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Badosa supera depressão e enriquece circuito
Por José Nilton Dalcim
17 de outubro de 2021 às 22:52

Paula Badosa é um dos tantos casos no circuito de jogadores que fazem grande sucesso como juvenil, criam enorme expectativa e acabam vítimas disso. A espanhola de tênis vigoroso precisou superar a depressão que veio no início da carreira profissional, gerada ironicamente pela conquista do título juvenil de Roland Garros, e três anos depois dá uma bela volta por cima com a colheita de grandes resultados.

Nascida em Nova York, para onde os pais se mudaram para tentar o mundo da moda, a pequena Paula entrou no tênis aos 7 anos quando a família voltou a Barcelona. Passou um tempo em Valência, onde deu um salto de qualidade, e o título em Paris veio no retorno a Barcelona. Apesar de boas vitórias em nível ITF, a cobrança ficou insustentável e, aliada a problemas físicos, levou à crise emocional, que só seria superada já em 2018 quando passou a treinar com Xavier Budó, que ajudou Carla Suárez por muitos anos.

Enfim, ergueu troféus de ITF, chegou nas quartas do primeiro WTA e entrou para a faixa das 150 ao final do ano, mas precisou de uma temporada inteira para atingir o top 100. A pandemia foi uma ducha de água fria, e muito provavelmente atrasou um pouco mais sua ascensão, mas quando o circuito retornou Badosa aproveitou bem. As quartas em Roland Garros a levaram ao 70º posto.

Nada seria tão fácil. A covid forçou 21 dias de isolamento total em Melbourne e ainda veio uma contusão em Lyon. O har-tru de Charleston, já em abril, foi o ponto da virada, onde derrotou Belinda Bencic e Ashleigh Barty. Fez boa campanha em Madri, ganhou seu primeiro WTA em Belgrado e a confiança só cresceu. É bom lembrar que antes desta notável campanha em Indian Wells, ela já tinha vencido também as top 10 Aryna Sabalenka, Barbora Krejicikova e Iga Swiatek, o que mostra claramente seu potencial.

A menina que adora ler e leva muitos livros em todas suas viagens revelou na cerimônia de premiação que se inspirou em Vika Azarenka, mas seu espelho mesmo era Maria Sharapova, já que considera o saque seu golpe mais importante, algo um tanto natural para o 1,80m. É no entanto um campo em que precisa investir mais. Até chegar em Indian Wells, sua média de aces nos 46 jogos já feitos beirava 4, mas o de duplas faltas era de 6. Nesta final de domingo, isso também ficou bem claro: 7 aces contra 11 duplas faltas.

A pupila do técnico Javier Martí deverá aparecer no 11º posto nesta segunda-feira e, mais importante ainda, na 8ª colocação na luta para ir ao Finals de Guadalajara, ou seja, a chance cresceu muito já que só faltam duas semanas de temporada regular. Tomara que desta vez o sucesso seja bem absorvido porque Paula é mais um nome da nova geração feminina que joga um tênis super moderno, que mistura força com regularidade e variações. Ganhou de quatro top 20 nestes 10 dias e se tornou a primeira espanhola a erguer o troféu em Indian Wells, algo que escapou de Arantxa Sánchez, Conchita Martinez e Garbiñe Muguruza.

Azarenka fez um belo torneio e ficou bem perto do tri. Chegou a sacar para a vitória neste domingo, prova de que até os multicampeões sentem o friozinho na barriga na hora de grande tensão.

Norrie também reage e sonha com Finals
Muito longe da qualidade técnica e das emoções da final feminina, como era de se esperar, o canhoto Cameron Norrie também marcou feito inédito em Indian Wells. Ganhou seu primeiro Masters, obteve um troféu de peso que nem Andy Murray e Tim Henman conseguiram e ainda será o 16º no ranking desta segunda-feira.

É muita coisa para um jogador sem golpes espetaculares, que conta com suas pernas e esperteza tática para dar um grande salto na carreira. É interessante lembrar que Norrie havia perdido suas quatro finais até julho deste ano, quando enfim faturou Los Cabos e revelou ter vivido um grande alívio. Dias atrás, decidiu também San Diego e então se torna um nome respeitável nos pisos sintéticos.

Norrie entrou de vez na briga por uma impensável vaga no Finals. Com cinco classificados – Djokovic, Medvedev, Tsitsipas, Zverev e Rublev -, Matteo Berrettini está muito perto e a briga decisiva parece ficar entre Casper Ruud, Hubert Hurkacz, Norrie e Jannik Sinner. A distância entre eles é de apenas 420 pontos.

Desafio – O internauta Hemerson, que não publicou sobrenome, ganhou o Desafio proposto para o campeão de Indian Wells. Ele foi o único que postou vitória de Norrie em três sets e assim receberá a biografia revisada de Roger Federer da Sportbook.

Os candidatos para recuperar Nadal
Por José Nilton Dalcim
8 de outubro de 2015 às 00:04

Pela primeira vez, Toni Nadal admitiu a hipótese de deixar o comando absoluto da carreira de Rafa e adicionar um “supertécnico” ao time. Claro que o tio foi bem cauteloso. Em primeiro lugar, garantiu que a decisão terá de partir do tenista e de outro lado acredita que tal medida só seria levada realmente a sério caso 2016 não mostre a reação esperada do espanhol.

