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Bia derruba campeã. E pode mais.
Por José Nilton Dalcim
2 de julho de 2019 às 20:04

Vencer Sloane Stephens na quadra dura foi um grande resultado, superar a experiência da top 20 Samantha Stosur quando ainda embalava no circuito valeu demais. Porém, nada se compara ao que Bia Haddad Maia fez nesta terça-feira num dos grandes estádios de Wimbledon, diante de uma adversária de currículo nobre e apenas dois anos mais velha do que ela própria.

Com controle emocional e fidelidade tática, Bia parou uma campeã de Grand Slam dentro do seu território, onde Muguruza fez final em 2015 e levantou o troféu duas temporadas depois. Encarar adversárias de tamanho gabarito geralmente é um processo. A canhota paulista já pegou Venus WIlliams em Miami, Simona Halep em Wimbledon, Karolina Pliskova e Angelique Kerber em Melbourne. Sofreu derrotas duras, ameaçou outras vezes. Aprendeu sempre.

Há de se salientar ainda que a grama é um desafio para todo mundo, quem dirá então para os sul-americanos. Vale lembrar que Bia conseguiu uma quadra emprestada em São José dos Campos para a difícil preparação. Graças a seu talento, fez ótimas partidas em Ilkley e no quali de Wimbledon, entrando assim na terceira semana de sucesso sobre o piso natural do tênis. Novamente, não é acaso. Desde o ano passado, tenho chamado a atenção para o crescimento do seu tênis sobre a quadra sintética e mais velozes do circuito.

Com o volume de jogo que mostrou, onde se destacam o saque afiado na hora certa e paciência para achar os buracos no lado adversário, Bia entra como favorita diante da britânica Harriet Dart, 22 anos e 182ª do ranking, e assim tem uma chance real de desafiar a número 1 do mundo na terceira rodada, a habilidosa Ashleigh Barty, uma das grandes candidatas ao título. Quem sabe, lá na mágica Quadra Central. Bia merece.

Thiem e Shapovalov engrossam a lista
A dificuldade de adaptação e o currículo de Sam Querrey foram demais para Dominic Thiem, e o vice de Roland Garros passou em branco pela fase de grama. Nenhuma surpresa. Pior mesmo foi a queda em sets diretos de Denis Shapovalov para Ricardas Berankis, que um dia foi revelação e nunca embalou. Mal acabou a primeira rodada e a nova geração não para de decepcionar, embora restem ainda esperanças como Felix Aliassime, Karen Khachanov ou Alex de Minaur.

Roger Federer deu um susto ao perder o primeiro set para o desconhecido Lloyd Harris, e culpou a lentidão da quadra por seu início ruim, sem tempo ideal de bola (ninguém treina na Central). Aos poucos, se achou e aí dominou totalmente. Vai pegar agora Jay Clarke, 20 anos e queridinho local.

Rafa Nadal também preocupou quando permitiu que o baixinho Yuichi Sugita tivesse 0-40 para 0/3. Assim que achou o ritmo, atropelou, mesmo com índice apenas razoável de primeiro saque. Agora, começam seus desafios: o desafeto Nick Kyrgios, que foi tratado do quadril e jogou cinco sets, e provavelmente Jo-Wilfried Tsonga antes de Marin Cilic.

Thiago Monteiro fez um jogo bem decente contra Kei Nishikori e quase arrancou um set, deixando escapar 3-1 no tiebreak. O cearense precisou jogar bem fora de suas características e não decepcionou. Ainda não foi desta vez que voltou ao top 100, mas ficou grudado e provavelmente mais confiante.

Altos e baixos
Bia foi a grande surpresa da rodada feminina, que viu vitórias tranquilas de Barty, Kiki Bertens e Petra Kvitova, um jogo tenebroso de Angie Kerber e uma Serena Williams sofrível. Aos menos, 13 das 16 principais cabeças superaram a rodada de estreia.

Operada do ombro direito em fevereiro, Maria Sharapova disputou apenas seu terceiro jogo desde janeiro. Sacou para o que deveria ser uma vitória tranquila com 5/3, mas não conseguiu. Por fim abandonou quando já perdia por 0/5 no set final para Pauline Parmentier. Deverá continuar no amargo 80º posto do ranking.

Dupla do barulho
Andy Murray achou a parceira perfeita para sua aventura na chave de mistas: nada menos que Serena. Mais uma atração garantida para o torneio. Os campeões olímpicos também venceram Wimbledon na mesma edição de 2016. Serena afirmou que admira demais o escocês e lembrou que ele tem historicamente se mostrado solidário ao esforço de crescimento do tênis feminino.