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Mais renovação na ATP, briga boa no feminino
Por José Nilton Dalcim
6 de maio de 2021 às 18:28

Depois da final inesperada entre Hubert Hurkacz e Jannik Sinner em Miami e da decisão inédita entre Stefanos Tsitsipas e Andrey Rublev em Monte Carlo, haverá mais novidade em Madri, aumentando ainda mais a nova face dos eventos Masters 1000.

Com as quedas de Tsitsipas e Daniil Medevedev nas quartas, a Caixa Mágica garantiu um finalista debutante em eventos deste nível, que sairá dos duelos Cristian Garin-Matteo Berrettini e  Casper Ruud-Alexander Bublik. O mais velho deles é o italiano, de 25 anos, um a mais que o chileno. Bublik ainda vai fazer 24 e Ruud tem apenas 22. Berrettini aparece entre os top 10. Garin já foi um dos 20 melhores, faixa que poderá ser atingida agora pelo garoto norueguês.

A surpresa desse grupo é obviamente Bublik. Não apenas porque seu ranking nunca foi além do 42º, mas também porque é quem possui o jogo menos talhado para o saibro. A qualidade e o arrojo de seu saque no entanto combinaram até aqui com as condições mais velozes e secas da Caixa Mágica e ele assim embalou vitórias muito boas sobre Fucsovics, Shapovalov e agora Aslan Karatsev.

A sensação desse grupo, no entanto, é Ruud. Atuação incrível, tanto no aspecto técnico como tático diante de Tsitsipas, que esteve longe de jogar mal. O norueguês no entanto primou pelo serviço, abusou de seu forehand sólido e ofensivo, com o qual empurrou o grego para trás. Fechou o duelo apertado de 22 games com apenas 12 erros. Impressionante. Ele no entanto adverte: “Contra Bublik, você pode esperar qualquer coisa, é muito talentoso”.

A solidez de Garin poderia até ter feito placar mais rápido contra Daniil Medvedev. Gostei principalmente da opção do chileno em ir à rede sempre que percebia o russo atrasado na defesa do backhand, o que proporciona slices muito fáceis de se volear. Terá pela frente um Berrettini sempre muito perigoso num saibro veloz, onde consegue compensar melhor a deficiência do seu backhand.

Experiência no outro lado
O lado de cima da chave é o extremo oposto, já que reúne ‘trintões’ e gente experiente em torneios grandes, todos com títulos de Masters. Rafa Nadal, como era previsível, passou pelo australiano Alexei Popyrin com direito a pequeno susto até a metade do primeiro set. Demorou para ganhar ponto e quase levou quebra. Depois abriu 4/1 e de repente se viu com 0-30 no 4/3. Mas o adversário foi muito impreciso na hora do vamos-ver.

O reencontro com Alexander Zverev promete. O alemão ganhou os dois últimos duelos e deu trabalho na final de Roma de 2018, o jogo mais importante que fizeram no saibro. A superfície de Madri permite que Sascha arrisque o saque, como tem feito desde o começo da temporada e foi peça-chave na vitória em cima de Daniel Evans. Ganhou 80% dos pontos em que acertou o primeiro serviço e assim deveremos ver Nadal dividir espaço com os juízes de linha.

A outra vaga na semi me parece completamente aberta. Dominic Thiem conseguiu a segunda boa vitória, num jogo em que jamais pareceu totalmente à vontade diante de Alex de Minaur. O australiano desperdiçou muitas chances, teve set-point que Thiem salvou com backhand magnífico. John Isner jogou mais dois tiebreaks, chegou a 29 aces com apenas 15 pontos perdidos com o bombástico primeiro saque, e venceu Andrey Rublev sem ter um único break-point. “Não fui o melhor em quadra, mas o saque me ajudou muito. Estou surpreso”, afirmou o gigantão. Para aumentar o quadro de imprevisibilidade, Thiem e Isner não se cruzam desde a Laver Cup de 2017 e os únicos confrontos oficiais foram em 2015.

Outra vez Barty e Sabalenka
Na contramão das novidades masculinas, Madri verá a repetição da final entre Ashleigh Barty e Aryna Sabalenka de 14 dias atrás, em Stuttgart. Não por acaso, são dois torneios com condições mais velozes, já que o torneio alemão acontece sobre teto fechado e o espanhol, na altitude. São situações certamente diferentes de Roland Garros, mas neste momento é justo dizer que as duas são as candidatas mais indicadas a dominar esta fase do saibro.