Vale lembrar que todos os grandes jogadores de hoje recorreram a ícones recentes do tênis para dar um novo rumo à carreira. Novak Djokovic agregou Boris Becker, Roger Federer foi atrás de Stefan Edberg, Andy Murray perdeu Ivan Lendl mas trocou por Amélie Mauresmo e já adicionou Jonas Bjorkman. Isso sem falar de Kei Nishikori e a parceria com Michael Chang, Stan Wawrinka e o forte grupo sueco dirigido por Magnus Norman, Marin Cilic com Goran Ivanisevic e tantos exemplos de sucesso.

Mas quem afinal reuniria as características mais adequadas para reerguer Nadal? Vamos a algumas sugestões, seus prós e os inevitáveis contras.

Mats Wilander – Surge como o mais forte candidato, porque teve boa experiência como treinador de Marat Safin e da Copa Davis. Tem coisas muito em comum com Rafa: a precocidade (ganhou Roland Garros aos 17 anos), a preferência pelo saibro, a adaptação do jogo para os pisos sintéticos, personalidade dentro e fora da quadra muito semelhantes. Seu  único problema é a pouca vontade de viajar o circuito, algo que conseguiu equilibrar com o atual emprego de comentarista.

Andre Agassi – Há muita especulação em cima do norte-americano, porque ele sobreviveu a intensos altos e baixos na carreira, incluindo depressão e contusões, a ponto de recuperar o número 1 já aos 34 anos. Tinha um estilo bem agressivo de base, jogando dentro da quadra, pegando bola na subida, aplicação na devolução, detalhes que podem ajudar muito Rafa. O ponto negativo é a total inexperiência como treinador e a personalidade que não casa com Toni.

Paul Annacone – Este sim tem vasta experiência como treinador, nem todas bem sucedidas. Fez trabalho excepcional com Pete Sampras e ajudou muito Roger Federer, tendo feito muitas mudanças na parte tática do suíço. Pode justamente ajudar Rafa nisso e lhe dar maior diversidade de jogo. A dificuldade é que Annacone provavelmente não queira dividir espaço com Toni.

Arantxa Sánchez – A imprensa espanhola especula muito, porque a supercampeã é muito bem vista nos bastidores e certamente sua contratação teria ótima repercussão. Trabalhou recentemente com Carol Wozniacki e manifestou seu desejo de desafios maiores. Sua grande virtude era a determinação em quadra e a inteligência tática, mas isso Rafa tem de sobra.

John McEnroe – O fenomenal tenista chegou a se oferecer para treinar Murray após a saída de Lendl, mas não vingou. Nenhuma experiência como técnico. A personalidade é radicalmente oposta a de Rafa, o que pode ser um componente interessante ou um desastre. Canhoto e tenista agressivo por natureza, Mac poderia convencer Rafa a mudanças técnicas e táticas inusitadas. Eu particularmente duvido que desse certo.

Essa incrível Serena
Por José Nilton Dalcim
3 de fevereiro de 2015 às 10:33

São 60 adversárias, que produziram 120 derrotas. E, acreditem, Serena Williams se lembra de cada uma delas. Isso ao menos foi o que ela contou em gostosa entrevista ao dirário USA Today no ano passado. Será que esse seria um dos segredos do seu sucesso?

“Se eu sentar aqui com calma, sou capaz de mencionar cada uma delas”, afirmou. Serena está no circuito profissional desde 1997, tem agora 691 vitórias, 65 títulos e 19 Grand Slam. De simples. Porque poucos se lembram que ela ganhou mais 13 de duplas e dois de mistas.

De todas as adversárias, apenas duas conseguiram até hoje ter saldo positivo em múltiplos confrontos com Serena: a ex-número 1 Arantxa Sanchez (4-3) e a canhota Sybille Bammer (2-0). Das 120 derrotas, 69 foram na dura, 32 no saibro, 12 na gama e 7 no carpete.

E quais foram as que mais venceram? A irmã Venus (11), Jennifer Capriati (7), Martina Hingis e Justine Henin (6). Entre as que mais sofreram, estão Maria Sharapova (17), Venus e Vika Azarenka (14).

A WTA também soltou nesta segunda-feira uma série de feitos a se acrescentar na sua rica lista:

– Serena já ganhou seis Slam (três US Open e um dos outros três) com mais de 30 anos, o que é o dobro do que Margaret Court e Martina Navratilova conseguiram.

– Ao mesmo tempo, ela detém o recorde mais velha campeã de todos os Slam, exceto Wimbledon. Se vencer lá este ano, quebrará também a marca de Navratilova, campeã aos 33 anos e 263 dias em 1990.

– Ela se junta a Chris Evert e Steffi Graf como as únicas da Era Profissional a ter um hexa em dois diferentes Slam (Austrália e EUA). Chris faturou 7 em Paris e 6 em Nova York, enquanto Graf somou 7 Wimbledon e 6 Roland Garros.

– Desde a derrota para Azarenka em Cincinnati de 2013, Serena ganhou todas as outras 11 finais que disputou,

– Serena jamais perdeu uma final de Slam depois de ter vencido o primeiro set. São agora 17. Nas seis vezes que perdeu o set inicial, se recuperou em dois.

Desafios – Paulo Roberto (infelizmente não colocou sobrenome) levou a camiseta exclusiva da coleção TenisBrasil no desafio lançado para as semifinais do Australian Open. No jogo final, o primeiro lugar foi de George Guimarães, que leva o novo livro de Novak Djokovic, “Sirva para Vencer”. O segundo lugar ficou com Luís André, que receberá a biografia de Nole, todos lançamentos de grande sucesso da Editora Évora. Peço aos vencedores enviar dados de envio para joni1@uol.com.br. Parabéns!