Arquivo da tag: Alexander Zverev

A super década de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
7 de dezembro de 2020 às 09:06

Maior colecionador de títulos, incluindo os de Grand Slam, de Finals e de Masters, e detentor dos melhores percentuais de vitórias em todos os campos, o sérvio Novak Djokovic foi de longe o rei da década que se encerra neste 2020. Não por acaso, terminou seis dessas 10 temporadas na ponta do ranking.

Com triunfos de peso em todas as superfícies, Djokovic ganhou nada menos que 87,6% de todas as partidas que disputou entre 2011 e 2020, período que marca seu auge absoluto. Seus mais diretos concorrentes ficaram consideravelmente distantes: Rafael Nadal atingiu 83,8% e Roger Federer, 83,5%. Também ergueu 63 troféus, 20 a mais do que o canhoto espanhol, e venceu 16 torneios de Grand Slam, cinco acima de Nadal. Em nível Masters, foi goleada: 31 a 17.

Vejamos os números que sacramentaram esse domínio incontestável de Nole na década que se encerra:

Títulos gerais
Novak Djokovic – 63 títulos
Rafael Nadal – 43
Roger Federer – 37
Andy Murray – 30
David Ferrer – 18
Dominic Thiem – 17
Juan Martin del Potro  – 15
Stan Wawrika e John Isner – 14
Alexander Zverev, Marin Cilic e Jo-Wilfried Tsonga – 13

Qualidade dos títulos
Djokovic – 16 GS, 4 Finals, 31 Masters, 0 Copa Davis
Nadal – 11 GS, 0 Finals, 17 Masters, 2 Davis
Federer – 4 GS, 1 Finals, 11 Masters, 1 Davis
Murray – 3 GS, 1 Finals, 8 Masters, 1 Davis, 2 ouros olímpicos
Wawrinka – 3 GS, 0 Finals, 1 Masters, 1 Davis
Cilic – 1 GS, 0 Finals, 1 Masters, 1 Davis
Thiem – 1 GS, 0 Finals, 1 Masters
Zverev – 0 GS, 1 Finals, 3 Masters
Medvedev – 0 Gs, 1 Finals, 3 Masters
Dimitrov – 0 GS, 1 Finals, 1 Masters
Tsitsipas – 0 GS, 1 Finals, 0 Masters
Delpo, Isner, Fognini, Tsonga, Ferrer, Sock. Khachanov – 1 Masters

Percentual de vitórias gerais
Djokovic – 87,64
Nadal – 83,86
Federer – 83,56
Murray – 79,42
Del Potro – 74,69
Nishikori – 70,06
Ferrer – 69,78
Raonic – 69,16
Berdych – 68,60
Wawrinka – 67,37

Percentual de vitórias em Slam
Djokovic – 90,56
Nadal – 88,04
Federer – 84,15
Murray – 83,13
Wawrinka – 76,39
Del Potro- 75,00
Berdych – 73,77
Cilic – 73,44
Raonic – 73,33
Ferrer – 73,28

Percentual de vitórias em Masters 1000
Djokovic – 86,67
Nadal – 82,52
Federer – 79,70
Murray – 72,62
Del Potro – 66,67
Zverev – 66,35
Raonic – 65,57
Berdych – 64,67
Nishikori – 63,75
Ferrer – 63,33

Djokovic garante o melhor na semi
Por José Nilton Dalcim
20 de novembro de 2020 às 19:53

Só faltava Novak Djokovic para que as semifinais do ATP Finals deste ano reunisse pela primeira vez, desde 2004, todos os quatro principais cabeças de chave nas rodadas decisivas. E o número 1 do mundo não decepcionou. Esqueceu da dura derrota de quarta-feira, recuperou o nível e a confiança diante de um Alexander Zverev sempre mais instável porém competitivo.

