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Tsitsipas segue a rotina
Por José Nilton Dalcim
2 de setembro de 2021 às 01:17

As duras críticas que recebeu após as reclamações de Andy Murray não afetaram Stefanos Tsitsipas. No plano técnico, fez outra partida com muito mais elogios do que defeitos e manteve a rotina de dar uma longa pausa no vestiário. Gastou oito minutos para reiniciar a partida após Adrian Mannarino levar o jogo ao quarto set, mas o francês preferiu não reclamar de nada.

Apesar do tiebreak perdido após um set de muito empenho do adversário, Tsitsipas fez uma exibição vistosa. Forçou sempre, ajudado ainda pelo teto fechado, e chegou a bater seu recorde pessoal de aces num jogo (27), tendo vencido 85% dos pontos com o primeiro saque. Levou vaias no retorno à quadra, pareceu pouco à vontade na entrevista pública e a pergunta é se isso tudo irá influenciar seu mental nos momentos mais complicados.

Encara agora a juventude de Carlos Alcaraz, que tem me chamado a atenção por ter se adaptado muito bem às quadras duras como mostrou na vitória de hoje sobre Arthur Rinderknech, francês que possui um tênis bem moderno. Com as quedas dos cabeças, o quadrante ficou com os sacadores Henri Laaksonen e Peter Gojowczyk. O alemão joga muito no risco, saiu do quali e já fez 10 sets na chave principal.

Daniil Medvedev por sua vez jogou com a seriedade e eficiência necessárias para não gastar energia. Ficou é bem verdade preso lá na base e isso foi mais do que suficiente para dobrar o canhoto Daniel Koepfer, a quem carece agressividade, algo um tanto semelhante a Pablo Andujar, seu próximo adversário. Para superar Medvedev numa quadra dura veloz, é preciso muito mais do que trocar bolas e assim dificuldades autênticas se podem esperar diante de Daniel Evans ou Alexei Popyrin, ainda que o favoritismo de Medvedev permaneça.

Andrey Rublev corre por fora nesse briga, não apenas porque tem resultados menos relevantes em Slam como também seu setor ficou muito mais forte. Chegou a perder set de Pedro Martinez antes de enfim dominar as trocas de bola, pega agora o imprevisível Frances Tiafoe em jogo inédito e quem vencer enfrentará Roberto Bautista ou Felix Aliassime. Rublev ganhou as duas de Bautista neste ano e tem 2-0 sobre o canadense.

Só dá favorita
E para contrariar a todos, a chave feminina prossegue com atuações consideralmente rápidas e tranquilas das principais cabeças de chave. Duas caíram nesta quarta-feira, mas Coco Gauff jamais se mostrou solta e parou na campeã Sloane Stephens, o que está longe de ser surpresa, e Ekaterina Alexandrova só entrou como cabeça devido aos abandonos de Sofia Kenin e Serena Williams.

Aryna Sabalenka foi bem mais consistente em seu segundo jogo e isso é ainda mais relevante quando se considera o vento que já soprava forte ali no meio da tarde. Ótima atuação também de Garbiñe Muguruza, num divertido jogo contra a amiga Andrea Petkovic, e de Simona Halep, que fez 19 winners e 18 erros tomando sempre a iniciativa. Naomi Osaka nem precisou entrar em quadra e Vika Azarenka me parece instável demais.

A terceira rodada marca duelos já muito interessantes, principalmente Muguruza x Azarenka vc, que está 2 a 2. Mas também haverá Sabalenka x Collins, Mertens x Jabeur, Halep x Rybakina e Svitolina x Kasatkina.

Tempestade alaga Armstrong
A previsão de chuva em Nova York se confirmou, mas ainda que tenha atrasado o começo dos jogos nas quadras externas e provocado uma paralisação no meio da tarde, o cronograma inteligente da organização – que marcou todos os jogos de simples para o começo da rodada – garantiu que apenas um jogo acabasse adiado.

E curiosamente isso aconteceu num estádio coberto. O aguaceiro combinado com ventos muito fortes entrou pelas laterais da Louis Armstrong e alagou completamente o segundo maior estádio, prejudicando o andamento do jogo entre Diego Schwartzman e Kevin Anderson. Eles conseguiram completar um set e mais um game até que a suspensão se tornou inevitável, e aí entraram na Ashe quase meia-noite local para o reinício.

Um vídeo de Darren Cahill dá a dimensão da força da chuva e uma imagem surreal da Armstrong pelas câmeras da ESPN são perfeitas para explicar o caos.

Certo ou errado?
Por José Nilton Dalcim
31 de agosto de 2021 às 01:53

Andy Murray saiu extremamente irritado da quadra. Mais do que isso. Inconformado com uma série de atitudes de Stefanos Tsitsipas que teria como objetivo retardar o jogo ou tirar o adversário de ritmo, o escocês soltou os cachorros e disse algo que muita gente já anda pensando: Stef é um tremendo jogador, mas está perdendo o respeito.

