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Garoto Djokovic
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2021 às 01:44

Duelo apertado, grandes trocas de bola, games demoradíssimos, correria para todos os lados, empenho máximo. E quem vai cansar primeiro? O mais veterano, é claro. Seria a lógica, caso esse velhinho não se chamasse Novak Djokovic. O garoto sérvio de 34 anos minou as energias do valente Jenson Brooksby, de 20, e marcou uma bela virada para ficar a apenas três vitórias do maior feito da história do tênis profissional.

Brooksby já havia mostrado toda sua qualidade técnica nos recentes torneios que disputou desde julho, mas o fato é que ele foi além do eu esperava por um set e meio. Encarou o número 1 do mundo com disposição leonina, concentrado para não cometer erros, nem ceder espaço. Mostrou inúmeras armas, cometeu um único erro não forçado e aplicou um raro 6/1 sobre Djokovic.

O desempenho se manteve muito alto no começo do segundo set, quando ele chegou a recuperar uma quebra importante após lances espetaculares e trocas sufocantes entre os dois. Cirúrgico, Djokovic prosseguiu sólido, obrigando o adversário a rebater sempre mais uma bola difícil e aí acabou o gás de Brooksby. Ficou cada vez mais à mercê do sérvio, que nessa altura já combinava saques poderosos, paralelas agudas, transições à rede. Ficou evidente que o volume de jogo era proporcional à diferença de idade. Fato curioso, Djokovic nunca perdeu para um norte-americano em 11 jogos no US Open.

O aguardado reencontro com Matteo Berrettini se confirma depois que o italiano suou para equilibrar a disputa contra o quali alemão Oscar Otte, até que o adversário sentiu o punho e não jogou mais nada no quarto set. Berrettini garante ascensão ao 7º lugar do ranking e faz quartas de Slam pela terceira vez seguida, ou seja, em três pisos distintos. Mas não parece confiante como se viu na campanha de Wimbledon, talvez por ainda não estar fisicamente inteiro. Contra a precisão da avassaladora máquina sérvia, considero muito pequena sua chance na quarta-feira.

Alexander Zverev por sua vez fez dois sets e meio impecáveis diante de Jannik Sinner, mas vacilou no finzinho e faltou pouco para o italiano esticar a partida. O piso mais veloz parece bem encaixado no estilo do alemão, a ponto de não perder sobre a superfície há 15 jogos. Esta será sua sétima presença nas quartas de um Slam e a terceira do ano.

Reencontrará a surpresa Lloyd Harris, 46º do ranking, a quem venceu duas vezes na quadra dura, incluindo a recente segunda rodada de Cincinnati. Com os mesmos 24 anos, o sul-africano já venceu três top 10 neste ano, tem agora 11-11 em partidas de Slam e merece elogios pela grande virada que conseguiu em cima de Reilly Opelka. Teve aliás o primeiro set nas mãos, porém sustentou a cabeça fria e aproveitou a perda de intensidade do grandalhão.

Mais uma ‘teen’ nas quartas
Emma Raducanu é a terceira adolescente nas quartas deste US Open, seguindo os passos de Leylah Fernandez e Carlos Alcaraz. Ela veio do quali e portanto já fez sete partidas, e sequer perdeu sets. É bem verdade que ainda não cruzou com uma cabeça de chave, mas destruiu nesta segunda-feira Shelby Rogers, que vinha da vitória heroica em cima de Ashleigh Barty.

Com apenas 15 games perdidos na chave principal, a canadense de nascimento não possui um saque excepcional, mas tenta sempre dominar rapidamente os pontos. E ainda assim consegue ser econômica nos erros.

Agora, vai enfrentar a campeã olímpica Belinda Bencic, que venceu uma partida difícil contra Iga Swiatek. em que precisou salvar quatro set-points na série inicial que fizeram enorme diferença. Apesar da vitória em dois sets, os números estatísticos foram muito semelhantes. Bencic fez semi no US Open de 2019, o que continua seu melhor resultado num Slam.

A outra vaga na semi ficará entre Karolina Pliskova e Maria Sakkari, que se encontraram duas vezes no saibro de Roma e estão empatadas. Depois de cravar 24 aces na segunda rodada e 20 na última, a vice de 2016 acertou apenas 6 contra Anastasia Pavlyuchenkova, mas foi muito bem na devolução, com 35% dos pontos. Sakkari virou contra Andreescu num jogo intenso de 3h30 em de novo a campeã de 2019 sentiui a parte física.

Stefani, Soares e Demoliner na briga
E o tênis brasileiro continua firme na luta pelos títulos de duplas do US Open. Luísa Stefani e Bruno Soares se juntaram a Marcelo Demoliner e assim temos um representante nas quartas de final em cada modalidade.

Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski estiveram um set e uma quebra atrás, mas conseguiram grande reação em cima das ucranianas Marta Kostyuk e Dayana Yastremska. Foram especialmente sólidas nas devoluções no terceiro set. Descansam nesta terça antes de encarar as tchecas Marie Bouzkova e Lucie Hradecka.

