Arquivo da tag: Australian Open

O 200º Grand Slam
Por José Nilton Dalcim
14 de janeiro de 2018 às 10:29

O Australian Open deste ano começa com duas marcas: esta será sua 50ª edição e colocará em disputa o Grand Slam de número 200 da Era Profissional, a contar desde Roland Garros de 1968. Cada campeão vai embolsar R$ 10,15 milhões, pouco mais de US$ 3,1 milhões, a segunda maior quantia já oferecida, superada apenas pelo US Open do ano passado.

Na vanguarda das modernizações, único Slam com três quadras cobertas para driblar o mau tempo, o AusOpen vai obrigar os tenistas a cumprir rigorosamente o ritual de início da partida, sem demora para iniciar o aquecimento e com cinco minutos contados de bate bola. E, mais importante ainda, cronometrar o intervalo de 25 segundos entre um ponto e outro. Ao que tudo indica, manteve também o piso mais veloz que modificou em 2017.

Em quadra, há luta pelo número 1 nos dois sexos. Entre os homens, está limitada a Nadal e Federer: o espanhol precisa atingir as quartas para se garantir no posto. O suíço só recupera a liderança se ganhar o torneio e Nadal perder antes das quartas, o que parece pouco provável depois do sorteio da chave.

No feminino, a briga é mais intensa, embora Simona Halep tenha maiores chances de permanecer na ponta, já que defende mera primeira rodada do ano passado. Carol Wozniacki aparece como principal ameaça, mas tem de chegar pelo menos à semi, assim como Elina Svitolina. As outras postulantes – Garbiñe Muguruza, Karolina Pliskova e Jelena Ostapenko – teriam de chegar à final ou ao título.

Números e fatos
– Federer tenta ser o quarto tenista na história a atingir 20 troféus de Grand Slam, repetindo Margaret Court, Steffi Graf e Serena Williams.
– Caso chegue ao título, Federer será terceiro homem da Era Profissional a ter quatro troféus após os 30 anos, juntando-se a Rod Laver e Ken Rosewall.
– Nadal tenta ser o primeiro profissional a somar ao menos dois títulos em cada um dos Grand Slam. Roy Emerson e Rod Laver alcançaram o feito, porém mesclando com a fase amadora.
– Djokovic pode se tornar o maior vencedor do Australian Open de todos os tempos caso chegue à sétima conquista, separando-se de Roy Emerson. Na Era Aberta, apenas Sampras, Nadal e Federer obtiveram sete ou mais títulos num mesmo Slam.
– O jejum australiano de conquista no masculino vem desde Mark Edmondson, em 1976. Pat Cash e Lleyton Hewitt atingiram finais. O último australiano a vencer um Slam foi Hewitt, em Wimbledon de 2002.
– Aos 20 anos e 283 dias, Zverev pode se tornar o mais jovem a ganhar um Slam desde Djokovic no AusOpen de 2008, quando era 33 dias mais jovem.
– Venus precisa de cinco vitórias para igualar Davenport e ficar em segundo lugar no número de vitórias do AusOpen, atrás de Serena (81).
– Com três vitórias, Venus será a 11º tenista a atingir a de número 1.000 na carreira.
– Feliciano López jogará seu 64º Slam consecutivo e com isso está com chance de bater a marca de 65 de Federer em Wimbledon.
– Faltam apenas 8 vitórias em Slam para Nadal superar Connors. Assim, ainda em 2018, deveremos ter Federer (325), Djokovic (237) e Nadal liderando o quadro da Era Profissional.
– 14 diferentes parcerias venceram os últimos 17 Slam de duplas. Os únicos a repetir título desde Wimbledon-2013 foram Soares/Murray, Mahut/Herbert e Rojer/Tecau.

Ordem na casa
Por José Nilton Dalcim
24 de novembro de 2017 às 09:29

O Australian Open pediu e a Federação Internacional autorizou duas alterações nas regras dos torneios de Grand Slam – sim, os Grand Slam têm regras especiais – que já entram em vigor em 2018 como a intenção de colocar um pouco mais de ordem na casa.

Curiosamente, duas medidas parecem mirar diretamente Rafael Nadal. A primeira delas, é claro, quer cronometrar o tempo entre os pontos. Isso já foi testado diversas vezes, incluindo o juvenil do US Open do ano passado, e finalmente está autorizado para um torneio de grande peso.

