Arquivo da tag: Bjorn Borg

O padrão Djokovic está de volta
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2019 às 22:31

Demorou, mas enfim Novak Djokovic voltou ao padrão com que se habituou a dominar o circuito. Saque calibrado, devoluções apuradas, golpes batidos na subida, troca constante de direções, toques magistrais, contragolpes mortíferos, trabalho de pernas invejável. Em qualquer piso, esse arsenal sufoca adversários e é sinônimo de sucesso.

A reação começou no sábado contra Dominic Thiem. Ficou duas vezes contra a parede, obtendo reações dignas de seu currículo nos dois sets. A parte mental se destacou acima dos golpes e isso foi o primeiro importante indício de que Nole havia readquirido a determinação ferrenha de ganhar.

A final deste domingo nos mostrou no entanto aquele Djokovic que toma a iniciativa, coloca o oponente sob pressão constante, é aplicadíssimo na parte tática e fecha todas as portas. Sim, Stefanos Tsitsipas parecia mais lento e menos paciente do que na véspera diante de Rafael Nadal. Tentaria jogar um pouco mais no risco, seja nos voleios ou nas deixadinhas.

O número 1 estava preparado para isso desde que pisou na quadra. Fez o grego se mexer o tempo inteiro, teve ótima leitura das variações que Stef buscou e acima de tudo sacou com enorme eficiência, sem permitir um único break-point. Deixou Tsitsipas com mínimas opções. Padrão Djokovic.

O aquecimento para Roland Garros ainda terá Roma, onde os favoritos devem estrear entre terça e quarta, mas para o sérvio isso já não tem tanta importância. Ele já deu a resposta esperada, readquiriu confiança, avisou que está pronto fisica e mentalmente para as batalhas de cinco sets em Paris. Seus concorrentes, especialmente Rafael Nadal, que corram atrás.

E mais
– Djokovic empatou novamente com Nadal no número de Masters, com 33, e poderemos ter um interessante tira-teima em Roma. A chave está muito boa para o sérvio, que viu Thiem, Tsitsipas e Fognini – os três algozes do espanhol no saibro europeu das últimas semanas – ficarem do lado do canhoto espanhol.
– O título em Madri fará com que Nole apareça 4.170 pontos à frente de Rafa nesta segunda-feira, o que é mais do que toda a pontuação do atual número 6 Kei Nishikori. Entre Roma e Paris, o espanhol tem 2.280 pontos para defender a mais do que o sérvio. Está cada vez mais difícil tirar Djokovic da ponta.
– No ranking da temporada, que projeta alguma reviravolta lá no fim do ano, Djokovic abriu 1.005 pontos  para o quarto colocado, o próprio Tsitsipas. O grego por sua vez está a apenas 105 de Nadal, o vice, e a meros 60 de Federer.
– Esta foi a 200ª vitória de Djokovic sobre um adversário top 10, aproximando-se das 218 do recordista Federer. Com 90 derrotas nesse patamar, a eficiência do sérvio subiu para 69% e continua atrás de Borg, com 69,8% (81 em 116).
– Com 205 vitórias e 53 derrotas sobre o saibro na carreira, Djokovic é o quinto profissional em eficiência (79,5%), atrás de Nadal, Borg, Lendl e Vilas.
– De seus 74 títulos, 14 agora vieram sobre a terra. Já em nível Masters, são 9 dos 33.

Thiem sobe mais um degrau
Por José Nilton Dalcim
28 de abril de 2019 às 22:24

O austríaco Dominic Thiem costuma dizer que sua carreira tem sido construída degrau por degrau. E tem bons exemplos. Precisou esperar cinco temporadas para ganhar o primeiro ATP, em 2015; teve de jogar 41 vezes, incluindo qualis, para enfim faturar o primeiro Masters. Fez duas semifinais em Roland Garros antes do vice do ano passado. E por aí vai.

Barcelona é mais um caso. Finalista dois anos atrás para Rafael Nadal, deu a volta por cima neste ano e chegou a um grande título. Talvez seja nisso em que ele aposte para Madri, dentro de duas semanas, onde foi à final nos dois últimos anos, e provavelmente também no Aberto da França.