Pela nona vez em 13 participações, Djokovic avança ao mata-mata e tenta recuperar a hegemonia que teve pela última vez em 2015. Nesse período, perdeu duas finais, ficou de fora em 2017 e parou na primeira fase no ano passado. Num momento histórico de sua carreira, em que atinge recordes e mira façanhas especiais, o quinto título na O2 – o primeiro foi em Xangai – seria espetacular.

O desafio deste sábado é dos grandes. Embora lidere por 7 a 4 sobre Dominic Thiem, é inquestionável que o austríaco deu um salto técnico e físico, a ponto de ter vencido 4 dos 6 últimos duelos contra o sérvio. E não se pode dizer que isso só ocorreu no saibro, porque as duas últimas verdadeiras batalhas foram na quadra dura. Há um ano, Thiem ganhou no mesmo Finals no tiebreak do terceiro set e dois meses depois levou Nole a cinco disputadíssimos sets no piso ainda mais veloz de Melbourne, em que chegou a liderar o placar por 2 a 1.

É razoável conceder o favoritismo a Djokovic, que joga perto da linha, pega na subida e tira o tempo tão precioso para Thiem armar seus golpes, especialmente o backhand. Mesclar saques abertos seguido de voleios serão boa alternativa diante do recuo exagerado do austríaco nas devoluções. Ao mesmo tempo, será essencial não encurtar bolas porque os golpes pesados de Thiem são difíceis de segurar. E ficar esperto com a variação de slices e batidas na paralela que o backhand adversário consegue produzir com magistral eficiência.

Daniil Medvedev finalizou a fase classificatória como  grande sensação. Venceu todos os sets disputados, cinco deles por 6/3 e um outro por 6/4. Ele até poderia ter economizado energia, mas jogou sério e solto contra Diego Schwartzman, com direito até a voleios firmes. Chegará cheio de confiança para o quarto duelo diante de Rafael Nadal na quadra dura e o segundo na própria arena O2.

O histórico é muito favorável ao espanhol, que jamais perdeu, mas todo mundo se lembra da reação incrível do russo na final do US Open de 2019 e do jogo duríssimo que fizeram na fase classificatória do Finals, com placar de 6/7, 6/3 e 7/6. Portanto, é de se esperar intensas trocas de bola e se dar grande importância ao saque, o que permitirá a cada um dominar pontos e simplificar o esforço.

Bruno prejudicado
Depois de uma suada vitória, outra vez no match-tiebreak, Bruno Soares e o croata Mate Pavic ficaram na torcida para que Marcel Granollers e Horacio Zeballos tirassem ao menos um set de Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin. Parecia tudo tranquilo quando os dois sacaram com 5/3. Mas não fecharam. Permitiram ao contrário a reação e quando chegou o tiebreak, Granollers parou. Acusou dor no ombro e desistiu. Dessa forma, Melzer/Vasselin ganharam exatamente por  2 a 0, como determina a regra, único placar que os classificava.

Não ficou bonito. Que ao menos se disputasse o tiebreak. Granollers por enquanto não abandonou e tentará jogar a semi de sábado contra o croata Nikola Mektic e o holandês Wesley Koolhof, enquanto Melzer/Vasselin encaram o norte-americano Rajeev Ram e o britânico Joe Salisbury.

Soares e Pavic encerram a parceria dessa forma triste, mas ainda podem terminar como a dupla mais bem pontuada de 2020, desde que Ram/Salisbury não cheguem à final.

50 anos de Finals
O milionário texano Larry Ellison convenceu a ATP a realizar o Finals em quadra descoberta, algo que só havia acontecido em 1974, na grama de Kooyong. Foi no entanto o segundo menor estádio que sediou o torneio, com capacidade para 5.240 pessoas. Roger Federer ganhou ali os dois primeiros de seus seis troféus, em decisões fáceis. A de 2004 foi em apenas dois sets, repetindo a exceção de 1979. Esse regulamento só mudaria definitivamente em 2008.

