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Barty resgata anos dourados do tênis australiano
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2022 às 13:15

A Austrália foi uma das maiores potências do tênis até que a Era Profissional embalou. A fase amadora viu gigantescas estrelas dominarem o circuito, recheando o currículo de troféus de Grand Slam. Além é claro da habilidade com a raquete, os australianos introduziram o preparo físico apurado e isso fez notável diferença.

Margaret Court, Rod Laver e Ken Rosewall ainda conseguiram brilhar no começo da fase profissional, embora não tenham tido a sorte de o ranking ter surgido em tempo hábil para classificar corretamente seus desempenhos espetaculares. John Newcombe e Evonne Goolagong apareceram como herdeiros, venceram Grand Slam na metade da década de 1970 e conseguiram liderar brevemente o ranking.

Apesar de alguns grandes nomes terem surgido no masculino e resgatado o passado de ouro, como Lleyton Hewitt, Patrick Rafter e Pat Cash, o feminino nunca mais conseguiu ter uma australiana à altura de sua história. Até que surgiu Ashleigh Barty. Como todo mundo sabe, por pouco ela não se aposentou precocemente. Para sorte do tênis, voltou em 2017 e levou apenas duas temporadas para atingir sucesso com um estilo tão admirável.

Ao conquistar neste sábado seu terceiro troféu de Slam, tendo agora um em cada piso possível, e número 1 do mundo por mais de 100 semanas, Barty se firma como maior nome do tênis australiano ao menos dos últimos 40 anos. É também uma resposta convincente para aqueles que a criticaram quando não aceitou voltar ao circuito pós-covid em 2020 e a acusaram de se valer do congelamento do ranking.

Barty reintroduziu no tênis feminino a supremacia da habilidade sobre a força. Não que possua um saque ruim ou golpes pouco contundentes, mas a base primordial está na criação tática das jogadas, na variação de velocidades e efeitos. E para completar, irradia alegria, simplicidade, bom humor e prazer. Daí é fácil entender por que ganhou o status de ídolo esportivo local.

É bem verdade que a final deste sábado contra Danielle Collins não foi seu melhor momento no torneio. As duas pareciam nervosas demais no primeiro set. A norte-americana enfim se soltou, bateu na bola e deu seus gritos, embalou 5/1 e parecia às portas de um terceiro set imprevisível. Mas Barty reagiu e subiu de nível, voltando a dificultar os ataques de Collins. O saque fez muita diferença: 10 a 1 em aces, 82 a 63% de pontos com o primeiro serviço.

Aos 25 anos, idade bem próxima a de suas principais rivais, Barty só precisa manter a motivação e evitar contusões para escrever um capítulo todo seu na história do tênis feminino.

E mais

  • Além do 21º troféu, Nadal pode repetir Djokovic e também ter ao menos dois títulos em cada Slam. Seria a primeira vez que o espanhol somaria mais Slam do que Federer.
  • Nadal e Djokovic ganharam 12 dos últimos 14 Slam. As exceções foram Thiem e Medvedev. Russo perdeu as primeiras finais de Slam que fez contra Nadal e Djokovic, mas depois bateu o sérvio.
  • Medvedev pode ser o quinto profissional a vencer o torneio após salvar match-point. Newcombe, Kriek, Edberg e Safin também o fizeram.
  • Medvedev ganhou 4 de seus últimos 6 jogos diante de top 5. Em quadra dura, ele tem 9-15 na carreira. Já Nadal perdeu suas últimas quatro partidas e sua marca geral é de 27-43 no piso.
  • Os dois chegam à final com esforço muito parecido: Nadal passou 17h04 em quadra e Medvedev, 17h29. Russo ganhou 5 de 7 tiebreaks, espanhol só jogou um e venceu.
  • Nadal pode chegar ao sétimo Slam após os 30 anos e ficar um atrás de Djokovic. Com 4, aparecem Federer, Laver e Rosewall.
  • Jogo começa às 5h30 (de Brasília) e não há previsão de chuva. Será apenas o segundo jogo noturno de Rafa na campanha deste ano, já que ele pediu para jogar sempre de dia.
  • Pouco antes, à 1h, Bia Haddad Maia busca o título de duplas ao lado de Danilina numa missão muito dura diante de Krejcikova/Siniakova, as líderes do ranking e campeãs olímpicas. O título valerá US$ 435 mil para a parceria, as vices ficam com a metade.
  • Mais festa australiana: Kyrgios e Kokkinakis foram claramente apoiados pelo público e se tornaram a primeira dupla local a ganhar o torneio desde os Woodies em 1997. Os dois tiraram Mektic/Pavic logo na estreia e agora aparecerão no top 50 do ranking, além de ter grande chance de disputar o Finals de Turim.
  • Nascido em São Paulo mas radicado nos EUA desde criança, Bruno Kuzuhara ganhou o juvenil após incrível esforço de 3h43 em que o vice Jakub Mensik passou tão mal que sequer foi à cerimônia de premiação. Bruno, de 17 anos, falou em português e japonês. Ele era o cabeça 1 e pode aparecer no top 3 do ranking. O título feminino ficou com a croata Petra Marcinko, também favorita.