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Dez fatos sobre os cabeças de chave em Paris
Por José Nilton Dalcim
14 de maio de 2019 às 18:05

Esta é a semana que decide quem serão os 32 cabeças de chave em cada sexo para Roland Garros. Para muita gente, estar nessa lista tem importância capital. Vamos à situação de momento, com muita coisa já definida.

1. Estar entre os quatro cabeças em Roland Garros era obviamente essencial para Dominic Thiem. E ele garantiu o lugar depois de outra amarga derrota de Alexander Zverev, que defendia o vice em Roma.  O austríaco até pode ser o 3, superando Roger Federer, mas isso não faz qualquer diferença porque o sorteio é quem decide se ele estará do lado de Novak Djokovic ou de Rafael Nadal.

2. Os cabeças de 5 a 8 também estão quase definidos. Ficarão com Zverev, Stef Tsitsipas, Kei Nishikori e provavelmente Juan Martin del Potro, já que Kevin Anderson já anunciou que não vai a Paris. O argentino tem concorrência distante de Fabio Fognini e Karen Khachanov. Eles terão de marcar cerca de 200 pontos a mais que Delpo, ou seja, estar no mínimo na semifinal.

3. É muito valioso figurar entre os cabeças de 9 a 12, porque isso evita cruzar nas oitavas com os cabeças de 1 a 4. No momento, estariam nessa condição John Isner, Fognini, Khachanov e Marin Cilic. Com as derrotas precoces, Daniil Medvedev e Gael Monfils não podem chegar. Borna Coric precisa pelo menos de qaurtas para entrar na briga.

4. Os cabeças 13 a 16 fecham o grupo de elite, mas são aqueles que poderão pegar os quatro primeiros nas oitavas, o que não é bom negócio. Ficarão aí Medvedev e Monfils e provavelmente Coric. Como Milos Raonic também não vai a Paris, a outra vaga está aberta, com maior chance para Nikoloz Basilashvili, Marco Cecchinato, Roberto Bautista e quem sabe Diego Schwartzman.

5. Por fim, os outros 16 cabeças terão certamente Guido Pella, Denis Shapavalov, Alex de Minar, Lucas Pouille, Stan Wawrinka, Felix Aliassine, Gilles Simon, David Goffin e Kyle Edmund. Há um grupo grande de candidatos para as quatro vagas finais, com Matteo Berrettini, Dusan Lajovic, Laslo Djere, Nick Kyrgios e Fernando Verdasco.

6. Ficarão soltos na chave nomes perigosos, como Christian Garin, Marton Fucsovics e Hubert Hurkacz, assim como Pablo Cuevas, Jan-Lennard Struff e Jaume Munar. E, por que não?, Richard Gasquet e Grigor Dimitrov.

7. A indefinição é muito maior na chave feminina, embora haja enorme chance de Naomi Osaka e Simona Halep ficarem nas extremidades. Ainda sem saber se Angie Kerber estará em forma para jogar Paris, há disputa entre todos os postos de 1 a 8.

8. As maiores prejudicadas são Elina Svitolina e Serena e Williams, que não avançaram em Roma. Serão quase certamene as cabeças 9 e 10, o que não é de todo ruim porque enfrentarão cabeças de 5 a 8 nas oitavas.

9. Complicada mesmo parece a situação de Garbine Muguruza. A campeã de Roland Garros está no 19º lugar e precisaria lucrar 400 pontos em Roma para ao menos entrar como cabeça 16.

10. Outra vencedora de Paris, Jelena Ostapenko abandonou nesta terça-feira quando já perdia em Roma e não será sequer cabeça.

Os favoritos na reta final
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2019 às 20:13

Os três candidatos mais sérios ao título do próximo Roland Garros estão nas semifinais de Madri. Ainda que o saibro da Caixa Mágica, com altitude e bolas diferentes, não seja nem de longe um parâmetro perfeito para Paris, o que parece estar em jogo é muito mais emocional. Novak Djokovic e Rafael buscam uma reação – e um título agora seria espetacular para evitar mais cobrança em Roma -, enquanto Dominic Thiem tem a chance de roubar de vez a cena.

A sexta-feira dos três foi radicalmente diferente. Nole nem precisou entrar em quadra porque Marin Cilic sofreu intoxicação alimentar, Thiem conseguiu outra virada em cima de Roger Federer com direito a dois match-points dignamente evitados num duelo de tirar o fôlego. Rafa esteve impecável no saque, na precisão dos golpes e na visão tática diante de um Stan Wawrinka perdido.

É preciso destacar a mudança de postura de Thiem diante de Federer, algo muito semelhante ao que aconteceu na final de Indian Wells, em março. Dominado no primeiro set, ele passou a jogar mais perto da linha, caprichou no saque e fez o suíço se mexer sempre gerando muito spin dos dois lados. Mais uma vez, Roger jogou em alto nível, encarou um dos grandes do saibro atual, executou um plano tático ousado e chegou aos pontos da vitória. Mas viu o austríaco sacar muito bem – o tiebreak de 15 minutos foi excepcional – e ganhar enorme confiança para um terceiro set em que esteve o tempo todo à frente.

