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Bellucci acredita 100% na volta por cima
Por José Nilton Dalcim
20 de julho de 2018 às 19:07

Desde que deu a arrancada definitiva no circuito profissional, pouco antes de completar 21 anos, Thomaz Bellucci viveu pelo menos quatro momentos de queda acentuada de produtividade, períodos em que deixou o top 100 por contusão ou por não defender seus resultados.

Até os últimos meses de 2017, parecia que ele iria novamente erguer a ‘gangorra’, mas aí veio a suspensão de cinco meses por uso de substância proibida e a reação desta vez não se confirmou. Ao contrário, a queda tem sido contínua, com derrotas inexplicáveis até mesmo em nivel ‘challenger’. Sem considerar os qualificatórios, soma apenas 16 vitórias desde fevereiro em 14 torneios jogados.

Hoje casado, com 30 anos e residindo fora do Brasil, Bellucci amarga o duro calendário de torneios pequenos pela Europa e se submete a encarar quali de ‘challengers’ ou a pedir convites por conta de seu bom currículo. Seria um quadro desestimulante, mas o canhoto que já foi 21º do ranking garante que não desistiu de lutar e que acredita plenamente que irá mais uma vez dar a volta por cima.

Esta tem sido uma das fases mais instáveis de sua carreira. O que você atribui a dificuldade para recuperar o ritmo ideal e voltar a ser competitivo?
Bellucci – Alguns jogos eu deixei escapar por excesso de ansiedade em conseguir as vitórias e voltar a jogar os torneios grandes. Outros me faltaram encontrar uma maneira de ganhar o jogo mesmo não estando num dia bom. Acredito que um ou dois jogos que acabei perdendo me tiraram a confiança e fizeram meu rendimento ser baixo nos torneios seguintes.

Tem havido muitas derrotas após construir um bom início. Está faltando confiança ou físico?
Bellucci – Meu físico está muito bom, não tem sido um impedimento pra eu conseguir ir mais longe nos torneios. A confiança é importante e estou trabalhando nela no dia a dia, tapando arestas no meu jogo e sabendo que há um processo até eu chegar aonde quero estar.

Nesse período de falta de ritmo e vitórias, não seria interessante jogar as chaves de duplas?
Bellucci – Pensamos, mas descarto jogar duplas por enquanto. Quero focar em aproveitar o tempo que eu poderia estar jogando duplas para estar treinando simples, estar 100% focado nisso.

Como está o trabalho com o André Sá? Quais têm sido as dicas do técnico para tentar recuperar o melhor nível?
Bellucci – Ele tem me dado bastante suporte e acreditado que eu possa voltar à minha melhor forma. Tecnicamente trabalhamos bastante no meu saque, que tem sido um pouco inconstante em alguns jogos, e em mais alguns detalhes que podem fazer a diferença.

O quanto você ainda acredita que voltará a ser competitivo em alto nível?
Bellucci – Acredito 100% que eu ainda tenha condições em voltar ao top 100 e estar jogando em alto nível. Não vejo nenhuma limitação no meu jogo que possa me impedir disso. Acredito que seja uma questão de detalhe e paciência até eu recuperar a minha confiança e melhorar meu nível de jogo.

Tragédia anunciada
Por José Nilton Dalcim
18 de setembro de 2017 às 11:10

Desde a convocação do time, a impressão era de que a coisa não iria correr bem na repescagem da Copa Davis em Osaka. De forma um tanto incompreensível, Rogério Silva ficou de fora, mesmo sendo de longe o brasileiro de maior consistência e sucesso na temporada. Não se discute que Thomaz Bellucci jogue mais que ele, mas não se pode ignorar o momento de um atleta em um esporte individual e o de Bellucci é muito ruim, fisica e tecnicamente.

O clima só piorou depois que Bellucci pediu dispensa por motivos médicos. O capitão João Zwetsch tentou chamar Rogerinho e ele obviamente não atendeu. Primeiro porque alegou não ter sido sequer comunicado de que não iria ao Japão, algo inadmissível. Depois, porque havia feito um calendário para disputar ATPs na Rússia e Ásia. Restou convocar Guilherme Clezar, que disputava challengers no saibro, sem falar que entre abril e junho chegou a entrar até em futures. Acabou ainda dando vexame com um gesto totalmente inapropriado. Por que não se optou por João ‘Feijão’ Souza, bem mais experiente?

Ou seja, de um time coeso e com três bons jogadores para um piso sintético muito lento – alguma dúvida de que Rogerinho se daria muito bem nele? – e diante de um adversário totalmente desfigurado, sobraram cacos. Ainda assim, dava para ganhar. O número 42 Yuichi Sogita, que não era titular desde 2013, se mostrou nervoso e defensivo até mesmo contra Clezar. Monteiro desperdiçou boas oportunidades para derrotar o veterano Go Soeda e nem mesmo um quinto set adiantou. Para variar, só os duplistas mineiros justificaram. A atuação do canhoto cearense no quarto jogo foi estranha, cheia de erros, apressado, saque instável. Ainda assim teve 3/1 no primeiro e terceiro sets. Doeu.

