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O que esperar de 2022
Por José Nilton Dalcim
25 de dezembro de 2021 às 23:56

Depois de perguntar ao público quem foram os destaques de 2021, a tradicional enquete de TenisBrasil quer saber agora o que se espera da próxima temporada e dedicou 10 interessantes perguntas sobre isso. Quem quiser pode votar até terça-feira. Clique aqui.

Meus palpites? Vejo Alexander Zverev muito perto de seu primeiro Grand Slam, seguido por Stefanos Tsitsipas e não acho que Novak Djokovic vá terminar outra vez na liderança, então ficaria também com o alemão. Já no feminino, ainda vejo Ashleigh Barty como a mais versátil e colocaria Naomi Osaka como sua maior adversária.

Sobre o Big 3, acredito que Djokovic perderá a liderança no primeiro semestre, mas que terminará o ano como recordista de Slam. Imagino Nadal jogando todas as fichas no saibro porém sem repetir Roland Garros. A aposentadoria enfim deve ser anunciada por Federer e Serena, já que imagino ambos com pouca chance em 2022.

Há três questões sobre o tênis brasileiro. Apostaria em Bia Haddad como destaque geral e no primeiro Slam de Luísa Stefani e vejo Gabriel Decamps com chance de dar o maior salto de qualidade.

Aliás, que tal dar uma olhada como foi a votação do ano passado na previsão portanto para 2021?

  • Quem está mais perto de ganhar seu primeiro Slam? O público votou mais em Zverev (47%) acima de Medvedev (42%), enquanto os especialistas foram firmes em Medvedev (67%), deixando Zverev bem atrás (16%) e Tsitsipas em terceiro (8%).
  • Quem tem mais chance de chegar ao top 10 pela primeira vez? Os dois paineis optaram por Swiatek (55% do público e 73% dos especialistas), seguida por Aliassime (18% e 13%). Portanto, um altíssimo grau de acerto.
  • Qual brasileiro a se apostar? Bia Haddad foi absoluta (42% e 40%), mas Wild era bem cotado (26% e 32%) e decepcionou. Meligeni ficou em terceiro (15% e 16%).
  • Quem vai se dar melhor em duplas? Soares foi o mais indicado em ambas as enquetes (45% e 46%) e Stefani veio logo atrás (29% e 43%).
  • Maior candidato à aposentadoria… Incrível, mas nenhum dos sete nomes indicados se despediu. Venus recebeu 40% dos votos, Federer ficou com 30% do público e 27% dos especialistas e Gasquet era cotado com 16% e 21%. Serena, Wawrinka, Isner e Monfils também seguem em 2022.
Fognini precisa agora ir atrás do top 10
Por José Nilton Dalcim
21 de abril de 2019 às 21:53

O primeiro passo foi dado. Enfim, o talento de Fabio Fognini ergueu um dos grandes troféus do circuito masculino e faturou com máxima justiça Monte Carlo. Afinal, alguém que domina Rafa Nadal como ele fez no sábado teria mesmo de ficar com o título.

Então o sonho de um dia chegar ao top 10, que ele próprio revelou meses atrás, nunca esteve tão perto. O italiano, pertinho da casa dos 32 anos, aparecerá nesta segunda-feira em seu recorde pessoal, o 12º posto, 5 pontos atrás de Marin Cilic e a apenas 245 de John Isner. Somará tudo que fizer acima dos 45 em Barcelona e dos 10 em Madri. É uma chance de ouro. E depois defende apenas 180 em Roma e em Paris, locais onde pode se sair muito, muito bem.

Fognini garante no entanto que não quer pensar em Barcelona ou em ranking por enquanto. Ele será cabeça 4 lá e portanto deve estrear somente na quarta-feira, o que lhe dá tempo para comemorar e descansar. Ele destacou na campanha de Mônaco, claro, sua vitória na semi sobre Nadal, mas mostrou muita consciência ao dizer que o espanhol continua favorito a tudo que jogar no saibro europeu. A boa notícia é que Rafa ficou do outro lado da chave em Barcelona.

A final deste domingo começou tensa, como era de se esperar. Dusan Lajovic teve a primeira vantagem, ainda no terceiro game, mas cedeu o 2/2 em seguida e daí em diante o que se viu foi Fognini sempre muito mais oportuno nos famosos ‘pontos importantes’. Lajovic várias vezes pareceu indeciso sobre que postura adotar, foi menos agressivo do que vinha fazendo na semana, e obviamente sofreu com a incrível capacidade do italiano em variar direções e efeitos. Não foi um jogo espetacular e o vento contribuiu muito para isso.

Lajovic aliás também deu uma declaração interessante, afirmando que ver Fognini jogar o melhor tênis da carreira pertinho dos 32 anos é um grande incentivo para ele, que aos 28 disputou sua primeira final de nível ATP.

Novos tempos
Fato muito relevante: este é o segundo ano consecutivo em que três diferentes jogadores vencem os Masters iniciais do calendário e que dois deles são debutantes. Em 2018, foram Juan Martin del Potro e John Isner e agora Fognini e Dominic Thiem. Algo que só havia acontecido em 1990, quando foi instituída a série Masters, com triunfos de Stefan Edberg, Andre Agassi e Andrei Chesnokov.