Se pretende sua terceira final seguida em Madri, Thiem precisa agora ganhar pelo terceiro duelo seguido do descansado Djokovic, que lidera no geral por 5-2. Se conseguir, a lógica indica que seu adversário na final de domingo será Nadal. E aí ele terá a chance de derrotar os três líderes do ranking, o soberano Big 3, numa sequência histórica. Será?

Acredito que Nadal tenha recuperado grande parte de sua confiança com as três vitórias em Madri, e ainda mais por atropelar um adversário da qualidade de Wawrinka. Porém, ao mesmo tempo ele pode entrar em quadra neste sábado com o pequeno fantasma de ter sido eliminado nas duas semifinais que fez no saibro nas últimas semanas, em Monte Carlo e Barcelona. E a ansiedade é um dos maiores inimigos de qualquer tenista.

Stefanos Tsitsipas já teve três experiências diante de Nadal, o que é sempre valioso, mas somente em uma conseguiu ser competitivo, na final inesperada que fez no Canadá no ano passado. Sobre o saibro de Barcelona e ainda mais em Melbourne de janeiro, viveu um pesadelo. Embora tenha golpes de base que claramente amadurecem, Stef gosta mesmo é de atacar e a altitude de Madri ajuda. Usou excepcionais voleios para barrar o atual campeão Alexander Zverev nesta sexta-feira, num jogo intenso e de qualidade muito boa.

Limitado a treinar, Djokovic deve ter assistido a isso tudo. O quanto a parada forçada será boa ou ruim, teremos de esperar para ver. Se ficou livre de qualquer pressão e enfim faz uma semifinal de Masters na temporada, não ir à quadra quebra totalmente o ritmo de competição. Mais do que nunca, sua longa experiência em momentos importantes terá de fazer diferença.

Grande final feminina
A holandesa Kiki Bertens terá sua segunda chance de ganhar Madri neste sábado e, ao mesmo tempo, adiar outra vez a oportunidade de Simona Halep retornar à liderança do ranking. A romena gosta mesmo do saibro veloz e já vai em busca do terceiro título em quatro edições na Caixa Mágica.

Aos 27 anos, Bertens vive grande momento no circuito. Utiliza bem seu 1,83m para buscar um jogo ofensivo, embora não seja afoita. É um contraste com a preferência de Halep pelos contragolpes e assim deveremos ter um duelo de estilos e táticas dos mais interessantes. O histórico confirma isso: 3 a 2 para Halep.

Sem ainda perder sets na semana, incluindo a ótima vitória sobre Petra Kvitova, Bertens também tem seu sonho de ranking e chegará pela primeira vez ao top 5 caso conquiste seu nono e maior troféu. Se erguer o 19º da carreira e o primeiro da temporada, Halep chegará ao número 1 pela terceira vez.

Curtinhas
– Incansável, Tsitsipas disputou à noite a semi de duplas ao lado de Koolhof e se esforçou: perderam no match-tiebreak para Rojer/Tecau, que mais cedo viram Medvedev se contundir e deixar Demoliner na mão.
– Thiem também está na semi de duplas, junto a Schwartzman, e joga depois das simples contra Pella/Sousa.
– Federer entrou na chave de Roma, mas diz que só irá decidir pela ida ao Foro Itálico no fim de semana. No seu lado da chave ficaram Tsitsipas ou Fognini e depois Nadal ou Thiem. Até mesmo a segunda partida contra Coric ou Aliassime pode ser dura.
– O caminho de Djokovic tem Cecchinato nas oitavas, Medvedev nas quartas e Zverev, Monfils ou Nishikori na semi.
– Gente boa de saibro, como Lajovic, Jarry, Hurkacz, Munar e Klizan, terão de jogar o quali.
– O Premier romano tem como grande atração a presença da tricampeã Serena, que fará seu único preparativo para Roland Garros. Entre as melhores, apenas Kerber ficou de fora por contusão.

Madri define o melhor do ano
Por José Nilton Dalcim
9 de maio de 2019 às 18:46

Os cinco tenistas que mais somaram pontos na temporada avançaram às quartas de final do Masters 1000 de Madri e isso significa que a liderança do ranking desde janeiro, a chamada Corrida para Londres, estará totalmente aberta nos próximos três dias. Novak Djokovic tem no momento apertada vantagem de 125 pontos sobre Roger Federer, que por sua vez está 135 à frente de Rafael Nadal. O curioso é que tanto Stefanos Tsitsipas como Dominic Thiem podem ultrapassar o Big 3, embora para isso agora dependam do título.

Thiem já terá duelo direto contra Federer no jogo mais interessante desta sexta-feira, que remonta à recente final de Indian Wells, em que o austríaco jogou demais. O serviço foi seu ponto alto do duelo contra Fabio Fognini. O italiano desperdiçou um set-point que poderia ter mudado tudo. Thiem está com a confiança lá em cima e adora Madri, onde foi finalista nos dois últimos anos.

