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Madri define o melhor do ano
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2019 às 18:46

Os cinco tenistas que mais somaram pontos na temporada avançaram às quartas de final do Masters 1000 de Madri e isso significa que a liderança do ranking desde janeiro, a chamada Corrida para Londres, estará totalmente aberta nos próximos três dias. Novak Djokovic tem no momento apertada vantagem de 125 pontos sobre Roger Federer, que por sua vez está 135 à frente de Rafael Nadal. O curioso é que tanto Stefanos Tsitsipas como Dominic Thiem podem ultrapassar o Big 3, embora para isso agora dependam do título.

Thiem já terá duelo direto contra Federer no jogo mais interessante desta sexta-feira, que remonta à recente final de Indian Wells, em que o austríaco jogou demais. O serviço foi seu ponto alto do duelo contra Fabio Fognini. O italiano desperdiçou um set-point que poderia ter mudado tudo. Thiem está com a confiança lá em cima e adora Madri, onde foi finalista nos dois últimos anos.

Federer por sua vez abusou de sua habilidade junto à rede para virar um terceiro set que parecia perdido contra Gael Monfils. O francês não jogou nada e levou um ‘pneu’, mas de repente entendeu que teria de ser agressivo e aí virou outro jogador. Chegou a ganhar cinco games seguidos entre o final do segundo set e o início do decisivo, liderando até 4/1. Mas parece ter acreditado que o suíço não tinha mais pernas e jogou passivamente um game crucial. Esperou por erros que não aconteceram e de repente tudo já estava empatado.

Veio então o grande momento da partida. Com Monfils concentrado e mesmo sem acertar primeiro saque, Federer parecia estar numa quadra de grama. Jogou pontos de extrema pressão na base do saque-voleio, incluindo os dois match-points que evitou antes do tiebreak.E manteve a postura até concluir a vitória de número 1.200 da carreira. Grande espetáculo.

Pouco antes, Djokovic foi exigido pelo ‘freguês’ Jeremy Chardy, que chegou a ter break-point para enfim ganhar um set do número 1. Mas nessas horas a frieza do sérvio aflora. Sacou firme no backhand, virou o game e dominou o tiebreak. Em busca enfim de uma semifinal de nível Masters na temporada, o que escapou em Indian Wells, Miami e Monte Carlo, encara outro velho conhecido. O croata Marin Cilic só ganhou 2 de 19 duelos diante de Nole e avança aos trancos e barrancos no saibro madrilenho, já com três partidas no set decisivo. Lesle Djere teve tudo para vencer, mas saiu completamente de jogo quando tinha uma quebra e um break-point à frente no segundo set.

A nova geração foi barrada outra vez por Nadal. Havia preocupação com seu saque, já que o golpe não funcionou bem em Monte Carlo e Barcelona e é essencial na altitude de Madri, mas até aqui o espanhol saiu-se muito bem. Sua capacidade de cobrir rapidamente a quadra e buscar ângulos deu poucas oportunidades para Frances Tiafoe, que fez até um segundo set competitivo. Agora acontece o reencontro com Stan Wawrinka. O suíço foi muito superior a Kei Nishikori, porém barrar Nadal é outro universo. Terá de assumir riscos o tempo inteiro e evitar a correria.

Tsitsipas é o quarto representante do backhand de uma mão nestas quartas de final. Vem do título no Estoril e faz uma temporada muito mais sólida do que o alemão Alexander Zverev. O atual campeão sobreviveu a duras penas. O bom Hubert Hurkacz sacou com 4/3 no segundo set e depois abriu 2/0 no terceiro. Os top 10 da NextGen irão se cruzar já pela terceira vez, a primeira no saibro, e cada um venceu uma partida.

Número 1 aberto
A liderança do ranking feminino também está em jogo nestas rodadas finais do Premier de Madri, tudo graças à grande reação de Belinda Bencic no terceiro set diante de Naomi Osaka, ganhando os últimos quatro games. A japonesa, que havia vencido o primeiro set, sacou para a vitória com 5/3 no terceiro.

Vivendo outra vez um grande momento na ainda curta carreira, Bencic vai cruzar justamente contra a postulante ao trono, Simona Halep. A romena dominou Ash Barty, mas precisa do título na Caixa Mágica para ir ao topo pela terceira vez.

A suíça venceu todas as top 5 que encarou nesta temporada, incluindo a própria Halep rumo ao grande título de Dubai. Já é novamente top 15, com méritos.

