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‘Fedal’ dispara corações 15 anos depois
Por José Nilton Dalcim
4 de junho de 2019 às 19:30

Mais um sinal evidente da incrível tenacidade técnica e física dos dois mais importantes tenistas da história, Rafael Nadal e Roger Federer voltam a se cruzar em Roland Garros depois de oito anos. O maior clássico do tênis terá seu 39º capítulo e é extasiante lembrar que o primeiro deles, em 2004, reunia o jovem líder do ranking contra um fenômeno de precocidade. Na sexta-feira, apesar das indeléveis marcas do tempo, eles ainda se mostram capazes de fazer o mundo do esporte parar e admirá-los.

Será possível Federer surpreender o ‘rei do saibro’ no seu domínio? Todos os números dizem que não. Além do placar geral amplo de 23 a 15, Rafa tem esmagadores 13 a 2 no saibro – com última derrota há 10 anos – e indiscutíveis 5 a 0 em Roland Garros, quatro dos quais impôs vices ao suíço, que sequer conseguiu levá-lo a um quinto set em Paris. Há dois pontos de esperança para Roger: a série inédita de cinco vitórias seguidas que mantém hoje e, acima de tudo, o fato de que a obrigação de ganhar é do espanhol.

Os desafios desta terça-feira foram tão díspares como o currículo de cada um no saibro. Enquanto Nadal atropelou mais um adversário, vendo diante de si um Kei Nishikori incompetente tanto na execução tática como na força das pernas, Federer precisou administrar frustrações e correr muito atrás dos golpes pesados de Stan Wawrinka, marcando virada em quatro sets muito apertados que penderam para qualquer lado.

Mantendo o padrão ofensivo que mostrou em todos seus jogos até aqui, o canhoto espanhol anotou 29 winners e 22 erros, mas o que não se vê nas estatísticas é quantas vezes colocou o adversário nas cordas com bolas profundas e alternâncias constantes de direção. Federer por sua vez não se intimidou com a artilharia pesada do compatriota e arriscou 60 subidas à rede, muitas delas atrás do segundo serviço, algo que só alguém com sua experiência e habilidade poderia ousar no saibro lento e sob vento forte.

Teremos de aguardar três longos dias para saber se Nadal irá preferir o conforto de despejar topspin no backhand adversário, à espera das bolas curtas, ou se Federer terá confiança para ir à rede e se expor aos contragolpes mortais que tanto conhece.

Vai ser angustiante esperar.

Nova finalista
E a chave feminina continua dando suas surpresas. Johanna Konta derrubou a vice do ano passado Sloane Stephens e teremos ao menos uma finalista inédita, e totalmente inesperada, no sábado. Sua adversária de penúltima rodada é a jovem e talentosa Marketa Vondrousova, de 19 anos.

Konta jamais havia vencido uma partida em Roland Garros em quatro participações anteriores, mas está claramente embalada pela final em Roma e jogando um tênis agressivo mas inteligente. Já esteve em outras duas semis, na Austrália e Wimbledon, e tem de ser considerada favorita.

Vondrousova venceu um jogo tecnicamente muito interessante contra Petra Martic, ambas com variações bem aplicadas, e tentará um feito, já que Roland Garros só viu até hoje 10 canhotas campeãs, e apenas duas entre as profissionais (a bi Martina Navratilova e a tri Monica Seles).

Juntas e misturadas
Como faz desde 2017, Roland Garros irá cobrar ingressos separados para as duas semifinais masculinas de sexta-feira. Ou seja, quem quiser ver os dois jogos terá de gastar dobrado. O mais barato, nos aneis superiores, custam 90 euros e os mais nobres, próximos à quadra, 210 euros. Para a final masculina, os valores dobram. Clique aqui para ver a tabela completa.