Bruno e Jamie Murray encontraram inesperada resistência de Daniel Koepfer e Emil Ruusuvuori, com tiebreaks tensos nos dois primeiros sets, e só então foram dominantes. Jogam nesta terça contra os especialistas Marcel Granollers e Horacio Zeballos, os cabeças 2.

Demoliner e Ellen Perez também jogam nesta terça contra Giuliana Olmos e Marcelo Arevalo. Se vencerem, a semi será contra Yastremska e Max Purcell.

US Open volta aos grandes dias
Por José Nilton Dalcim
5 de setembro de 2021 às 01:00

Para brindar o retorno da casa cheia aos torneios de Grand Slam, o US Open de 2021 decidiu ser espetacular. Mal terminou a primeira semana com a definição das oitavas de final e já é fácil colocar Flushing Meadows como o melhor e mais eletrizante Grand Slam dos últimos dois anos.

É um jogo melhor do que o outro. A novíssima geração mostra as garras com um tênis de qualidade ímpar e até o combalido tênis masculino norte-americano achou um jeito de brilhar e dar esperança de que o amargo jejum de grandes conquistas possa enfim estar perto do fim.

A rodada noturna tem sido especialmente mágica, e quase sempre na mãos das mulheres. A vitória de Shelby Rogers sobre a líder do ranking Ashleigh Barty pode não ter tido o mais alto nível técnico, principalmente da parte da australiana, porém deu o espetáculo que o público merecia. Rogers radicalizou a tática, mudou o ritmo das trocas de bola e saiu de 2/5 no terceiro set para derrubar a grande favorita ao título num tiebreak não menos emocionante.

Horas antes o estádio Louis Armstrong assistiu a uma batalha enlouquecedora, que fez lembrar os bons tempos da Copa Davis. O acrobático Gael Monfils remontou dois sets praticamente perdidos, levou ao quinto e lutou bravamente por cada ponto até enfim ser superado por Jannik Sinner, agora o mais jovem tenista a disputar oitavas em três Grand Slam desde Novak Djokovic e Andy Murray, em 2007.

O público também teve participação essencial em mais uma surpresa de Jenson Brooksby, 20 anos, que era um mero jogador de challenger até dois meses atrás. Com seu jeito todo peculiar de comemorar pontos, se energizou por cinco sets até bater Aslan Karatsev. Agora, irá enfrentar nada menos que o todo poderoso Djokovic e tudo que se deve esperar é arquibancadas super lotadas na segunda-feira num clima que só mesmo o US Open consegue reproduzir.

O sábado, aliás, teve mais uma estrela a despontar. Emma Raducanu, que já tinha feito oitavas em Wimbledon, juntou-se a Carlos Alcaraz e Leylah Fernandez na turma dos 18 anos que assombra o torneio. Espancando a bola sem dó, a britânica ficou muito perto de aplicar uma ‘bicicleta’ na já experiente Sara Sorribes. Será justamente a adversária de Rogers na segunda-feira.

Djokovic vira e finalmente vibra
O número 1 do mundo começou em ritmo lento o duelo contra o ‘freguês’ Kei Nishikori e esteve longe de seus melhores dias mesmo aplicando a virada, mas fez o bastante para alcançar a 18ª vitória sobre o japonês, que ao menos desta vez não se entregou ao desânimo.

Os pontos fortes de Djokovic foram o uso mais constante das paralelas, a força mental nos pontos importantes e enfim a vibração. Ainda que, ao final da partida, tenha novamente mostrado frieza pouco habitual na comemoração. Ele decidiu mesmo não externar demais.

Se mantiver o amplo favoritismo contra Brooskby, reencontrará Matteo Berrettini. O italiano está jogando para o gasto, mas tem muito mais gabarito do que Oscar Otte.

Sinner fará um duelo imperdível contra Alexander Zverev, a quem já venceu uma vez no saibro de Paris. O campeão olímpico enfrentava seu jogo mais duro desta primeira semana contra Jack Sock, quem diria, e seu forehand monstruoso, até que o ex-top 10 sentiu a coxa e abandonou..

O sonho americano deve seguir principalmente com Reilly Opelka, talvez o super-sacador que mais bem se desloca na base e que joga de fundo. Venceu seus três jogos em sets diretos, com apenas um tiebreak por jogo, e pega agora Lloyd Harris, que venceu sem sustos ao pressionar o backhand de Denis Shapovalov.

Caminho aberto
Sem Barty pela frente, as seis cabeças de chave que estão de pé na chave de cima podem sonhar com a final. Principalmente, Belinda Bencic e Iga Swiatek que se encaram sabendo que a ganhadora terá Raducanu ou Rogers na rodada seguinte. A polonesa passou apertos contra Anett Kontaveit e se tornou a única jogadora da temporada a estar ao menos nas oitavas de todos os Slam.

