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O ouro escapou. Duas vezes.
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2021 às 14:04

A campanha tranquila e descontraída que Novak Djokovic vinha realizando no torneio olímpico de repente foi por terra. Perdeu em poucas horas as duas chances de ao menos lutar por uma ainda inédita medalha de ouro, e terá de se contentar neste sábado em concorrer por dois bronzes, que podem se somar ao de Pequim-2008. Está longe de ser sua grande meta, mas não é tão ruim assim.

O castelo do número 1 ruiu de forma um tanto estranha. Atropelou Alexander Zverev num primeiro set em que funcionaram muito bem o saque a a devolução e tudo parecia caminhar para a lógica final quando obteve quebra no quinto game, o que levou o alemão a levar advertência por jogar bola longe. Mas tudo mudou num passe de mágica. Sascha é verdade jogou bem pela primeira vez no saque do sérvio e aí embalou uma sequência de lances espetaculares, precisão milimétrica, cabeça fria e ótima movimentação que lhe deram incríveis oito games seguidos.

O semblante do sérvio deixava claro seu desconforto e me pareceu que ele sofria na parte física, aquele alto fator de umidade que costuma minar suas forças. Talvez isso tenha forçado as mudanças táticas, acelerando pontos com tentativas mais frequentes de ir à rede ou dar curtas. Seu problema é que Zverev já estava cheio de confiança, com saque afiado para sair de apertos e golpes muito pesados de contragolpe. Venceu 10 dos últimos 11 games. Foi absoluto na reta final da partida.

Para quem acha que título olímpico não vale grande coisa, basta ver a increduilidade que Zverev demonstrava diante do feito e da oportunidade. Não segurou as lágrimas e ganhou abraço apertado de Nole, que soube engolir a amargura com altivez. Retornou à quadra pouco depois e sua parceria com Nina Stojanovic deixou escapar diversas outras chances, caindo diante dos russos Aslan Karatsev e Elena Vesnina. Mais duro ainda, a quebra final foi em cima do sérvio, sem ganhar um único ponto.

O ouro será decidido domingo contra Karen Khachanov, que não poderá ver sua bandeira nem ouvir o hino de seu país. Ainda assim, está perto de repetir o feito de Yevgeny Kafelnikov de 21 anos atrás, em Sydney. Segurou muito bem a pancadaria de fundo de quadra contra o espanhol Pablo Carreño, que não se achou como na véspera diante de Daniil Medvedev.

Jogar na mão pesada com Khachanov não é exatamente a melhor aposta, ainda mais se o russo estiver confiante, e faltou ao espanhol mexer mais a bola e variar o ritmo. De qualquer forma, Khachanov parece mesmo ter reencontrado a tranquilidade para jogar um tênis competitivo, o que vem desde Wimbledon, e um eventual ouro pode lhe dar uma injeção de ânimo ainda mais profunda.

Conquista muito bem calculada
Depois de colecionar três medalhas de bronze no tênis olímpico, a Croácia entrou em quadra para a final de duplas masculinas com a certeza de que enfim colocaria um ouro no pescoço. E não foi fácil para Nikola Mektic e Mate Pavic confirmarem o favoritismo em cima de Marin Cilic e Ivan Dodig.

A conquista coroa o desafio a que Pavic e Mektic se impuseram já no final do ano passado, quando Pavic avisou Bruno Soares de que desfaria a parceria para 2021, já que a meta era buscar total integração com Mektic para tentar o título olímpico. E deu muito certo.

Aliás, os dois estão brilhantes no circuito regular também. Esta foi a nona conquista da temporada em 11 finais, incluindo Wimbledon semanas atrás, que veio depois do susto da covid que os tirou na última hora de Roland Garros.

O bronze inédito para a Nova Zelândia foi muito comemorado por Marcus Daniell e Michael Venus, ao vencer Austin Krajicek e Tennys Sandgren.

Pódio feminino
As meninas vão à quadra neste sábado para decidir o pódio de simples e há muita história a se buscar em todos os lados. Belinda Bencic tenta ser a primeira tenista suíça a ganhar ouro e a quarta profissional a vencer tanto simples como duplas num só evento, repetindo Massu e as irmãs Williams. Até hoje, Marc Rosset e a dupla Federer/Wawrinka foram únicos a chegar ao ouro pelo país.

Marketa Vondrousosa por sua vez pode ser a primeira tcheca campeã desde a volta do tênis aos Jogos, em 1988 (a República Tcheca passou a competir de forma independente em Atlanta-1996). A canhota tirou Naomi Osaka e venceu único duelo direto com Bencic, meses atrás em Miami.

A luta pelo bronze também é importante, já que nem a Ucrânia de Elina Svitolina, nem o Cazaquistão de Elena Rybakina ganharam medalhas no tênis olímpico até hoje.

A madrugada também terá Luísa Stefani e Laura Pigossi lutando pela medalha inédita do tênis brasileiro. O desafio contra as fortes russas Veronika Kudermetova e Elena Vesnina vale bronze e está programado para as 3 horas, mesmo horário do bronze de Djokovic.