Nem vou falar agora em Zonal Americano para 2018, porque enfrentar Chile, Equador e Venezuela é um tira-gosto sem graça. E já dá para ficar apreensivo se tivermos de sair contra Colômbia e República Dominicana. Talvez seja hora de trocarmos as peças do xadrez. Há muita gente falando nos bastidores que a troca de treinador é iminente. A eterna dúvida é saber quem ocuparia um cargo que exige experiência na quadra e um essencial bom relacionamento com tenistas e dirigentes. André Sá, que agora tenta ajudar Bellucci, surge como candidato natural. Talvez seja mesmo o momento.

Lá entre os realmente grandes, França e Bélgica confirmaram o fator casa e a escolha esperta do piso de saibro para atingir a final de novembro. Sem qualquer jogador em boa fase, os franceses preocupavam. A sorte foi pegar uma Sérvia desfalcada, apesar da boa atuação de Dusan Lajovic nas simples. Jo-Wilfried Tsonga virou herói e quem sabe as duas vitórias no fim de semana coloquem de novo sua carreira nos trilhos. Note-se que Lille usou o estádio de futebol da cidade improvisado e recebeu 18 mil espectadores.

A Bélgica também usou o saibro e 15 mil torcedores barulhentos para conter a Austrália. O quarto jogo foi um espetáculo. David Goffin fez talvez sua melhor partida do ano e segurou Nick Kyrgios, que usou os mais diversos recursos táticos para desestabilizar o adversário. Salvaram o fim de semana. Esta será a segunda vez em três anos que os belgas tentarão o título da Davis mesmo tendo Steve Darcis e Ruben Bemelmans como número 2. Vai ser difícil porque a França deve escolher um piso sintético mais veloz e coberto para o duelo de novembro.

A repescagem viu a queda da Argentina fora de casa para o Cazaquistão, mostra que Juan Martin del Potro faz toda a diferença do mundo. Mas a pequena zebra do fim de semana foi a derrota da nova geração russa diante da Hungria, ainda que no saibro. A Suíça e a Holanda conseguiram sobreviver com duas vitórias no domingo, Alemanha e Croácia tiraram o sonho de Portugal e Colômbia chegarem pela primeira vez no Grupo Mundial.

Brasil Open voltará ao Ibirapuera
Por José Nilton Dalcim
15 de setembro de 2017 às 20:05

Depois de dois anos de clube Pinheiros, o Brasil Open voltará a ser disputado no Ibirapuera em 2018, o que o tornará novamente o único torneio de nível ATP disputado sobre saibro coberto de todo o calendário internacional.

Há dois fortes motivos para o retorno ao local onde o ATP paulistano se mudou em 2012, vindo da Costa do Sauípe. Embora a promotora Koch Tavares não confirme, o governo estadual será um parceiro na empreitada e isso garante uma enorme redução de custos. Também houve desgaste grande junto ao Pinheiros, diante de suas exigências e taxas.

Mesmo tendo de construir um pequeno estádio com ar condicionado para a quadra 2 externa no Ibirapuera, a economia é muito grande frente ao aluguel cobrado pelo Pinheiros, que de R$ 400 mil chegou a dobrar em 2017. Se por um lado o torneio terá teto para fugir do período chuvoso, de outro o ginásio do Ibirapuera traz dores de cabeça em termos de logística e conforto.

Enquanto isso, o Rio Open aguarda com ansiedade a reunião de novembro da ATP, que acontecerá durante o Finals de Londres e determinará as alterações no calendário para 2019, que prometem ser grandes. É a chance de o ATP 500 carioca mudar de piso, de local e talvez até de data. O diretor do torneio Luiz Procópio Carvalho esteve no US Open para tentar fechar contratos e trazer nomes fortes para o próximo ano.

Bellucci troca tudo
Contrariado com seu ano de resultados apenas medianos, Thomaz Bellucci se inspirou em Novak Djokovic e radicalizou, desligando-se de toda sua antiga equipe e colaboradores. Além de acertar com André Sá, ele deixou a IMM, dispensou o preparador físico e até sua assessoria de imprensa, que o acompanhava há 10 anos.

Bellucci deverá ser agora representado e divulgado pela mesma empresa que cuida de Bruno Soares. Seu novo preparador físico será Cassiano Costa, que tem feito trabalho reconhecido no tênis internacional. Tomara que dê certo. Ele está inscrito para o ATP 250 de Shenzen, na China, e tentará o quali para o ATP 500 de Pequim.