Depois do sufoco da rodada anterior, Karolina Pliskova disparou 20 aces em dois sets curtos e recuperou fôlego para encarar Anastasia Pavlyuchenkova contra quem tem histórico de 6 a 2. A vencedora terá Bianca Andreescu ou Maria Sakkari nas quartas. A grega foi muito bem contra Petra Kvitova com mais aces (9 a 5) e muito menos erros (16 a 34).

Djoko amplia façanhas, Zverev assusta
Por José Nilton Dalcim
3 de setembro de 2021 às 00:51

A excepcional qualidade da devolução, que obrigou o adversário a jogar praticamente todos os pontos depois do seu serviço, foi mais do que suficiente para Novak Djokovic avançar sem desgaste à terceira rodada do US Open.

Por isso, nem mesmo a perda de um serviço no segundo set e a disputa de alguns games mais apertados fez qualquer diferença. O sérvio se mostrou outra vez muito concentrado e irá rever no sábado o ‘freguês’ Kei Nishikori, que precisou sobreviver a maratona 4 horas de cinco sets contra Mackenzie McDonald. A cena do japonês se arrastando pela quadra após suadas trocas contra Nole é bem conhecida.

Com o segundo dos sete passos que precisa para o grande feito, Djokovic também se isola ainda mais dos concorrentes. Agora, é o único a somar ao menos 77 vitórias em cada Slam, que se somam às 79 em Wimbledon, 81 em Paris e 82 em Melbourne.

Nishikori de qualquer forma aumenta sua marca de 27 vitórias em 34 partidas que foram ao quinto set, a maior entre os jogadores em atividade.

É inegável que Alexander Zverev também viveu uma quinta-feira inspiradíssima e atropelou de forma impiedosa o canhoto Albert Ramos, com estatísticas notáveis: 81% de primeiro saque em quadra, com sucesso em 40 de 43 desses pontos, nenhum break-point cedido e 27 a 10 nos winners. Atuação assustadora.

Para ir às oitavas, terá de passar por um surpreendente Jack Sock, o ex-top 10 que hoje é 184º após muitas contusões e perda total de confiança. É a primeira vez que ganha dois jogos seguidos de Slam desde o Australian Open de 2017, período rm que virou grande duplista com quatro troféus de Slam. A vitória sobre Alexander Bublik em cinco sets foi empolgante. E olha que o cazaque disparou 40 aces contra 9.

Pliskova escapa
Mais uma grande noite para o tênis feminino na Arthur Ashe. Karolina Pliskova e Amanda Anisimova fizeram um duelo milimétrico, com golpes espetaculares de lado a lado, nervos no topo, coragem e precisão em momentos de extrema pressão.

Pliskova disparou 24 aces, Anisimova fez 44 winners no total e a decisão no tiebreak viu match-points para os dois lados. A vice-campeã de Wimbledon deste ano e do US Open de 2016 avança para encarar Ajla Tomljanovic certa de que há ainda muitos desafios pela frente nesta dura chave.

Ashleigh Barty desta vez não me agradou. A jovem Clara Tauson é de nível claramente inferior, mas a número 1 não se soltou. Agora reencontra pela quinta vez neste ano a local Shelby Rogers, tendo vencido todas.

Já a campeã olímpica Belinda Bencic fez jogo tranquilo, mas agora começam suas provações: Jessica Pegula e depois Iga Swiatek ou Anett Kontaveit. A polonesa levou um bom susto diante de Fiona Ferro.

Bianca Andreescu sofreu bem menos nesta segunda rodada e é super favorita diante de Greet Minnen, mas depois terá Petra Kvitova ou Maria Sakkari. Ou seja, tudo pode acontecer.

E mais
– Karatsev salvou dois match-points contra Thompson e enfrenta a sensação local Brooksby, que virou contra Fritz, foi duas vezes ao vestiário e gastou um total de 20 minutos por lá. E fez um lance incrível. Quem vencer, deve ser o adversário de Djokovic nas oitavas.
– Aos 37 anos, Seppi perdeu feio o primeiro set e depois se agigantou contra Hurkacz. Boa chance de dar duelo italiano nas oitavas contra Berrettini. O cabeça 6 não pôde vacilar contra Moutet.
– Monfils contra Sinner deve ser melhor duelo da parte de cima da chave nesta terceira rodada. O francês deu show e ganhou até a torcida, mesmo enfrentando Johnson. O italiano quase se enrolou contra o promissor Svajda, americano de 18 anos e 716º do ranking mas de personalidade e bons golpes.
– Setor mais enrolado terá Opelka-Basilashvili e Shapovalov-Harris.
– Dia muito positivo para os duplistas brasileiros, com vitórias de Stefani, Soares, Demoliner e Monteiro. Só mesmo Melo caiu, e duas vezes, incluindo as mistas com a Luísa. E o dia foi de zebras, com quedas de Mektic/Pavic e Krejcikova/Siniakova.
– Estrela em Wimbledon onde fez oitavas, Raducanu ‘furou’ o quali em Nova York e já ganhou duas na chave.
– Kerber venceu jogo atrasado da parte inferior da chave e marcou duelo de campeãs diante de Stephens para esta sexta-feira.