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Djokovic ou Thiem? Vote agora! Vale biografia.
Por José Nilton Dalcim
1 de fevereiro de 2020 às 01:00

ArquivoExibirO Big 3 manterá seu domínio no tênis com o oitavo troféu de Novak Djokovic em Melbourne ou Domiic Thiem enfim ganhará seu primeiro Grand Slam? O duelo acontece às 5h30 de domingo, será o 11º entre os dois tenistas, com vantagem de 6 a 4 para o sérvio, que no entanto ganhou apenas um dos últimos cinco confrontos.

Hora para um desafio do Blog do Tênis. Aquele que chegar mais perto do resultado poderá escolher entre a biografia de Novak Djokovic ou a de Roger Federer, ambos grandes sucessos da Editora Évora.

Indique vencedor, placar e duração da partida, conforme modelo abaixo. Claro que vale primeiro o vencedor; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; por fim, para desempate, o tempo de jogo.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre as semifinais ou a decisão, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 5h40 de domingo. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites pelo Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Djokovic vence Thiem, 3 sets a 1, parciais de 6/4 4/6 6/4 6/4, em 3h05.

Thiem se dá mais uma chance
Por José Nilton Dalcim
31 de janeiro de 2020 às 11:11

Físico privilegiado, golpes pesadíssimos misturados com habilidade e cada vez mais experiente, o austríaco Dominic Thiem conquistou com méritos a terceira chance de entrar para a galeria dos campeões de Grand Slam e assim quebrar a longa hegemonia do Big 4.

Desde janeiro de 2004, quando Roger Federer passou a dominar o circuito, apenas cinco jogadores ousaram fazer isso: Gaston Gaudio e Marat Safin, antes de aparecer Rafa Nadal; Juan Martin del Potro, Stan Wawrinka e Marin Cilic na fase de ouro do tênis masculino, já com Novak Djokovic e Andy Murray no auge.

Thiem fez duas finais sucessivas em Roland Garros, mas não teve muita chance. Na primeira, não soube como encarar o todo poderoso Nadal; na outra, foi penalizado pelo calendário do torneio e ficou sem pernas, ainda que tenha vencido um set. Em Melbourne, tirou o espanhol do caminho e já derrotou quatro cabeças de chave em sequência (Taylor Fritz, Gael Monfils, Rafa e Alexander Zverev). Mas ainda terá um último e enorme desafio diante de Djokovic, às 5h30 de domingo.

O histórico entre eles tem peculiaridades: sérvio venceu 6 dos 10, porém perdeu 4 dos últimos 5, incluindo duas batalhas fisica e emocionalmente exigentes, na semi de Roland Garros e na fase de grupos do Finals. Melbourne no entanto é território do sérvio, com vitória em todas as sete finais disputadas até hoje.

Fica patente que o austríaco acertou na contratação de Nicolás Massu quando planejou melhorar seu desempenho no piso duro. No ano passado, ganhou Indian Wells em cima de Federer e decidiu o ATP FInals, onde voltou a ganhar do suíço e superou também Djoko. O que mudou acima de tudo foi uma postura mais ofensiva nas devoluções, além de entrar na quadra para tirar o tempo do adversário. Quando faz isso com seu bombástico forehand e pernas tão fortes , é um tenista difícil de ser batido.

Semifinal nervosa e equilibrada
Na tensa partida contra Zverev desta sexta-feira, é justo dizer que foi tudo decidido nos detalhes, sem um grande domínio de nenhum lado. Thiem não teve a consistência da partida contra Nadal mas achou seus melhores golpes nos momentos certos e outra vez foi soberbo nos tiebreaks, enquanto Zverev veio com uma proposta diferente, com transições muito bem feitas à rede (36 pontos em 51 subidas), além de ficar competitivo até a última bola.

O jogo ficou bom mesmo quando os dois deixaram as trocas longas da base, muitas sem grande objetividade, por um tênis mais agressivo. Claro que isso gerou altos e baixos. Austríaco fez 43 a 42 nos winners e 40 a 33 nos erros. Ambos venceram 33% pontos como recebedores. Dado curioso, Zverev acertou 81% de saques, com média acima de 200 km/h, e chegou a cravar 90% no segundo set que ainda perdeu. Mas não foi o suficiente para ir enfim à primeira final de Slam.

Há no entanto que se destacar o grande torneio de Sascha, principalmente no aspecto emocional. Segurou a cabeça mesmo quando pressionado, evoluiu na parte defensiva e recuperou a confiança no saque, com poucas duplas faltas comprometedoras. Depois de uma ATP Cup tão ruim e histérica dias antes, a perspectiva para o restante do calendário melhorou muito.

Thiem lutará no domingo também por um inédito terceiro lugar no ranking, o que rebaixaria Federer, e tentará repetir Thomas Muster, até hoje único austríaco a faturar um Slam, em Roland Garros de 1995. Curiosamente, Muster foi demitido da equipe às vésperas do Australian Open apenas duas semanas depois de ser contratado.

Djokovic mantém lógica e mira o 17º
Por José Nilton Dalcim
30 de janeiro de 2020 às 13:34

Ainda que possa jogar um tênis ainda mais perfeito no piso e no lugar de maior sucesso em sua carreira, Novak Djokovic cumpriu os prognósticos e está em sua oitava final do Australian Open, onde aliás jamais perdeu. Seu favoritismo não é porém só uma questão histórica. Começou quatro semanas atrás quando foi buscar ritmo e acabou superando batalhas e emoções na ATP Cup. Chegou pronto para defender o título de Melbourne e o resultado está aí: com 12 jogos invictos, alcança a chance do 17º troféu de Grand Slam e da retomada do número 1 como sobremesa.

