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Mais história para Djokovic
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2022 às 18:44

Cada vez mais perto da forma necessária para buscar o tri em Roland Garros e seu 21º troféu de Grand Slam, Novak Djokovic estará diante de mais um momento histórico para sua carreira e para o tênis neste sábado, quando jogará a semifinal de Roma para se tornar o quinto profissional da história a somar 1.000 vitórias, primazia limitada hoje a Jimmy Connors, Roger Federer, Ivan Lendl e Rafael Nadal.

Isso o colocará também perto do primeiro título desde novembro e de ampliar seu recorde de conquistas em nível Masters 1000. O número 1 foi mais uma vez mantido pelo sérvio com vitória de peso em cima de um animado Felix Auger-Aliassime, que sacou muito, fez excelentes jogadas, encarou as trocas e exigiu eficiência, pernas e variação de Djokovic. Um grande jogo, que deve encher Nole de confiança.

Vai reencontrar o autêntico saibrista Casper Ruud, a quem superou na semi de Roma em 2020 e tem outra vitória na quadra dura do Finals de Turim. O norueguês parece ter recuperado seu jogo na hora certa e na verdade se testará diante do pentacampeão. Observe-se que ele só pegou jogadores de bolas retas ou estilo agressivo, como Botic van Zandschulp, Jenson Brooksky e Denis Shapovalov. O canadense, que vinha da vitória sobre Rafa Nadal, não soube controlar os nervos nos dois sets tão apertados.

A segunda vaga na final será outra vez decidida entre Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas, autêntico tira-teima. O grego venceu na lentidão de Monte Carlo, o alemão deu o troco na rapidez de Madri e agora vamos ver o que acontece no piso muito mais próximo a Paris. Pena a lesão no quadril sentida por Jannik Sinner – e que também preocupa para Roland Garros – porque o primeiro set diante de Stef foi da mais alta qualidade.

Cabeças definidos para Paris
A sexta-feira também organizou os oito principais cabeças de Roland Garros. Djokovic e Daniil Medvedev irão pontuar a chave, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas serão sorteados como 3 e 4, um para cada lado, e depois virão Rafa Nadal, Carlos Alcaraz, Andrey Rublev e Casper Ruud. Ou seja, não apenas poderemos ter Djoko nas quartas contra Nadal ou Alcaraz, como também é possível que os três caíam no mesmo lado. gerando um óbvio e indesejado desequilíbrio.

O feminino também já definiu as oito principais favoritas em Paris. Iga Swiatek, em sua quinta semi seguida e rumo a mais um WTA 1000, é super favorita. A campeã Barbora Krejcikova, que está inativa, entra no outro extremo, enquanto Paula Badosa e Maria Sakkari serão as 3 e 4. Anett Kontaveit, Ons Jabeur, Aryna Sabalenka e Karolina Pliskova completam o quadro. Jabeur e Sabalenka ainda podem chegar ao quinto lugar em caso de título em Roma, mas isso não muda absolutamente nada no sorteio, já que cabeças de 5 a 8 são livremente sorteadas. O sonho de todas, claro, é ficar bem longe de Swiatek.

Expectativa em Roma
Com Swiatek soberana no circuito, as semifinais de Roma deste sábado podem colocar a polonesa contra a tunisiana Ons Jabeur na decisão, o que teria ares de avant-première de Paris. A polonesa patinou um pouco no começo do jogo contra Bianca Andreescu e teve um inesperado primeiro set duro antes de atropelar. Vai pegar Sabalenka, que enfim quebrou o pequeno tabu contra Amanda Anisimova e tem histórico negativo de 2-1 diante de Swiatek. As duas se cruzaram poucas semanas atrás em Stuttgart e a bielorrussa fez muito pouco.

