wimbledon e Sveta Kuznetsova, o US Open.

E estes dois primeiros dias de Roland Garros deram visibilidade a duas russas promissoras: Anastasia Potapova, de 18 anos, e Veronika Kudermetova, de 22. Numa reação incrível, Kudermetova eliminou Carol Wozniacki depois de levar ‘pneu’. Porém, mais que isso, cravou 40 winners e subiu 21 vezes à rede, incluindo o match-point.

Dos grandes nomes, Serena Williams também deu susto. Começou muito mal diante de outra russa, a já experiente Vitalian Diatchenko, e achou um jeito de ganhar. Mas admite que está longe do ideal. Em grande momento, Kiki Bertens só perdeu três pontos com o primeiro saque contra Pauline Parmentier. A má notícia foi o abandono inesperado de Petra Kvitova, que sentiu o braço horas antes e nem foi à quadra.

Brasil na terça-feira
As estreias de Alexander Zverev, Juan Martin del Potro, Naomi Osaka e Simona Halep fecham os três dias de primeira rodada em Paris. Dois duelos me parecem merecer especial atenção: Delpo x Nicolas Jarry e Vika Azarenka x Jelena Ostapenko.

Também é dia dos brasileiros. Thiago Monteiro tem duro desafio diante do sérvio Dusan Lajovic. Se surpreender, terá uma enorme chance de voltar enfim ao top 100 do ranking.

Marcelo Melo volta ao palco onde conquistou seu primeiro Slam, em 2015, e é cabeça 1 ao lado de Lukasz Kubot com boas chances. Bruno Soares anunciou o rompimento do dueto com Jamie Murray e fará seu último torneio ao lado do escocês. Seu novo parceiro será o bom Mate Pavic, que já jogou com André Sá e liderou o ranking.

Thiem embaralha o saibro
Por José Nilton Dalcim
27 de abril de 2019 às 19:45

O austríaco Dominic Thiem assustou com sua campanha sem graça em Monte Carlo, vindo imediatamente do título notável em Indian Wells. Mas felizmente ele se achou em Barcelona. Excepcional jogador sobre o saibro, ainda mais se tiver maior velocidade, seu poder de fogo conseguiu outra vez superar Rafael Nadal, a tarefa mais difícil para qualquer tenista quando se pisa sobre a terra.

Foi uma exibição de gala, principalmente porque Nadal, diferente de uma semana atrás em Monte Carlo, jogou tão bem que saiu animado de Barcelona. Dono de golpes extremamente pesados dos dois lados além de um primeiro saque que jamais fica abaixo dos 200 km/h, ele combinou suas melhores qualidades neste sábado, dando-se ainda ao luxo de aplicar deixadinhas milimétricas e voleios exigentes.

Correu como um louco, como não pode deixar de ser contra Nadal, e outra vez mostrou que o backhand de uma mão pode sim ser eficiente contra o todo poderoso ‘rei do saibro’. Aliás, segundo a ATP, apenas Roger Federer tem mais vitórias sobre Rafa (15) do que Thiem e Mikhail Youzhny (4) entre os tenistas de backhand simples. Fernando Gonzalez e Stan Wawrinka somam três. O diferencial de Thiem é que ele fez isso no habitat natural do espanhol. Agora, ele só perde de Novak Djokovic nesse tipo de façanha (são sete, mas Djoko tem backhand de duas mãos).

Nadal, claro, deveria sair de quadra arrasado ao ver nova chance do 12º troféu ser barrada numa semifinal. Mas, ao contrário do que aconteceu em Monte Carlo, foi admirável ver o espanhol com ar totalmente otimista. Afirmou que este foi seu melhor jogo nas últimas duas semanas, que voltou a ter prazer em jogar no saibro e principalmente que ‘sei quem eu sou’. E é exatamente isso. Ninguém em sã consciência pode descartar Rafa sobre a terra, mesmo nas mais duras situações.

Quem ganha com isso é o circuito, que vê pela segunda semana consecutiva alguém desafiar Nadal sem medo, abusando de um tênis agressivo, e acabar com a mesmice do saibro. Vale lembrar que o último a ter vencido o canhoto espanhol em Barcelona havia sido Fabio Fognini, em 2015.

Por enquanto, Thiem precisa pensar em como ganhar o título e se tornar o único homem na temporada com troféus em superfíceis distintas. O homem que derrotou formidavelmente Roger Federer em Indian Wells e reencontrou seu tênis de alto gabarito neste sábado contra Nadal tem agora que confirmar o favoritismo diante do surpreendente Daniil Medvedev, dono também de um sólido jogo de base e que fez tum duelo bem interessante contra Kei Nishikori, em que muitas vezes tomou a iniciativa dos pontos.

E mais
– Bruno Soares e Jamie Murray tentam o primeiro título no saibro. Eles já foram vices em Monte Carlo-2016. O mineiro não é campeão na terra desde Munique-2015, então com Alex Peya.O título sobre Cabal/Farah valerá o terceiro lugar no ranking da temporada.
– O eventual troféu às 11h de domingo dará o inédito 13º lugar do ranking a Medvedev, que deixará para trás justamente Karen Khachanov e será o número 1 russo.
– Quem vencer entre Thiem e Medvedev irá superar Stefanos Tsitsipas e se tornar o número 4 do ranking do ano, a 410 pontos de Nadal.
– De volta ao número 2 do ranking, Petra Kvitova faz a quarta final do ano em Stuttgart e busca o segundo título. Fez grande partida e sobrou no físico no terceiro set contra Kiki Bertens.
– Naomi Osaka voltou a sentir o abdômen e entregou o jogo para Anett Kontaveit, estoniana de 23 anos que vem jogando temporada consistente.