A número 1 encarou variados desafios na Caixa Mágica, tendo feito duas exibições de enorme qualidade diante de Iga Swiatek e Petra Kvitova, adversárias de estilos e táticas bem distintos. Isso exigiu adaptações inteligentes de Barty, mesclando muito bem ataque e poder defensivo. Nas quartas contra a surpresa Paula Badosa, foi a hora da consistência e paciência. A australiana entrou mesmo decidida a brilhar em 2021.

Sabalenka no entanto merece todo o respeito. A bielorrussa está num momento excepcional, tirando o máximo de seus golpes poderosos. Também controla melhor a ansiedade, que era um fator essencial para esse padrão que adota. Em Madri, encarou adversárias de menor potencial sobre o saibro e ainda viu Elise Mertens se contundir no jogo mais perigoso da semana.

Este será o terceiro duelo entre Barty e Sabalenka nesta temporada. A australiana levou a melhor em ambos, mas nenhum foi fácil. Em Stuttgart, a bielorrussa venceu o primeiro set, sentiu dor na coxa e ainda assim lutou muito na série decisiva. A final acontece no sábado.

Nadal ainda procura seu jogo
Por José Nilton Dalcim
22 de abril de 2021 às 18:22

Está longe de ser um drama quando se pensa no objetivo maior lá na frente, mas é evidente que Rafael Nadal vive dificuldades para reencontrar a forma ideal de jogar sobre o saibro. O que não deixa de ser surpreendente.

Em Barcelona, que é um piso teoricamente perfeito para ele por ser mais veloz como explicam seus incríveis 11 títulos, ele fez duas primeiras apresentações um tanto deficitárias, ainda que jamais tenha corrido qualquer risco de derrota.

Ficou muito defensivo diante do bielorrusso de pouco currículo Ilya Ivashka até por fim conseguir impor seu jogo mais sólido e sofreu intensos altos e baixos frente a Kei Nishikori, saindo de um ‘pneu’ para um buraco enorme, que quase lhe custou também uma quebra logo na abertura do terceiro set.

Está bem claro que seu maior problema ainda é o saque. Por vezes, funciona a contento e deixa a quadra aberta para concluir rapidamente o ponto. Mas o índice de acerto do primeiro serviço continua baixo e ainda aparecem as duplas faltas. Isso não seria um tormento se não tirasse também sua confiança no forehand, o golpe mais importante do seu arsenal.

Incomodou vê-lo perder games nesta quinta-feira para um Kei Nishikori que sacou quase metade do jogo a menos de 150 km/h, sinal de que o espanhol ainda está preso nas devoluções. No entanto, mesmo sem ser brilhante. continua muito superior à maioria dos que se aventuram no saibro e assim deve ser diante do também canhoto Cameron Norrie, um jogador de backhand instável. Rafa no entanto terá de melhorar caso cruze com Diego Schwartzman na semi.

O outro lado da chave tem quatro jovens concorrendo à final, o que não deixa de ser ótima notícia. Campeão em Monte Carlo no domingo, Stefanos Tsitsipas tem o favoritismo natural e será desafiado por Felix Aliassime, contra quem tem 3 a 3 nos duelos diretos porém com vitórias nos três últimos. Um excelente teste para ver se o novo pupilo de Toni Nadal pode voltar a jogar bem no saibro.

Não menos interessante será o choque entre Andrey Rublev e Jannik Sinner, basicamente sem histórico. Os dois se enfrentaram no sintético coberto de Viena há seis meses, mas o italiano abandonou antes do quarto game por lesão. O piso um pouco mais veloz tende a favorecer ligeiramente o russo, já que bate mais forte em todos os golpes e nenhum dos dois possui a variação como principal predicado.

Enquanto isso, em Belgrado, Novak Djokovic fez uma ótima estreia diante de um adversário sem jeito para a terra batida e terá pela frente o jovem compatriota Miomir Kecmanovic. Vale a pena observar o garoto de 21 anos, que não é dos mais badalados mas possui um belo tênis. Recomendo ainda o duelo entre Matteo Berrettini e Filip Krajinovic, que podem muito bem decidir aí o finalista do lado inferior da chave.

E para quem gosta de tênis feminino, um prato cheio nas quartas de final de Stuttgart. Ashleigh Barty-Karolina Pliskova e Elina Svitona-Petra Kvitova exibem padrões táticos e técnicos muito distintos. Aryna Sabalenka-Anett Kontaveit e Simona Halep-Ekaterina Alexandrova estão do outro lado da chave.