A outra semi ficará entre Kiki Bertens e Sloane Stephens. A holandesa de 1,82m se vingou da derrota sofrida para Petra Kvitova na final do ano passado e também na semi de Stuttgart dias atrás. Será um duelo interessante contra o estilo mais defensivo e cadenciado da norte-americana, em sua melhor campanha de 2019.

Curtinhas
– Sete dos atuais top 10 estão nas quartas masculinas, sendo os cinco líderes. A exceção é Wawrinka, que ao menos já garantiu o retorno à faixa dos 30 primeiros. Mesmo derrotado, Fognini alcançará outro recorde pessoal com o 11º posto.
– Thiem tem 3-2 no histórico contra Federer, com uma vitória em cada piso. A do saibro veio nas oitavas de Roma de 2016, exatamente o último jogo do suíço sobre a terra antes desta semana.
– Esta é apenas a segunda presença em quartas de Zverev no ano (foi vice em Acapulco). A boa notícia é que não deixará o top 5 mesmo se perder. O grego realiza melhor campanha em Masters desde o vice inesperado de Toronto em 2018.
– Depois de perder 14 vezes seguidas, Cilic venceu dois dos últimos cinco jogos contra o amigo Djokovic, e mesmo essas derrotas recentes foram apertadas.
– Vantagem semelhante tem Nadal sobre Wawrinka: 17 a 3. O suíço no entanto não ganha desde Roma-2015, sua única vitória na terra sobre o espanhol. Na final de Madri de 2013, Rafa fez 6/2 e 6/4.

Rio adere à renovação
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2019 às 21:38

A final totalmente inesperada entre Laslo Djere, sérvio de 23 anos, e Felix Auger-Aliassime, revelação canadense que chama a atenção do tênis desde os 14 anos, colocou o Rio Open na rota cada vez mais inevitável da renovação do circuito masculino.

O lugar deles na decisão do Jockey Club foi mais do que merecido. Djere não tomou conhecimento do top 10 Dominic Thiem e Aliassime atropelou Fabio Fognini, ambos logo na estreia. O sérvio chamou menos a atenção ao longo da semana, já que Felix ganhou direito de jogar nas rodadas noturnas do estádio e fez grandes exibições sobre Jaume Munar e Pablo Cuevas. Vestiu a camisa da seleção brasileira e ganhou logo a simpatia da torcida.

Djere no entanto também tem muita qualidade sobre o saibro, onde se destaca a capacidade de explorar paralelas dos dois lados com grande precisão e oportunismo. É bem verdade que o duelo deste domingo não foi um grande espetáculo, já que os erros vieram em quantidade muito grande. Aliassime cometeu nada menos do que 47.

Mas deve-se dar desconto ao lado emocional do momento. Djere perdeu recentemente os pais e  não estava inteiro – logo de cara pediu atendimento para a coxa esquerda -, enquanto o canadense pareceu ter dificuldade no controle da ansiedade, o que não é novidade para quem o acompanha com frequência.

Apesar do desgaste, os dois estarão terça-feira no Brasil Open e já são atração. Agora 37º do mundo, Djere pega um quali italiano e depois o cabeça 2 Jaziri. E pode até reencontrar Aliassime nas quartas. O canadense sobe para 59º e estreia diante de Pablo Cuevas na terça-feira. Imperdível.

O retrato da renovação
Em apenas oito semanas de temporada 2019, o circuito masculino já tem seis tenistas que conquistaram seu primeiro troféu de nível ATP, e três deles da Next Gen: Alex de Minaur (Sydney), com 19; Reilly Opelka (Nova York), de 21; e agora Djere. A lista inclui ainda Tennys Sandgren (Auckland), Juan Ignacio Londero (Córdoba) e Radu Albot (Delray).

Com isso, a chance de superar os 13 debutantes de 2018 é grande. Esse montante igualou a marca de 2004, quando Rafael Nadal, Tomas Berdych, Robin Soderling e Feliciano López erguiam seus primeiros troféus.

Além dos três campeões, mais três outros nomes da nova geração também fizeram suas primeiras finais em 2019: Cameron Norrie, Brayden Schnur e Aliassime.

