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Roland Garros usa sensatez e antecipa mudança
Por José Nilton Dalcim
17 de março de 2020 às 21:28

Numa surpresa estonteante, a Federação Francesa não quis esperar as variantes incontroláveis da crise provocada pelo coronavírus e anunciou nesta terça-feira que Roland Garros mudará de data em 2020 e acontecerá na terceira semana de setembro, ou seja, apenas seis dias depois da final do US Open, o que implicará também na sempre delicada mudança de superfícies.

Parece maluquice, mas vamos lembrar que não faz muito tempo – na verdade, até 2014 – que Roland Garros e Wimbledon estavam separados por apenas duas semanas e nunca foi fácil também a troca do saibro para a grama, ainda mais nos tempos em que o piso natural do tênis era definitivamente rápido.

Claro que já houve reações duras de alguns tenistas, que com certa razão afirmam não ter sido consultados previamente sobre a intenção da Federação Francesa.

No entanto, me parece um tanto prematuro concluir que os organizadores franceses tomaram essa iniciativa sem consultar seus pares, no caso os detentores dos outros Slam e principalmente a Federação Internacional, ainda que os Slam tenham regimentalmente o direito a decidir seu destino sem autorizações prévias.

Se pensarmos apenas do lado dos franceses, foi uma atitude sensata. Ao pressentir que a temporada de saibro estará seriamente prejudicada – o circuito fala em voltar para Madri e Roma com otimismo duvidoso -, Roland Garros acaba com a especulação, diminui a ansiedade de jogadores e patrocinadores e dá tempo para os espectadores se reorganizarem. De quebra, não precisa pelo menos tão urgentemente tratar de devoluções de ingressos e quebras de contratos. Ganha fôlego e esperança, palavras chaves neste momento.

Inegavelmente, no entanto, joga uma tremenda bomba no colo da ATP e WTA, que teriam de recalcular o calendário. No período que Roland Garros se propõe a acontecer, estão previstos cinco ATPs 250 e sete WTAs na Europa e Ásia, além da Laver Cup nos EUA e de eliminatórias da Copa Davis em vários lugares. Na semana seguinte a Paris, ainda aconteceria os 500 de Pequim e Tóquio, que antecedem o Masters de Xangai. Confusão das grandes.

Em última análise, existe um tenista seriamente prejudicado caso a vontade de Roland Garros seja mantida: Rafael Nadal é o atual campeão dos dois Slam. O espanhol tinha real expectativa de faturar o 13º troféu no saibro francês e igualar os 20 Slam de Federer agora em junho. A alteração tão drástica do calendário seria um transtorno amargo e mais um desafio para o canhoto espanhol, que poderia até mesmo se ver obrigado a abrir mão de Nova York em prol da soberania em Paris.

No final da tarde, a USTA fez pequeno pronunciamento e afirma que espera realizar normalmente o US Open, mas que a data dependerá de conversações. Ou seja, abriu a porta para antecipação, o que daria margem maior para a disputa atrasada de Roland Garros, ou até mesmo.atender a uma mudança ainda mais radical de calendário. Tradicionalmente o Slam norte-americano começa na última semana de agosto.

Wimbledon se recusou a fazer comentários sobre a posição francesa. Na véspera, o All England Club havia dito que é impensável um torneio sem público. Segundo o Daily Mail, os organizadores não têm intenção de fazer qualquer anúncio nos próximos 30 dias. Irão esperar o desenvolvimento da crise. O mais tradicional torneio do tênis está marcado para 29 de junho.

Wimbledon continua modernização
Por José Nilton Dalcim
1 de maio de 2019 às 19:24

O mais tradicional torneio de tênis de todos os tempos continua a exigir roupa predominantemente branca dos participantes, não tem partidas no domingo que divide suas duas semanas e ainda vende a maciça maioria dos seus ingressos por sorteio.