Federer por sua vez abusou de sua habilidade junto à rede para virar um terceiro set que parecia perdido contra Gael Monfils. O francês não jogou nada e levou um ‘pneu’, mas de repente entendeu que teria de ser agressivo e aí virou outro jogador. Chegou a ganhar cinco games seguidos entre o final do segundo set e o início do decisivo, liderando até 4/1. Mas parece ter acreditado que o suíço não tinha mais pernas e jogou passivamente um game crucial. Esperou por erros que não aconteceram e de repente tudo já estava empatado.

Veio então o grande momento da partida. Com Monfils concentrado e mesmo sem acertar primeiro saque, Federer parecia estar numa quadra de grama. Jogou pontos de extrema pressão na base do saque-voleio, incluindo os dois match-points que evitou antes do tiebreak.E manteve a postura até concluir a vitória de número 1.200 da carreira. Grande espetáculo.

Pouco antes, Djokovic foi exigido pelo ‘freguês’ Jeremy Chardy, que chegou a ter break-point para enfim ganhar um set do número 1. Mas nessas horas a frieza do sérvio aflora. Sacou firme no backhand, virou o game e dominou o tiebreak. Em busca enfim de uma semifinal de nível Masters na temporada, o que escapou em Indian Wells, Miami e Monte Carlo, encara outro velho conhecido. O croata Marin Cilic só ganhou 2 de 19 duelos diante de Nole e avança aos trancos e barrancos no saibro madrilenho, já com três partidas no set decisivo. Lesle Djere teve tudo para vencer, mas saiu completamente de jogo quando tinha uma quebra e um break-point à frente no segundo set.

A nova geração foi barrada outra vez por Nadal. Havia preocupação com seu saque, já que o golpe não funcionou bem em Monte Carlo e Barcelona e é essencial na altitude de Madri, mas até aqui o espanhol saiu-se muito bem. Sua capacidade de cobrir rapidamente a quadra e buscar ângulos deu poucas oportunidades para Frances Tiafoe, que fez até um segundo set competitivo. Agora acontece o reencontro com Stan Wawrinka. O suíço foi muito superior a Kei Nishikori, porém barrar Nadal é outro universo. Terá de assumir riscos o tempo inteiro e evitar a correria.

Tsitsipas é o quarto representante do backhand de uma mão nestas quartas de final. Vem do título no Estoril e faz uma temporada muito mais sólida do que o alemão Alexander Zverev. O atual campeão sobreviveu a duras penas. O bom Hubert Hurkacz sacou com 4/3 no segundo set e depois abriu 2/0 no terceiro. Os top 10 da NextGen irão se cruzar já pela terceira vez, a primeira no saibro, e cada um venceu uma partida.

Número 1 aberto
A liderança do ranking feminino também está em jogo nestas rodadas finais do Premier de Madri, tudo graças à grande reação de Belinda Bencic no terceiro set diante de Naomi Osaka, ganhando os últimos quatro games. A japonesa, que havia vencido o primeiro set, sacou para a vitória com 5/3 no terceiro.

Vivendo outra vez um grande momento na ainda curta carreira, Bencic vai cruzar justamente contra a postulante ao trono, Simona Halep. A romena dominou Ash Barty, mas precisa do título na Caixa Mágica para ir ao topo pela terceira vez.

A suíça venceu todas as top 5 que encarou nesta temporada, incluindo a própria Halep rumo ao grande título de Dubai. Já é novamente top 15, com méritos.

A outra semi ficará entre Kiki Bertens e Sloane Stephens. A holandesa de 1,82m se vingou da derrota sofrida para Petra Kvitova na final do ano passado e também na semi de Stuttgart dias atrás. Será um duelo interessante contra o estilo mais defensivo e cadenciado da norte-americana, em sua melhor campanha de 2019.

Curtinhas
– Sete dos atuais top 10 estão nas quartas masculinas, sendo os cinco líderes. A exceção é Wawrinka, que ao menos já garantiu o retorno à faixa dos 30 primeiros. Mesmo derrotado, Fognini alcançará outro recorde pessoal com o 11º posto.
– Thiem tem 3-2 no histórico contra Federer, com uma vitória em cada piso. A do saibro veio nas oitavas de Roma de 2016, exatamente o último jogo do suíço sobre a terra antes desta semana.
– Esta é apenas a segunda presença em quartas de Zverev no ano (foi vice em Acapulco). A boa notícia é que não deixará o top 5 mesmo se perder. O grego realiza melhor campanha em Masters desde o vice inesperado de Toronto em 2018.
– Depois de perder 14 vezes seguidas, Cilic venceu dois dos últimos cinco jogos contra o amigo Djokovic, e mesmo essas derrotas recentes foram apertadas.
– Vantagem semelhante tem Nadal sobre Wawrinka: 17 a 3. O suíço no entanto não ganha desde Roma-2015, sua única vitória na terra sobre o espanhol. Na final de Madri de 2013, Rafa fez 6/2 e 6/4.