Arquivo da tag: Anett Kontaveit

Caminho cheio de pedras em Indian Wells
Por José Nilton Dalcim
9 de março de 2022 às 11:06

Com a indefinição até este momento do que vai acontecer com Novak Djokovic, analisar a chave de Indian Wells é quase um chute no escuro. O sérvio, apesar das regras ainda restritivas de entrada nos EUA para não vacinados, manteve inscrição e não houve saída para os organizadores. Ele entrou como cabeça 2.

Pela falta absoluta de informação até mesmo na imprensa sérvia, imagino que Djokovic esteja buscando uma forma de participar, talvez novamente no uso de brechas jurídicas. Como os cabeças de chave só estreiam no fim de semana, ele tem ainda tempo, mesmo que curto, para viajar e entrar em quadra.

Sua vontade de jogar deve ter crescido com o sorteio, já que o primeiro adversário sai de Jordan Thompson ou David Goffin. Podem vir na sequência Alexander Bublik e John Isner, super-sacadores que não dão ritmo, ou Diego Schwartzman, um adversário bem mais perfeito para encorpar os golpes e que nunca o venceu em seis tentativas. Andrey Rublev é o candidato natural às quartas.

Alexander Zverev caiu no lado inferior da chave e portanto menos mal para o torneio caso Djokovic não entre, porque esse seria o setor natural do alemão no caso de ser cabeça 2. Seus prováveis adversários no entanto são mais duros. Grigor Dimitrov ou Tommy Paul na estreia, Alex de Minaur em seguida e então Pablo Carreño ou Taylor Fritz, bem mais perigosos num lugar em que a bola anda muito. As quartas podem ter Matteo Berrettini ou Felix Aliassime, sem se descartar Marin Cilic e até Lloyd Harris, apesar de o sul-africano ter perdido embalo. Sempre importante ter em mente que não é fácil jogar no clima muito seco da região, que quase não impõe resistência e faz a bola ‘voar’, dificultando o controle.

Do outro lado, já fica a expectativa pelo reencontro de Daniil Medvedev e Rafael Nadal. O cabeça 1 precisa atingir quartas para não ceder a liderança a Djokovic e essa tarefa exigiria vencer a princípio Gael Monfils e nas oitavas Carlos Alcaraz ou Roberto Bautista. Nada fácil. Quem sair do grupo de Stefanos Tsitsipas, Karen Khachanov e o atual campeão Cameron Norrie deve buscar a outra vaga nas quartas desse setor.

Imbatível na temporada até agora, Rafa tem oponentes de diferentes recursos pela frente: Sebastian Korda, Daniel Evans e nas oitavas Reilly Opelka ou Denis Shapovalov. Se obtiver sucesso, seria certamente favorito frente a Jannik Sinner ou Casper Ruud. O canhoto espanhol em três títulos no deserto californiano, porém o último deles em 2013.

De olho em Halep e Kontaveit
Mais uma vez, a chave feminina está completamente aberta e isso se deve também à ausênia de Ashleigh Barty. E logo de cara Barbora Krejcikova, que havia herdado a cabeça 1, sentiu contusão e desistiu. Assim, acredito que tenha se aberto uma ótima brecha para Simona Halep ir bem longe.

Pode ter jogo perigoso contra Coco Gauff já nas oitavas, mas me parece muito mais segura em todo seu setor. Aliás, ali ficaram dois nomes a se ficar de olho: Emma Raducanu e Karolina Pliskova, que podem se cruzar na terceira rodada. A campeã do US Open no entanto estreia contra Dayana Yastremska ou Caroline Garcia, o que pode ser uma motivação ou o fim.

O segundo quadrante promete, desde que Iga Swiatek e Clara Tauson confirmem o jovem duelo de oitavas. A concorrente no outro quadrante certamente não vem confiante: Elina Svitolina, Garbiñe Muguruza, Belinda Bencic ou Madison Keys. Então a motivação deve ser enorme para as meninas.

Sabalenka-Azarenka e Sakkari-Jabeur são melhores apostas no último quadrante. A atual campeã Paula Badosa tem no caminho Leylah Fernandez ou Jelena Ostapenko nas oitavas, um desafio e tanto. Anett Kontaveit reagiu à campanha frustrante no Australian Open e vem de duas finais seguidas, com sucessão de ótimas vitórias, e me parece fortíssima candidata à semi. O fato curioso e relevante é que Naomi Osaka está solta na chave e pode muito bem complicar a vida de Kontaveit na terceira rodada.

Bia em quadra
Beatriz Haddad Maia já estreia nesta madrugada diante da experiente Sofia Kenin, que no entanto retornou às quadras em janeiro e só ganhou dois jogos na primeira semana, tendo então colecionado quatro primeiras rodadas. Portanto, é uma chance para a canhota brasileira explorar essa confiança em baixa. Mas a chave de Bia é muito dura. Se vencer, encara Tauson e depois ainda teria Swiatek.

