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Sexta-feira gorda
Por José Nilton Dalcim
6 de novembro de 2020 às 19:35

A confirmação do número 1 de Novak Djokovic em 2020, a classificação inédita de Diego Schwartzman para o Finals e a volta de Marcelo Melo à arena O2 rechearam a sexta-feira do tênis de notícias importantes.

A ATP cautelosamente esperou Rafael Nadal não pedir convite para disputar Sófia e só então anunciou o que era mais do que óbvio e justo: Djokovic finalizará a temporada como líder pela sexta vez em sua carreira, igualando o total de Pete Sampras. Ao mesmo tempo, tira a primazia de Nadal e se torna o de maior idade a obter esse feito, aos 33 anos.

Como o Blog mostrou dias atrás, não há o que discutir. Antes de Paris, Djokovic somou 2.650 pontos a mais que Dominic Thiem no encurtado calendário. Se Nadal ganhar Bercy, ficará ainda assim 2.015 atrás do sérvio. Nole ergueu até agora quatro troféus – Austrália, Cincinnati, Roma e Dubai – e ainda chegou à final de Roland Garros. Foram 39 vitórias em 42 possíveis, com série invicta de 26.

E a luta por façanhas em 2020 ainda não terminou para ele. Descansado, buscará dentro de oito dias o sexto título no ATP Finals, o que igualará outro recorde de Roger Federer e novamente deixará Sampras para trás.

Vagas definidas
Mesmo com a derrota acachapante diante de Daniil Medvedev, ‘El Peque’ confirmou a oitava e última vaga no Finals de Londres, um grande prêmio para sua carreira. O drama argentino terminou horas depois quando Nadal virou em cima de Pablo Carreño e acabou com qualquer disputa.

Ainda em cima de Londres, a excelente notícia foi o avanço de Melo e Lukasz Kubot para a semi em Bercy, o que também garantiu a parceria pelo quarto ano seguido no torneio que encerra a temporada. Aliás, Melo jogará seu oitavo Finals consecutivo, já que participou de outros quatro com Ivan Dodig. O mineiro chegou a duas decisões, uma com cada parceiro.

Nadal perto do sonho
Como aconteceu na estreia, Rafa começou mal, correu alguns riscos no segundo set e só então achou seu melhor tênis. Carreño esteve talvez mais perto de ganhar do que Feliciano López, mas falhou mentalmente quando tudo indicava um tiebreak tenso. E aí desabou.

Faltam assim dois jogos para enfim Nadal conquistar Bercy. O próximo adversário é Alexander Zverev, alguém que já lhe deu muito trabalho, ainda que o placar geral seja de 5 a 1. A única vitória do alemão aconteceu justamente no duelo mais recente, no Finals do ano passado.

Na outra semi, duelam Medvedev e Milos Raonic. O russo parece reanimado, fez belíssima partida contra Schwartzman e tenta disputar sua primeira final em 13 meses. De quebra, irá superar Federer e retornar ao quarto lugar do ranking. O russo levou a melhor nos dois confrontos diante de Raonic, e em pisos velozes, o que lhe dá certo favoritismo. Vale recordar que o canadense, finalista em Cincinnati deste ano, não ganha um torneio desde janeiro de 2016.

E mais
– O domínio de Djokovic nesta década foi notável. Ele também terminou como número 1 em 2011-12, em 2014-15 e em 2018.
– Em 10 dos últimos 11 anos, o número 1 de final de temporada tem sido Djokovic ou Nadal.
– Desde 2004, apenas Murray quebrou a hegemonia do Big 3 na ponta do ranking ao fim de um calendário, em 2016.
– Berrettini e Monfils ainda não podem comemorar a nada desprezível vaga de reservas em Londres, onde se ganha para só treinar. Isso porque Raonic ainda pode ganhar Paris e Shapovalov, que está apenas 45 pontos atrás dos dois, jogará Sófia.
– Outra mudança no top 10 na lista de segunda-feira será Zverev superando Tsitsipas na retomada do sexto posto.

Paris, toujours Paris
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2020 às 20:07

Rafael Nadal começou nervoso, como não poderia deixar de ser. Seu reencontro com a quadra dura, onde pisou pela última vez em março, ainda era diante de um amigo e parceiro de duplas e treinos, o experiente e talentoso Feliciano López. Perdeu o primeiro set, precisou do tiebreak no segundo e por fim jogou mais solto para atingir mais uma façanha, a 1.000ª vitória.

Nadal entra para o restritíssimo clube que tem Jimmy Connors (1.274), Roger Federer (1.242) e Ivan Lendl (1.068) com quatro dígitos de vitórias. Entre todos, o espanhol é quem possui melhor aproveitamento: 83,2% de sucesso, contra 82,1% do suíço, 81,8% de Connors e 81,5% de Lendl. Isso porque Rafa soma 201 derrotas até agora.

O indiscutível ‘rei do saibro’ tem 91,8% de vitórias na terra (445 vitórias e 40 derrotas), mas em números absolutos ele ganhou mais no piso duro (482). No rol de seus triunfos, destaquem-se os 282 em Grand Slam – apenas 39 derrotas -, os 387 em nível Masters, os 100 em Roland Garros e os 21 em cima de um líder do ranking, recorde que aumentou na recente final contra Novak Djokovic.

A caminhada de Rafa para chegar à milésima vitória começou ainda aos 15 anos, quando derrotou o paraguaio Ramon Delgado, então 81º do mundo, no ATP disputado em Mallorca, uma época em que ainda competia no nível future. Logo depois, abandonou os estudos para se dedicar integralmente ao tênis.