A disputa do ouro das duplas femininas acontece no domingo, junto com a final de mistas. Vesnina e Karatsev fazem duelo todo russo contra Anastasia Pavlyuchenkova e Andrey Rublev. O bronze das mistas ficará entre Djoko/Stojanovic e Ashleigh Barty/John Peers.

Medalhas em jogo
Por José Nilton Dalcim
29 de julho de 2021 às 14:27

O torneio olímpico masculino e de duplas mistas já sabe quem terá direito a brigar pelo pódio, enquanto as duplas conheceram os candidatos finais à medalha de ouro numa intensa quinta-feira no Ariake Park. A partir desta sexta-feira, começam as decisões da 9ª edição em que o tênis profissional passou a competir nas Olimpíadas.

A torcida brasileira terá de aguardar até sábado para ver se Luisa Stefani e Laura Pigossi se tornarão as inéditas medalhistas do tênis nacional. A disputa do bronze será contra Veronika Kudermetova e Elena Vesnina. 16ª e 56ª do ranking de duplas respectivamente.

A semi diante de Belinda Bencic e Viktorija Golubic poderia ter sido diferente se as nossas meninas tivessem aproveitado o set-point, que escapou num smash falho de Stefani. E não apenas pela vantagem numérica em si, mas pelo fato de as suíças terem ficado muito confiantes a partir daí e ganharam 9 dos 12 games seguintes.

Ainda houve uma chance brasileira com dois break-points perdidos logo no terceiro game. Mas sejamos justos. Bencic jogou num nível muito alto, tanto técnico como tático, compensando deficiências evidentes na parceira. As paulistas tiveram ótimos momentos e alguns erros cruciais, o que não apaga a excepcional campanha feita até aqui. Bronze é ainda uma tremenda motivação.

Cada vez mais perto
Novak Djokovic continua favoritíssimo e desfilou em quadra diante de um Kei Nishikori incrivelmente frágil, sem energia para disputar um segundo set decente. A diferença física e de intensidade entre os dois parecia sugerir um duelo entre um adolescente e um ‘cinquentão’.

Agora, terá pela frente o único sobrevivente que, a meu ver, tem alguma chance de lhe dar trabalho. Alexander Zverev, afinal, já ganhou 2 dos 8 duelos diante do sérvio, ainda que tenha perdido todos os cinco desde a notável vitória na decisão do Finals de 2018.  O alemão continua sacando muito, e isso será essencial para ficar competitivo contra o número 1.

O segundo candidato ao ouro sairá do duelo entre Pablo Carreño e Karen Khachanov, um resultado um tanto inesperado para quem olhou a chave lá no começo. O espanhol foi muito sólido na base e explorou com inteligência as paralelas no forehand de Danill Medvedev, que reagiu no segundo set e teve 4/2 antes de jogar lances muito mal escolhidos. Destruiu raivosamente a raquete.

O outro russo fez campanha sem holofotes, mas tirou Diego Schwartzman e Ugo Humbert em três sets. Khachanov andou desanimado, caiu lá para o 29º mas em Wimbledon parece ter se reencontrado. Será o sexto duelo entre ele e Carreño no circuito, com vantagem apertada do espanhol por 3 a 2 no geral e de 2 a 1 do russo na quadra dura.

Bencic em dose dupla
Dona de saque pouco efetivo para o tamanho de seu jogo, Bencic é uma surpresa nesta final olímpica e vem mostrando cabeça e perna para suportar pressão. Tirou Barbora Krejicikova, Anastasia Pavlyuchenkova e agora Elena Rybakina, todas em três sets. Mostrou muita maturidade e confiança nas séries decisivas. Se tivesse trabalhado melhor o serviço nos últimos anos, a suíça seria certamente uma jogadora mais perigosa.

O ouro será decidido contra a canhota Marketa Vondrousova, que venceu o único duelo entre elas. A tcheca  só perdeu um set lá na estreia diante de Elise Mertens e depois teve atuações primorosas diante de Naomi Osaka e Elina Svitolina. Consegue equilibrar muito bem defesa e ataque. Fato curioso é que precisou usar ‘ranking protegido’ para ser a quarta do time de seu país.

Mais duplas
– A Croácia enfim terá sua medalha de ouro. E prata também. Nikola Mektic e Mate Pavic são favoritos diante de Marin Cilic e Ivan Dodig. O país somava três bronzes olímpicos, dois dele com Ivanisevic.
– Krejcikova e Katerina Siniakova serão as adversárias de Bencic e Golubic. Das quatro vitórias em Tóquio, três foram no match-tiebreak.
– Djokovic também está na luta pela medalha de mistas, ao lado de Stojanovic. Atropelaram Siegemund/Krawietz e enfrentam Vesnina/Karatsev. Os únicos cabeças de pé são Pavlyuchenkova/Rublev, adversários de Barty/Peers.
– EUA são o país que mais ganharam ouro (21) no tênis olímpico, seguido da Grã-Bretanha (17, mas recordista no geral, com 43). A Rússia tem 3 de ouro, Espanha e Suíça somam 2, tchecos e australianos apenas 1.
– Se o Brasil levar bronze, será o 34º diferente país a ir ao pódio olímpico desde 1896.