Outro dado bem interessante divulgado pela ATP lembra que Fognini é o oitavo tenista a ganhar seu primeiro Masters nos últimos 17 eventos disputados. Antes de Roma-2017, também foram oito porém em 92 torneios, ou seja, no período de amplo domínio do Big 4.

Detalhes
– Fognini é o primeiro tenista a derrotar Nadal e ganhar um troféu no saibro desde Pablo Cuevas, no Rio Open de 2016.
– O último italiano a ter vencido Monte Carlo foi Nicola Pietrangeli, em 1968, quando o tênis ainda não havia entrado na Era Profissional. Corrado Barazzutti foi vice em 1977.
– Lajovic é treinado justamente pelo ex-técnico de Fognini, o espanhol Jose Perlas, e treina atualmente em Barcelona.
– Sinal de como o saibro é lento em Monte Carlo, Fognini levantou o título com média na semana de 57% de acerto de primeiro saque e 65% de pontos vencidos com ele.
– O sérvio jogou a semana toda com uma bolha dolorida no dedão do pé e revelou que a preparação para entrar em quadra foi extremamente chata e longa.

Não deu
O renovado time brasileiro da Fed Cup não teve mesmo muita chance em Bratislava, mesmo jogando sobre saibro coberto. Dominika Cibulkova, ex-top 4 e vice do Australian Open, colocou toda sua experiência em quadra e fez a diferença, mas ainda assim Bia Haddad esteve bem perto de ganhar o primeiro set no terceiro e decisivo jogo deste domingo, quando abriu 5/3 e teve o serviço a favor.

Vale lembrar que a canhota de 22 anos estava competindo em Bogotá até o sábado e se dispôs a um longo deslocamento até a Eslováquia, onde chegou apenas na quarta-feira.

É preciso ainda dar o devido desconto às meninas, que raramente disputam jogos de nível tão alto e sob tamanha pressão. Há uma distância grande de qualidade e de experiência entre Bia e as demais integrantes do time, isso é inegável.

O lado realmente positivo está no fato de esse grupo ser muito unido, todas trabalham juntas e sem atritos, algo bem raro na nossa longa história de Fed Cup.

Pé esquerdo
Por José Nilton Dalcim
4 de janeiro de 2018 às 19:03

Depois de um 2017 de escasso sucesso, a nova temporada já começou com o pé esquerdo para o tênis brasileiro. Thomaz Bellucci anunciou nesta quinta-feira ter chegado a um acordo com a Federação Internacional cinco dias atrás e aceitou a suspensão de cinco meses por uso não intencional de substância proibida, que teria contaminado um suplemento de vitaminas que ingere por conta de seu problema de suor excessivo.

Já havia muita gente sussurrando nos bastidores de que essa parada de Bellucci havia sido muito repentina. Afinal, ele chegou a viajar para disputar o ATP de Shenzhen, na China, mas deu meia volta. Agora, sabe-se que foi justamente lá quando a ITF o notificou da suspensão preventiva – o exame fora feito em julho durante Bastad – e daí em diante a contusão no tornozelo virou a desculpa certa para justificar sua ausência forçada.

Ao fazer o acordo para pegar a pena mínima, já que felizmente conseguiu provar a falta de intenção e falou alto seu histórico na carreira, Bellucci se viu obrigado a desistir de disputar os torneios na Austrália e assim o retorno acontecerá no saibro de Quito, já na primeira semana de fevereiro.

Claro que a suspensão levou Bellucci a terminar a temporada fora do top 100 – ele chegou a se inscrever nos challengers sul-americanos, mas não pôde jogar devido ao julgamento não concluído – e ainda por cima terá de defender a semi e os 90 pontos de Quito logo de cara. Com 30 anos completados no penúltimo dia de 2017, o recomeço fica um pouco mais difícil. Ele ainda decidiu se mudar para a Flórida e a intenção de contratar um técnico espanhol.

Outra má notícia veio com Thiago Monteiro. O canhoto cearense encarou o duro quali de Pune, no piso sintético sufocante do verão indiano, ganhou uma boa primeira rodada e estava dando trabalho ao top 15 Kevin Anderson quando a dor no tornozelo esquerdo não o deixou prosseguir na partida e certamente preocupa para o quali do Australian Open da semana que vem.

Para compensar, Rogerinho Silva herdou a vaga de Kei Nishikori e garantiu ao menos duas presenças do tênis brasileiro no primeiro Grand Slam da temporada, somando-se a Bia Haddad. A canhota, que teve os resultados de simples mais expressivos de 2017, exigiu da experiente Aga Radwanska em Auckland. Parece que será apenas uma questão de ganhar maturidade e um pouco mais de confiança para Bia aprontar em cima das grandes.

Por fim, há de se lamentar também a esperada desistência de Andy Murray do Australian Open. O escocês está tentando de tudo para voltar a jogar e, como havia feito no US Open, viajou, treinou, chegou a fazer um set público e entrou até na chave de Brisbane antes de a realidade bater à porta.

Murray não tem mesmo condições de seguir carreira sem a cirurgia no quadril, nem mesmo num nível mediano. Então chegou a hora da verdade a ele: ou se submete não apenas à operação mas principalmente à sacrificante fisioterapia de recuperação, que levará no mínimo seis meses, ou terá de se aposentar.