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Delpo impede Fedal outra vez
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2017 às 01:34

Assim como fez em 2009, Juan Martin del Potro impediu que o tão aguardado ‘Fedal’ enfim acontecesse em Nova York. Aliás, oito anos atrás, ele derrotou na sequência Rafael Nadal e Roger Federer para conquistar um troféu histórico. Do jeito que jogou nesta noite, a tarefa não parece impossível de ser repetida.

Havia dúvida sobre quanto físico havia restado ao argentino após a virada incrível em cima de Dominic Thiem. Que nada. Delpo estava inteiro e com muita vontade de ganhar. Sacou muito bem o tempo inteiro, bateu o backhand o máximo que pôde e se aplicou nos contra-ataques diante das tentativas do adversário de vir para cima.

Os dois primeiros sets foram decididos em detalhes, para um lado e para o outro. É bem verdade que Federer estranhamente insistia em acabar o ponto no forehand do argentino e por vezes foi à rede em bolas curtas demais. E aí o tiebreak do terceiro set decidiu o jogo. Federer teve quatro chances e Delpo se virou bem demais, ora com uma devolução bombástica no pé do suíço, ora com passadas firmes, uma delas depois que cometeu dupla falta. Mentalmente, estava firme demais.

Esse tiebreak se refletiu diretamente no quarto set. Delpo jogou de forma impecável, cometendo um único erro não forçado, e lá no último game, mesmo disparando alguns golpes extraordinários, enquanto Federer perdeu a confiança, ofereceu a quebra precoce e não conseguiu reagir, apesar de todo seu esforço. Resultado incontestável.

Nadal por sua vez teve as quartas de final dos sonhos de qualquer um. Pegou um adversário jovem e que parecia não saber muito bem o que fazer diante dos spins do canhoto espanhol. Rublev tentou até bater firme, mas cometeu um caminhão de erros. Rafa manteve a bola o mais funda possível e se deu ao luxo de atacar o serviço. Toda essa combinação fez com que o jogo fosse bem decepcionante. Menos é claro para Nadal, que ganhou ainda mais confiança e economizou o máximo de energia para sexta-feira.

É inegável que Nadal nunca teve uma campanha tão tranquila para chegar à semi de um Grand Slam, não tendo enfrentado um único top 50 nas cinco partidas de Nova York, embora não tenha culpa se Richard Gasquet, Tomas Berdych e Grigor Dimitrov não cumpriram seu papel. A campanha só se assemelha ao US Open de 2011, quando Nadal pegou quatro fora do top 60 mas precisou ganhar de Andy Roddick, então 21º, nas quartas.

Del Potro terá chances contra Nadal? Bom, é assunto para amanhã.

Título em casa
Para compensar o fracasso dos homens, o tênis norte-americano domina totalmente as semifinais femininas, algo que só havia acontecido outras quatro vezes em toda a Era Profissional: US Open de 1979 e 81, Austrália de 83 e Wimbledon de 85. E olha que Serena Williams nem jogou.

Depois de Venus e Sloane Stephens, Madison Keys cumpriu à risca seu favoritismo sobre a estoniana Kaia Kanepi e CoCo Vandeweghe foi menos ruim do que a tcheca Karolina Pliskova, num jogo nervoso e de nível ruim.

Keys (22 anos), Stephens (24) e Coco (25) já fizeram semi na Austrália, mas Vandeweghe tem de ser considerada a grande surpresa deste US Open por ter um currículo menos atrativo que as compatriotas. A boa notícia é que todas jogam um tênis agressivo e certamente devem isso ao padrão imposto pelas Williams duas décadas atrás.

A nova número 1
Com a queda de Pliskova, que defendia o vice, Garbiñe Muguruza será a 24ª tenista e a segunda espanhola a liderar o ranking feminino. Arantxa Sanchez teve breve reinado de 12 semanas entre fevereiro e junho de 1995, quando Muguruza nem tinha dois anos de idade.

Embora não tenha passado das oitavas neste US Open, não se pode desta vez dizer que seja pouco merecido. Muguruza já tem dois troféus de Grand Slam e acaba de ganhar Wimbledon, mostrando novas armas. A vantagem no entanto é pequena para Simona Halep, Elina Svitolina e a própria Pliskova, sem falar que Venus entrará na briga pela liderança na reta decisiva da temporada, principalmente se for à final do US Open.

O tênis espanhol estará na ponta dos rankings masculino e feminino na segunda-feira, algo que não acontecia desde 2003, com Serena e Andre Agassi.

O último passo para o inédito Fedal
Por José Nilton Dalcim
6 de setembro de 2017 às 00:46

Apenas Juan Martin del Potro e Andrey Rublev podem agora impedir que o US Open veja pela primeira vez o duelo entre Roger Federer e Rafael Nadal, o chamado ‘Fedal’. Aliás, pode ser também a última chance. Ainda que sejam atletas excepcionais, é difícil ter a certeza de que ambos continuarão em grande forma daqui a um ano.