Está chegando a hora
Por José Nilton Dalcim
1 de novembro de 2019 às 20:07

 Passo a passo, Novak Djokovic e Rafael Nadal se aproximam do esperado duelo na final de Paris. Estão sobrando em quadra. Extremamente sólido e eficiente tanto no saque como nas devoluções, o sérvio ainda contou com uma tarde tenebrosa de Stefanos Tsitsipas, que se perdeu muito cedo na partida e jamais se recuperou. O espanhol teve um primeiro set exigente, em que não permitiu aventuras mas também não segurou o saque forçado de Jo-Wilfried Tsonga, porém a partir do tiebreak dominou amplamente e ainda fez um lance de cinema.

Não dá para esperar outra coisa do que uma decisão entre os líderes do ranking, que pode valer o número 1 ao final de 2019 de forma antecipada em caso de título inédito de Nadal. Os dois também lutam pelo quinto troféu da temporada e estão empatados com 51 vitórias. Ao longo de 2019, o espanhol tem 22 triunfos de Masters, mas Djoko pode empatar.

Grigor Dimitrov, é bem verdade, só ganhou um dos nove duelos que fez contra Djokovic, mas não deixa de ser curioso que reencontrará o sérvio tendo agora as orientações do mesmo dueto que trabalhou com Nole há pouco tempo, Andre Agassi e Radek Stepanek. Será que eles conseguem montar um plano tático eficiente? Ou, mais importante ainda, que o búlgaro consiga executá-lo?

Dimi está numa bela semana, jogando com confiança e solidez, com direito a lances espetaculares e plásticos. Ainda assim correu risco de perder o segundo set para o chileno Cristian Garin mesmo num piso que tanto o favorece. Me parece que a chance de equilibrar contra Djokovic é um índice muito alto de primeiro saque e a tentativa de evitar pontos mais longos.

Inegável que Gael Monfils foi uma grande decepção no duelo contra Denis Shapovalov, porque jogou muito abaixo do que vinha fazendo e foi totalmente dominado pelo tênis agressivo do garoto. Não faltava motivação para Monfils, já que a vitória valia a vaga (inesperada) no Finals de Londres. Ao menos, comemora a volta ao top 10 depois de quase três anos.

Porém, não se pode tirar os méritos de Shapovalov. A recente parceria com o experiente Mikhail Youzhny está pouco a pouco dando resultados. Não que o russo tenha sido um exemplo de frieza em quadra. O canadense tem grandes golpes e arrojo, falta lhe dar um apuro tático e emocional para conter a força e executar de forma correta os essenciais pontos importantes, onde geralmente ele falha muito.

Este será já o terceiro duelo contra Nadal, com uma vitória para cada lado. Shapovalov venceu em 2017 no Masters caseiro, campanha que o colocou na vitrine do tênis, e foi facilmente dominado no saibro de Roma quatro meses atrás. Como é um atacante por natureza, não se pode esperar outra coisa senão um jogo de alto risco neste sábado, buscando definir em poucas bolas. Tarefa difícil.

E mais
– Tsonga dará o maior salto da temporada entre os que terminam no top 50. Sairá do 259º posto para o 29º. Bem atrás está Daniel Evans (128 postos) e Alexander Bublik (121). O destaque entre os top 30 é Felix Aliassime (109 para 19).
– Nadal venceu todas as 11 quartas de final que disputou nesta temporada. Só tem uma semi a menos que Medvedev.
– Shapovalov abriu mão da vaga no NextGen Finals – não teria muito mesmo o que fazer lá – e no seu lugar entrou Alejandro Fokina.
– Quatro franceses aparecem na lista dos sete tenistas com mais vitórias porém sem títulos de Msters na carreira: Gasquet lidera, Simon é terceiro à frente de Santoro e Monfils está em sétimo.
– As líderes do ranking Ash Barty e Karolina Pliskova duelam numa das semis do Finals de Shenzhen. Isso não acontecia desde a final do Australian Open do ano passado, entre Halep e Wozniacki.
– Halep ficou de fora ao perder jogo maluco para Pliskova. Levou ‘pneu’, reagiu e fez 2/0 no terceiro set, mas não sustentou.
– Atual campeã, Elina Svitolina encerrou a fase de grupos de forma invicta e terá pela frente a estreante em Finals Belinda Bencic. As duas jogaram duas vezes neste ano, com uma vitória para cada lado. Quem vencer, será 6ª do ranking, um posto que Bencic nunca alcançou.
– Thiago Wild vive grande momento no saibro de Guayaquil e atinge sua primeira semi de nível challenger. Deixou no caminho até Thiago Monteiro, o top 90 brasileiro que ganhou Lima no domingo. Mais uma vitória e ele se aproxima do top 250 e de uma vaga no quali do Australian Open.