Quartas de final, parte 2
– Se Djokovic avançar à semi, será a primeira vez desde o Finals de 2015 que o Big 3 estará na penúltima rodada de um mesmo torneio. Sérvio tenta sua 10ª semi em Paris, duas a menos que o recordista Nadal.
– Zverev tenta ser primeiro alemão na semi de um Slam em 10 anos. Ficou 5h20 a mais em quadra do que Nole neste torneio. O placar é de 2-2, com Sascha tendo vencido o único no saibro. Mas jamais se cruzaram em melhor de cinco sets.
– Thiem só tirou 5 games de Khachanov no duelo entre eles de Bercy-2018. Apenas dois anos mais velho que o russo, Thiem tem mais do dobro de vitórias na carreira e em Slam. E quatro vezes mais no saibro.
– Se conseguir quarta semi consecutiva em Paris, Thiem se iguala a gigantes como Borg, Lendl, Murray. Courier, Ferrero e Wilander. O líder é Djoko (6), à frente de Nadal e Federer (5).
– Com a queda de Wawrinka, o top 10 inédito está garantido a Khachanov (9º) e Fognini (10º), que ocuparão as vagas de Isner e Del Potro.
– Halep enfrentará a juvenil Anisimova pela primeira vez e obviamente a diferença de currículo é enorme, já que a 51ª do ranking de 17 anos disputa apenas o terceiro Slam.
– Imprevisível será Barty e Keys, que empatam por 1-1 nos duelos. Será a quarta americana no caminho de Barty em cinco jogos, porém Keys tem mais intimidade com o saibro do que as outras.

Vai começar o desafio para o Nole Slam
Por José Nilton Dalcim
3 de junho de 2019 às 18:58

Quatro rodadas de domínio absoluto, um tênis solto e eficiente que permitiram apenas 31 games a seus adversários. Agora, vem a fase de verdadeiros desafios para Novak Djokovic cravar seu segundo título em Roland Garros e, consequentemente, a nova versão do ‘Nole Slam’. A luta pela história começa por Alexander Zverev, deve passar por Dominic Thiem e, quem sabe, se encerrar contra Rafa Nadal.

Não se deve menosprezar Sascha, um jogador que já derrotou o sérvio em dois jogos de grande tensão. A primeira foi logo no primeiro confronto, na decisão de Roma-17. Demoraram 18 meses para os reencontros e aí o alemão perdeu feio em Xangai e na fase classificatória do ATP Finals. Porém, dias depois, se vingou com uma vitória categórica e outro título em cima de Djoko. Claro que enfrentar o líder do ranking em melhor de cinco sets é muito diferente, e os dois sabem disso.

A vitória desta segunda-feira sobre Fabio Fognini teve méritos, e não foram tão técnicos mas muito mais emocionais. Zverev, que pecou tanto pela cabeça fraca ao longo desta temporada, não se abalou com o primeiro set perdido e foi corajoso sob enorme pressão no final do quarto set. Manteve a frieza mesmo com 12 duplas faltas cometidas, e apesar dessa estatística alarmante ainda terminou o jogo com 70% de aproveitamento do primeiro saque. É dessa postura positiva e arrojada que ele precisa para ao menos ser competitivo na quarta-feira que se prevê chuvosa.

O retorno a Paris, onde ganhou seu Masters há seis meses, parece ter feito bem a Karen Khachanov. Aos 23 anos, marca sua primeira presença em quartas de Slam com uma vitória de respeito em cima de Juan Martin del Potro. O argentino pareceu é verdade um pouco lento, mas a opção tática de abrir muito a quadra com bolas anguladas foi bem explorada pelo russo o tempo todo.

Quem deve ter gostado muito disso foi Dominic Thiem, que jamais ganhou de Delpo em quatro duelos e tem um retrospecto negativo bem menos relevante contra Khachanov, tendo perdido justamente na campanha mágica do russo em Bercy do ano passado. Thiem fez seu jogo mais fácil do torneio até agora diante de um apático Gael Monfils, que muitas vezes ‘queimou’ golpes precocemente. O austríaco economizou energia e jogou a confiança lá em cima, o francês encerrou de forma melancólica a esperança local de ao menos ver um duelo na semi contra Nole.