Roger Federer me surpreendeu, ao fazer um começo de partida muito consciente de suas limitações. Forçou o saque, tentou definir pontos, soltou o backhand, fez voleios mágicos e, de repente, o primeiro set estava em suas mãos diante de um adversário inesperadamente acuado. Um único ponto fez toda a diferença: forehand no meio da quadra com 0-40 e 4/1 no placar. Claro que o suíço ainda sacou com 5/3, porém aí o primeiro saque não entrou e Djokovic voltou a mostrar aquela admirável qualidade de jogar sob pressão, principalmente contra Federer.

Quando chegou o tiebreak, o sérvio atropelou. Foi o sexto desempate seguido que foi bem superior ao suíço, incluindo os três que fizeram na inesquecível final de Wimbledon. Pela mobilidade reduzida e a dificuldade de executar o fundamental forehand, não acredito que a perda do primeiro set iria alterar o vencedor da partida, porque o caminho sob 33 graus – o jogo começou com sufocantes 36 – era longo demais para uma lombar dolorida e as chances de Federer estariam em manter um tênis de risco muito elevado e pontos curtos. Qualquer rali beneficiaria a consistência ímpar do adversário.

Ainda assim, Federer não jogou mal. Acertou 65% do primeiro saque, com direito a 15 aces, mas o problema foi ganhar 66% desses pontos, reflexo de que, quando a devolução voltava com esmero, ele não tinha a mesma chance. O ataque a todo custo lhe rendeu 46 winners e 35 erros, com sucesso em 20 de 30 voleios. Entrou em quadra com certo sacrifício, lutou, fez jogadas magníficas e saiu com dignidade, como cabem aos campeões.

Djokovic reconheceu ainda na entrevista em quadra que não começou atento, talvez incerto sobre as condições do adversário, e rendeu cumprimentos ao esforço de Roger, “que claramente estava machucado e não na sua melhor movimentação”. Também marcou números expressivos: 73% de primeiro saque, com 11 aces, e 39% de pontos como devolvedor, aproveitando quatro de 11 break-points. E observem: depois de cometer 11 erros não forçados no primeiro set, só falhou mais sete vezes nos outros dois. É uma fortaleza.

Com justiça, disputará sua 26ª final em torneios de Grand Slam, agora cinco a menos que Federer e uma atrás de Rafael Nadal. Também estende sua invencibilidade contra o suíço em jogos de Slam, que vem desde a derrota em Wimbledon de 2012. De lá para cá, foram seis triunfos. A única vitória do suíço em cinco jogos em Melbourne aconteceu em 2007.

Rumo ao oitavo troféu na arena Rod Laver, Nole aguarda quem passar entre Dominic Thiem e Alexander Zverev, que jogam às 5h30 de sexta-feira. Ele tem margens apertadas contra os dois: 6-4 diante do austríaco e 3-2 diante do alemão, porém carrega o trunfo da experiência, que vale muito neste nível tão elevado de competição.

Feminino vê final inesperada
A nova geração também estará na final feminina e pode levar o segundo título seguido: Sofia Kenin, de 21 anos, tentará seu primeiro Slam diante da experiente Garbiñe Muguruza, que vai em busca do terceiro troféu em diferentes Slam.

Mostrando sua conhecida força mental, Kenin venceu dois sets apertados diante da número 1 e de sua torcida. Controlar a cabeça foi o que na verdade faltou a Barty: ela teve saque a favor para fechar o tiebreak e também para ganhar o segundo set.

A primeira final de Slam dará também à tenista de 21 anos, que nasceu em Moscou mas se mudou meses depois para os EUA, o nono lugar do ranking e poderá superar o sétimo posto de Serena Williams se for campeã. Kenin foi eleita em 2019 como a tenista de maior progresso técnico.

Muguruza por sua vez tirou a superembalada Simona Halep, com placar idêntico. A espanhola ousou mais – 39 winners e 44 erros -, mas se segurou bem no fundo de quadra quando precisou. A romena concretizou apenas 3 de 13 break-points e isso obviamente fez diferença.

No único duelo entre elas, em Pequim do ano passado, Kenin ganhou no terceiro set. Mas não dá para tirar o favoritismo da espanhola, que já ganhou Roland Garros e Wimbledon e fará sua quarta final de Slam.

Saiba mais
– Djokovic anotou a 30ª vitória da carreira sobre um top 5 nos Slam e de longe a Austrália é seu lugar predileto, com 14. Mais 6 vieram no US Open e 5 tanto em Paris como em Wimbledon. As derrotas foram 20.
– Com 17 repetições, o duelo Djoko-Federer se mantém como o mais repetido em Slam na Era Aberta, dois a mais que Djoko-Nadal.
– Agora com 11 vitórias, o sérvio se torna o tenista que mais venceu Federer em Slam, superando as 10 de Nadal.
– Com a queda na semi, Federer corre risco de perder o terceiro lugar do ranking caso Thiem seja o campeão no domingo.
– Djokovic pode conquistar seu quinto Slam após completar 30 anos e igualar a marca que Nadal atingiu no US Open.
– Sérvio marcou a 100ª vitória sobre um top 5 em 166 confrontos na carreira.
– Ex-número 1, Muguruza começou o torneio como 32ª, já sobe para 16º e será 12ª em caso de título.
– O jejum de conquistas em simples continuará para os australianos, que não celebram um vencedor desde 1978 entre as mulheres e 1976 no masculino.
– Os donos da casa terão de se contentar com um eventual título de duplas: os convidados Max Purcell e Luke Saville tiraram os cabeça 4 Dodig/Polasek, e decidem contra Rajeev Ram e Joe Salisbury. Esta pode ser a primeira parceria 100% australiana a vencer em Melbourne desde Woodbridge/Woodforde, em 1997.