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O top 10 por piso do tênis feminino
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2020 às 14:39

Assim como foi feito no masculino, montei um ‘top 10’ do circuito feminino da Era Profissional por piso. Valem muitas das mesmas observações feitas para os homens, ou seja, o fato de que entre 1968 e 1974 os Grand Slam sobre a grama eram três; entre 1975 e 1977, os de saibro foram dois. E em 1978 surgiu o Slam para o piso sintético que, a partir de 1988, passou a ter dois torneios na superfície e a dominar portanto o calendário.

Na ordem de importância do calendário, o Finals feminino promoveu as duas primeiras edições no saibro. Entre 1974 e 2000, aconteceu sobre o carpete (e por isso foi o torneio mais importante disputado sobre o piso), e daí em diante na quadra dura. Dos Jogos Olímpicos desde 1988, um foi no saibro, outro na grama e os demais no sintético. Como sempre, valorizo os grandes feitos de duplas.

SINTÉTICO

1. Serena Williams
Absoluta, com 17 finais de Slam e 12 títulos, mais sete decisões de Finals e cinco troféus. Maior vencedora (47) e mais vitórias (501, com 84 derrotas e percentual de 85,6%)
2. Steffi Graf
Outro furação no piso: oito Slam e quatro vices, com 37 títulos e notáveis 89,6% de vitórias (338-39). Levou tudo em 1988: Austrália, Olimpíadas e EUA.
3. Monica Seles
Apesar da carreira encurtada, aproveitou bem o piso: quatro Austrália e dois EUA, 29 troféus e 83,6% de sucesso (311-60).
4. Kim Clijsters
Seis finais de Slam, com 3 títulos nos EUA e 1 na Austrália, além de 3 Finals. Somou 31 títulos e 325 vitórias (82,7% com 68 derrotas).
5. Martina Hingis
Decidiu 9 Slam e venceu 4 (tri na Austrália), além de 8 troféus de duplas. Ganhou 2 Finals de simples e 3 de duplas. Eficiência de 79,5% (302-78).
6. Martina Navratilova – Quatro Slam e quatro vices, mais 10 duplas. Foram 29 títulos e 87% de vitórias.
7. Justine Henin – Seis finais de Slam, com bi nos EUA. Ganhou dois Finals e teve 82% de sucesso.
8. Chris Evert – Com 478 vitórias, percentual chegou a 91,5% e 35 títulos, mas nos Slam ficou com sete finais e três títulos nos EUA.
9. Venus Williams – Dois US Open e um Masters, com 31 títulos e 479 vitórias.
10. Maria Sharapova – Dois Slam e um Masters, 20 títulos e 78,5% de sucesso.

SAIBRO

1. Chris Evert
Indiscutível: sete Roland Garros, três EUA e dois Masters, com notáveis 94,5% de sucesso em 404 jogos (382 vitórias). Foram 70 títulos e 125 jogos de invencibilidade.
2. Steffi Graf
Fez nove finais em Paris, com seis conquistas. Somou 32 troféus e 88,5% de eficiência (279 vitórias e 36 derrotas). Foi prata nos Jogos de Barcelona.
3. Justine Henin
Quatro títulos em Paris em cinco anos, terminou com 13 títulos no piso e 84,9% de vitórias (163 em 202 jogos realizados).
4. Monica Seles
Três triunfos seguidos em Paris antes da facada e uma final seis anos depois. Ganhou 14 torneios e 142 de 167 jogos (85%)
5. Serena Williams
Fez 4 finais, com 3 troféus em Roland Garros (curiosamente, 11 anos entre o 1º e o 2º). Venceu 13 torneios e tem 83,2% de sucesso.
6. Arantxa Sánchez – Em 10 anos, seis finais e três títulos em Paris. Somou 19 títulos no piso e 342 vitórias.
7. Margaret Court – Viveu a transição para o profissional e ganhou três vezes em Paris e outros 19 torneios.
8. Martina Navratilova – Mesmo fora de sua especialidade, fez seis finais e ganhou duas vezes em Paris, além de mais 14 torneios (208 vitórias)
9. Maria Sharapova – Três finais seguidas e dois títulos em Roland Garros, somou 159 vitórias no piso (82,4%).
10. Evonne Goolagong – Outra da fase de transição, um título e um vice em Paris e total de 20 troféus no saibro

