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Aquecimento
Por José Nilton Dalcim
9 de outubro de 2019 às 18:46

Novak Djokovic e Roger Federer deram o primeiro passo para o reencontro. Embora a trajetória do sérvio seja teoricamente mais difícil, os dois mostraram apetite, ótima forma física e um tênis muito adaptado ao piso veloz – e ainda coberto – do belíssimo estádio de Xangai.

Nole fez uma exibição magnífica diante do canhoto Denis Shapovalov. Cedeu um único ponto de serviço em todo o primeiro set, em que mesclou agressividade e contraataque na medida perfeita. Está com tempo de bola preciso, o que o deixa leve e solto. Enfrentará nesta madrugada o velho conhecido John Isner e mais do que nunca vai precisar de sua afiadíssima devolução. Vale lembrar que nos últimos quatro duelos contra o gigantão, Djoko não perdeu set e ganhou os dois tiebreaks.

Diante do também canhoto Albert Ramos, Federer ficou um pouco mais preso no fundo de quadra do que certamente desejaria. Fez um primeiro set muito firme, mas depois o espanhol trabalhou melhor os pontos, variou muito bem o saque e levou ao tiebreak. Chegou a estar na frente até que o suíço reagiu em grande estilo. Destaque para o backhand bem calibrado. Reencontrará na quinta cedo David Goffin, contra quem tem 9 a 1. O primeiro saque é elemento essencial e as subidas à rede terão de ser bem calculadas.

Daniil Medvedev e Dominic Thiem são as barreiras naturais para os dois. O russo no entanto pode se atrapalhar contra Fabio Fognini ou Karen Khachanov nas quartas e o austríaco tem contra si o desgaste de Pequim, uma estreia trabalhosa contra Pablo Carreño e jogos perigosos diante de Nikoloz Basilashvili e, se passar, Roberto Bautista ou Matteo Berretini.

Correndo por fora, Stefanos Tsitsipas e Alexander Zverev precisaram de dois tiebreaks na estreia, mas para o grego foi uma vitória especial: enfim, derrotou Felix Aliassime. Encara agora o perigoso Hubert Hurkacz, de olho em Djokovic. O alemão disparou 23 aces e salvou set-points contra Jeremy Chardy. Até o acho favorito diante de Andrey Rublev nessa quadra mais veloz, mas o garoto russo vem de vitórias sobre Borna Coric e John Millman. Quem vencer, pode reencontrar Federer.

Xangai também já teve seu grande jogo: Fognini contra Andy Murray. Três horas de um excelente tênis, em que as trocas de bola pesadas tiveram sempre objetivo ofensivo. O escocês deveria ter vencido, já que sacou duas vezes para a vitória no terceiro set, mas o italiano veio com seu melhor nos momentos de pressão e fez devoluções milimétricas. Houve também o bate boca, ou seja, um jogo com todos os ingredientes. Murray outra vez não conseguiu embalar, mas o empenho físico e a qualidade técnica evoluem a cada semana.

Números e fatos
– Em cinco duelos contra Aliassime, dois deles em 2019 como profissionais, Tsitsipas só havia vencido um set, isso lá no primeiro confronto, em 2015.
– Djokovic completa 22 sets vencidos seguidamente na Ásia: 10 em Xangai-2018, 10 em Tóquio semana passada e agora mais 2.
– Thiem e Carreño duelaram em Slam, no Finals, em ATP 500 e 250, em challenger e até em future. Faltava mesmo só um Masters 1000. O placar agora é de 7 a 1 para o austríaco.
– Aliassime se classificou para o NextGen Finals de Milão e se juntou a Tsitsipas. Estão perto da vaga De Minaur e Shapovalov.
– Os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah garantiram o número 1 do ranking de parcerias até o final da temporada, repetindo façanhas do dueto Hans Gildemeister/Andrés Gomez e dos mineiros Marcelo Melo (2017) e Bruno Soares (2016) entre os sul-americanos.
– Faltam apenas dois aces para Isner atingir a casa dos 1.000 nesta temporada.
– Marin Cilic anunciou nas redes sociais que será pai em 2020.

Xangai em três atos
Por José Nilton Dalcim
7 de outubro de 2019 às 19:58

Claro que num Masters 1000, em que todos os 16 cabeças de chave são no mínimo top 20 do ranking, é até uma heresia falar em coadjuvantes, mas o fato é que Xangai está com olhos em três nomes. Não por acaso, os do Big 4: Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray.

Djokovic foi soberbo em Tóquio, ainda que tenha sido um ATP 500 um tanto esvaziado. Ainda assim, não dá para negar a qualidade do tênis apresentado pelo sérvio, como a mostrar a todos quem é o autêntico número 1.

O desafio no também veloz piso chinês é um tanto maior. Denis Shapovalov, John Isner e Stefanos Tsitsipas devem exigir que Nole mantenha o alto padrão de Tóquio. E tomara que ressurja Daniil Medvedev no seu caminho, lá na semifinal.

Pena que a chance de Murray ocupar o posto de Medvedev lá na frente seja bem pequena. O escocês progride lentamente, mas evolui. Se ganhar mais um jogo em Xangai, estará pertinho do top 200. No entanto, o adversário será Fabio Fognini, que apesar da perna ruim ainda está em ritmo superior.