Aliás nas duplas também não deu sorte, tendo de estrear contra as campeãs do US Open-2020 e, em caso de vitória, pegariam as vencedoras do US Open-2021.

A força mental de Medvedev
Por José Nilton Dalcim
20 de janeiro de 2022 às 13:03

Só havia uma chance para Nick Kyrgios complicar a vida do cabeça 2 do Australian Open: o russo entrar na ‘pilha’ de seus devaneios e na guerrinha da torcida, perder a cabeça e a consistência necessárias. Ainda que tenha cedido um set e jogado outros dois bem apertados, Danill Medvedev confirmou o favoritismo e saiu muito forte rumo à terceira rodada.

Na maior parte do tempo, Medvedev sacou com grande qualidade, explorando o maior defeito do australiano, que sempre foi a devolução. Quando precisou do segundo serviço e não foi contundente o bastante, Kyrgios agrediu com a incrível habilidade que possui. O russo também se aventurou bem mais à rede, aproveitando certa lentidão do adversário. Este jogo foi um grande exemplo de como Kyrgios desperdiça sua carreira por falta de entusiasmo, já que exigiu atenção máxima de Medvedev o tempo inteiro, com variações táticas e técnicas de enorme qualidade diante do jogador talvez em melhor momento em todo o circuito.

No entanto, o que chama de novo a atenção é a fortaleza mental que Medvedev construiu em tão pouco tempo. Encarou a torcida barulhenta, os ruídos provocativos entre o saque, os delírios de Kyrgios e sua própria frustração. E na hora da entrevista, diante de vaias, ainda deu bronca e exigiu que o público respeitasse pelo menos o entrevistador, o bicampeão Jim Courier. Esse Urso não é pouca coisa.

Outros pontos altos da rodada masculina foram os jogos muito equilibrados e de enorme empenho em que Felix Aliassiame superou Alejandro Fokina e Benoit Paire barrou Grigor Dimitrov. Na soma, oito sets e seis tiebreaks. O francês aliás é mais um que melhorou o forehand e hoje nem foge mais do golpe como antes. Stefanos Tsitsipas demorou para bater o baixinho Sebastian Baez, mas garante que o cotovelo direito parou de doer desde domingo.

Bem mais tranquilas foram as vitórias de Andrey Rublev, Jannik Sinner e Roberto Bautista. Frustrações enormes vieram com as quedas em sets diretos de Diego Schwartzman e Andy Murray. O argentino parou no 175º do ranking, o local Christopher O’Connell que não tem nada de muito especial mas é brigador. Murray não sacou bem, errou demais e encarou um animado Taro Daniel, que não deu bola para a torcida em peso para o escocês.

Ficam marcados encontros promissores na luta pelas oitavas: Rublev x Marin Cilic, Aliassime x Daniel Evans, Paire x Stefanos Tsitsipas e Bautista x Taylor Fritz. De todos eles, acho que Rublev é o único favorito mais destacado.

Zebras e duplas faltas no feminino
Mais quatro cabeças de chave se despediram na sempre imprevisível chave feminina, dando oportunidade para muitos nomes pouco badalados. Garbiñe Muguruza e Anett Kontaveit foram as top 10 eliminadas, Elena Rybakina abandonou e Emma Raducanu não superou bolhas na essencial mão direita.

Agressiva, Alizé Cornet fez uma belíssima partida diante de uma Muguruza muito instável e sem confiança, enquanto a garota dinamarquesa Clara Tauson deu um espetáculo de força, precisão e frieza com sua capacidade de trocar direções diante de Kontaveit.

E Aryna Sabalenka achou um cheio de sobreviver ao show de horrores que seu saque proporcionou até a metade do jogo contra Xinyu Wang. Foram seis duplas faltas no game inicial, nove em dois serviços de abertura e 12 ao final do primeiro set. Parecia que a cabeça 2 não iria se achar, mas aos poucos ela controlou a situação, despachou seus pesadíssimos golpes de base, fez então até aces de segundo saque e avançou.

Enquanto isso, Iga Swiatek fez outra partida muito tranquila e vai crescendo. Anastasia Pavlyuchenkova, como era esperado, marcou a despedida emocionada e a justa homenagem a Samantha Stosur, que ainda seguirá nas duplas ao menos nesta temporada.

Não deu para Bia
Era importante para Bia Haddad Maia que a ex-número 1 Simona Halep não estivesse num bom dia ou sentisse algum tipo de pressão por voltar à Rod Laver. Nada disso aconteceu e, de forma cristalina, a romena foi superior do primeiro ao último game. Mexeu muito bem a bola, sacou com qualidade acima da esperada e vibrou o tempo todo.