As demoradas idas do grego ao vestiário no intervalo dos jogos já viraram hábito. Alexander Zverev reagiu nervosamente em Cincinnati e chegou a insinuar que Tsitsipas estaria recebendo instrução do pai-treinador por mensagem de texto. De repente, passou-se a falar que ele levaria um celular ou pager escondido no material que carregava ao sair da quadra.

Claro que é uma acusação leviana, mas o grego acaba levando a suposições exageradas devido à repetição da manobra. Murray afirmou na entrevista oficial que já havia previsto que isso iria acontecer e que tentou se preparar, mas ainda assim saiu de giro porque os oito minutos que ficou parado antes do quinto set teriam esfriado o corpo e baixado a adrenalina.

Afinal, o que diz a regra? Que Tsitsipas não fez nada de errado. O tenista tem direito a ir duas vezes ao vestiário em jogos de cinco sets – e uma em jogo de três sets – e não há tempo estipulado para isso. A falha na verdade é da regra.

Num esporte todo cronometrado como o tênis profissional se tornou, desde o bate-bola até o intervalo entre os pontos e o atendimento médico, não faz o menor sentido inexistir limite para ficar no vestiário. Evidente que cada torneio (e por vezes quadras dentro de um mesmo complexo) tem uma distância diferente, então o padrão não pode ser o momento de saída da quadra mas a chegada ao vestiário. Parece simples de resolver, já que o tenista está obrigatoriamente acompanhado de um fiscal.

Murray no entanto reclamou também do atendimento médico pedido ao final do terceiro set e de uma parada para trocar equipamento num 0-30. No primeiro caso, novamente Tsitsipas estava dentro do regulamento, mas no outro o escocês tem muita razão. Talvez até fosse mesmo uma necessidade, porém o histórico do grego nessa altura já não o ajuda mais. Quem não se lembra de suas constantes paralisações de jogo para trocar o cordão dos calçados ou as inúmeras advertências de instrução?

Diz o britânico que se discute muito essas coisas entre os jogadores e até no Conselho, mas que falta ainda mais pressão para que mudanças aconteçam. E curiosamente ele pediu até que os jornalistas insistam no assunto para forçar mais.

O mais triste – e Murray também disse isso na coletiva –  é que o grande espetáculo que os dois deram nessa primeira rodada ficou em segundo plano. Por quase cinco horas, exibiram notáveis recursos técnicos, enorme determinação, esplendor físico e controle emocional.

Sinceramente, não esperava que Murray jogasse tão bem, ainda mais pelas entrevistas desanimadoras que deu desde a chegada em Nova York. Não ficou longe de bater o número 3 do mundo, e um dos tenistas de maior físico do circuito, por 3 a 0, e fez um quinto set completamente inteiro. Foi animador.

Resumão
– O piso está mesmo muito veloz. Basta ver a quantidade de tiebreaks e terceiro/quinto sets disputados nesta segunda-feira nas duas chaves.
– Ainda assim, caíram Isner, Humbert, Cilic e Krajinovic no masculino. Fiquei mesmo surpreso com a derrota do canhoto francês para Gojowczyk.
– Quatro argentinos avançaram e Bagnis vai pegar Trunfgelliti, que fez jogo maluco contra Davidovich, que terminou com o garoto espanhol em cena dramática de cãibras.
– Alcaraz merece atenção. Já adaptou estilo para as quadras duras e tem ido muito bem à rede. Ferrero sabe das coisas.
– Transição para os voleios também foi o forte de Evans na vitória sobre Monteiro, que não jogou mal os três primeiros sets mas faltou ir mais atrás à frente atrás do slice do britânico.
– Sabalenka deu susto, Osaka demorou para engrenar, Muguruza e Kerber escaparam no tiebreak do terceiro set, Gauff precisou de virada. Foi uma primeira rodada estranha no feminino.
– Campeã no sábado, Svitolina aproveitou embalo e venceu bem. E Halep tirou Giorgi, que adora uma quadra veloz, com boa desenvoltura.

Djokovic tenta fechar década de ouro
Por José Nilton Dalcim
29 de agosto de 2021 às 15:40

Os números não mentem: Novak Djokovic foi o jogador mais dominante em nível Grand Slam desde 2011. O US Open que começa nesta segunda-feira será o 43º torneio desse quilate do período, dos quais o chamado Big 3 venceu nada menos do que 34.

Os dados oficiais da ATP comparam Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer e são indiscutíveis. Desde janeiro de 2011, o sérvio venceu 19 Slam contra 11 do espanhol e 4 de Federer, tendo obtido 230 vitórias contra 171 de Nadal e 161 de Federer.