Jabeur deu um susto. Tinha jogo praticamente perdido quando Sakkari abriu 6/1 e 5/2, com saque. Aí a grega perdeu 11 dos 12 games seguintes quando enfim a tunisiana conseguiu curtinhas precisas e explorou mais a rede. Será ampla favorita contra Daria Kasatkina em busca da segunda final de peso consecutiva no saibro europeu, após o título em Madri.

Bia em dose dupla
Foi muito mais difícil do que se podia esperar, mas Bia Haddad Maia impôs sua maior categoria sobre a francesa Elsa Jacquemot, 229º do ranking, está em outra semi de WTA 125 e muito perto de entrar no top 50. Para isso, precisa vencer neste sábado Ana Bogdan ou esperar que Mayar Sherif não seja campeã no 125 da Alemanha.

Havia tensão. Bia perdeu dois serviços no primeiro set, ameaçou reação mas quase foi quebrada na abertura da segunda série, o que poderia complicar tudo. Reagiu na hora certa, cresceu e empatou. A coisa continou difícil, games longos e chances desperdiçadas, até por fim devolver bem e obter a vantagem decisiva. Um sufoco.

Para completar a ótima sexta-feira 13, a canhota também está na final de duplas ao lado da excelente francesa Kristina Mladenovic, ex-líder da especialidade. O título não mudará grande coisa para a brasileira, mas a manterá entre as top 35 do ranking de duplas.

Melancolia para Rafa, história para Bia
Por José Nilton Dalcim
12 de maio de 2022 às 20:42

Não bastasse Novak Djokovic estar recuperando a cada dia sua grande forma e ao mesmo tempo ter surgido um audacioso Carlos Alcaraz decididamente perigoso, Rafael Nadal ganhou nova preocupação, e talvez esta ainda maior. Apenas cinco jogos depois da parada forçada para tratar de uma fratura na costela, o problemático pé esquerdo voltou a limitar o espanhol e contribuiu sobremaneira para sua eliminação nas oitavas de final de Roma, onde defendia o título do ano passado.

Rafa já deixou claro que é uma lesão crônica, portanto não há tratamento possível. Resta conviver com isso. Como já explicou antes, nem é uma questão de economizar calendário ou treinos. A dor de repente aparece e o atrapalha. Foi exatamente o que aconteceu nesta quinta-feira diante de Denis Shapovalov. Depois de um primeiro set avassalador, veio uma queda no começo da outra série e uma ligeira recuperação, mas já se percebia que aquele Nadal não era o mesmo, mais atrasado para arrancar e muito errático. Ainda saiu com quebra no terceiro set, porém não sustentou e daí em diante foi dominado por um adversário que soube conduzir o momento de forma taticamente esperta.

Eis que o ‘rei do saibro’ passa a ser uma grande incógnita para Roland Garros. Agora, nem é mais uma questão de discutir quem é mais favorito mas de perguntarmos o quanto ele conseguirá se recuperar nos 10 dias que faltam para o Aberto francês e em que medida sua confiança estará abalada. Porque, como todos sabemos, a parte atlética é componente essencial de seu plano de jogo. Será que Nadal se submeterá a infiltrações sucessivas para sua cabeça não desviar o foco? É de se esperar que seus adversários, desde a primeira rodada, ganhem inesperado ânimo. O clima desta noite na entrevista oficial do espanhol era melancólico e ele chegou a insinuar a aposentadoria.

Enquanto isso, Djokovic fez um treino de luxo contra Stan Wawrinka, que apesar de alguns ótimos lances mostra-se obviamente muito longe de estar competitivo num nível alto. No jogo que vale a permanência como número 1, enfrentará pela primeira vez Félix Auger-Aliassime, o novo pupilo de Toni Nadal, que não tem no saibro seu piso mais favorável. Mas será interessante ver se o canadense trará alguma coisa diferente para a quadra, já que a princípio trocar pancadaria da base pouco o beneficiará.