Na outra ponta da chave, dúvidas persistem em cima de Roger Federer, que enfim admitiu ter sofrido com as costas durante Cincinnati e US Open. Treinou e deu entrevistas com o tom otimista natural da ocasião, mas é preciso ver o que acontece de fato. Reencontrará nesta terça-feira o mesmo Albert Ramos que o venceu na estreia do torneio em 2015, então uma tremenda surpresa. David Goffin e Alexander Zverev são as ameaças antes da semi.

Por fim, acredito que também valha a pena observar Dominic Thiem, principalmente depois de seu título um tanto redentor em Pequim. Fez dois sets de alta qualidade na decisão contra Tsitsipas, garantiu seu lugar no Finals pelo quarto ano consecutivo e isso tira a pressão. Ainda que não seja fã de superfícies tão rápidas, Pablo Carreño, Nikoloz Basilashvili e Roberto Bautista são uma trajetória bem vinda.

Números
– Djokovic chegou ao 76º título, apenas um atrás de John McEnroe, o quinto colocado. Está a oito de Nadal.
– Se vencer 3 jogos em Xangai, Federer atingirá o jogo de número 1.500 da carreira e ficará 56 atrás de Connors. Em termos de vitórias, faltam 45 para igualar o recorde.
– Djoko e Federer disputam palmo a palmo a liderança no aproveitamento sobre a quadra dura: o sérvio está com 84% (563-107) e o suíço, com 83,6% (769-151).
– Faltam apenas quatro semanas para Nadal superar Federer como tenista que mais ocupou o top 2 na história do ranking profissional.

Briga aberta
Não vai haver luta pelo número 1 em Xangai, mas espera-se acirrada disputa pelas três vagas remanescentes ao Finals de Londres. Tsitsipas tem boa vantagem e acho que dificilmente vai ficar de fora. Bautista, Zverev, Goffin e Berrettini, Monfils e Fognini estão separados por meros 305 pontos.

Luta adiada
Por José Nilton Dalcim
3 de outubro de 2019 às 18:48

A expectativa de uma briga direta pela liderança do ranking masculino ficou frustrada. Rafael Nadal decidiu esticar seu afastamento do circuito e não vai outra vez ao curto – e desgastante – calendário asiático.

O espanhol pode até retomar o posto por inércia, mas agora depende de um desastre com Novak Djokovic. O sérvio já está nas quartas de Tóquio após duas rodadas muito tranquilas, abriu 730 pontos de distância no ranking tradicional de 52 semanas e assim só uma derrota antes das quartas em Xangai lhe tiraria o posto. Isso agora.

Se Nole confirmar o amplo favoritismo no fraco ATP 500 japonês – Lucas Pouille e David Goffin são as pequenas ameaças até domingo – estará garantido no posto até Paris Bercy.

Nadal alegou o problema na mão esquerda surgido na Laver Cup para evitar a ida à China, o que pode até ser verdade. Mas no fundo, com casamento à vista e uma folga ainda grande no ranking da temporada, a desistência não chega a surpreender.

Mesmo que Djoko ganhe Tóquio e conquiste Xangai, ou seja some os 1.500 pontos possíveis, Rafa ainda será o primeiro no ranking da temporada com 460 pontos de vantagem. Terá a chance então de lutar pela ponta durante Paris e Londres, dois pisos sintéticos cobertos mas lentos onde sempre se saiu bem pior do que Novak.

Em Tóquio…
Com quase metade da premiação de Pequim, Tóquio só atraiu um top 10 e mais dois entre os 20. E viu os quatro cabeças da parte inferior da chave caírem na estreia. As boas novidades são Goffin, com vitórias apertadas sobre Carreño e Shapovalov, e Chung, que aplicou 6/1 no terceiro set em cima de Cilic. Os dois duelam entre si. Se o coreano ganhar, tem tudo para voltar ao top 100.

Em Pequim…
Os quase US$ 3,7 milhões levaram ao ATP 500 chinês oito dos 13 primeiros do ranking, sendo cinco entre os 10. Com isso, as quedas de cabeças foram bem menos dramáticas, como as de Berrettini para Murray ou de Monfils para Isner. As quartas são bem atrativas: Thiem x Murray, Tsitsipas x Isner, Khachanov x Fognini e Zverev x Querrey. Ainda assim, o público outra vez tem sido uma enorme decepção, com arquibancadas muito vazias.

E no feminino…
A chave das meninas em Pequim também está bem animadora. A queda tão precoce de Pliskova e Halep foram inesperadas, mas veremos Osaka x Andreescu, Barty x Kvitova e Svitolina x Bertens nas quartas. A vitória vale a vaga definitiva no Finals para Osaka e Kvitova, mas o duelo entre Svitolina e Bertens é uma luta direta. Bem diferente do masculino, o ranking da temporada feminina tem oito jogadoras numa curta faixa de distância de 2 mil pontos.

E em Campinas
Nada menos que 17 brasileiros entraram na chave de simples de 48 participantes no challenger de Campinas e o único que chegou ao menos nas quartas foi… Thomaz Bellucci! E ainda por cima com desistência do cabeça 2 Leo Mayer, que nem entrou em quadra. Aliás, Bellucci foi bye na primeira rodada e ganhou na estreia por desclassificação, portanto tendo jogando um set até aqui. A realidade nua e crua é que o tênis brasileiro de hoje precisa muito mais de futures do que de challengers. E pensar que temos um 500 e um 250…

Quem não ouviu, vale conferir o podcast desta semana com o Bellucci. Clique aqui.