Halep encara outra prodígio
Simona Halep não teve piedade da garota polonesa Iga Swiatek: 45 minutos e só um game perdido. Aliás, no sábado, só gastou 10 minutos a mais para avançar. Será também o destino de Amanda Anisimova, de 17 anos? Bem, a filha de russos bate pesado na bola e não tem medo de cara feia. Tem um título de WTA e vitórias em cima de Petra Kvitova e Aryna Sabalenka na curtíssima carreira. Tomara que dê bom jogo.

A consistente Madison Keys e a ascedente Ash Barty fazem a outra partida de quartas. Mesmo sem resultados espetaculares, Keys tem sido muito constante nos Slam, tendo atingido a segunda semana em 13 de seus últimos 17 torneios. Já fez três semis, incluindo a do ano passado em Paris, quando aliás tirou a própria Barty no caminho. A australiana nunca havia passado da segunda rodada no saibro francês, mas é inegável que tem o repertório perfeito para ir bem na terra.

Quartas de final, parte 1
– Federer tem 22-3 no placar geral, mas as 3 derrotas para Stan foram no saibro, incluindo as quartas de Paris de 2015, justamente o último jogo de Roger no torneio até 2019. Roger jogou 7h10 no torneio até aqui, Wawrinka lutou por 12h27.
– O máximo que Nishikori conseguiu no saibro contra Nadal foi tirar um set em quatro jogos. O placar geral é de 10-2. Será o quarto duelo em Slam e em todos Rafa fez 3 sets a 0. Espanhol gastou 4h15 a menos em quadra do que seu adversário nestas quatro primeiras rodadas.
– Stephens e Konta se cruzam pela terceira vez na temporada, e a vice de Paris perdeu as duas, incluindo recentes oitavas de Roma. Konta tenta repetir semi britânica de Jo Durie em Paris-1983.
– Martic lidera na quantidade de vitórias no saibro na temporada (15-1) e Vondrousova é a tenista que mais ganhou jogos no circuito feminino desde o AusOpen, além de tem o melhor índice de devolução de saque na temporada.

Novidades no ranking
– Khachanov será o novo integrante do top 10 e há grande chance de Fognini finalmente chegar lá também. O italiano só será barrado se Wawrinka for campeão de Paris.
– Caso se cruzem na semi, Nadal e Federer também estarão colocando em disputa o número 2 do ranking.
– Zverev, Nishikori e Thiem duelam pelo quarto lugar, com vantagem do alemão no momento. Tsitsipas sonha com o inédito quinto posto.
– Barty já tem a sexta colocação garantida.

Boas notícias
– Bruno Soares está na semifinal de mistas ao lado da americana Nicole Melichar, com quem também fez semi em Melbourne.
– Andy Murray confirmou seu retorno ás quadras para as duplas de Queen’s, ao lado do amigo Feliciano López. Ele afirma que não sentiu mais dores no quadril e que fará um teste.

Nadal e Federer desfilam na quadra e nos recordes
Por José Nilton Dalcim
18 de janeiro de 2019 às 11:25

Como se previa, a terceira apresentação de Rafael Nadal e Roger Federer no Australian Open foi para lá de tranquila. Diante de dois novatos, aproveitaram muito bem a vasta experiência e encheram os olhos e os livros de recordes.

O espanhol cravou a 250ª vitória em Grand Slam, e assim o tênis tem hoje em atividade os três únicos a atingir esse patamar: Federer está com 342 e Novak Djokovic, 260. Ao imaginarmos que só se disputam 28 jogos de Slam por temporada, será necessária uma década para alguém da nova geração sonhar com isso.

O suíço por sua vez aumenta sua impressionante marca para 63 presenças em oitavas de final em 75 Grand Slam disputados. É quem mais fez isso em Melbourne (17 vezes em 20 participações), onde aumenta sua coleção para 97 vitórias.