Mas Wimbledon também se renova continuamente. A edição de 2019 terá uma série de inovações e, para o próximo ano, o All England Club, proprietário e organizador, anunciou nesta quarta-feira que irá abolir o sistema de sorteio por correio e aceitará os desejos de compra unicamente online.

Não é só. O teto retrátil da Quadra 1 será inaugurado e o novo arranjo das disposições do Club permitirá agora o ingresso diário de 42 mil pessoas, 3 mil a mais, o que deve elevar o total de público final em cerca de 25 mil. Com isso, a expectativa é que finalmente o torneio supere a cada dos 500 mil pagantes.

O Club também anunciou que mais quatro quadras terão o sistema de revisão eletrônico – ainda atrás do Australian Open, que tem o recurso em todas -, mas que o cronômetro de 25 segundos entre os pontos só será adotado em 2020.

Premiação
O total pago aos jogadores subirá 11,8% e atingirá o recorde de 34 milhões de libras. Mais uma vez, foi dada prioridade às primeiras rodadas. Os derrotados de estreia ganharão 15,4% a mais do que no ano passado (45 mil libras). Segundo o Club, desde 2011, o valor quadruplicou.

Também houve atenção às duplas (aumento de 20% e valor de 540 mil libras) e aos cadeirantes (entre 15% e 28%), além de igualar a premiação do quali feminino à do masculino.

Os campeões de simples ganharão 4,4% a mais do que 2018, totalizando 2,35 milhões de libras, ou seja, US$ 3,07 milhões na cotação de hoje. Ou seja, ficará ainda bem atrás dos US$ 3,8 mi que o US Open pagou já na última edição.

Ingressos
O sorteio dos ingressos, criado pelo excesso de procura de interessados, é um sistema que acontece há 95 anos e permanece único no universo do tênis.

Até 2019, os pretendentes tinham de usar formulário de papel e enviá-los pelo correio, incluindo um outro envelope selado para o eventual retorno, e torcer então para serem sorteados e garantir a entrada no complexo, principalmente a tão sonhada Quadra Central.

O sorteio no entanto não permite que se escolha data, nem quadra. O prazo vai de julho a dezembro do ano anterior.

A famosa fila diária na entrada do Club, em que um lote de 500 ingressos para cada estádio importante é vendido por ordem de chegada, continua inalterada. É preciso madrugar, mas o chamado ‘Queue’ não acontece nos quatro dias finais..

E mais
– O horário de início dos jogos nas quadras secundárias – ou seja, fora da Central,1, 2 e 3 – será recuado para as 10h30 locais.
– O evento teste do teto da Quadra 1 será uma exibição de tênis e de música no dia 19 de maio, a ser transmitida ao vivo pela BBC
– Os organizadores anunciaram que as garrafas de água serão feitas com 100% de material reciclado e reciclável, quase tudo vindo dos restos plásticos do setor de encordoamento.
– O prazo para Andy Murray requisitar convite é 18 de junho, mas o Club diz que poderá aumentar o prazo para o bicampeão.
– Conforme anunciado, será adotado o tiebreak no quinto set quando o empate de games atingir 12 a 12.

No saibro
Depois de uma grande atuação diante de Jan-Lennard Struff, o canhoto Thiago Monteiro encarou bem o 35º do mundo Marton Fucsovics, ganhou o primeiro set antes de levar a virada. O bom foi ver o cearense recuperar o padrão mais agressivo de seu jogo. Com a disputa dos dois Masters consecutivos, terá de voltar aos challengers antes do quali de Paris.

Já no Estoril, decepção com a desistência de Fabio Fognini. Ele sequer foi à quadra e diz estar preocupado mais com Madri. Sorte de Pablo Cuevas, que entrou de lucky-loser e vai enfrentar outro lucky-loser, Filippo Baldi.

Quem está embalado é o garoto chileno Christian Garin. Superou com folga Diego Schwartzman, está nas quartas de Munique e às portas do top 40.