GRAMA

1. Martina Navratilova
Domínio absoluto: 9 conquistas em Wimbledon (seis seguidas) em 12 finais, mais três na Austrália em cinco finais, além de 15 troféus de duplas e 32 títulos totais. Ganhou 307 de 346 jogos (88,7%).
2. Margaret Court
Mesmo na transição, ainda fez 10 finais e ganhou oito Slam (quatro na Austrália, três nos EUA e um em Wimbledon), mais sete duplas. Totalizou 46 títulos e venceu 293 jogos.
3. Serena Williams
De seus 8 títulos na grama, 7 foram em Wimbledon, onde fez mais 4 finais, e outro nas Olimpíadas. Ganhou seis duplas (e 1 olímpica). Tem 88,4% de sucesso (107 em 121).
4. Steffi Graf
Disputou nove finais em Wimbledon em 12 edições. Faturou sete títulos e um de dupla. Ganhou 85 de 100 jogos (85% de eficiência).
5. Billie Jean King
Tal qual Court, também pegou transição. Venceu quatro vezes Wimbledon e três nos EUA, com mais três vices e seis duplas. Totalizou 22 títulos.
6. Evonne Goolagong – Doze finais, sendo sendo 7 na Austrália e cinco em Wimbledon. Ganhou seis (quatro em casa e duas em Wimbledon, com 38 títulos no total.
7. Venus Williams – Nove finais em Wimbledon, com cinco títulos (e mais seis em duplas). Tem 81,6% de eficiência.
8. Chris Evert – Cinco troféus, sendo três em Wimbledon e dois na Austrália. Ganhou 17 torneios e teve 87,3% de vitórias.
9. Virginia Wade – Britânica somou um título em cada um dos três Slam da grama.
10. Jana Novotna – Três finais em Wimbledon e um título, mais quatro troféus de duplas.

CARPETE

1. Martina Navratilova
Outro domínio absoluto: 88 títulos, 512 vitórias e apenas 38 derrotas, ou seja, 93,1% de sucesso. Venceu oito de 11 decisões no Finals, onde levou mais 13 duplas.
2. Steffi Graf
Sempre bem adaptada aos pisos velozes, ganhou cinco Finals e teve um vice. Total de 31 títulos, com 189 vitórias e 20 derrotas (90,4%).
3. Monica Seles
Mesmo sem grande saque, decidiu quatro Finals e ganhou três, totalizando 103 vitórias em 123 possíveis (83,7%).
4. Chris Evert
Foram 35 troféus no carpete, sendo dois de Finals (mais quatro vices). Ganhou 208 e perdeu 27 jogos (88,5%)
5. Evonne Goolagong
Ótima nas quadras velozes, venceu dois Finals e totalizou 15 títulos na carreira profissional.
6. Martina Hingis – Ganhou dois Finals de simples e dois de duplas, com mais dois vices de simples
7. Gabriela Sabatini – Fez quatro finais de Masters, com dois títulos.
8. Lindsay Davenport – Ganhou uma das três decisões de Masters.
9. Tracy Austin – De seus 14 títulos, um foi no Finals.
10. Billie Jean King – Conquistou 36 títulos no piso.

Especial 20 anos: As maiores de todos os tempos
Por José Nilton Dalcim
15 de outubro de 2018 às 20:51

Esta semana é especial para TenisBrasil: no dia 20, completaremos 20 anos de existência. E para marcar esse momento, o Blog do Tênis publicará ao longo desta semana sua lista ’20+’: as maiores tenistas, os jogos mais espetaculares, os brasileiros, os melhores homens…

Começamos pelas 20 maiores tenistas da história. Justificarei sempre o voto nos cinco primeiros. Aguardo suas participações!

1. Martina Navratilova
Não tem tantos Grand Slam de simples como Margaret Court ou Serena Williams, nem ocupou o número 1 de simples como Steffi Graf, mas detém recordes talvez insuperáveis de títulos e vitórias em simples e em duplas, além de ter liderado os dois rankings. São 18 Slam de simples, 31 de duplas e 10 de mistas, tendo figurado na ponta do ranking por 332 em simples e 237 em duplas, sendo 200 semanas como número 1 nas duas listas. Encerrou carreira com 167 troféus de simples e 177 de duplas, sendo 84 deles no mesmo torneio. Assim, lidera também no número de vitórias de simples (1.442) e de duplas (747) na carreira. Venceu o Finals oito vezes em simples e 11 em duplas. Não bastassem tantos números, revolucionou o tênis ao montar equipe multidisciplinar e batalhou avidamente pelos direitos femininos no circuito.

2. Serena Williams
Mais velha tenista a deter todos os títulos de Slam simultaneamente, tem feitos extraordinários principalmente após os 30 anos. Em duplas também fechou o Slam não consecutivo em 2001, tendo ainda o ouro olímpico. Serena disputou final de todos os Slam em todas as modalidades, tendo vencido simples e duplas em todos e mistas em Wimbledon e US Open. É recordista de vitórias em Slam (314) e única com ao menos seis troféus em três Slam diferentes. Apesar de duas longas paradas por contusão e outra por gravidez, ficou 319 semanas como número 1.