A canhota brasileira, que mais uma vez ficou sem uma terceira rodada de Slam, demorou para achar um ritmo que equilibrasse o duelo de base. Aí passou a bater mais forte e mais reto, obtendo alguns pontos excelentes, além de realizar transições corretas à rede. Mas quando deixou Halep tomar conta precoce dos lances, esteve sempre correndo atrás da bola. De qualquer forma, não há motivo para desânimos. Esse é o nível em que precisará jogar daqui em diante para ter chances nos eventos de nível WTA.

Ela, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro estão na segunda rodada da chave de duplas. Se vencerem a segunda rodada, os mineiros fazem duelo direto nas oitavas.

Federer merece uma despedida
Por José Nilton Dalcim
17 de novembro de 2021 às 21:00

Roger Federer é muito provavelmente a pessoa mais importante da história do tênis. E nem é apenas por sua técnica ou pelos números. O suíço também foi o maior nome quando a nova era das comunicações atingiu o circuito, fato que maximizou façanhas e rivalidades e o transformou igualmente num crucial instrumento de popularização do esporte e num sucesso arrebatador de marketing. Federer extrapolou o universo do tênis e por isso é dono de uma das 10 maiores fortunas construídas por um atleta.

Alguém com esse peso não merece a triste perspectiva de encerrar a carreira sem novamente pisar numa quadra. Em entrevista divulgada nesta quarta-feira pelo Tages Anzeiger, Federer admite que nem sua equipe médica sabe se ele voltará a jogar de forma competitiva. Com sorte, conseguirá correr em janeiro e a treinar em abril. Caso atinja um bom nível, só poderá jogar depois de Wimbledon, quando estará às portas dos 41 anos.

Ele afirma que o sonho é ainda ter condições de competir, nem que seja em 2023. Usou de forma sintomática a palavra ‘milagre’ e talvez nesta altura a esperança seja ter o mínimo de forças para realizar uma turnê de despedida, ainda que econômica. ‘Tenho dificuldade em tomar a decisão de me aposentar’, confessou, o que é algo muito comum entre megaestrelas do esporte. ‘Gostaria de poder decidir o momento de parar, me despedir do meu jeito, na quadra de tênis’.

Federer merece muito isso.

Djoko e Medvedev confirmam
Foram necessárias apenas duas rodadas para Novak Djokovic e Daniil Medvedev garantirem a vaga na semi do ATP Finals e ainda por cima como vencedores de seus grupos, o que abre a perspectiva de se reencontrarem na decisão de domingo. O russo é verdade deu alguma sorte com a saída de Matteo Berrettini, o que adiantou sua tarefa, mas fez uma boa exibição na vitória, mais uma, contra Alexander Zverev.

Djokovic por seu lado está sobrando na turma outra vez. É bem verdade que começou seus jogos contra Casper Ruud e Andrey Rublev um tanto preguiçoso, mas a partir do momento em que pegou o ritmo parecia um jogador de outra divisão. Está muito acima e completamente à vontade num piso sintético veloz, explorando saque, voleio, devolução, tudo que lhe cabe.

Zverev é o candidato a enfrentar Nole no sábado, já que basta vencer o polonês Hubert Hurkacz, mais um que está ‘baleado’ na competição. Mas nem ele, nem Jannik Sinner estão totalmente fora. O italiano precisa ganhar de Medvedev e torcer por Hurkacz, o que pelo menos animaria mais o público, que ainda não conseguiu lotar qualquer sessão de Turim. Já Medvedev aguarda quem vencer entre Rublev e Ruud, em que o russo só perdeu um set do norueguês em quatro duelos, e olha que três foram em pleno saibro.

Bruno Soares e Jamie Murray perderam outra vez em sets diretos e assim estão fora, mesmo que vençam na sexta-feira os franceses Pierre Herbert/Nicolas Mahut. Os únicos garantidos na semi são Marcel Granollers e Horacio Zeballos. Os líderes da temporada Nikola Mektic e Mate Pavic terão de ganhar de Ivan Dodig/Filip Polasek.

Decisão inesperada no México
A quinta e a oitava do ranking irão decidir o WTA Finals de Guadalajara nesta noite, cacifando mais um torneio de surpresas na agitada temporada feminina de 2021.

Claro que Garbiñe Muguruza tem currículo muito superior, mas o confronto direto é apertado: 3 a 2, e isso considerando o jogo desta semana pela fase de grupos. Nenhuma espanhola ganhou um Finals até hoje e Muguruza pode recuperar o impulso da carreira. Afinal, seus troféus de Grand Slam vieram em 2016 e 2017 e desde 2018 ela ganhou um único 1000, em Dubai deste ano.

Anett Kontaveit faz uma reta final de temporada incrível, com dois títulos que a levaram de última hora a Guadalajara. No total, esta será sua sétima decisão em 2021 e a 13ª da carreira.