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A um passo da eternidade
Por José Nilton Dalcim
28 de agosto de 2020 às 21:08

Foi muito sofrido mas, em seu melhor estilo, Novak Djokovic arrancou forças de onde parecia não haver mais e conseguiu o direito de tentar mais um feito histórico, e dificilmente igualável, em sua carreira. Se obtiver o bi no evento relativo a Cincinnati às 14h deste sábado, será o único tenista a ter ao menos dois troféus em cada um dos nove Masters 1000 ativos. É um feito tão mais espetacular quando se observa que a Rafael Nadal, Roger Federer, Andre Agassi e Andy Murray, os outros quatro grandes colecionadores, faltam dois títulos para uma coleção completa.

O sérvio jogou sua pior partida da semana, pareceu sentir grande desgaste físico e voltou a ter problemas com o pescoço. Isso o levou a intensos altos e baixos, que se somaram ao espirito lutador e às bolas chatas de Roberto Bautista. O espanhol mudou um tanto seu plano habitual, evitou paralelas e insistiu incansavelmente em atacar o backhand de Djoko. Uma tática que aparentemente tinha dois objetivos: evitar erros com as bolas cruzadas e tirar o máximo proveito do problema muscular do oponente.

Não foi um jogo espetacular, mas uma batalha de consistência. Os dois tiveram suas chances no terceiro set e isso resume razoavelmente a partida: Bautista teve 2/1 e saque antes de perder quatro games seguidos. Nole abriu 5/2 e sacou para a vitória em seguida, cedendo também quatro games consecutivos. Com 6/5, o espanhol fez 30-30 e não conseguiu cravar um saque vencedor. Aí o tiebreak o puniu severamente, com um passeio de um Djokovic soberano e agressivo.

O número 1 terá apenas 19 horas para se recuperar antes de encarar um embaladíssimo Milos Raonic, que agradeceu os dois erros cruciais de Stefanos Tsitsipas na reta final do primeiro set e depois deslanchou. O saque afiado, o forehand pesadíssimo e os voleios apurados enfim têm a companhia de um backhand sólido como há muito se esperava do canadense.

Esse arsenal respeitável e as dificuldades físicas do adversário serão enfim suficientes para acabar com o amargo tabu de 10 derrotas para Djokovic? É um desafio mental e tanto. Os dois fizeram outras duas finais, em Indian Wells e Bercy, e mais quatro jogos em quadra dura, incluindo a veloz Cincinnati, e o sucesso sempre foi do sérvio. Apesar de terem disputado oito tiebreaks nesse histórico, até hoje Raonic só tirou um set. E no saibro de Roma.

Milos tem oito pequenos títulos de ATP 250, mas fez três finais de Masters e uma de Wimbledon. Aos 29 anos e com várias interrupções na carreira, pode fechar a semana como o 13º do ranking. Vale todo o esforço do mundo.

Grande final no feminino
Pelo que apresentaram ao longo da semana no piso mais veloz de Flushing Meadows, Naomi Osaka e Victoria Azarenka farão uma justa e promissora final do Premier, às 12 horas deste sábado.

Para melhorar, Osaka ainda se livrou da adversária talvez mais temida, já que ela jamais venceu Johanna Konta em três duelos. E Konta começou bem, antes de permitir a virada de Victoria Azarenka, que vive uma sequência de vitórias que há muito não comemorava.

O grande destaque da vitória de Osaka em cima da belga Elise Mertens foi sua capacidade de lutar nos break-points, tendo evitado 18 de 21 que permitiu. Mertens mostrou um serviço frágil, que foi quebrado cinco vezes, mas igualou a briga nos winners (27 a 30 da japonesa).

Vika perdeu dois dos três confrontos diante de Osaka, mas não creio que isso pese mais do que seu desejo de encerrar o longo jejum de títulos, que vem desde a dobradinha Indian Wells-Miami de 2016 e seu anúncio da gravidez. Desde então, fez uma única final no pequeno WTA de Monterrey no ano passado. O troféu também valerá a volta ao top 30.

A bielorrussa de 31 anos foi a primeira a quebrar o saque de Konta na semana e isso só aconteceu no segundo set. E pouco a pouco subiu de qualidade nas devoluções, algo que pode ser decisivo diante da número 10.

Mais confusão
Os sussurros ouvidos pelos bastidores parecem que se tornarão realidade neste sábado, às vésperas do US Open. Liderados por Vasek Pospisil, uma série de jogadores descontentes com a atual administração da ATP quer dar início à uma entidade paralela.

O afastamento de Guido Pella e Hugo Dellien de Cincinnati e o adiamento da rodada de quinta-feira devido à postura de Naomi Osaka foram o estopim de um atrito que vem desde que Andrea Gaudenzi assumiu o comando. É esperar para ver quem tem mais cartas na mão.