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Esquentou
Por José Nilton Dalcim
17 de janeiro de 2018 às 11:14

Para acompanhar o dia (e noite) de muito calor em Melbourne, a abertura da segunda rodada do Australian Open foi forrada de duelos longos e equilibrados. Enquanto Rafa Nadal teve um jogo exigente mas sem riscos, gente como Grigor Dimitrov, Jo-Wilfried Tsonga e Carol Wozniacki escaparam por muito pouco de derrota tão precoce.

O grande jogo e maior exibição da rodada coube a Tsonga, que precisou de toda sua experiência e categoria para superar Denis Shapovalov, vingando-se do US Open. Partida recheada de lances espetaculares, enorme empenho e emoção. Num duelo de 110 winners (apenas 20 de aces), placar de 60 a 50 para o garoto canadense, Shapovalov teve break-point para 4/0 no quinto set e mais tarde 5/3 e saque. Falhou, é verdade, porém dá gosto ver esse rapaz de 18 anos bater tanto na bola sem medo. Backhand causa inveja. E os voleios do francês? Show. Por que não vai mais constantemente para a rede?

A luta por vaga nas oitavas será entre Tsonga e Nick Kyrgios, outra promessa de jogão. O australiano vinha novamente muito firme contra Viktor Troicki até ‘viajar’ no final do terceiro set e permitir um tiebreak desnecessário. Ainda bem que houve tempo para finalizar a tarefa. O jogo foi cheio de distrações extra-quadra: o microfone do juiz que falhava e arrancava risos da plateia, um torcedor inoportuno, um helicóptero rasante, mas nada tirou Kyrgios do foco. Bom sinal. Ah, e quem vencer este duelo enfrentará Grigor Dimitrov ou Andrey Rublev. Que setor magnífico. Dimitrov se mostrou muito irregular diante de um Mackenzie McDonald determinado. Levou até ‘pneu’ e precisou de 8/6 no quinto.

Algo bem semelhante ao de Kyrgios se passou com Nadal. O espanhol também falhou ao ter o saque para fechar a partida contra o valente Leo Mayer, mas reagiu no tiebreak. O argentino, que havia tirado um set do espanhol no US Open, jogou com coragem. Disparou 15 aces e 48 winners nos três sets, mas também viu Rafa marcar 40 bolas perfeitas.

O grande mérito do cabeça 1 foi novamente o saque, com 73% acerto e 80% desses pontos vencidos, o que gera um volume de jogo sufocante para qualquer adversário. Agora terá pela frente o bom Damir Dzumhur, contra quem se retirou no terceiro set em Miami de 2016. O bósnio de 1,75m é 30º do ranking e se solta diante dos grandes.

Também houve emoções das boas na chave feminina, especialmente nas vitórias apertadas de Wozniacki e Elina Svitolina. A cabeça 2 salvou dois match-points e ganhou seis games seguidos no terceiro set a partir de 1/5 diante da pouco conhecida Jana Fett, enquanto a quarta do ranking virou a partida quando acabou o físico de Katerina Siniakova.

A menina Marta Kostyuk, 15 anos, ganhou até com joelho avariado e talvez não consiga pressionar Svitolina, mas mostrou graça e maturidade até na entrevista em quadra. Muito futuro. Destaque também para o jogo sólido e agressivo de Kateryna Bondarenko e a queda de Julia Goerges, de quem eu esperava mais na quadra veloz.

O momento mais inusitado e cômico veio na vitória da local Ashleigh Barty. Incomodado com o grunhido irritante da bielorrussa Aryna Sabalenka, o público começou a imitá-la durante as trocas de bola e exigiu que a juíza pedisse para os espectadores “não gritarem” durante o ponto. Sensacional.