Se vencer, Nole poderá chegar no sábado em condição de anotar a histórica 1.000ª vitória da carreira contra Shapovalov ou Casper Ruud, duelo que revive a final de Genebra do ano passado vencida em dois sets pelo norueguês. Ele aliás precisa desesperadamente de uma grande campanha em Roma para sepultar as últimas semanas e chegar renovado a Paris.

O lado inferior da chave verá o segundo duelo entre Alexander Zverev e Cristian Garin e um imperdível reencontro entre Stefanos Tsitsipas e Jannik Sinner, o terceiro que acontecerá em Roma, com uma vitória para cada lado. Se o alemão leva certa favoritismo devido ao momento instável do chileno, ainda inseguro com o cotovelo, não dá para apostar no grego depois dos altos e baixos contra Grigor Dimitrov e Karen Khachanov. O italiano receberá apoio maciço da torcida mas nunca fez uma semi de Masters sobre o saibro. No ano passado, ganhou só um jogo em cada um deles e agora já fez quartas em Madri e oitavas em Monte Carlo.

Iga sobra na turma
O torneio feminino continua sendo um grande desfile de Iga Swiatek. É bem verdade que sofreu no começo do jogo contra Vika Azarenka, mas a partir do momento em que cortou os erros a polonesa deu outro grande espetáculo, com golpes muito agressivos tanto na cruzada como na paralela. A número 1 está claramente sobrando na turma e é de se esperar que some a 26ª vitória e quinta semi consecutivas contra Bianca Andreescu.

Tenho gostado também de Aryna Sabalenka. Sempre correndo riscos, mas menos ansiosa e se perdoando mais. Terá agora um teste de fogo diante de Amanda Anisimova, para quem perdeu todos os quatro confrontos, incluindo sobre o saibro. Não temos imperdível será a embalada Ons Jabeur contra Maria Sakkari, duas jogadoras de potencial comprovado mas que ainda pecam no emocional. Por fim, Paula Badosa causou nova decepção, foi incrivelmente instável e parou em Daria Kasatkina, que enfrentará a surpresa Jil Teichman.

O grande momento de Bia
Há uma enorme chance de Bia Haddad Maia chegar ao 50º lugar do ranking caso vença nesta sexta-feira a francesa Elsa Jacquemot, 229º do mundo, nas quartas de final do WTA 125 de Paris. As projeções apontam que ela totalizará 1.120 pontos e não poderá ser superada por concorrentes em ação nesta semana.

Caso isso aconteça, Bia será a quinta profissional brasileira a atingir o prestigiado grupo, juntando-se a Maria Esther, Niege Dias, Teliana Pereira e Patrícia Medrado. A última vez que um tenista nacional entrou de forma inédita no top 50 foi em 2015, com a mesma Teliana. O eventual título da canhota paulista em Paris a levará ao 41º posto.

Torçamos

‘Tiozão’ Cilic é o penetra da balada
Por José Nilton Dalcim
22 de janeiro de 2022 às 12:26

A nova face do tênis masculino ficou bem perto do domínio absoluto no lado inferior da chave deste Australian Open, ao se concluir os classificados para as oitavas de final do primeiro Grand Slam da temporada. A exceção é Marin Cilic, que aos 33 anos destoa da média dos demais concorrentes, nenhum deles com mais de 25.

Campeão do US Open tal qual Cilic, o russo Daniil Medvedev mal tomou conhecimento do saque poderoso do holandês Botic van Zandschulp e terá amplo favoritismo diante de Maxime Cressy, norte-americano de 24 anos que pratica o mais autêntico saque-voleio e disputa apenas seu quarto Slam. Parece impossível uma surpresa para o atual vice.