Também passou todas suas atuais 337 semanas na liderança, muito acima das 133 do canhoto espanhol e das 25 de Roger. A supremacia se reflete nos títulos e vitórias conquistados no geral. Nole ganhou 67 troféus (com 658 vitórias), Nadal foi campeão 45 vezes (556 triunfos) e Federer, 37 (508).

Sem a concorrência dos parceiros recordistas de títulos de Slam, Djokovic será a estrela absoluta em Flushing Meadows, o que pode ser bom ou ruim. Tenta desempatar a disputa e repetir o feito de 2016, quando se tornou dono de todos os troféus de Slam ao mesmo tempo. Mas agora pode fazê-lo num único ano, façanha que passou perto de Federer por duas vezes, em 2006 e 2007, e que Nadal nunca saboreou.

A pergunta que todo mundo se faz em Nova York é como Nole irá reagir à tamanha pressão, externa e principalmente interna. A motivação não poderia ser maior, é o grande favorito, porém o excesso de confiança tem seus perigos. O sérvio já mostrou inúmeras vezes capacidade de aguentar cobranças e concretizar expectativas. Mas esta é única e Nole terá de estar pronto para jogar uma autêntica final a cada vez que entrar em quadra.

Torneio feminino promete outra vez
A chave feminina mais uma vez está bem aberta, ainda que o favoritismo de Ashleigh Barty seja incontestável. A número 1, que vem do título em Cincinnati, tem no entanto alguns desafios até mesmo nas rodadas iniciais, quando poderá encarar Veronika Kudermetova e depois nas oitavas Jennifer Brady.

É provável que Iga Swiatek seja sua adversária de quartas, mas o setor tem Belinda Bencic e nomes de bom currículo como Jessica Pegula e Anett Kontaveit, sem falar em Jil Teichmann, que não saiu de cabeça e pode ser a terceira adversária da polonesa.

A outra vaga para a semi no lado superior é indefinida. Karolina Pliskova e Anastasia Pavlyuchenkova são possíveis oitavas, assim como Bianca Andreescu e Petra Kvitova. Mas essas duas estão pouco confiáveis e não seria surpresa de Maria Sakkari ou Jelena Ostapenko aproveitassem a oportunidade.

O lado debaixo é muito atraente, apontando para uma semi entre Aryna Sabalenka e a bicampeã Naomi Osaka. Se jogar seu normal, a cabeça 2 bielorrussa deve passar por Danielle Collins e Ons Jabeur até encontrar o grupo onde ficaram Barbora Krejcikova, Garbiñe Muguruza e Vika Azarenka. Sou mais Sabalenka.

Ainda sem mostrar seu melhor tênis desde o título no Australian Open, Osaka tem de ser respeitada em Flushing Meadows. Seria interessante um duelo de oitavas contra Coco Gauff, mas que pode ser impedido por Angie Kerber. Campeã neste sábado, Elina Svitolina me parece a candidata natural às quartas, já que Simona Halep está longe da boa forma.

Eu particularmente acharia fantástica uma final entre Barty e Osaka. E se apostasse numa nova campeã de Slam, seria em Sabalenka.

E mais
– O US Open masculino tem sido bem mais versátil do que os demais Slam. Nos últimos 13 anos, o torneio teve oito novos campeões enquanto Melbourne, Paris e Wimbledon viram apenas quatro cada um.
– Com as desistência de Nadal, Federer e Thiem, sete dos oito principais cabeças do torneio têm no máximo 25 anos e quatro vão até 23. Os únicos que nunca fizeram semi em Slam são Rublev e Ruud.
– Djokovic tem 35-1 em jogos de cinco set contra tenistas nascidos após 1993, o que inclui 3-0 sobre Medvedev e 2-0 sobre Tsitsipas e Zverev. A única derrota foi para Chung, em Melbourne-2018.
– Único campeão olímpico a vencer o US Open no mesmo ano foi Murray, em 2012.
– EUA não ganham o título masculino do US Open desde 2003, mas no ranking desta semana o país tem 14 nomes no top 100, superiando a Itália.
– O único campeão do US Open que não era cabeça foi Andre Agassi, em 1994.
– Cornet chega a 59 Slam consecutivos e fica a três de igualar recorde de Sugiyama. Feliciano atinge 78 seguidos.
– Todas as 16 principais cabeças do feminino fizeram ao menos uma semi de Slam.
– Barty é única com múltiplos títulos em quadra dura neste ano (3). Apenas Pliskova e Andreescu entre as 10 cabeças não ganharam torneios no sintético, mas foram vices em 2021.
– Serena segue como mais velha campeã em três dos quatro Slam. Exceção é o US Open, em que Pennetta tirou seu recorde por diferença de 3 meses.