3. Steffi Graf
Maior número de semanas na liderança do ranking (377), terceira maior coleção de títulos de Slam (23) e de troféus na Era Profissional (107). Fechou o Golden Slam ao vencer todos os Slam e o título olímpico em 1988.

4. Margaret Court
Tenista que mais ganhou troféus de Slam em simples (24) e  no total (64, sendo 19 de duplas e 21 de mistas), tem a carreira dividida entre as fases amadora e profissional. Na etapa após 1968, seus números caem para 11 Slam de simples, 10 de duplas e 7 de mistas, mas ainda são notáveis.

5. Chris Evert
Com 18 troféus de Grand Slam e outras 16 finais, tem o quarto maior reinado como número 1 e a segunda maior coleção de títulos de simples (157). Foi tetracampeã do Finals. Sua rivalidade com Navratilova é a mais significativa da história do tênis feminino.

As outras top 10
6. Helen Wills
7. Billie Jean King
8. Suzanne Lenglen
9. Monica Seles
10. Martina Hingis

As demais top 20:
11. Maureen Connolly
12. Maria Esther Bueno
13. Justine Henin
14. Venus Williams
15. Doris Hart
16. Althea Gibson
17. Maria Sharapova
18. Kim Clijsters
19. Lindsay Davenport
20. Arantxa Sanchez

Um momento de história
Por José Nilton Dalcim
25 de julho de 2017 às 19:04


A página do TenisBrasil no Facebook soltou hoje cedo este vídeo histórico que mostra as finais de WImbledon de 1964. Além de ser um retrato interessante de como se vestia e torcia há mais de 50 anos, o que vale mesmo para nós são imagens raras de Maria Esther Bueno em ação.

O sucesso foi tão grande lá no Facebook que achei justo reproduzir o vídeo aqui e contar alguns detalhes sobre o que envolvia esse duelo das ‘rainhas da grama’.

Aquele ano marcou nada menos que o tricampeonato de Estherzinha em Wimbledon. Campeã em 1959 e 60, problemas físicos prejudicaram sua campanha nas temporadas seguintes – sequer jogou em 61 mas foi à semi em 62 – e portanto era uma chance espetacular de chegar à coroação absoluta em Wimbledon.

Observem quem era sua adversária: a australiana Margaret Smith (depois Court), então com 22 anos, que se tornaria ao final da carreira a maior colecionadora de troféus de Grand Slam de todos os tempos, entre homens e mulheres.

Apesar de seus 1,75m, fica evidente o porte físico avantajado da australiana perante a paulistana, três anos mais velha e cinco centímetros mais baixa.

Não pensem no entanto que Smith tinha currículo pequeno. Quando chegou a esta final, ela já era pentacampeã na Austrália, tinha dois troféus em Roland Garros, havia conquistado uma vez o título nos EUA e era a atual detentora do troféu em Wimbledon.

O jogo também era uma verdadeira revanche da final dos EUA de 1963, quando Estherzinha havia barrado o bi da australiana em Nova York. Importante lembrar que a grama também era o piso nos EUA e na Austrália naquela época.

As cenas do vídeo acima servem ainda para apreciarmos um pouco do estilo clássico, leve mas ao mesmo tempo agressivo de Maria Esther, que nasceu no saibro mas credita sua desenvoltura na rede aos treinos incansáveis com o irmão Pedro desde a infância.

O placar foi duro: 6/4, 7/9 e 6/3 para Maria Esther, que reencontraria Smith na final de Wimbledon de 1965, desta vez perdendo por 4/6 e 5/7, e ainda teria mais uma chance de chegar ao tetra em 1966, superada então por Billie Jean King também em três sets. Billie Jean tinha um estilo muito parecido com a da brasileira, cheio de toques requintados e pernas ágeis pela quadra.

Este no entanto não foi o último troféu de Grand Slam da brasileira. Meses depois, ela faturaria seu terceiro título nos EUA e ainda chegaria ao tetra em 1966. Infelizmente, o cotovelo impediu que Maria Esther tivesse uma carreira mais longa. Após conquistar as duplas do US Open de 1968, seu único Slam realmente profissional, precisou parar. Chegou a fazer nove cirurgias e recorreu até à mítica metodologia indiana, sem sucesso. Tentou retorno em 1974 e 76, mas viu que seria impossível recuperar a velha forma e se aposentou em 1977.

Margaret Smith foi bem mais longe e chegou muito bem à Era Profissional, faturando quatro Australian Open, três Roland Garros, um Wimbledon e três US Open na fase moderna do tênis. Seu último jogo de Grand Slam, já mãe de dois filhos, foi curiosamente contra Martina Navratilova, em 1975. Persistiu nas quadras, teve um terceiro filho e também se aposentou em 1977, grávida mais uma vez.