Stefanos Tsitsipas fez seu melhor jogo deste começo de temporada diante do talentoso Benoit Paire, colocou o primeiro saque para funcionar (21 aces) e foi bem econômico nos erros (26). Seu adversário é Taylor Frtiz, que nunca chegou tão longe num Slam e mostra tênis e cabeça de qualidade desde a ATP Cup. Suportou a batalha contra Roberto Bautista, em que aplicou ‘pneu’, depois ficou 2 sets a 1 atrás e ainda manteve a frieza para reagir. Destaque para seus 73 winners. O grego, 23 anos, ganhou os dois duelos já feitos contra Fritz, de 24.

A ruidosa torcida levou Alex de Minaur à inédita quarta rodada em Melbourne – ele foi quartas no US Open-2020 – e desafiará o garotão Jannik Sinner. O italiano tem agora oitavas em três diferentes Slam e pode repetir as quartas de Paris-2020. Para isso, terá de provar sua força mental diante de um adversário que vibra o tempo todo e sabe envolver o público. Nos jogos deste sábado, De Minaur justificou a superioridade sobre Pablo Andujar e Sinner levou um 1/6 de Taro Daniel antes de dominar os dois sets finais. Nos dois confrontos já realizados e na quadra dura, deu Sinner, de 20 anos, quatro a menos que o australiano.

Muito boa mesmo foi a vitória de Felix Auger-Aliassime sobre Daniel Evans, com um placar elástico demais. O britânico só ganhou seis games e pareceu se perder depois de deixar escapar chances valiosas no set inicial. O canadense de 21 anos sacou muito e está cada vez mais sólido nos Slam. Ele vem de quartas em Wimbledon e semi no US Open, mas agora terá de encarar um pequeno tabu diante do experiente Cilic, que ganhou todos os três encontros.

Fazia exatos dois anos que Cilic não chegava nas oitavas de um Slam, mas ele claramente se sente à vontade em Melbourne, onde fez final em 2018. Encarou bem a batalha de força pura contra Andrey Rublev, num jogo de mínimas variações táticas, e tirou o melhor do seu ótimo primeiro serviço (24 aces e 85% de pontos vencidos) e do mortal forehand (20 winners). O russo, como de hábito, exagerou nos momentos delicados e falhou taticamente ao não investir com mais paciência no backhand do adversário.

Swiatek e Halep empolgam, Aryna se vira
Difícil dizer quem está mais afiada ao término da primeira semana deste Australian Open: a polonesa Iga Swiatek ou a romena Simona Halep. Em comum, as duas têm despachado adversárias sem maior desgaste, mostram opção tática por forçar as jogadas e um saque mais contundente. E, em quadrantes diferentes, podem muito bem fazer uma disputa direta na semi.

Swiatek chega de novo nas oitavas de um Slam na quadra dura, como aconteceu no US Open, mas agora a chance de avançar é bem maior, já que enfrenta pela primeira vez Sorana Cirstea. Finalista do torneio em 2018, Halep tem uma barreira mais perigosa, Alizé Cornet, para quem perdeu três de quatro vezes embora a mais recente tenha sido em 2015. Cornet é enjoada, briguenta, corre muito e tem vasta experiência. Aos 31 anos, no entanto, nunca fez quartas em qualquer Slam.

Quem vai sobrevivendo aos trancos e barrancos é a cabeça 2 Aryna Sabalenka. Mais 10 duplas faltas – ao menos, a metade de sua média da temporada – e nova virada, agora em cima da canhota Marketa Vondrousova. A bielorrussa ainda sonha com uma final de Slam, e desta vez isso pode até valer o número 1 do ranking. Isso talvez explique a instabilidade. O próximo passo é diante de Kaia Kanepi, que aparece como 115 do ranking, mas não se enganem. A estoniana já foi 15 e adora um piso rápido.

Por fim, Danielle Collins e Elise Mertens fazem duelo de duas semifinalistas do torneio. Uma vitória para cada lado no histórico. Collins deu seu showzinho de irritação tão costumeiro na virada sobre a garota Clara Tauson, que vinha da vitória sobre Anett Kontaveit. A belga ainda não perdeu set.