Os melhores do ano
Por José Nilton Dalcim
18 de abril de 2021 às 21:17

Quem diria, a fase europeia de saibro deu largada com o favoritismo natural dos velhos heróis, mas, ao fim de oito dias de interessantes batalhas e consideráveis surpresas, colocou dois nomes da nova geração no topo do ranking da temporada.

O campeão Stefanos Tsitsipas é agora o tenista mais bem pontuado de 2021, 140 pontos à frente do cada vez mais confiante Andrey Rublev. Deixaram para trás o número 1 do ranking tradicional, Novak Djokovic, que aliás não conseguirá recuperar o posto nem mesmo com o eventual título em Belgrado.

Jogador de muitos recursos, a lista de seis troféus do grego inclui agora o Finals de Londres, na quadra dura coberta, e o Masters de Monte Carlo, no saibro lento e úmido. Seus outros títulos são de nível 250, mas ele já fez outras duas decisões em nível Masters, no saibro rápido de Madri e no sintético mediano do Canadá, sem falar dos vices nos 500 de Barcelona,  Acapulco, Dubai, Pequim e Hamburgo. É um currículo respeitável para seus 22 anos.

É bem verdade que a trajetória da semana no Principado foi menos espetacular do que a de Rublev. AInda assim, teve vitórias impecáveis sobre Aslan Karatsev e Cristian Garin, antes de se favorecer do abandono de Alejandro Davidovich e ver Daniel Evans sem pernas.

Seu ligeiro favoritismo sobre Rublev vinha justamente do esforço muito maior que o russo fez para chegar na final, com  batalhas notáveis em cima de Roberto Bautista e Rafael Nadal antes de dois sets também exigentes frente a Casper Ruud.

Confesso que é um tanto frustrante ver o homem que parou Rafa não levar o título, porque talvez fosse o resultado mais justo. Porém, Rublev não teve jogo de cintura para achar uma forma de segurar Tsitsipas. O grego entrou muito firme e agressivo, dando pouco espaço para o conhecidíssimo adversário – duelam desde os tempos de juvenil – disparar seus poderosos golpes de base. Stef sufocou, variou, se antecipou. E o placar mostra de forma cristalina a diferença entre os dois neste domingo.

Gostei também de ver que os dois confirmaram presença em Barcelona, mostra de que não estão acomodados. E podem se cruzar de novo, mas agora na semi. Em Barcelona, o piso é um pouco mais veloz e exigerá adaptações. O grego pode ter maior dificuldade diante de Denis Shapovalov ou Felix Aliassime e Rublev tem no caminho o mesmo Bautista ou Jannik Sinner.

Se mantiverem o alto padrão de Monte Carlo, Tsitsipas e Rublev terão assim chance de desafiar Nadal na decisão. O espanhol buscará o 12º troféu e a recuperação. Vê no seu setor especialistas como Garin, David Goffin, Diego Schwartzman ou Fabio Fognini, o que tende a exigir o máximo de sua competência.

Djokovic, por sua vez, é o dono da casa em Belgrado e sua missão de manter o amplo favoritismo parece bem menos trabalhosa, ainda que tenha Karatsev numa possível semi e veja Matteo Berretini e o amigo Dusan Lajovic do outro lado da chave.

Por um triz
Surpreendente e animadora campanha das meninas brasileiras na repescagem da antiga Fed Cup, agora chamada de Billie Jean King Cup. Elas tiveram de encarar um piso sintético coberto na Polônia, mas gostaram de ver que a quadra não estava tão veloz assim e com isso tiveram excelentes atuações, principalmente se consideramos que Carol Meligeni e Laura Pigossi estavam jogando no saibro. Cada uma venceu um jogo de simples e a definição foi para as duplas, onde entrou a experiência de Luísa Stefani ao lado de Carol. Venceram com autoridade o primeiro set e lutaram ponto a ponto no terceiro, antes de enfim caírem.

É provável que a presença de Bia Haddad tivesse dado ainda mais volume de jogo ao time brasileiro, que tentava vaga no qualificatório do Grupo Mundial, em fevereiro. Mas a ausência da nossa tenista mais experiente teve seu lado positivo, porque deu espaço para Carol e Pigossi brilharem. Quem acompanhou as partidas pode ver falhas, é claro, mas um incrível espírito de luta e de união. Isso certamente fará muito bem a elas na dura retomada do circuito tradicional, onde ainda tentam furar a faixa de top 200 para aventuras maiores.

P.S.: Peço desculpas pelo atraso na publicação do texto, mas houve instabilidade no servidor até que enfim o texto conseguiu ser publicado.