Semi merecida para Nadal
Por José Nilton Dalcim
19 de novembro de 2020 às 20:53

Com três atuações de muito bom nível, seria um tanto injusto que Rafael Nadal ficasse de fora das semis do ATP Finals. Seus desafios no entanto estão longe de terminar. Agora terá pela frente o perigoso Daniil Medvedev, contra quem ganhou num tremendo sufoco há exatos 12 meses na quadra dura coberta da O2.

O saque foi o ponto alto do espanhol no primeiro set, encaixando 76% do primeiro serviço e perdendo apenas dois desses pontos. O índice caiu no outro set, Nadal precisou trabalhar mais cada ponto e, a exemplo do grego, cometeu dupla falta na hora do set-point.

A eficiência com o saque desabou para 54% num terceiro set marcado logo de cara por três quebras consecutivas. Mas aí o espanhol já era bem mais consistente que o adversário. Mexia-se com leveza, o que permitia usar o forehand e evitar bolas curtas. A estatística simplifica a análise: Nadal, tido como mais defensivo, marcou 32 a 24 nos winners. Tsitsipas, que precisava encurtar os pontos, errou 21 vezes contra meros 13.

O Finals está assim com 75% de chance de ter um novo campeão, como vem acontecendo continuamente desde 2016, já que o vencedor do grupo 2 em Londres foi Dominic Thiem. O austríaco sofreu a primeira derrota da semana contra um Andrey Rublev calibrado – foram apenas nove erros, algo notável para seu estilo socador -, mas me pareceu que Thiem não se empenhou tanto.

Os únicos que podem repetir o título são os que lutarão pela vaga derradeira, em duelo marcado para as 11h de sexta-feira: Novak Djokovic leva natural favoritismo sobre Alexander Zverev, o que se reforça pelo fato de os dois terem mostrado grande instabilidade nas rodadas anteriores. O alemão não possui a paciência de Medvedev para aguentar a pancadaria da base, então espera-se que vá para o risco. Se estiver num bom dia, o jogo ficará interessante.

Bruno perto da semi
A chance de Bruno Soares e o croata Mate Pavic passarem à semi é grande. Segundo os cálculos da ATP, uma vitória em sets diretos sobre Peers/Venus é o que basta. Se perderem um set, terão de torcer para Granollers/Zeballos tirar um set de Melzer/Vasselin. E mesmo perdendo Soares/Pavic ainda não estarão diretamente eliminados, desde que ganhem ao menos um set e Granollers/Zeballos terminem invictos.

A quinta-feira também reservou novidade para os dois maiores duplistas brasileiros. Bruno anunciou que irá retomar a parceria com Jamie Murray em 2021 porque Pavic o surpreendeu após Paris, rompeu a dupla com o intuito de treinar para os Jogos Olímpicos com Mektic. Já Marcelo Melo ganhou enfim em Londres e isso marcou a despedida emocionada do vitorioso dueto de quatro anos que fez com o polonês Lukasz Kubot. Não houve uma justificativa oficial, mas a temporada fraca pode explicar. Acredita-se que Melo jogará agora ao lado de Jean-Julien Rojer.

Koolhof/Ketic terminaram em primeiro no grupo 2, seguidos por Ram/Salisbury. De todos os postulantes ao título, o único que já foi campeão de um Finals é Granollers, enquanto Ram e Venus fizeram finais.

50 anos de Finals
Encerrado o contrato com os promotores alemães, o ATP Finals foi negociado com empresa portuguesa, que queria aproveitar o momento de Guga Kuerten e por pouco o torneio de 2000 não aconteceu em São Paulo. Esbarrou no velho problema da falta de um local decente. Ainda se tentou convencer o governo paulista a bancar uma arena na USP, mas não vingou. A solução foi aproveitar a estrutura do recém-inaugurado Parque das Nações de Lisboa, que usou um piso sintético lento e assistiu à histórica conquista de Guga, que se tornava assim o segundo sul-americano a vencer o Finals. As edições seguintes aconteceram em Sydney e Xangai, ambas vencidas pelo jovem Lleyton Hewitt.