Mas ao mesmo tempo é um tremendo exagero colocar Thiem entre os melhores saibristas do tênis profissional. Para entrar nessa lista, falta muita coisa, principalmente consistência e sucesso. Alguns números para explicar isso:

– Em termos de eficiência (percentual de vitórias e derrotas), Thiem é apenas o 16º colocado na Era Aberta, com 74,7% de aproveitamento. Até Jimmy Connors tem índice melhor. Nadal está com 91,7% e Borg chegou a 86,4%.

– Agora com nove troféus no piso, é o 35º mais bem sucedido. Entre os em atividade, está distante de Djokovic (13) e atrás de Robredo (11). O líder disparado é Nadal (57).

– Ao atingir 121 vitórias na terra em nível ATP ou superior, Thiem subiu para 138º na Era Profissional, muito atrás de Guga (179, em 59º). Nem mesmo Nadal, com 421, lidera. Estão a sua frente Vilas (679), Orantes (530) e Muster (426).

Discípulo de Muster
Ainda assim, é preciso colocar o discípulo de Thomas Muster – o maior tenista austríaco, canhoto que também batia backhand de uma mão, abusava da potência dos golpes de base e fez história no saibro – entre aqueles que podem dominar o piso já nesta temporada. E com grande chance de ser soberano nas próximas.

Só para lembrar aos mais novos, Muster ganhou 44 títulos na carreira, apenas quatro deles fora do saibro, uma lista que incluiu oito Masters e um Roland Garros. Liderou o ranking por seis semanas em 1996.

A conquista de Barcelona em cima de Daniil Medvedev não causou surpresa, exceto pelo início tenso e irregular. Assim que calibrou o backhand, atropelou o russo vencendo 12 dos 13 últimos games com um arsenal maravilhoso, que foi desde a força bruta até o toque delicado, um padrão sobre o saibro que Guga resgatou duas décadas atrás.

Madri começa dentro de oito dias e gera enorme expectativa, ainda que seja um torneio atípico devido à altitude e eventual teto coberto. O interessante é que irá colocar em duelo direto os bichos papões Nadal e Djokovic e os ousados Thiem, Medvedev e Fabio Fognini. Sem falar, é claro, de Roger Federer, do imprevisível Kei Nishikori e de alguns ‘Next Gen’ potencialmente perigosos. E é bom sempre tomar cuidado com Stan Wawrinka.

O fim de semana
– O tênis italiano continua em alta no saibro. Matteo Berretini, 23 anos e 1,96m, dono de saque poderoso, se juntou a Fognini e Marco Cecchinato entre os campeões de 2019 ao faturar Budapeste.
– Petra Kvitova estreitou drasticamente sua distância para o tão sonhado número 1. O merecido título em Stuttgart, regado a um Porsche Carrera, a deixa 136 pontos atrás de Naomi Osaka. Mas não vai ser fácil. Enquanto a canhota tcheca defende o título na Caixa Mágica, Osaka ganhou apenas uma rodada entre Madri e Roma do ano passado, e então leva significativa vantagem.
– Thiago Monteiro passou o quali de Munique com duas belas vitórias sobre Albert Ramos e Andrey Rublev e vai jogar o quinto ATP da temporada. Estreia duríssima contra Jan-Lennard Struff, aquele que tirou Goffin e Tsitsipas de Barcelona e endureceu contra Nadal.
– Fognini pode enfim chegar ao top 10 com o título no Estoril, mas precisa que Tsitsipas caia até a semifinal. Isso daria o aguardado posto ao campeão de Monte Carlo por meros 15 pontos.

As 12 raquetes mais famosas do tênis
Por José Nilton Dalcim
14 de fevereiro de 2019 às 10:58

Enquanto os grandes torneios não voltam, segue minha lista das 12 raquetes que fizeram maior fama na história do tênis, com alguns detalhes históricos e técnicos.

Dunlop Maxply Fort
Uma das raquetes mais populares de todos os tempos, era feita de uma prensagem de nove diferentes tipos de madeira. Surgiu em 1931 e foi usada por diversas estrelas de ponta, como Rod Laver. Com o sucesso de John McEnroe, criou-se a versão Maxply McEnroe, que foi comercializada até 1982, quando o norte-americano adotou a Max 200G.

maxply

Wilson Jack Kramer
Rivalizou com a Maxply Fort como a mais equilibrada e procurada raquete de madeira, desde que foi lançada em 1948 com o nome do famoso jogador norte-americano que brilhou nas décadas de 40 e 50. Por 35 anos, foi considerada a raquete mais vendida do mundo.

