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Balde de água fria
Por José Nilton Dalcim
20 de fevereiro de 2020 às 10:42

Roger Federer está fora das quadras pelos próximos quatro meses. A contusão que ficou óbvia desde a terceira partida que fez no Australian Open o forçou a realizar artroscopia no joelho direito. Com isso, anunciou desistência de Dubai, dos Masters norte-americanos e da aparição única no saibro em Roland Garros. Sua previsão é voltar na temporada de grama. Ele está inscrito para Halle, a partir de 15 de junho, mas pode antecipar e jogar também Stuttgart na semana anterior.

O que é afinal a artroscopia no joelho? É um procedimento cirúrgico mais comumente utilizado nas articulações (joelho, ombro, quadris) que tenta ser o menos invasivo possível e assim acelerar o processo de recuperação. O médico insere uma haste do tamanho de um canudo, onde fica a câmera que irá explorar o local, e avalia tudo por um monitor. Através de outros pequenos cortes, insere então o equipamento cirúrgico. A artroscopia do joelho é indicada tanto para corrigir os ligamentos como o menisco. Só o médico poderá dizer qual exatamente foi o problema de Federer.

Em 2016, o suiço sofreu ruptura do menisco do joelho esquerdo, provocada por um acidente doméstico logo depois do Australian Open. Ele então precisou de dois meses de total recuperação e retornou em abril. Jogou no entanto apenas cinco torneios e resolveu encerrar a temporada após perder na semifinal de Wimbledon. Foi o primeiro ano em que não ergueu troféus e isso lhe custou a saída do top 10.

Obviamente, a nova artroscopia o fará perder muitos pontos: 1.000 de Miami, 720 de Roland Garros, 600 de Indian Wells, 500 de Dubai, 180 de Roma e outros 180 de Madri. Ou seja, dos atuais 7.130 pontos não defenderá 3.180 e chegará à fase de grama com 3.950. Na teoria, estará ainda como 7º ou 8º do ranking, o que lhe garantirá ser um dos principais cabeças em Stuttgart, Halle e principalmente Wimbledon. Cada vez mais próximo dos 39 anos, no entanto, é legítimo se ter muitas dúvidas sobre como será esse retorno.

O inesperado afastamento pode ao mesmo tempo prejudicar seriamente o objetivo de alcançar mais algumas marcas históricas em 2020. Ainda faltam seis títulos e sete finais para igualar Jimmy Connors, assim como fazer 44 jogos e ganhar 32 partidas. No ano passado, Federer disputou 14 torneios, com 4 títulos, 53 vitórias e 10 derrotas, algo bem semelhante à temporada de 2018, com 14 torneios, 4 títulos, 50 triunfos em 60 jogos. Seu último grande ano foi o de 2017, em que entrou apenas 12 vezes em quadra, mas ergueu 7 troféus (dois Slam e três Masters), através de 54 vitórias e apenas 5 derrotas.

Por fim, não deixa de ser curioso o fato de que Federer já precisou operar os dois joelhos nesta sua fase final de carreira, enquanto Rafael Nadal, que sofre com isso antes mesmo de despontar no circuito, em 2004, oficialmente jamais admitiu ter feito qualquer cirurgia no problemático joelho. A única artroscopia que o espanhol sofreu foi ao final de 2018, mas no tornozelo.