Mais destaques
– Belinda Bencic conquistou Dubai em grande estilo. Assim como havia feito quatro anos atrás no Canadá, derrotou quatro top 10 para levantar o título. A ex-número 7 irá avançar ao 23º posto do ranking, mas nunca é demais lembrar: tem ainda 21 anos!
– Stefanos Tsitsipas aumenta as façanhas da Next Gen, ao erguer seu segundo troféu de nível ATP, desta vez em Marselha. Está agora a apenas 130 pontos do top 10 Marin Cilic. A façanha fica para Indian Wells ou Miami, torneios que juntos o grego tem apenas 35 pontos a defender.
– Roger Federer estreia às 12h desta segunda-feira contra o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber. Dubai, sua segunda casa, parece lugar perfeito para o 100º troféu. A chave está boa.
– Rafa Nadal por sua vez encabeça Acapulco e, se estiver em forma, deve ir firme até as quartas, quando há chance de um confronto interessante contra Stan Wawrinka. Do outro lado, está Sascha Zverev.

Favoritos a jato
Por José Nilton Dalcim
15 de janeiro de 2018 às 11:07

Rafael Nadal, Grigor Dimitrov e Nick Kyrgios não quiseram saber de brincadeira na abertura do Australian Open 2018. Com seriedade e aplicação, cederam poucos games e confirmaram a expectativa de ser as forças mais destacadas do lado superior da chave masculina.

O mais importante para Rafa foi sua agilidade. Nenhum sinal de problema no joelho, fugiu à vontade do backhand e buscou as tradicionais bolas espetaculares. Não fosse a perda de um serviço para Victor Estrella e teria sido uma noite perfeita. O placar de triplo 6/1 reflete a diferença de qualidade técnica e servirá para animar o líder do ranking.

Kyrgios admitiu na entrevista que mais uma vez pediu para jogar no terceiro estádio, evitando a Rod Laver onde nunca se sente tão à vontade. Jogou sério, sem qualquer malabarismo. Levou advertência por xingar um espectador barulhento, porém jamais perdeu a concentração contra Rogerinho Silva. Sacou muito e foi conservador no fundo. O brasileiro fez um bom terceiro set dentro do que poderia se virar numa quadra veloz.

Dimitrov pegou o qualificado Dennis Novak e não cedeu mais que seis games. Ainda acho que o búlgaro poderia jogar de forma bem mais ofensiva e ir à rede para simplificar pontos. Mas ele gosta da correria, de exibir elasticidade e improvisação. Convivamos com isso.

Entre os grandes jogos do dia, a vitória em exigente cinco sets confirmou o momento de amadurecimento do russo Andrey Rublev, que soube controlar frustrações e desgaste para superar David Ferrer em duelo intenso de 3h52. O ponto negativo foi o excesso de quebras: o espanhol perdeu 13 serviços e o russo, oito.

Talvez a pior das 10 derrotas norte-americanas do primeiro dia tenha vindo com Jack Sock, que já havia mostrado não estar bem fisicamente em Auckland e parou no tênis regular e pouco criativo de Yuichi Sugita. Aliás, registre-se o notável retorno ao circuito de Yoshihito Nishioka, que após 10 meses da contusão no joelho em Miami despachou Philipp Kohlschreiber.

A segunda-feira terminou também com as quedas de Kevin Anderson diante de Kyle Edmund, de John Isner para Matthew Ebden e de Lucas Pouille para o quali Ruben Bemelmans. Entre a garotada, Denis Shapovalov justificou seu arsenal muito mais adequado aos pisos velozes em cima de Stefanos Tsitsipas.

As outras quedas muito sentidas para os EUA certamente foram a de Venus Williams e de Sloane Stephens. A finalista do ano passado mostrou-se apressada e descalibrada, não conseguindo usar o saque frágil de Belinda Bencic para colocar pressão. A suíça tem muita qualidade no fundo da quadra e está numa chave em que pode ir facilmente às oitavas.

A má fase de Stephens é cruel. A campeã do US Open soma oito derrotas consecutivas. A falta de confiança choca: sacou para o jogo, tremeu feio e foi arrasada no terceiro set pela chinesa Shuai Zhang. Para completar a jornada tenebrosa, nem a velocidade da quadra salvou CoCo Vandeweghe.

Enquanto Carol Wozniacki, Elina Svitolina e Jelena Ostapenko tiveram também vitórias a jato, a notícia animadora coube à ucraniana Marta Kostyuk, de 15 anos e dois meses. Campeã juvenil do ano passado, passou o quali e em sua primeira partida como profissional esmagou com duplo 6/2 a número 27 do mundo Shuai Peng.