jack

Wilson T2000
Surgida em 1967, foi a primeira raquete não construída de madeira a fazer sucesso comercial no tênis. Começou a ser usada por Billie Jean King e Clark Graebner, mas se imortalizou nas mãos de Jimmy Connors, que conquistou Wimbledon de 1974 e 1982 com ela. A cabeça de 67 polegadas quadradas aumentava a força e dava controle acima de qualquer raquete de madeira. Connors tentou mudar, mas não conseguiu e passou a comprar todos os modelos que encontrava depois que a T2000 parou de ser fabricada.

t2000

Donnay Borg Pro
Fábrica originalmente belga, surgiu em 1910 e esteve nas mãos de Margaret Court e Rod Laver na década de 1960. Mas foi graças a Bjorn Borg, com seu sucesso internacional em nível popostar, que se tornou a maior fabricante do mundo. Sueco fechou contrato anual de US$ 600 milem1979, uma fortuna para a época. Donnay patrocinou depois Agassi, mas a marca não conseguiu fazer a transição ideal para o grafite. Sobrevive como uma pequena fábrica em Portugal.

donnay

Prince Pro
Causou uma mudança radical no tênis, principalmente para os amadores, ao mudar o material para alumínio e aumentar substancialmente o tamanho da cabeça da raquete. Enquanto as de madeira eram raquetes pesadas de 65 polegadas quadradas de área, a Prince Pro se tornou mais maleável com suas 100 polegadas.  Ganhou notoriedade com a juvenil Pam Shriver e seu sucesso no US Open usando a Prince Classic.

pro

Dunlop Max 200G
Uma das primeiras raquetes de grafite do mercado, não era fácil de lidar: 12,5 onças de peso e cabeça de 85 polegadas. Mas o sucesso alcançado por Steffi Graf e John McEnroe com a Dunlop Max 200G, que usava o então revolucionário processo de injeção de fibra de carbono e nylon para diminuir o peso do aro, foi absoluto. Teve uma variação chamada Black Max.

200G

Kneissl White Star
A marca austríaca inovou ao usar túnel de vento para desenvolver um aro de kevlar e fibra de vidro, com formato triangular e cabeça mid-size, que obtinha então menor resistência ao ar. Também trazia plástico nos buracos do encordoamento e proteção na cabeça para eventual contato com o chão. Lançada em 1985, prometia aumentar a velocidade dos golpes em 10%.

whitestar

Yonex R-22
Marca japonesa tradicional no badminton, a Yonex criou um modelo de fibra de vidro e usou Billie Jean King e Martina Navratilova como propaganda ainda na década de 70. Mas explodiu mesmo com a R-22, já de grafite e com uma cabeça de raquete diferenciada que aumentou a ‘zona doce’. Sucesso absoluto nas mãos de Martina e depois com Monica Seles.

r22

Prince 100 extendida
A ideia de aumentar o tamanho do cabo da raquete e criar um modelo mais longo foi da Dunlop. Marcas importantes como Wilson e Prince adotaram a sugestão e a Prince Graphite 100 usada por Michael Chang se tornou o modelo de maior sucesso. A raquete extendida tem 28 polegadas e ainda é encontrada no mercado atual.

prince100

Wilson Pro Staff
A linha Pro Staff já existia como madeira, mas ganhou respeitabilidade em 1983 quando passou a usar grafite. A cabeça 85 foi imortalizada por Pete Sampras e a de 90, por Roger Federer, embora existissem modelos até de 110 polegadas quadradas.

prostaff85

Babolat Pure Drive
A empresa francesa, criada em 1875, se restringiu a fabricar cordas por mais de um século até entrar no mundo das raquetes em 1994. Veio com uma proposta nova de encordoamento e explodiu no mercado em 2000 ao lançar a linha Pure Drive, que teve Andy Roddick como figura para penetrar no tênis norte-americano, onde rapidamente se tornou a terceira marca mais vendida. O aro leve prometia potência.

pure_drive

Head Radical
A marca austríaca teve modelos importantes de alumínio nos anos 1960 e criou a primeira raquete com composição de titâneo em 1997, mas o sucesso maior chegou com a linha Radical. O modelo foi desenvolvido para o estilo de Andre Agassi e surgiu em 1993. Com ele, o americano ganhou sete de seus oito Grand Slam. A Radical foi o modelo mais vendido no mundo entre 1999 e 2004.

radical