Por sua experiência e enorme competência técnica, Delpo é o maior perigo. Não se sabe, claro, como estará fisicamente depois da vitória mágica em cima de Dominic Thiem, e o corpo tem sido o elemento mais frágil do argentino. Desde que passou a usar mais slices no backhand e subir com frequência à rede, Del Potro enfrentou apenas uma vez Federer e não teve muita chance no piso mais lento de Miami, em março. Contra Thiem, vimos o argentino bater um pouco mais o backhand, ainda que longe do peso de antes. Acho que ele terá de usar essa variação o tempo todo contra o suíço, à espera da chance de fugir para o forehand.

Federer evoluiu nos dois últimos jogos feitos neste US Open. Além de trabalhar melhor o saque e encaixar seu decisivo forehand, mostrou-se ágil. Porém, está talvez 70% do padrão apresentado nos três primeiros meses da temporada ou de Wimbledon. Isso pode ser o suficiente para bater Delpo, mas será o bastante para o eventual reencontro com Nadal?

Rublev tem como grande trunfo o direito de jogar sem responsabilidade alguma. Se vai mentalizar isso, é outra questão. O russo tem boas armas, tênis bem moderno moldado à base de primeiro saque e golpes consistentes dos dois lados, mas Nadal é um desafio e tanto. O espanhol tem um arsenal mais repleto e não me surpreenderá se usar muitos slices para confundir a cabeça do jovem adversário. O maior risco é ficar muito atrás da linha e dar espaço para Rublev atacar. Se a bola começar a entrar, o jogo ficará duro.

Adeus, Tio Sam
Os semifinalistas da parte inferior da chave serão o espanhol Pablo Carreño e o sul-africano Kevin Anderson. O espanhol não pode reclamar da sorte: enfrentou quatro adversários oriundos do quali em sequência, um recorde em Grand Slam. Isso não quer dizer que não esteja jogando bem e a prova foi a forma com que dominou Diego Schwartzman, impondo um estilo mais agressivo.

Anderson me parece mais favorito. Mostrou todas suas armas mas acima de tudo enorme concentração e frieza para despachar a última esperança da casa, Sam Querrey, numa batalha milimétrica de quatro sets que terminou às 2 da manhã local. Ex-top 10, Anderson faz enfim uma semifinal em seu 34º Grand Slam. Com 2,03m, usa obviamente muito bem o saque porém se mexe bem no fundo de quadra para sua altura, com ótimos golpes dos dois lados. Os EUA não fazem um finalista do US Open desde Andy Roddick, em 2006.

All American?
E a festa norte-americana começou com a classificação suadíssima de Venus Williams e Sloane Stephens para as semifinais, duelo caseiro e de gerações. Stephens tinha apenas quatro anos quando Venus fez sua primeira final de Grand Slam, lá mesmo em Nova York, em 1997.

Sloane era uma grande promessa em janeiro de 2013, quando fez sua primeira e até então única semi de Slam, ficando a um passo do top 10. Foi decaindo até o problema no pé esquerdo que a tirou de três Slam seguidos. Voltou em Wimbledon, sem vitória, e agora embalou na quadra dura. Tem sofrido neste US Open, com três de cinco jogos no terceiro set. O de hoje diante de Anastasija Sevastova foi um sufoco de intensos altos e baixos. A letã ficou à frente até a metade do terceiro set.

Venus e Petra Kvitova confirmaram a expectativa e fizeram um belo duelo, intenso, agressivo, nervoso. Magnífico ver duas tenistas tentando ganhar todos os pontos. A tcheca falhou ao deixar escapar 3/1 no primeiro set (perdeu cinco games seguidos) e também no terceiro. No tiebreak derradeiro, Venus mostrou muita inteligência, encheu a bola de topspin e cortou os erros. Aos 37 anos, continua sonhando em voltar a erguer um troféu de Slam nove temporadas depois do último.

Mais duas americanas estarão em quadra e tentarão repetir um feito raro na Era Profissional com o domínio total dos EUA na semi feminina, algo que só ocorreu quatro vezes. Madison Keys é favorita contra Kaia Kanepi, mas CoCo Vandeweghe tem páreo duro contra a líder do ranking Karolina Pliskova.

Dia ruim
A nota triste ficou com a despedida de Bruno Soares das duplas. Uma atuação irreconhecível ao lado de Jamie Murray e uma derrota apertada nas mistas. O Brasil agora só tem Thiago Wild nas quartas de duplas juvenis.

Destaque para o feito de Mike Bryan que, aos 39 anos, se tornou o tenista com maior número de vitórias em duplas, com 1.052.

Delpo salva o US Open
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2017 às 00:43

Enfim, um grande jogo na chave masculina desde US Open. Melhor ainda, dessas partidas que vão ficar na memória do tênis. Juan Martin del Potro arrumou forças quase sobrenaturais para sair de uma apatia completa e dois sets abaixo e virar um jogo naturalmente perdido para Dominic Thiem. Tudo debaixo de uma incrível festa de sua fanática torcida. Espetáculo.