Na temporada seguinte, ganhou seu primeiro challenger, furou o quali e venceu duas rodadas nos Masters de Monte Carlo e de Hamburgo, o que lhe deu ranking para entrar diretamente em Wimbledon e surpreender o super-sacador Mario Ancic logo na estreia. Era sua primeira vitória em Grand Slam, ironicamente sobre a grama.

Em pelo menos nove temporadas de sua carreira, Nadal venceu no mínimo 60 jogos. Seu recorde pessoal veio em 2008, com 82. Não menos incrível é sua marca de 95,2% de sucesso após vencer o primeiro set – ou seja, levou apenas 45 viradas.

Quatro jogadores foram batidos mais de 20 vezes pelo canhoto espanhol: Djokovic (27), David Ferrer (26), Federer (24) e Tomas Berdych (20), mas o maior ‘freguês’ talvez seja Richard Gasquet, que perdeu todas as 16 tentativas.

Em mais um ano em que Paris lhe dá tantos feitos históricos, talvez seja enfim a vez de conquistar o Masters de Bercy. Livre do nervosismo de estreia, é favoritíssimo contra Jordan Thompson, pode reencontrar Pablo Carreño e fazer semi diante da nova geração, seja Alexander Zverev ou Andrey Rublev ou quem sabe apareça Stan Wawrinka.

Do outro lado da chave, Diego Schwartzman encara Alejandro Fokina e pode cravar vaga no Finals se bater depois Daniil Medvedev ou Alex de Minaur. Com a queda de Stefanos Tsitsipas na estreia para Ugo Humbert, qualquer coisa pode acontecer num setor que tem ainda Milos Raonic e Marin Cilic.

Espetáculo parisiense
Por José Nilton Dalcim
31 de outubro de 2013 às 07:33

O Omnisports, arena multiuso a sudeste de Paris, impressiona logo de cara pela estrutura piramidal, incluindo longas escadas que levam às entradas principal e laterais. Aliás, subir e descer escadas é um exercício natural na Cidade Luz, principalmente para os turistas.

A estação de metrô Bercy está a 100 metros do portão de entrada. Isso mesmo. É ainda mais fácil do que a arena O2, de Londres. Quando se pensa no que temos no Ibirapuera ou no Maracanãzinho, parece piada. Ao mesmo tempo, estão à disposição nove bolsões de estacionamento anexos ao ginásio e dois pontos de táxis.

Mas os franceses também têm seus problemas. Apenas seis portarias dão acesso ao público, que passa por uma revista rápida, o que no entanto se torna suficiente para causar imensas (e comportadas) filas, principalmente na troca da sessão diurna pela noturna.

O Masters 1000 pariense também faz opção por duas sessões de ingresso. Quem tem tempo, deve comprar para o dia todo, que custa a partir de 13 euros e dá acesso também às quadras 1 e 2. Para entrar em sessões separadas, já se paga bem mais, começando em 18 euros. Parece caro, mas todas as rodadas noturnas estão lotadas desde a quarta-feira, e estamos falando em 13.900 lugares. Com isso, chove cambistas na saída do metrô, todos educados e discretos.

Dentro do ginásio, existe preocupação em dar atividades ao público, como jogos eletrônicos (de futebol!), lojinhas de artigos esportivos e alguma coisa de outros patrocinadores. No geral, fraco. A parte de alimentação principallmente é bem acanhada, com hot dog de um salsicha a 4,5 euros. A arena O2, por exemplo, dá um banho nisso, com restaurantes e lanchonetes de todos os níveis.

Uma boa ideia dos organizadores em Paris tem sido a sessão diária de autógrafos, entre segunda e quinta-feira. Outra foi a de presentear qualquer espectador aniversariante do dia com um ingresso para 2014.

Embora seja consideravelmente confortável assistir aos jogos no ginásio principal – e acompanhar aquela bela entrada high-tech dos tenistas em quadra (vocês devem ter visto na TV aí) -, gostei mesmo foi de ir às quadras secundárias. São no máximo cinco fileiras de cadeira e você fica grudado nos tenistas, parece estar vendo a partida na tela da quadra do seu clube ou academia. Como estamos num Masters 1000, fica então pertinho de gente como Berdych ou Del Potro, podendo sentir os golpes, o efeito da bola, a reação. Foi lá que vi a estreia de Janowicz com seu saque espetacular (vídeo acima).

Todas as três quadras de jogo têm telão de LED com placar permanente, informações estatísticas e o desafio eletrônico. O diferente é que você pode rever imediatamente um lance bonito da partida, como se estivesse na TV de casa.

Marcas – Com a classificação suada para Londres, Roger Federer estará em seu 12º Finals, igualado Lendl e ficando um atrás do recordista Agassi. Poderá assim sonhar com o sétimo título no ano em que comemora o 10º aniversário da primeira conquista, em Houston. Além do recorde de títulos, o suíço é o segundo em finais (oito, contra 9 de Lendl) e de semis (10, diante de 12 do mesmo Lendl).

Ninguém deve ter falado nisso, mas Federer superou outra marca de Sampras nesta segunda-feira, ao figurar pela 587ª semana como top 10. Está muito longe de Lendl (647), Agassi (747) e Connors (817). O suíço também igualou Sampras em quantidade de temporadas em que irá terminar no top 10, com 12, imediatamente atrás de Agassi e Lendl (13) e longe de Connors (16).