Arquivo da tag: Bianca Andreescu

Djokovic e Serena buscam feitos no US Open
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2020 às 19:59

Em situações bem distintas, Novak Djokovic e Serena Williams disputam o US Open com o objetivo de fazer mais história. Mas enquanto o sérvio acaba de ganhar Cincinnati e não tem a concorrência dos outros Big 3, Serena não empolgou nos dois torneios de aquecimento e, bem pertinho dos 39 anos, tenta apagar as frustrações de 2018 e 2019.

Claro que o maior objetivo de Nole é o 18º troféu de Slam, o que o deixaria ainda mais grudado em Rafael Nadal e Roger Federer, porém há mais algumas façanhas a sua disposição. Tenta pela terceira vez ganhar os dois Slam sobre quadra dura, como fez em 2011 e 2015. Vencedor de cinco dos sete últimos Slam, pode igualar Federer como únicos a ganhar mais de um Slam por temporada por seis vezes.

Invicto há 23 jogos na temporada, aparecerá nesta segunda-feira na 284ª semana como número 1 e fatalmente igualará as 286 de Pete Sampras quando o US Open terminar, qualquer que seja sua campanha. Por fim, único representante do Big 3 em ação, tentará o 14º Slam seguido do trieto e o 57º nos últimos 68.

Serena por sua vez tem novamente um feito incrível na mira: se chegar ao 24º Slam e igualar Margaret Court – algo que lhe escapou por quatro finais -, será também a recordista do US Open, com sete troféus. Mais notável ainda, se tornará a única com hepta em três Slam diferentes, incluindo também os homens.

E ainda quebrará seu próprio recorde de mais velha campeã de Slam, atualmente de 35 anos e 125 dias, no Australian Open de 2017. Antes de tudo isso, precisará somente superar a estreia para se tornar a tenista com mais vitórias no torneio (empata no momento com as 101 de Chris Evert).

Saiba mais
A 53ª edição consecutiva do US Open correu risco devido ao coronavírus e exigiu uma série de medidas emergenciais, principalmente a ausência de público e a consequente diminuição na bolsa de premiação geral, ainda que os US$ 3 milhões a cada campeão não seja nada desprezível.

Também eliminou o qualificatório, reduziu a chave de duplas pela metade e cancelou a de mistas e os torneios juvenis. Como novidade, terá um sistema de inteligência artificial para imitar reações do público às jogadas e dar alguma vida aos estádios vazios.

Veja as curiosidades mais importantes do torneio que será aberto às 12 horas desta segunda-feira:

– Apenas três campeões de Slam compõem a chave masculina, mas todos já venceram o US Open: Djokovic (17 troféus e três em Nova York), Andy Murray (três e um) e Marin Cilic (um). No feminino, são 10 campeãs ativas, seis delas em Flushing Meadows: Serena, Venus, Clijsters, Kerber, Osaka e Stephens.

– Outros quatro homens fizeram final de Slam, sendo que Anderson e Medvedev decidiram em Nova York. Os outros são Thiem e Raonic. No feminino, Keys, Azarenka, Zvonareva e Pliskova foram vices no torneio.

– Todos os seis principais cabeças entre os homens jogaram ao menos uma semi de Slam (Tsitsipas, Zverev e Berrettini).

– Nada menos que 43 dos 128 participantes da chave masculina têm 30 anos ou mais. No feminino, são 26 ‘trintonas’.

– Apenas 15 homens na chave de simples batem backhand com uma mão.

– Dos 32 cabeças do masculino, 14 têm menos de 25 anos, o maior número desde o US Open de 2009. O mais jovem é Aliassime (20).

– Aos 40 anos, Venus jogará o US Open pela 22ª vez. O bicampeonato foi há muito tempo: 2000-01.

– Nenhum profissional masculino venceu o US Open na Era Aberta sem perder sets. O último foi Neale Fraser, em 1960.

– Dos 64 jogos femininos de primeira rodada, 34 são inéditos.