Mesmo tendo apenas um título em Melbourne, Nadal já é o terceiro com mais oitavas (12ª, junto a Jimmy Connors) e mais vitórias (58). Aliás, ele iguala Jimmy Connors com 43 presenças na quarta rodada de um Slam, duas a menos que Novak Djokovic, que busca a sua classificação na madrugada.

Federer pisou pela 100ª vez no estádio Rod Laver, e o fato mais incrível é que ele tem 110 jogos feitos no torneio. Ou seja, apenas 10 vezes experimentou as outras arenas.

Os jogos
Embora a dificuldade tenha sido crescente, os três adversários australianos serviram para dar ritmo e provavelmente muita confiança para Nadal. Apesar de ter muita perna e determinação, falta potência a Alex de Minaur e assim ele precisou de um esforço gigantesco para agredir o espanhol e arrancar belos pontos. Rafa voltou a sacar muito bem – a mudança de movimento deixou mesmo o serviço mais veloz – e foi agressivo com o forehand. Serão armas muito importantes diante de Tomas Berdych, que está voando neste começo de temporada para surpresa geral. Virou com grande categoria em cima de Diego Schwartzman, sem economizar winners, aces e voleios.

Diante de outro grande sacador, Federer foi impecável com o serviço, mas também conseguiu bons bloqueios de devolução e se divertiu com pesadas trocas de bola. Taylor Fritz não tem regularidade para tanto. O atual bicampeão de 37 anos continua seu desfile diante da nova geração – ganhou de quatro em Perth – e reencontra Stefanos Tsitisipas, que o levou a dois tiebreaks na Copa Hopman. O grego só tem chance se Federer baixar o nível.

Por falar em nova geração, Frances Tiafoe reagiu duas vezes diante do ‘trintão’ Andreas Seppi e atinge seu melhor resultado num Slam. E fará um interessante duelo de estilos diante de Grigor Dimitrov, que parece animado com a nova equipe. Búlgaro tem a seu favor o piso veloz, mas todo cuidado é pouco com o jogo de fundo de Tiafoe.

Embaladíssimo, Roberto Bautista fez três sets brilhantes diante de Karen Khachanov, pegando o máximo que pôde na subida e arriscando saque. Reencontrará o croata Marin Cilic,que se salvou a duras penas diante do canhoto Fernando Verdasco, num dia muito irregular. O atual vice viu Verdasco cometer dupla falta no match-point e ai desabar mentalmente. Cilic venceu quatro de cinco duelos contra Bautista, mas a única derrota aconteceu justamente no AusOpen, em 2016..

Maria, Maria
As duas primeiras rodadas já haviam mostrado uma Maria Sharapova mais firme no saque, sólida na base e confiante para forçar nos momentos difíceis. Assim, não foi uma total surpresa a vitória em cima da campeã Caroline Wozniacki, num jogo exigente de 2h24.

As contusões têm dificultado a vida de Sharapova nas últimas temporadas. Ela ficou de fora de sete dos últimos 13 Slam, e viveu altos e baixos. Melbourne é um lugar em que geralmente seu estilo se encaixa muito bem. A adversária agora é a última esperança local, Ashely Barty, que gosta de um slice para quebrar o ritmo. Sou omais Sharapova.

A outra sensação da sexta-feira foi a juvenil norte-americana Amanda Anisimova, que não tomou conhecimento de Aryna Sabalenka, permitindo apenas cinco games à 11ª do ranking. Que exibição de força e ousadia! Primeira tenista nascida no século 21 a ir tão longe num Slam, terá um duelo de força pura diante da experiente Petra Kvitova e aí a dificuldade promete ser muito maior.

Angie Kerber continua arrasadora – cedeu apenas 10 games em três jogos -, rumo ao duelo de oitavas contra Sloane Stephens.