O campeão de 2009 se arrastava em quadra e parecia pronto a abandonar. Nenhum winner até a metade do segundo set. Mas como sempre o coração falou mais alto. Esqueceu do mal estar provocado pela gripe e começou a disparar seu mágico forehand. Thiem ainda teve cabeça para chegar a 5/2 no quarto set e sacar para o jogo em seguida. Falhou, levou um banho no tiebreak.

O austríaco mostrou-se emocionalmente muito frágil para o nível que joga. Foi sendo enrolado por Delpo, perdeu-se no plano tático, sem saber que hora deveria arriscar ou passar a bola para o outro lado. Fez mais winners em quatro dos cinco sets, incluindo os dois últimos.

Delpo talvez tenha salvado este US Open, não apenas porque fez um jogo memorável mas porque parece ser o único adversário com golpe e espírito para encarar Roger Federer e quem sabe Rafael Nadal. Tudo bem, lhe falta físico. Mas duvido que o suíço não dedique enorme cautela com seu poder de fogo nas quartas de final.

Federer assim como Nadal tiveram atuações protocolares. Jogaram com máxima seriedade desde a primeira bola e não deram ânimo a Philipp Kohlschreiber e Alexandr Dolgopolov. O suíço atinge uma marca impressionante: 51 quartas de final em 71 Grand Slam disputados. É o que o faz ser o melhor de todos. Apesar de novamente dar alguma preocupação ao pedir um raríssimo atendimento médico antes do terceiro set – explicou depois que foi ao vestiário porque precisou receber massagem na região do glúteo -, perdeu apenas 13 pontos com o serviço.

Rafa, por seu lado, jogou ainda melhor do que na rodada anterior, sem pressa e com notável clareza tática, sabendo como e quando poderia tirar o pior do adversário. Claro que Dolgopolov viveu seus dias de top 100, com poucos momentos de lucidez. O que importa para o espanhol é chegar ao duelo contra o novato Andrey Rublev com o máximo de sua confiança.

O russo de 19 anos tem feito mais do que aproveitar os buracos da chave. Dominou Grigor Dimitrov e David Goffin com placares idênticos, adversários de estilos muito diferentes. Rublev lembra muito Alexander Zverev. É alto, saca bem e bate pesado dos dois lados. Se não sentir o peso de jogar contra o número 1 do mundo e soltar seus golpes livremente, pode dar algum trabalho. Tido como um potencial top 10 para futuro breve, é hora de curtir a experiência.

A chave feminina colocou mais duas norte-americanas nas quartas. Agora são quatro, uma em cada partida de quartas de final. CoCo Vandeweghe joga no risco, saca muito bem e não tem medo de cara feia. Por isso, é um perigo para a número 1 Karolina Pliskova, que mal fez um treino e ganhou em meros 46 minutos. Tenista de 1,85m e 25 anos, CoCo chega a sua terceira quartas de Slam na temporada, repetindo Wimbledon e Austrália (onde foi à semi). É um currículo respeitável.

A história de Cinderela da vez está com a estoniana Kaia Kanepi, que venceu uma Daria Kasatkina 12 anos mais jovem. O ranking de Kanepi assusta: 418º. Mas é importante lembrar que ela já foi top 15. Desabou por conta de um problema nos dois pés que a tirou do circuito por um ano. O retorno aconteceu apenas dois meses atrás em nível ITF. É a segunda tenista a sair do quali e chegar nas quartas do US Open. Agora, no entanto, encara Madison Keys, que tem feito jogos duros e se saído sempre bem.

Importante observar que o circuito feminino terá obrigatoriamente quatro campeãs diferentes de Grand Slam neste ano, repetindo 2014. Quem levar o US Open se juntará a Serena Williams (Austrália), Jelena Ostapenko (Paris) e Garbiñe Muguruza (Wimbledon).

A rodada desta terça-feira tem Pablo Carreño com favoritismo sobre Diego Schwartzman, que sentiu dores na coxa na batalha da véspera, e Sam Querrey carregando a esperança americana frente Kevin Anderson. Será o 16º duelo entre eles e o terceiro do ano. Querrey ganhou a duras penas em Wimbledon e perdeu feio em Montréal. No feminino, duelos pouco previsíveis de Sloane Stephens frente Anastasija Sevastova e de Venus Williams contra Petra Kvitova, que tem tudo para ser o melhor jogo do dia.

Para o tênis brasileiro, toda a torcida para Bruno Soares, que joga duas vezes de olho nas semifinais. Primeiro com Jamie Murray, na tentativa do bicampeonato, e depois com Timea Babos, na luta por seu terceiro troféu na especialidade em Flushing Meadows. Esse mineiro adora Nova York.