– Os dois atuais campeões do US Open desistiram de competir: Nadal devido à pandemia e Andreescu por falta de preparo físico. Isso não acontecia no torneio desde 2003, quando Sampras se aposentou e Serena se contundiu.

Djokovic carrega as baterias
Por José Nilton Dalcim
17 de agosto de 2020 às 18:52

É fácil perceber que Novak Djokovic e Stefanos Tsitsipas estão levando a sério a dupla oportunidade em Flushing Meadows e foram os primeiros grandes nomes a desembarcar em Nova York e ir rapidamente para as quadras.

O líder do ranking chegou no sábado e no dia seguinte foi experimentar a Arthur Ashe, onde provavelmente irá fazer quase todos seus jogos do US Open. Diante do absoluto silêncio das arquibancadas, deve ter aproveitado também para se adaptar à sensação de competir no maior estádio de tênis do planeta tendo apenas Goran Ivanisevic de torcedor.

Numa atitude que mostra sua disposição, Nole entrou na chave de duplas de Cincinnati, num claro recado que está atrás do ritmo perfeito de competição para o US Open. Seu parceiro será o compatriota Filip Krajinovic, justamente com quem bateu bola no domingo. Filip aliás o venceu na exibição do Adria Tour de Belgrado. Jogador de bons recursos, Krajinovic merece atenção, ainda mais que está garantido como cabeça de chave nos dois eventos.

Há muita expectativa sobre o desempenho de Tsitisipas, que conseguiu manter bom nível de competição nos jogos de Nice. O grego será o cabeça 4 tanto no Masters como no Slam, torneios em que Djoko e Dominic Thiem irão para as extremidades da chave. Ele e Daniil Medvedev terão portanto de torcer para o lado que preferem cair, e certamente o do austríaco parece muito melhor. Os outros quatro cabeças de peso serão Sascha Zverev, Matteo Berrettini, David Goffin e Roberto Bautista.

Tsitsipas também quer jogar duplas no Masters, mas por enquanto ele, Thiem e Alexander Zverev, com seus respectivos parceiros, dependem de convite ou desistências para entrar. Ou seja, todo mundo tentando recuperar o tempo perdido.

Por outro lado, Kei Nishikori engrossou a lista dos ausentes. Sem jogar desde o US Open do ano passado, o japonês está mesmo sem sorte e informou ter contraído Covid-19 na Flórida. Há no entanto esperança que ele se recupere para o US Open, onde entraria como cabeça. já que se manteve no 31º lugar do ranking.

Feminino ainda mais desfalcado
Já para o tênis feminino as notícias continuam a piorar. A vice-líder Simona Halep, a atual campeã Bianca Andreescu e a suíça Belinda Bencic anunciaram desistência de ir a Nova York e assim serão apenas quatro top 10 na chave: Karolina Pliskova, seguida de Sofia Kenin, Serena Williams e Naomi Osaka.

Halep jogou bem e ganhou Praga no domingo, e aí tomou a atitude esperada, afirmando não estar confortável para encarar a viagem e os riscos. Já Andreescu admitiu não se sentir suficientemente preparada para jogar. Ela contundiu o joelho em outubro e voltou a treinar durante a pandemia.

Também não foi animadora a participação de Serena em Lexington, ainda que não tenha mostrado falta de preparo físico ou excesso de gordurinhas. Perdeu para Shelby Rogers e viu o título terminar nas mãos de Jennifer Brady, que não é uma novata com seus 25 anos mas já tinha mostrado progresso neste começo de temporada.

Até o momento, Aryna Sabalenka, Petra Kvitova, Madison Keys e Petra Martic subiram para o grupo das oito primeiras cabeças dos eventos em Nova York e Sloane Stephens está com grande chance de entrar no grupo das 32 pré-classificadas. De qualquer forma, será um Slam definitivamente estranho.

Os sorteios para o Masters e Premier de Cincinnati estão marcados para quinta-feira.