A velocidade da grama
Por José Nilton Dalcim
28 de junho de 2017 às 21:40

Rápida ou lenta? A discussão sobre qual será a velocidade da grama de Wimbledon já começou nos bastidores e forçou o All England Club, proprietário e organizador do centenário torneio, a antecipar explicações. O site oficial conta que estudos mostraram que uma nova composição na textura tornaria a grama mais resistente e esse padrão foi adotado em 1995.

“A velocidade da quadra é afetada por uma série de fatores, como a compactação geral do solo ao longo do tempo, bem como o clima antes e durante o evento”, diz o texto oficial. “A bola parecerá mais pesada e mais lenta em um dia frio e úmido e, inversamente, mais leve e mais rápida em dia quente e seco. A altura do quique da bola é amplamente determinada pelo solo, não pela grama”, enfatiza o Club, que reconhece ter deixado a base mais ‘dura e seca’ para ‘permitir 13 dias de jogos’.

Para que tudo isso funcione, a grama tem de ser aparada todo santo dia para estar com exatos 8 milímetros de altura. O Club também garante: “Não houve alterações na especificação da bola desde 1995, quando foi feita uma alteração muito mínima na compressão”.

Não encontrei até agora, nem no material oficial, nem na imprensa britânica, referência quanto à troca total de grama da Quadra Central que estava programada para 2017, já que a última aconteceu em 2007 e o prazo tradicional é de 10 anos.

Rumo aos 500 mil?
Wimbledon é apontado como o maior eventual de realização periódica anual do calendário esportivo europeu. E foi de longe o evento que mais público reuniu no ano passado, quando foi atingida a marca recorde de 494 mil ingressos vendidos em 14 dias de competição, já que foi usado o tambéo o ‘domingo do meio’.

Isso supera o público do GP de Fórmula 1 (327 mil em três dias), a corrida de cavalos Royal Ascot (295 mil em cinco dias), o Cheltenham Festival de cavalos de corrida (261 mil em quatro dias). O quinto lugar também pertence ao tênis, com o ATP Finals (252 mil pessoas em oito dias).

Números  e fatos
– Lotação máxima permitida no Club por dia é de 39 mil espectadores nos dias de jogos.
– As 27 toneladas de morangos chegam em lotes diários, exatamente às 5h30, para inspeção. Uma porção com 10 morangos custa 2,5 libras (cerca de R$ 12 reais).
– Também são consumidos 300 mil xícaras de café ou chá, 250 mil garrafas de água, 190 mil sanduíches, 15 mil bananas, 12 toneladas de salmão e 150 mil taças de champanhe.
– Desde 1922, apenas sete edições de Wimbledons ficaram totalmente livres de chuva: 1931, 1976, 1977, 1993, 1995, 2009 e 2010. O ‘Middle Sunday’, que deveria ser dia de descanso, foi usado as edições de 1991, 1997, 2004 e 2016.
– As lonas que cobrem a Quadra Central pesam uma tonelada e são puxadas por 16 homens em exatos 30 segundos.
– A Rainha só esteve no Royal Box em 1957, 1962, 1977 e 2010.
– Slazenger é a bola oficial desde 1902. São oferecidas 52.200 bolas, sendo 20 mil para treinos e quali, todas armazenadas a 20 graus. Cada bola é testada manualmente para quique, peso e rigidez.
– Serão encordoadas 2 mil raquetes nas duas semanas.
– A final masculina Murray x Raonic foi vista por 13,3 milhões de pessoas na Grã-Bretanha, com audiência de 69% dos aparelhos ligados.
– O aplicativo para celulares de Wimbledon foi baixado 1,5 milhão de vezes.
– 40 quadras de grama são colocadas à disposição dos jogadores, sendo 22 para treino. Detalhe: não existe a quadra número 13.
– ‘Rufus’ é um falcão treinada especialmente para afastar os pombos do Club.
– O ‘hawk-eye’ está disponível nas seis quadras principais.
– A Quadra 1 também terá teto retrátil a partir de 2019.

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