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Djokovic dos 100 aces
Por José Nilton Dalcim
18 de fevereiro de 2021 às 12:17

Não houve dor, nem falta de treino que segurassem Novak Djokovic. O recorde perfeito em semifinais no Australian Open se manteve diante da surpresa russa Aslan Karatsev e, um dia depois de garantir sua segunda mais espetacular façanha na carreira, Nole está pronto para o nono título em Melbourne e o 18º troféu de Grand Slam.

O rei dos tiebreaks em 2020 virou agora o rei dos aces. Como tem feito em toda a campanha deste ano no torneio e pouco antes na ATP Cup, Djokovic se esmerou no saque para encurtar pontos, abrir vantagens mas especialmente escapar de dificuldades. Como foi o caso dos dois essenciais break-points que encarou no 5/4 do segundo set em que Karatsev sequer tocou na bola.

Treinado por um dos mais hábeis sacadores do tênis moderno, Djokovic atingiu nesta sexta rodada do Australian Open a notável soma de 100 aces, o que dá média de quase 17 por jogo, exatamente a quantidade que desferiu contra Karatsev. Na segunda rodada contra Frances Tiafoe, bateu seu recorde pessoal para uma partida, com 26.

E isso considera apenas o ace em si, aquele em que o oponente mal reage, e não outros tantos serviços cruciais em que Djokovic induziu a devolução a erros. Infelizmente, a estatística ainda não contabiliza os aces de segundo serviço, outro aspecto em que o sérvio – e vários outros – tem se mostrado corajoso e eficiente.

O que será dos adversários se o melhor devolvedor da história se tornar também um dos maiores sacadores?

A partida desta quinta-feira contra Karatsev foi o que se esperava: muito esforço do russo e placar dilatado. Poderia ter sido ainda mais fácil, caso Djokovic tivesse fechado o segundo set na primeira chance, quando tinha 5/2.

Karatsev viveu alguns grandes momentos no fundo de quadra e fez alguns lances de força e precisão incríveis , mas o fator mais relevante era um alto índice de primeiro saque e ele mal chegou a 52%, vencendo ainda por cima apenas 65% deles. Então não dava mesmo para fazer novos milagres.

Com o recorde de semanas na liderança garantido e a inigualável façanha de ganhar quatro Slam seguidos em três pisos diferentes – seus dois maiores feitos, a meu ver -, Djokovic terá 72 horas de descanso para encarar Daniil Medvedev ou Stefanos Tsitsipas e encurtar para apenas dois a distância de troféus de Slam para Rafael Nadal e Roger Federer.

Posso apostar que ele prefere a inexperiência do grego de 22 anos, contra quem possui 4-2, do que o marrento russo, que o venceu em 3 dos últimos 4 confrontos ainda que o sérvio tenha 4-3 no geral.

Desafetos de longa data, Medvedev e Tsitsipas duelam às 5h30 desta sexta-feira. Tsitsipas vem da notável porém desgastante virada em cima de Nadal e pega um descansado russo que, além de já ter experimentado a tensão de fazer uma final de Slam,  leva ampla vantagem no histórico entre eles, com 5 vitórias em 6 duelos, sendo 4 a 1 nas quadras duras.

Osaka barra Serena e busca 4º Slam
Serena Williams teve suas chances na semifinal contra Naomi Osaka. Logo no começo do jogo, diante de uma adversária nervosa, abriu 2/0 e ainda poderia ter obtido quebras nos dois serviços seguintes. Mas a japonesa se mostrou uma fortaleza mental e deu seu show. Bateu na bola com desenvoltura invejável, achou ângulos perfeitos e contragolpes mortais, deixando a poderosa adversária estática e perdida na linha de base quase o tempo inteiro. Serena sentiu na pele o que mais gosta de fazer com suas adversárias: sufoco constante, sem tempo de pensar.

E olha que Osaka só acertou 36% de seu forte primeiro saque no set inicial. Esse ponto instável também deu uma quebra de sobrevida a Serena na metade do segundo set, mas que durou muito pouco. A japonesa manteve assim seu retrospecto impecável nas quatro semifinais de Grand Slam que já disputou e tem tudo para manter também a invencibilidade em finais no sábado, quando enfrentará Jennifer Brady.

Aos 25 anos e número 21 do mundo, Brady fará sua primeira final desse quilate e precisou novamente de três duros sets para vencer, agora Karolina Muchova. De estilo agressivo e acostumada a muitos erros não forçados – foram 38 nesta semi -, é arriscado dizer que ela não tem chance diante de Osaka. Mas precisará de um dia iluminado ou de uma atuação abaixo da média de Osaka para erguer a taça. Houve três duelos e Brady ganhou o primeiro deles, mas em 2014.

Soares e Murray desafiam campeões
Vale torcida brasileira no final desta noite e começo desta madrugada. Bruno Soares irá em busca de sua terceira final seguida de Grand Slam, depois do título no US Open e do vice em Roland Garros com Mate Pavic. Ele e o canhoto Jamie Murray enfrentam os atuais campeões, o norte-americano Rajeev Ram e o britânico Joe Salisbury, e deve ser uma batalha de arrepiar. Jogo começa 23h de Brasília.

Bruno e Murray buscam a segunda final da parceria no Australian Open e a terceira em eventos de Grand Slam. Eles ganharam em Melbourne e Nova York em 2016.

E mais
– Esta será a 28ª final de Slam de Djokovic, o que o deixa igualado a Nadal e a três de Federer.
– O sérvio pode se tornar também o segundo homem com mais troféus num mesmo Slam, atrás dos 13 de Rafa em Paris. Federer tem 8 em Wimbledon.
– O título também será o sexto de Djokovic depois dos 30 anos, empatando com o recordista Nadal.
– Aos 27 anos, Karatsev aparecerá no 42º posto do ranking e terá grande chance de entrar direto em todos os principais torneios do circuito até pelo menos Wimbledon.
– Serena deixou a entrevista oficial em lágrimas depois de responder se teria sido seu adeus ao Melbourne Park. Muito aplaudida pelo público na saída, ela disse amar a Austrália nas redes sociais.
– Brady saltará para o 13º lugar do ranking com a campanha até aqui e subirá mais um posto em caso de título.
– Ex-número 1, Osaka poderá recuperar a vice-liderança no lugar de Halep se vencer o Australian Open, mas ainda estará 1.350 pontos atrás de Barty.