O Brasil começa bem
Potência inegável nas duplas, o tênis brasileiro começou muito bem a fase pós-pandemia, com o segundo título de primeira linha de Luísa Stefani, desta vez em Lexington e novamente ao lado de Hayley Carter. Como destaque na campanha, a vitória em cima de Stephens/Mattek-Sands.

A paulistana de 23 anos, que se exercitou em jogos de simples e ganhou 16 de 28 exibições durante a paralisação do circuito, entrou para o top 40 como a 39ª do ranking.

É a melhor posição já ocupada por uma duplista brasileira na história (apenas outros dez homens chegaram nesse estágio) e apenas a terceira tenista nacional no top 40 juntando as simples (Maria Esther foi 29 e Niege Dias, 31).

E se a chave ajudar, podemos esperar mais nos torneios de Nova York.

‘Melhores’ dão o que pensar
Por José Nilton Dalcim
16 de dezembro de 2019 às 10:27

Enquete criada por TenisBrasil há 19 anos, os resultados dos Melhores do Ano – que na verdade inclui também questões sobre a expectativa para a temporada seguinte – sempre me provocam curiosidade e reflexão. Afinal, optei desde o início por oferecer dois paineis distintos: um para o voto ‘popular’ e outro para os chamados ‘especialistas’, que são treinadores, jornalistas e alguns convidados especiais sempre muito próximos ao dia a dia do tênis. Por vezes, surgem dissonâncias valiosas e em 2019 não foi diferente.

Na pesquisa encerrada na sexta-feira, algo notável: os dois grupos deram votação expressiva para o ‘fato do ano’ não a uma conquista, como é bem natural, mas a uma das mais dolorosas derrotas do tênis moderno. Os dois match-points perdidos por Roger Federer em Wimbledon e consequentemente o 21º troféu de Slam que escapou ganharam com margem de 46% entre os especialistas e 45% para os internautas. Mais incrível ainda: os paineis quase desconsideraram o título do próprio Novak Djokovic no torneio. Ao menos, 61% dos especialistas e 67% do juri popular cravaram que esse foi o jogo do ano.

Bianca Andreescu e Cori Gauff lideraram como surpresas da temporada para os convidados, mas os internautas ficaram com as façanhas de Daniil Medvedev. A jovem canadense ganhou de longe como a que teve maior evolução técnica (56% e 59%) e ainda apareceu no jogo feminino do ano (69% e 48% para sua vitória em cima de Serena Williams no US Open). Por tudo isso, minhas indicações pessoais foram para Andreescu e sua arrancada incrível ao estrelato com um tênis bem agressivo.

Felix Aliassime foi considerado a revelação masculina pelos especialistas (54%) porém o público preferiu Matteo Berrettini (38%). Fico com o garoto canadense, apesar de seu segundo semestre fraco. Houve concordância nos dois paineis quanto a Medvedev ter tido a melhor evolução técnica (51% e 65%), superando Stefanos Tsitsipas (33% e 27%). Também votei no russo e para mim o essencial esteve em sua versatilidade nos pisos, do saibro lento ao sintético veloz.

Alexander Zverev, é claro, recebeu maciça votação como a grande decepção do ano, e destaco aí o segundo lugar de Nick Kyrgios nos dois paineis, acentuando a frustração que o australiano causa: mão genial e cabeça geniosa. Já a vitória de Phillip Kolhschereiber sobre Djokovic em Indian Wells venceu apertado entre os especialistas (28%) mas com folga entre os internautas (40%) como a grande ‘zebra’ do masculino, o que concordo plenamente.

Por fim confesso ter me surpreendido que tanto especialistas como o público tenham votado mais no ouro de João Menezes (25% e 34%) e no fim do Brasil Open (25% e 21%) do que no caso de doping de Bia Haddad (20% e 22%) como o ‘fato do ano’ do tênis brasileiro. Acho que o afastamento da tão promissora Bia foi uma das notícias mais inesperadas e desalentadoras que recebi nos últimos anos. O julgamento aliás ainda segue misterioso.

Vou deixar para o próximo post as indicações para 2020 e vamos ver também o quanto o pessoal acertou em relação ao que apostou para 2019.