Importante notar que a regra dos Slam estabelece 20 e não 25 segundos entre os pontos, a partir do instante que o árbitro anuncia o placar. No entanto, o Australian Open sugeriu que se adotem os mesmos 25 segundos dos torneios da ATP e WTA mas com a contagem regressiva do cronômetro.

Outra regra que deve incomodar o canhoto espanhol é o aperto na preparação para a partida. Agora, os jogadores terão de iniciar o aquecimento 1 minuto depois de entrar em quadra – adeus ritual das garrafinhas? -, terão os tradicionais 5 minutos de aquecimento que o juiz sempre controlou e somente mais um minuto depois para iniciar a partida em si. A violação dessa regra agora dá multa de US$ 20 mil.

Também houve a aprovação das aguardadas medidas para se conter a grande quantidade de jogadores que entram em quadra sem condições físicas ideais, de olho no polpudo prêmio de primeira rodada, que não tem sido menor que os US$ 40 mil.

Agora, quem desistir antes de a chave começar receberá 50% da premiação de primeira rodada, cabendo os outros 50% ao lucky-loser. Mas os que entrarem em quadra e se retirarem com demonstração clara de falta de condição atlética estarão sujeitos a multa corresponde a todo o valor do prêmio.

Por fim, a Federação Internacional achou por bem ainda manter os 32 cabeças de chave para os Grand Slam de 2018. A intenção é diminuir para 16 já em 2019 com o intuito de aumentar a competitividade, já que assim poderemos ter duelos bem duros desde a primeira rodada. Se isso acontecesse no próximo Australian Open, Andy Murray correria o risco de ficar solto na chave.

O maior de todos
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2017 às 11:41

Jamais duvide de Roger Federer.

Quem diria que depois de fazer 35 anos e ficar quase sete meses sem competir, ele conseguiria ganhar não apenas o 18º Grand Slam mas o maior de todos eles.

Para erguer o troféu neste domingo, Federer precisou derrotar quatro jogadores de nível top 10, três deles no quinto set. E ainda por cima passou pelo teste derradeiro, superando o guerreiro Rafa Nadal com cinco games seguidos vencidos num quinto set que parecia perdido. Virar contra o espanhol saindo de 1/3 é uma façanha tão grande que deveria valer outro troféu.

O feito de Federer foi monstruoso, inigualável e reforça de vez a teoria mais aceita no circuito de que ele é mesmo o melhor tenista de todos os tempos. Seus principais números, já tão difíceis de se alcançar, ficam gigantes e mais do que nunca será preciso um bom punhado de temporadas para que alguém volte a ameaçá-lo.

A ‘final dos sonhos’ teve sets muito distintos até chegar na série decisiva. Cada tenista dominou de um jeito e a seu modo. Quando sacou bem, Federer manteve o domínio. Ao permitir Nadal entrar nos pontos, viu o espanhol fazer seu melhor. Embora mais lento do que de costume, Nadal mostrou a força mental de sempre, jamais se entregando.

Daí a surpresa por deixar escapar a vantagem derradeira. Federer martelou o tempo todo. Obtinha break-points que Rafa salvava com competência e arrojo. Até que o suíço mostrou uma solidez no fundo de quadra assombrosa para um quinto set, não se apressou e esperou a hora certa de atacar. O match-point não poderia ser outro senão uma bola milimétrica, que exigiu desafio e tensão total na arena.

Como eu vinha salientando desde a Copa Hopman, o backhand de Federer foi o grande responsável por sua campanha vitoriosa, ainda mais contra Nadal. Claro que houve erros e madeiradas aqui e ali, porém não apenas encarou os spins terríveis do canhoto pegando a bola dentro da quadra e na subida, como executou o padrão tático mais correto: a cruzada angulada, tal qual havia feito numa memorável vitória no Finals, rendeu winners ou levou o adversário a erros.

Esse quadro aliás nos leva a dar o último e essencial elogio a Federer. Para quem já ganhou tanto, dentro e fora das quadras, admirável sua determinação em continuar buscando a perfeição.

Nadal não deve sair como derrotado desde Australian Open, apesar do vice. Roger foi muito feliz ao dizer que os dois deveriam dividir o troféu porque conseguiram dar a volta por cima diante do descrédito de tantos.

O espanhol fez os dois melhores jogos do campeonato, deu um salto de qualidade evidente em relação às duas últimas temporadas e se recolocou como candidato a qualquer grande título em 2017. O que é melhor: ainda tem muitos aspectos a aprimorar.

Jamais duvide de Rafael Nadal.